Ofender os portugueses

Os portugueses, ainda mais num momento de desânimo em relação à classe política, têm direito a uma discussão séria sobre o Orçamento de Estado de 2013.
O agendamento paralamentar do dia é esse e os portugueses querem saber o que diz esse documento que lhes modela a vida, querem saber por que falharam todas as previsões do OE de 2012, querem saber por que estiveram um ano a fazer sacrifícios que eram só de um ano, querem saber por que razão há três meses o PM anunciava crescimento económico para 2013, querem saber que Governo é este tão firme na solução de roubar ao trabalho e dar ao capital (TSU) que afinal voltou atrás, querem saber por que razão o IRS, pasme-se, vai aumentar em geral 36%, não poupando os mais fracos, querem saber por que razão afinal os sacrifícios do ano passado acabaram na proposta de OE mais brutal da história da democracia portuguesa, querem perceber por que razão de Manuela Ferreira Leite, a patrões, a sindicatos, a académicos se ouvem apelos contra este OE, querem saber por que razão após o maior ataque de sempre às prestações sociais, o Governo vem falar numa “refundação” que incidiria sobre, precisamente, o Estado social, o tal, esmagado no OE, querem ouvir o Governo a dizer de sua justiça e querem ouvir a oposição.
Com a “refundação”, o PM arranjou uma nuvem de fumo para não falar de nada daquilo; com o inovador “englobamento” das perguntas dos líderes paralementares, fugiu a respostas que de outro modo teriam de ser incisivas, fugindo, portanto, à democracia; com a criação de incidentes parlamentares como a defesa da honra perante uma afirmação política de Seguro segundo a qual o PM “entra e sai calado nos Conselhos”, cala o OE e rebola para a demagogia de um homem honrado, magoado, mais uma vez calado; com a resposta à resposta sem autorização de uma PAR muda e quieta, temos bancadas laranjas e azuis histéricas com mais um episódio, mais um que esquece por que razão estamos todos aqui, sob os olhos dos portugueses; com a instrução dos Deputados da maioria para, no debate do OE de 2013 fazerem intervenções situadas entre 2005 e 2011, mais uma vez ganha o barulho de quem se alivia de uma dor com uma droga intravenosa, o passado, isso, não vamos discutir a ordem do dia, não vamos discutir o próximo ano dos portugueses, por que não começar em D. Afonso Henriques que ficou com uma dívida papal nos braços?
Este Governo é insuportável.
Os portugueses já não merecem sequer o respeito pelo funcionamento normal da democracia.

6 thoughts on “Ofender os portugueses”

  1. Apenas um reparo.Ouvi no decurso das intervenções de hoje no parlamento,o “menino do papa”Meneses o qual se é pago pelo contribuinte não será em virtude do dom de palavra que não tem,aliás nem miolos,voltar mais uma vez à rábula da “pesada herança” e consequentes culpas do PS pelo “estado em que nos encontramos”e “responsabilidade pela vinda da troika”.E a resposta do PS foi a de que o que estava em causa era o OE2013,sem mais.Porque a eterna relutância numa resposta à letra com o PEC4 e o golpe da queda do Governo para o assalto ao pote?

  2. Nunca um debate na assembleia se revelou tão autista como o de hoje, culpas inteirinhas para o PSD.
    Nem uma pergunta da oposição foi respondida de forma definitiva. Ás perguntas concretas feitas por todas as bancadas da oposição, os tribunos do PSD enfiaram a cassete do ” a culpa é dos socialistas” , assim tout court.
    Como se não estivesse ninguém na cadeira do poder deste pais há mais de uma ano.
    Assim sendo pergunto : se a culpa continua a ser do PS, que não toca na xixa há mais de uma ano, mas que f**** um povo inteiro por , sei lá, telepatia, porque raio estamos a pagar a esses imbecis que se fazem passar por governo?!
    É que se é para o PS continuar a ter culpa por muitos e bons anos, e se por causa disso nada mais há a fazer do que sacar ainda mais guito ás hostes, então ponham lá de volta o PS se faz favor, que assim como assim mamões já lá estavam, se era para acrescentar novos mamões que nada fazem , então dispensa-se, obrigado.

  3. A Dra. Isabel Moreira não é deputada? Então porque não apresenta a senhora alguma ideia que se veja?
    O que nós vemos nesta discussão do Orçamento é NADA, tanto da parte do governo como da parte da oposição. Todos fazem grandes declarações programáticas, para ficar para a História. O governo agora vem falar em mudar a constituição, como se fosse altura para mudar a constituição! O presidente do PS, estar presente ou não estar é a mesma coisa, não se dá por ele. Quem fala pelo PS é o deputado Galamba, e fala para insultar o ministro das Finanças – salazarento é um insulto – não para apresentar substância. Nos partidos da esquerda, são aquelas arengadas da luta da classe operária que vêm do tempo da outra senhora.
    O que ofende os portugueses é estes senhores todos a receber salário para estar aos gritos uns com os outros.

  4. Artur Pires,
    concordo com quase tudo, menos a parte de que o Gaspar foi insultado. Não foi. Acho que o epíteto de salazarento foi soft. O homem sofre de uma patologia que passa pelo ódio à realidade, sobretudo se a realidade implicar pessoas, e sobretudo se implicar pessoas que não compreendem o seu génio econométrico. Lá por não gritar, não fica melhor que quem grita. E não se compare com a capacidade do Galamba, que, isso sim, é um insulto para este último. E não merece.

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