Vinte Linhas 539

Das aldeias de Xisto aos passarinhos de Alcobaça

Passei um fim-de-semana em cheio numa casa de Xisto nos arredores de Penela (Ferraria de São João) pois fui convidado a apresentar um livro na Festa do Livro de Penela. E foi tão em cheio que até um mal-entendido sobre um restaurante que, afinal, estava fechado, se resolveu, por bem, com uma refeição alternativa no Retiro do IC8 algures entre o Casal de São Simão e o Fato. Carapaus divinais em molho de escabeche, bom pão e óptimo vinho, fizeram as delícias dos viajantes cansados.

Ao lado de Festa do Livro, a feira de Penela com produtos da terra (nozes, cebolas, alhos, arroz carolino, vinho, azeite) e as chamadas quiquilharias: comprei um cinto novo a um feirante marroquino que, quando lhe pedi para pôr o meu cinto velho no caixote do lixo, respondeu: «Este cinto não de deita fora, está só usado mas funciona».

Para quem vive lado a lado com a ideia e a prática do desperdício fácil, esta foi uma lição de sobriedade, de ecologia, de vida enfim. Porque aquele cinto velho mas funcional pode (vai) ser útil a alguém que vive em piores condições do que nós.

Parei em Alcobaça para tomar uma bebida fresca e descansar. Como tinha o carro perto do Tribunal, achei curioso as duas gaiolas que numa das paredes do edifício são a casa de alguns passarinhos. Estes são felizes. Num restaurante do Alandroal («A Maria») as autoridades obrigaram o proprietário a substituir o passarinho vivo por um desses dos chineses. De plástico, claro, talvez por razões higiénicas. Mas os de Alcobaça são mais felizes do que o do Alandroal. A eles ninguém chega, neles ninguém toca. Estão na parede do Tribunal e a ASAE não chega lá. Ainda bem.

9 thoughts on “Vinte Linhas 539”

  1. Eu diria mais do «mal-entendido» do restaurante do Casal de São Simão. EStava fechado. O cinto foi uma cena bonita: depois de falarmos de um jogador marroquino do Sporting (Hadji) que não falava árabe mas sim patuá percebi que o meu velho cinto podia ser reciclado.

  2. OH JCF, um cinto novo para apertar o cinto, você não acha que é um desperdício justamente tribitável ?
    A justiça de Alcobaça que tem dois cárceres privativos para prender pássaros e, já se vê, para praticar discriminação sexual, será que deixa fugir passarões, tudo à balda e fé em deus ?
    Ah esta justiça de castela … !
    Sobre os passaros de plástico que, pelos vistos nem cidadãos nacionais são, a Mexicana tem pássaros verdadeiros lá dentro, às vezes também passarões e, até cá fora, nas árvores da Praça de Londres, só para fazerem companhia ao Guerra Junqueiro, Poeta e Lavrador do meu Doiro natal.
    E bem merece.
    Obrigado
    Jnascimento

  3. Ai esta Carmen, que não deixa passar nada… Claro que pagaram, foi uma Festa do Livro a sério em Penela, sem amadorismos bacocos.

  4. Pois, a festa do livro só se fazia com profissionais como tu. Passeias, comes e bebes, tudo à conta e ainda recebes umas massas, sorte, pá! Quem é que te paga? Cá o pagode, tá-se a ver! Ainda vou escrever uns versos de pé quebrado e depois candidato-me, não deve ser difícil.

  5. Jnascimento meu caro, o pássaro é dos chineses, não tem que saber. Loja dos trezentos, pois então, a bem da nação, ora essa…

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