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Jornal Nacional de Sexta

Lopes da Mota, pessoa desprezível e conhecido meliante ao serviço do PS, pressionou dois magistrados para que o caso Freeport fosse arquivado no todo ou na parte. Disse-lhes que agia em nome do Ministro da Justiça e do Primeiro-Ministro. Acrescentou que haveria retaliações pesadas se não o fizessem e o PS perdesse a maioria. Este Lopes bandido pretendia afastar de Portugal o cenário que na Inglaterra estava cada vez mais próximo: a captura de Sócrates e seu degredo na ilha de Santa Helena. Importava agir com rapidez e audácia. Se em Portugal o caso fosse arquivado, os ingleses pensariam duas vezes antes de montarem um bloqueio marítimo para nos pintarem de cor-de-rosa à pistola, e à bombarda, até que lhes entregássemos o Primeiro-Ministro e alguns Secretários de Estado. Entretanto, os tais dois magistrados impressionados, que não lavavam as orelhas desde que o Matateu deixou de jogar no Belenenses, tinham as quotas do Sindicato em dia. Essa feliz condição dava-lhes protecção contra chantagens de Ministros e Governos. Denunciaram o seu amigo de almoçaradas sem hesitação nem remorso, pois. Isso teve como resultado que o PS foi para as eleições com o Freeport pendurado no pescoço e um Lopes rechonchudo às cavalitas. Foram-se abaixo, e foi muito bem feito. Dois meses e tal depois das eleições, os bacanos do Conselho Superior do Ministério Público lá conseguiram conciliar horários e marcaram uma reunião. O malandro do Lopes não escapou, apesar duma maluca qualquer que votou contra a suspensão, e pimba: 30 dias sem poder pressionar magistrados. Aguenta-te à bomboca, ó Lopes, não há nada para ninguém durante um mês!

A maioria parlamentar irá agora abrir um inevitável inquérito e o Presidente da República vai inevitavelmente demitir o Primeiro-Ministro, pelo menos. Também temos aqui um vídeo, gravado secretamente, onde Charles Smith tece considerandos acerca da vergonhosa actuação de Lopes da Mota, explicando com detalhe como esse senhor conseguiu corromper os seus arreigados valores britânicos e o sublime espírito da Magna Carta.

Vasco?

Carvalhal vence na Alemanha

É o nunca visto. Sporting venceu em terras alemãs pela primeira vez desde que há registos de jogos da bola. A vitória começou com o espectacular lance de meter o Veloso no banco ainda antes do apito inicial. E foi confirmada com a genial jogada de substituir o Moutinho, já perto do fim do encontro. Ou seja, foram mortos dois borregos numa só partida. Agora, é só continuar a treinar estes automatismos para que num futuro próximo se consiga ter Veloso e Moutinho sentadinhos ao lado um do outro durante a maior parte dos jogos. Essa dupla no banco, juntamente com a troca do guarda-redes, será o terror dos adversários.

Que saudades da antiga maioria

Apesar deste blogue ser financiado pelo Governo, ser escrito por maçónicos, ter a protecção do SIS e estar escondido numa toca, a 50 metros de profundidade, por baixo da sede do PS ao Rato, ficámos mais de 24 horas sem poder controlar as mentes dos portugueses. São coisas que não aconteciam no tempo da outra maioria, e que ameaçam voltar a repetir-se pela actual união da extrema-esquerda com a direita.

A asfixia blogosférica das centrais de propaganda do Engenheiro é um sonho do Pacheco que já começa a dar frutos.

Patético Alegre

O maior erro do PS, desde que Sócrates é Secretário-Geral, foi a candidatura de Soares. Esse absurdo raia a irresponsabilidade, não tem justificação legítima. Agora, está na calha uma repetição, fala-se que o PS poderá apoiar o autor desta poia:

Esse objectivo é Portugal. Esse combate vale a pena e chama por nós. Para mudar, não para que tudo continue na mesma. Basta ter esperança e acreditar no nosso poder, no poder dos cidadãos. Porque Portugal não é só de alguns, Portugal é de todos.

