Um pequeno grande linguarudo

Então no mesmo dia em que os apelos do Governo ao PS para que participe na tal refundação do memorando dominaram quase por completo a discussão do Orçamento, vem o Marques Mendes dizer que afinal o abate do Estado Social já está mais do que negociado com o FMI?

Ó Marques Mendes, se calhar isso não era para dizer. Como é que fica o Paulo Portas que garantiu solenemente no Parlamento que aquele era um apelo sincero? E que margem tem agora o Seguro para responder positivamente à cartinha do Passos Coelho?

Está bem que o senhor, enfim, tem sempre de se pôr em bicos de pés e de provar constantemente que é o comentador mais bem informado cá do burgo, mas isto não se faz à malta amiga do Governo.

10 thoughts on “Um pequeno grande linguarudo”

  1. Palpite para o que ai vem: Escalões na comparticipação de medicamentos, desmantelamento da ADSE, o que se calhar até nem era má ideia já que consultas de especialidade a 3,99€ é pornográfico, eu duvido é que os “amigos” da coligação o aceitem porque depois quem é que garantia a sustentabilidade dos hospitais privados? Implementação de propinas no 2º e 3º ciclos e consequente aumento das propinas nas universidades, acabar de vez com o RSI, transferência de tudo o que é monopólio em mãos do estado para mãos “amigas” a água é deliciosa, plafonamentos na SS etc etc, e tudo com a abstenção violentíssima do PS e do seu secretario geral , se nas próximas eleições tivermos o Mário Machado sentado no parlamento ou um parlamento totalmente pulverizado não se admirem porque o caos está próximo e nessa altura nem dedos quanto mais anéis teremos para nos salvar!

  2. guida,

    o pequeno pode ser muita coisa, mas distraído ao ponto de uma “gaffe” daquele tamanho, não!

    Cheira-me a que o convite ao PS é apenas música celestial e como até poderão ter medo que o PS aceite, vai daí mandaram o “piqueno” dar um palpite que inviabilizasse de vez alguma tontice.

  3. Teofilo M, mas eu também acho que não foi por distração. Estou na reinação. :)

    O que se deduz é que foi o FMI que os obrigou a chamarem o PS, e esta foi a forma que encontraram para os afastar. Afinal, o PS só ia atrapalhar. E ainda aproveitaram para dar mais um tirinho no Paulo Portas, que é para não se armar no bonzinho do Governo, no sincero.

  4. atão e o palhaço de belém sabia da refodação ou foi avisado pelo mini mendes? acabaram-se as aparições públicas de sexa, a partir de agora só na têvê e gravado em segredo.

  5. Guida, perdemos, pá!Repara na consonância: presidente da república, maioria absoluta na AR, procuradora geral, da familia Vidal (a tal das escutas e do atentado contra o Estado de Direito), o Governador do BdP, toda a chefia do banco do estado, a CGD, a justiça pela trela, a comunicaçâo social (todinha) feita voz do dono e o colaboracionismo oportuno, decisivo e oferecido de Louçã e Jerónimo. Sem contar com as alas anti-socraticas dos soaristas e alegristas dentro do PS:veja-se a presença quase triunfante de Soares na universidade de verão do PSD, na ressaca da derrota do inimigo público, Sócrates, o tal que havia debafado que se sentia “sozinho a puxar pelas energias do país” quando a gentalha deste governo, amigos e colaboracionistas como Jerónimo e Louçã preparavam o assalto. Louça já se pôs ao fresco, a ver se escapa ao julgamento da história.
    Tramados, Guida, tramados.

  6. Esse “piqueno”, como lhe chama a Guida, ou da “família” dos liliputianos, como lhes chama o José Mário Branco, como “…geralmente bem informado…” tentou arranjar uma “caixa” e eventualmente encalhou alguém, mas o mesmo “grande expert” disse, ainda na vigência
    do anterior Governo, por alturas de Fevereiro de 2011, numa da páginas de um livro que, penso, só os amigos terão desfolhado, que: “O país precisa de um Presidente, já não árbitro ou moderador, mas liderante nalgumas questões e capaz de enquadrar e definir um rumo. O país precisa de um choque vital”.
    Será que o que para esse fulano, o que era verdade há ano e meio, não é verdade agora? Porque é que é ele que vem fazer a sabuijice de dizer que querem acabar com o estado social? O “nosso primeiro” não tem a coragem para isso? E o inquilino do Palácio de Belém, não “…lidera nalgumas questões…”?
    É que o tal “choque vital” que ele queria está quase a concretizar-se…mas poderá ser que ainda venham eles a ter algum choque…

  7. Não vão ter choque nenhum, Margarido. O povo vai aceitar este golpe de estado como aceitou o anterior, em 25 de Abril. Um dia destes as manifestações acabam. Na Grécia e na Espanha conseguiram o quê? Quem não aguenta, suicida-se. Um a um. Passou o tempo de dar a vida pela pátria ou pela revolução. Restam os da Al Caida e alguns palestinianos. Porque todos já se aperceberam como a pátria e a revolução os “usa” para, depois, meia dúzia conhecerem a glória e a fartura. Olha à tua volta, Margarido. Vê se o Jerónimo ou o Louçã mais a sua camarilha tiveram o mínimo escrúpulo em entregar o poder todo a estes senhores da extrema direita! E eles bem que avisaram, com tempo, ao que vinham e como estavam posicionados. Só um cego não via, muito menos os senhores deputados.
    E para que vai servir o voto daqui a dois anos, se o SNS, o sistema de saúde e da SS estiverem destroçados? O infeliz que os “revoltados” elegerem para PM não vai aguentar meia dúzia de meses.
    Está feito, amigo. Ganharam eles e Portugal perdeu. Uma cabazada, com a assistencia a aplaudir freneticamente, mesmo vendo os quatros árbitros a apitar só para um lado.

  8. Jeremias, o povo não poderá aceitar isto; não poderá aceitar um Estado social mínimo, à moda de Salazar, rodeado de anafabetismo, incultura e falta de produtividade. Será impossível permanecer assim na Zona Euro, e mesmo a permanência na UE estará em causa. Pois com o dano que já fizeram com os PECs e a memorando — sem contar, ainda, com a refodação — a economia portuguesa, em condições de abertura total ao mercado europeu e sem possibilidade de desvalorização da moeda, não tem sustentabilidade possível. É completamente inviável. Salazar sabia-o, e por isso usou o proteccionismo para poder manter o status quo. Mas é isso que coloca um dilema a todos os portugueses; tal dilema terá que gerar uma resolução.

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