Vinte Linhas 540

Trinta anos depois a mesma magia, o mesmo ritual

Vou ao lançamento de um livro, estamos em 2010 mas é sempre como em 1980 quando, por um encontro fortuito no «Diário Popular», Jacinto Baptista dividiu comigo os vários convites das editoras. Daí surgiu a coluna «Um livro – um autor» e uma sucessão de nomes: Nuno Júdice, António Alçada Baptista, Joaquim Pessoa. O livro de hoje «A implantação da República na Imprensa Portuguesa» recorda-me de imediato «Um jornal na Revolução» de Jacinto Baptista. Trata-se de um baptizado mas o hissope está disfarçado de garrafas de água e os celebrantes são três – autor, editor, apresentador. Nair Alexandra, Guilhermina Gomes e Luís Farinha. O ano de 1910 corresponde a uma explosão de jornais operários com mais de 600 títulos mas há muitos outros sobre temas novos na vida portuguesa – desporto, cinema, teatro, música. É também o tempo do esplendor do fotojornalismo com Joshua Benoliel, o homem que estava em todo o lado. Mudava o rosto do jornalismo em Portugal, da palavra apoiada na gravura passava à fotografia que dizia mais do que a legenda. Pormenor curioso: a presença em Portugal do presidente eleito do Brasil (Hermes da Fonseca) leva alguns jornais a proclamar «Viva o República do Brasil!». Tempo também de mistérios: havia mais homens no Torel para defender a Monarquia do que na Rotunda para empurrar a República. Nas eleições de 28-8-1910 foram eleitos 14 deputados republicanos e desde 1908 a Câmara Municipal de Lisboa era governada por uma vereação republicana com um governo central monárquico. Nair Alexandra (n.1966) prova que a Imprensa é um meio excelente para ler a dinâmica das mudanças da História. E eu recordo Jacinto Baptista.

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