A direita é muito esquisita

Ultimamente não temos sido muito visitados por chefes de Estado estrangeiros. O que não espanta. Durante os governos de Sócrates ficámos a saber o quão esquisita é a direita portuguesa na escolha dos seus parceiros de negócios estrangeiros. Não lhes serve qualquer um. Nesse tempo, todos os que nos visitavam estavam cobertos de defeitos dos pés à cabeça. E quase todas as visitas oficiais eram motivo de grande gozo. Uns gozavam com as escolhas do Governo enquanto outros rebolavam a rir dos acordos assinados. Por isso, quando o Governo mudou, fiquei bastante curiosa. Quem seriam, a partir dali, os privilegiados? Mas passado um ano e meio, e apesar das inúmeras viagens de Portas por esse mundo fora e das do próprio Passos, continuamos à espera. Não sabemos se os nossos governantes não retribuem as visitas que fazem com convites semelhantes, se os convidados os recusam, se têm vergonha do País que governam, se não há em Portugal empresários inteligentes em número suficiente que justifiquem a trabalheira de organizar uma visita oficial, ou se, no entender do actual Governo, já temos exportações que cheguem.

Isto para dizer que nem tudo é mau na visita que a senhora Merkel nos fará na próxima segunda-feira, pelo contrário. Para além dos muitos negócios que se farão naquelas seis horas, tantos que deverão chegar para inverter a queda acentuada das exportações portuguesas, a direita mostra-nos, finalmente, o que é um parceiro comercial perfeito, isento de defeitos.
Pelo menos, desta vez, não se vê ninguém a rir.

One thought on “A direita é muito esquisita”

  1. Bravo, guida. Muito bem apontado. São tão melhores na mediocridade, não é? E até tiveram o apoio da “verdadeira esquerda”. Isto faz História (da Carochinha).

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