Temos de ajudar Alegre, com dignidade, a nem sequer começar o seu mandato. Portugal não aguenta estes discursos primários e balofos, antes voltar a ter uma silly Presidência a operar no sector Público e um Presidente que desconfia da salubridade dos seus emails. Tudo menos o patético Alegre.

Para que serve um pessimista?

O pessimista diz-nos que isto acaba mal. Se tiver razão, o pessimista não nos ajudou. Se não tiver razão, o pessimista não nos ajudou.

O pessimista tem certezas acerca do futuro. A sua certeza vem do seu absoluto, calado e soberbo optimismo.

O pessimista decide por nós. É o dono do bem e do mal.

O pessimista é um desgraçado.

Não se pode acabar com a corrupção

Até Lúcifer caiu e Jesus foi traído. Acabar com a corrupção equivale a acabar com a inteligência. O instinto que leva à corrupção também leva à civilização. É a lei que faz o ladrão.

O ideal seria encontrar uma solução que tivesse o poder de reduzir ao mínimo a probabilidade da corrupção, suscitando nos indivíduos uma espontânea contenção ou respeito pelas leis, sem necessidade de mais punições, polícias, espiões e bufos, e que nos ficasse pelo menor custo possível. Existe? Na dimensão rodoviária existe, há décadas, uma tal solução para o problema da corrupção dos limites de velocidade. Corromper esse limite é tentação irresistível, havendo uma miríade de circunstâncias que favorecem tal violação. Desde a pressa, até ao gosto da velocidade, passando pelas viaturas potentes e cada vez mais seguras, há factores que nenhum radar, multa ou agente da autoridade consegue anular – a não ser as lombas na estrada.

Com lombas à frente, cada condutor acata racionalmente a necessidade de reduzir a velocidade para proteger um bem que lhe é caro, no seu duplo sentido. As lombas funcionam a qualquer hora com custo zero, não carecem de manutenção dispendiosa nem de apoio humano. É de uma solução com esta simplicidade que precisamos no combate à corrupção, já só falta descobri-la.

Agonia de um partido cada vez mais ridículo

Não estamos na Assembleia da República para, de quinze em quinze dias, batermos palmas ao senhor primeiro-ministro quando ele lá vai fazer os debates, como acontecia na anterior legislatura.

Aguiar-Branco

*

Algures no começo do Verão, Elisa Ferreira e Aguiar-Branco debateram na RTP-N os temas correntes. Assim que a Elisa falou, saltou-lhe um Aguiar-Branco todo espigadote, interrompendo com bocas e um ímpeto que começou por a surpreender, e depois acabou por baralhar. E tal foi o espanto da senhora que o senhor se deixou tomar pela compaixão e acabou a dizer-lhe, entre risos, que ela tinha de se habituar àquele modo e ritmo de fazer política, se ia entrar na campanha das Autárquicas. O que o actual líder da bancada do PSD enunciava no subtexto, imaginando-se no café, era que eles estavam ali para dar espectáculo, não para pensar ou fazer pensar – ou seja, que não valia a pena discutir através do logos, que os votos apanhavam-se com pathos.

Esta é a escola do PSD dos últimos anos, e é uma perversão. O resultado está à vista em toda a sua infausta glória neste consulado de Ferreira Leite e dos seus ideólogos, Pacheco Pereira, Paulo Rangel e uma série de figuras menores. Acontece que o eleitorado não foi nessa conversa, não se deixou enganar pela campanha negra e derivados emocionais tóxicos. Que grande choque os ranhosos devem ter tido às 20 horas de 27 de Setembro, depois do insano esforço a promover a irracionalidade das massas, que até chegou a conspurcar a Presidência.
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Tem juizinho

O que é natural num primeiro-ministro que não tem maioria é que antes de o apresentar [o Orçamento de Estado] abra negociações com os partidos para ver quais são as suas propostas, qual é a margem de manobra e qual é o caminho que quer seguir.

