Ontem, na Quadratura do Círculo, Lobo Xavier aceitou quebrar a tradição dos participantes no programa de não falarem sobre os seus cargos, para se defender da acusação de conflito de interesses, feita pelo BE, acerca da sua nomeação para presidente da Comissão de Revisão do IRC. Explicou que não o fazia por ele, mas sim pelos restantes membros da tal comissão. E que tinha, então, para dizer em sua defesa? Que não há conflito nenhum porque os seus interesses, ou seja, os cargos que ocupa na administração de várias empresas, são conhecidos. Fiquei esclarecida. E acrescentou que não tem por missão fazer leis. Só faltou dizer que na realidade não vai fazer absolutamente nada, que a sua nomeação é só uma jogada para nos fazer crer que, afinal, Vítor Gaspar de vez em quando até faz a vontade a Portas, o que até lhe dá, a ele, Lobo Xavier, muito jeito, pois é mais um cargo com o qual se pode pavonear. E quem o ouve há anos naquele programa onde nunca, ou muito raramente, diz alguma coisa que se aproveite, não teria dificuldade em aceitar esta hipótese.
Então e quanto à sua isenção no programa? Também não há problema nenhum. Os seus colegas de debate também já ocuparam cargos (não tão importantes como o seu) e tal não os impediu de serem isentos. Mais uma vez, esclarecida. E passou o tempo todo do debate, acerca da mensagem de Cavaco, a tentar provar a sua isenção repetindo que, para ele, há uma norma do Orçamento, claramente, inconstitucional. O que também serviu para demonstrar os seus vastíssimos conhecimentos em Direito, que, aliás, parecem ser muito superiores aos dos juízes do Tribunal Constitucional. É que perante a dúvida do Pacheco Pereira em relação ao tempo que o Tribunal demora a apreciar as normas, Lobo Xavier explicou que tudo aquilo era muito complexo e demorado, só pessoas sábias e entendidas como ele é que podem entender a complexidade da coisa. Tirando a tal norma que, de caras e sem perder tempo nenhum, se vê logo que é inconstitucional.
A sua sorte é que o ridículo ainda não paga IRC.