Não é uma maratona, é uma corrida de malucos

A propósito da declaração de Vítor Gaspar em que comparou o processo de ajustamento a uma maratona, Marcelo Rebelo de Sousa pediu ao Governo que se decidisse quanto ao tipo de corrida, pois tinha começado por ser uma corrida de poucos metros e já ia na maratona. Penso que, nesta altura, a questão não é essa, uma vez que o ministro já se decidiu pela maratona, e nem era preciso pois já todos percebemos que a corrida é longa. A questão é que, apesar de ter sido muito preciso e de ter informado que a corrida já levava 27 quilómetros percorridos, faltando apenas correr um terço, Vítor Gaspar não sabe o que é uma maratona. É que numa maratona o percurso está bem definido, nunca se altera a meio, e todos os maratonistas sabem onde está a meta e o que ganham caso lá cheguem. Mas não é isso que se passa nesta corrida em que o Governo está constantemente a alterar o percurso, a mandar-nos correr para becos sem saída, ou para ruas que são verdadeiros obstáculos intransponíveis, como é o caso do Orçamento do Estado que está em discussão, por exemplo. Que é como se, de repente, os maratonistas fossem desviados para uma rua com 20% de inclinação, com o piso ensebado e sem fim à vista. E depois vem dizer que o sucesso não está garantido. Pudera! Mas mesmo que, por milagre, fosse possível terminar a corrida, o ministro não diz qual é o prémio. Talvez por saber que o único prémio a que teremos direito é um bilhete para voltarmos a participar numa corrida organizada por si, ou seja, mais uma corrida de malucos.

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