Portas

*

Portas recusou qualquer forma de parceria com o Governo antes deste apresentar o Programa para aprovação parlamentar, apesar de ter sido convidado a propor as suas condições para tal. De seguida, o CDS não rejeitou o Programa aquando da sua discussão no Parlamento, pelo que foi parte da investidura formal do Governo. Creio que estes nexos políticos e constitucionais não carecem de especial inteligência para serem entendidos. Agora, Portas diz que o Governo tem de negociar passo a passo, seja o que for que pretenda fazer. Quer-se dizer, o Programa do Governo é, na prática, aquilo que resultar das negociações com a nova maioria. O voto dos portugueses, que escolheu o Programa do PS transportado para o Programa do Governo, não vale nada. Isto porque estas luminárias da República decidiram que o eleitorado prefere ser governado pelo conjunto dos deputados que se sentam à esquerda e à direita do partido que ganhou as eleições.

Repare-se que Portas fulaniza a questão em Sócrates, referindo-do a um primeiro-ministro que não tem maioria, que não dialoga com ninguém , que é queixinhas. Portas quer é lidar com o Primeiro-Ministro, um mano-a-mano de vedetas, fatiando a Nação. O universo político de Portas transformou-se há muito nesta papa subjectivista e de chinelo. O homem que sonhava com jornalismo independente e um PP ambicioso, o homem que prometia liderar a direita reformista, não passa, afinal, de um cortesão assanhado e excitadiço.

Da monotonia

Os que festejaram o 11 de Setembro são os mesmos que festejam a agressão a Berlusconi.

Os que disseram terem sido os americanos a planear o 11 de Setembro são os mesmos que dizem ter sido Berlusconi a planear a agressão.

Os que odeiam a democracia são os mesmos que odeiam a liberdade.

Cabrão do Sócrates

Vai mesmo enterrar o nosso dinheirinho no TGV, o cabrão, desprezando a inteligência e seriedade da D. Manuela da Lapa e seu aio Dom Pachecão, os quais queriam ver o dinheirinho enfiado noutro tipo de comboios e a rolar noutros carris, mais lusos. O que vale é que basta o PSD telefonar ao CDS em ordem a mandar embora esse doidivanas que está a levar o País para o caos.

Despachem-se ou desimpeçam a linha.

É uma boa Pessoa

Graças aos meus pais, pude pagar as divinas propinas. Estudei no colégio S. João de Brito e na Universidade Católica – o que não alterou a condição religiosa que sempre foi a minha, mesmo quando partilhava salas de aula com teólogos e aprendizes de teologia, leigos e ordenados: não sou católico, nem sequer cristão, tal como também não sou agnóstico, ateu ou crente em alguma das religiões conhecidas. Sou deísta, por imperativo de consciência: se existo, penso em Deus.

Na Católica foi onde encontrei os mais sérios e profundos argumentos para o abraço ao agnosticismo, pelo menos. E tal não veio de nenhuma falha moral detectada naqueles que representam e divulgam a sua fé e espírito de Igreja, bem pelo contrário. Foi a investigação pura e dura, que lá se praticava, que obrigou a esse confronto onde se perdem os preconceitos, ilusões, ignorâncias, erros. Adentro deste incontornável exercício: fiides quaerens intellectum.

A Igreja em Portugal ainda está a pagar pelos erros cometidos por cá e por toda a parte. Chega à população de muitas e decisivas formas – e só quem não sabe nada de nada do apoio social que presta é que se permite dizer bacoradas – mas entra nas dinâmicas do debate público quase sempre por causa de polémicas. Nessas guerras, a Igreja perde. Ela não sabe comunicar com o tempo, é medrosa, preguiçosa e narcísica. O resultado é nefasto para todos, também perdemos enquanto comunidade, pois há tesouros humanos, culturais e cívicos que permanecem desaproveitados na Igreja.

A escolha de Manuel Clemente para Prémio Pessoa é uma boa nova, porque faz justiça ao Povo de que faz parte e para quem trabalha. A estranheza que provocou a sua premiação é lógica, inevitável. Decorre do manto de invisibilidade que cobre a feérica produção intelectual nos meios académicos e literatos ligados à Igreja. Quem se aventurar neles vai ter radicais surpresas. E se é inútil convidar a esquerda fanática, ou a direita gulosa, para essa descoberta, tenho a certeza de que muitos numa esquerda convencional, que hostiliza a Igreja por hábito e ignorância, iriam descobrir aliados onde agora vêem ameaças.

