PSD e CDS, partidos do arco da desgovernação

Na última campanha para as legislativas, a direita chantageou os eleitores ameaçando os que pretendiam votar PS com cenários de instabilidade, ou eles ou o caos. Apregoavam estar em vantagem em relação ao PS porque à direita havia a possibilidade de coligação o que não se verificava à esquerda. Está bem à vista de todos onde nos levou essa vantagem. Mas, pior ainda, este Governo é a prova de que a direita, para além de não saber fazer oposição, e talvez por causa disso, não sabe governar. Nem mesmo com o apoio mais do que alargado que o actual Governo teve, nem com a troika a ditar-lhes o que fazer, nada os impede de se estatelarem ao comprido. Ou seja, tivemos recentemente dois governos de maioria da direita, qual deles o pior. Na oposição também nada há a elogiar, muito pelo contrário. Pelo PSD passaram uma série de líderes, qual deles o pior. Nem no poder nem na oposição se lhes conheceu uma ideia digna desse nome. Não espanta por isso o desnorte e falta de rumo de todos os líderes, que neste partido são descartáveis. E isto, sim, devia ser uma preocupação para o exército de comentadores de direita, que há um ano e meio alinharam na chantagem garantindo que só haveria competência e estabilidade com um governo PSD/CDS, e que agora sugerem remodelações mesmo sabendo que não servirão para nada, muito menos para devolver a credibilidade a esta maioria. Mas, em vez disso, preferem dizer que o PS não é alternativa, embora saibam que isso não é verdade. É que não é o PS que não é alternativa, é o Seguro. Sabem perfeitamente que qualquer pessoa consegue enumerar vários nomes de políticos socialistas que de um momento para o outro poderiam alterar completamente esse cenário onde o PS não se apresenta como alternativa. E à direita, que alternativas existem? Do CDS nem vale a pena falar, sem Portas o mais certo é desaparecer. E no PSD, quem são as alternativas aos inseparáveis Passos e Relvas? Enquanto esperamos pela resposta, podemos recordar os últimos governos minoritários do PS e concluir que, apesar dos problemas que enfrentaram, que foram muitos e variados, é muito mais estável e competente um governo minoritário do PS do que as maiorias de direita todas juntas.

12 thoughts on “PSD e CDS, partidos do arco da desgovernação”

  1. A alternativa no PSD encontra-se no arco do Cavaquismo, ou seja, Ferreira Leite. E depois daquela entrevista, onde fez mais oposição em meia-hora do que Seguro num ano inteiro, eu não a descartaria com essa facilidade. É o que digo, a politica, como a natureza, odeia vácuos.

  2. “qualquer pessoa consegue enumerar vários nomes de políticos socialistas que de um momento para o outro”…

    É só perguntar a Mário Soares o pai “desta pátria”, que ele sabe enumerar! Como soube sempre e diz diariamente há 38 anos!

    Hoje na capa do DN

  3. Vega, a Ferreira Leite parece um treinador de bancada. Já foi governante e líder da oposição, sabemos bem o que ela vale. Em 2009 perdeu as eleições porque não tinha uma única ideia para o País. E não é uma entrevista que apaga a nódoa que ela é. Até podes ter razão, e estar na cabeça dos cavaquistas um Governo liderado por ela, mas parece-me que o desfecho dessa alternativa não seria muito diferente daqueles a que a direita nos habituou.

  4. Correcto, mas entre um treinador de bancada e uma bancada sem treinador, a escolha não é difícil. E atenção que as pessoas adoram quem “esteve certa antes do tempo”, e a campanha de 2009 andou muito à volta do tema da falência eminente. A MFL tem todas as condições para aproveitar o discurso do “eu avisei, eu é que sabia, eu é que nos vou tirar disto”. Eu não a subestimaria. É bom que o PS se mexa rapidamente. Mas com os deputados a insurgirem-se abertamente (hoje no Público) e textos contra o Seguro até no CC, espero que não demore muito.

  5. Vega, a bancada passa bem sem treinador, a equipa a jogar em campo é que não. :)

    E eu não a substimo enquanto candidata a salvadora nacional, substimo é os resultados de tal solução.

  6. Portas,não entrou com muito entusiasmo nesta coligaçao. Mesmo depois de andar a pedir a sua demissão,esteve na “mesa” a possibilidade de governar com josé socrates. Portas apostou no cavalo errado.A reviravolta a favor da direita deu-se quando ele se decidiu. O povo quiz estabilidade governativa e, infelizmente enganou-se nos “governadores”.O livro os regatados,fala sobre esta materia.

  7. guida, estou de mão dada (cruzes, canhoto) com o Vega9000, pois parece que no PSD há uma data deles a posicionarem-se para o tiro de partida e um deles até é meu vizinho.
    Claro que o resultado será mais uma derrota, mas isso já são outras histórias…

  8. oh teofilo! o teu último post no gatil às 16:08 deveria pagar direitos de autor à camarada das 15:37, lá por seres vizinho do mini mendes não abuses da prerrogativa.

  9. Segundo o” camara corporativa”,o padre quando passos se foi confessar,mandou-o rezar cinco avé-marias e 3 pai-nossos. A esta penitencia Passos respondeu:não senhor padre eu quero ir a fatima a pé e dar trinta voltas de joelhos à capelinha das apariçoes.diz o autor: isto é o significa ir alem da troika.Bem apanhada digo eu.

  10. isto já não vai lá com rezas e penitências às três pitonisas do oráculo de wall street, nem com os arrependimentos, próprios de quem está com a cabeça no cepo, da agência de cobranças difíceis da dita rua, nem sequer com a esperteza saloia da dama de berlim, que acha que pode navegar no mar tormentoso do colapso financeiro ao leme de um lugarejo com apenas 1,3% da população mundial.

    (Vocabulário:

    três pitonisas: Moody’s, S&P e Fitch
    cabeça no cepo: dívidas mais incobráveis que nunca
    agência de cobranças difíceis: FMI
    esperteza saloia: brilhantismo político do Partido Socialista Unificado da Alemanha
    dama de berlim: Angela Merkel
    lugarejo com 1,3% da população mundial: Alemanha)

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