Não é possível evitar uma crise de algo que não existe

Cavaco justificou a promulgação do Orçamento com o argumento de que não se pode juntar uma crise política à crise económica e social que o País enfrenta. Paulo Portas já nos tinha brindado com o mesmo argumento. Aparentemente, este argumento usado pelo parceiro de coligação no Governo e pelo Presidente da República, só por si, já bastaria para provar que a tal crise política já se instalou há muito. Ficámos a saber que a coligação está colada com cuspo e que, apesar de Passos dizer que tem uma relação de excelência com Cavaco, Governo e PR, pelo menos em público, estão em rota de colisão. E, se calhar, noutros tempos e com um governo de outra cor, o facto de em dois anos consecutivos existirem dúvidas quanto à legalidade dos orçamentos, também chegaria e sobraria para se falar de uma grave crise política. Mas não. Não estamos perante nenhuma crise política. Da mesma forma que para podermos falar de uma crise do petróleo é preciso que haja petróleo, também para falarmos de uma crise política seria necessário que houvesse política e ela não se vislumbra em lado nenhum. Temos um Presidente da República que nunca se assumiu como político, pelo contrário, sempre desprezou a política e os políticos, e que se limita a tentar (sem sucesso) ficar bem na fotografia. No Governo, temos um monte de gente cuja única preocupação é lambuzar-se no pote, liderado por um ministro das Finanças, que é quem manda, que é tudo menos político. A menos que se reduza a política a um emaranhado de contas, ainda por cima, mal feitas.
Portanto, poupem-nos e não nos digam que têm de evitar uma crise política.

3 thoughts on “Não é possível evitar uma crise de algo que não existe”

  1. e porque ninguém lhes pergunta (ao cavaco e ao portas) porque não evitaram eles uma crise política quando o país não a podia ter, em março de 2011? ah, pois é!

  2. Infelizmente, não é só Cavaco e Portas que se desculpam com a crise política. Comentadores e políticos que criticam o governo, e por vezes arrasadoramente, é raro admitirem a queda do governo e novas eleições, exactamente por causa da maldita crise política.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.