O racismo é sempre burro, e alguns burros são racistas

Que maleita ignominiosa e anacrónica está a unir reaças e comunas nas críticas a Obama, um preto que mandou mais guerreiros para a batalha do Afeganistão? Tendo em conta que Obama está a fazer, e em rigor, o que prometeu na campanha – sair o mais rapidamente possível do Iraque e vencer o mais rapidamente possível no Afeganistão – só há uma explicação para tanta má-vontade, má-fé, má-língua e má-criação: racismo.

Magnífica derrota

O problema português também é este: não saber perder. Acontece que perder é bom e recomenda-se. É a perder que aprendemos, que crescemos, que ficamos fortes, nós que estamos destinados a tudo abandonar. Em Portugal, para nosso atraso, há vergonha na derrota. Prefere-se o pechisbeque da seriedade, esse atrofio da ousadia e cultura do medo.

O Sporting teve a sorte de perder com o Leiria e o resultado até devia ter sido mais expressivo, o segundo golo dos visitantes foi mal anulado. Que se vai seguir? Não faço ideia, eu nem sei o que se passa durante a semana com estas pessoas cheias de saúde, dinheiro e tempo que constituem a indústria do futebol. Só sei que gostava de ser treinador do Sporting neste preciso momento. E eis o que faria:

– Patrício ia para o banco, voltava Stojkovic.
– Veloso ia para o banco, passando a entrar a 15 minutos do fim para substituir Adrien.
– Adrien seria multado pelo cartão amarelo que levou neste jogo.
– Vukcevic jogaria atrás de Liedson e nunca seria substituído, não há ninguém no banco que colmate a sua ausência.
– Pereirinha jogaria de início, sendo substituído a 15 minutos do fim pelo Moutinho.
– Todos os jogadores passariam a ter explicações de matemática, com enfoque na geometria e cálculo probabilístico.

E daria resultado? Nunca se saberá. Mas as derrotas seriam cada vez melhores.

Lopes da Mota foi de carrinho

Dois magistrados alegam ter sido pressionados por um magistrado. Isto, como enredo, já era bisonho o suficiente. Mas ver que nem o Conselho Superior do Ministério Público consegue estar acima das coboiadas, sendo utilizado a bel-prazer para servir interesses políticos, eis o acabrunhante retrato do maior problema em Portugal: a ruína do poder judicial.

Curiosamente, os alvos são sempre do PS. É preciso ter pontaria.

Entre marido e mulher

Vais ler esta notícia até ao fim, e ficar ao lado dessa mulher enquanto ela se esvai em sangue e agoniza no lugar do morto. É o mínimo que agora podemos fazer por ela, pela sua memória e pelo sentido da sua vida. Uma vida cuja desgraça recebeu como prémio ser assassinada.

Esta violência psicótica não é algo lá entre eles, marido e mulher. Grotesca cumplicidade criminosa a nossa. Eles há muito que tinham perdido a capacidade de serem um casal, eram já outra coisa: duas vítimas. Mas só duas de cada vez? Mais, muitas mais. Como em Montemor, o perfeito triunfo do mal. A Manuela foi assassinada dentro de uma ambulância, em frente de um edifício onde está instalado um corpo militar cuja missão é a segurança pública. Depois, o assassino detido consegue ainda balear dois militares dentro das instalações, um deles vindo a falecer. A filha de 5 anos, que estava nos braços da mãe quando esta foi atingida a tiro de caçadeira, também ficou ferida. Não se pode antecipar quais serão as consequências psíquicas do acontecimento que lhe tirou a mãe, o pai e o futuro. As famílias, e amigos, de todos os envolvidos entram também na listagem de vítimas da besta-fera.

Há muito a fazer para evitar estas tragédias. E podemos começar por qualquer lado: por exemplo, metendo a colher onde se corre o risco de alguém usar a faca, a espingarda, o punho, o ódio, a demência.