O extraordinário trabalho de Leonel Vicente, um clássico da blogosfera portuguesa.
Arquivo da Categoria: Valupi
A puta da crise
Portugueses estão a colocar mais dinheiro em paraísos fiscais
Portugueses gastaram mais 300 milhões de euros este Natal
Portugueses gastaram 380 milhões num só dia
Portugueses esgotam Caraíbas na passagem de ano
Natal bate recorde com mais de 6,8 milhões de operações na rede de Multibanco
No mundo do Mascarenhas
Paulo Pinto Mascarenhas considera elevada a probabilidade de eu ser o mais cobarde dos anónimos. É uma afirmação legítima no que à cobardia diz respeito (somos todos cobardes até prova em contrário, como qualquer herói poderá atestar), mas problemática no que ao anonimato concerne.
Da última vez que pensei no assunto, o anonimato era aquela condição em que não se podia nomear um autor ou indivíduo. Como Valupi cumpre essa função identificadora, o anonimato que o Mascarenhas invoca remete para o nome que consta no meu BI, pelo menos. Ora, acontece que esse nome não é secreto, e os meus familiares, amigos, colegas e conhecidos sabem qual é. Sendo assim, tenho é um excesso nominativo, pois aos nomes de baptismo vieram acrescentar-se alcunhas e pseudónimos.
Então, porque raio se gastam caracteres a deturpar o sentido da utilização de um pseudónimo? A resposta só pode ser uma: porque este Mascarenhas nem sequer o meu nome é capaz de me perguntar – ele não quer saber quem eu sou, gosta mais dos meus textos se puder catalogá-los como anónimos. Obviamente, se quisesse descobrir algo acerca do autor, falaria comigo. Por escrito, pelo telefone ou ao vivo. Ou será que no teu mundo, Mascarenhas, saem todos à rua com placa identificadora pendurada no pescoço, código de barras na lombada e matrícula na peidola?
Losers
Machete tenta ajudar o PSD a aceitar duas coisas simples e evidentes: que o PSD perdeu as eleições por ser incompetente; que o PSD não as merecia ganhar por ser incompetente.
Boa sorte.
A velhice do Bispo Vermelho
Manuel da Silva Martins fará em Janeiro 83 anos. Faculdades cognitivas à parte, que poderão estar intactas ou capazes, temos de respeitar a sua idade; a qual é uma vida inteira, mesmo que viva mais 100 anos. Por isso, assistir ao seu etnocentrismo, esse sentimento de ofensa nascido de se sentir atacado enquanto pertencente à religião católica, não merece mais do que um bocejo. O senhor tem todo o direito a barafustar com a proposta e a disparatar com a data, a nossa misericórdia acolhe e ama a sua tão imperfeita natureza.
Outra conversa é aquela onde D. Manuel Martins repete a retórica de Cavaco e da oposição à direita. Dizer que o Governo avançou agora com a proposta de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo porque está com dificuldades na governação, e pretende desviar as atenções, não é apenas idiota e desonesto, é também o sintoma de um mal que está a tolher o desenvolvimento económico por via da sua influência política: a intoxicação geriátrica. Temos sofrido, desde finais de 2007, com a manobra que levou à demissão de Correia de Campos, os malefícios da inércia e conservadorismo próprios de um grupo de indivíduos que já não é capaz de aprender línguas. Eles estão em todas as áreas políticas e sociais. Enchem as caixas de comentários dos jornais e participam em manifestações. Se forem apanhados por uma câmara de televisão, já têm o discurso pronto e o sai-lhes um comício catastrofista de 30 segundos. Como se vê pelo exemplo do Bispo Emérito de Setúbal, são facilmente manipuláveis por ausência de autocrítica e reducionismo egóico. As crises de instabilidade emocional na terceira idade têm várias origens e tipologias, sendo bastante frequentes, acrescendo uma eventual incontinência verbal resultante da diminuição da inibições.
Que os velhos sejam velhos, nada de mais natural e neutro. Que haja partidos e comunicação social que explorem a velhice dos velhos, nada de mais repugnante e contrário ao sentido de vida do Bispo Vermelho.
Medricas
Portugal é um país de cobardes. O medo bebe-se no berço pelas palavras das mulheres e silêncios dos homens. O povo tem medo dos senhores, as oligarquias têm medo do povoléu. Medo de existir, disse alguém que anos depois estava do lado dos apavorados. Medo de Salazar, medo dos comunas, medo do patrão, medo do vizinho, medo de errar, medo de perder. Portugal só se liberta no exílio, só se encontra na terra estrangeira; nesse ultramar e nesses trópicos onde, finalmente, vive à solta.
Em 2009, 35 anos depois do 25 de Abril, um partido político com ambição de governar fez da promoção do medo a sua estratégia principal para as eleições. Os chefes deste partido chegaram ao ponto de lançar a suspeita de estarem a ser escutados pelas autoridades só porque eram da oposição. Foram mais longe: disseram que os portugueses já não podiam confiar no Estado, pois este podia estar a violar a sua correspondência, a persegui-los no trabalho e nos negócios, a tirar-lhes o direito à manifestação e reivindicação. Isto foi feito enquanto esse difamado Estado violava as comunicações privadas do Primeiro-Ministro e o acusava de um crime inexistente com base nessa inaudita violação. Os mesmos que exultaram com as pulhices criadas para atacar Sócrates, Governo e PS são os mesmos que continuam a promover a irracionalidade do medo como manifestação do seu ressabiamento ou da sua cobardia; talvez das duas condições em simultâneo.
Veja-se o ridículo a que a união nacional dos ranhosos com os imbecis consegue chegar. Contudo, isto de ter medo da liberdade de expressão, vindo de quem vem, faz todo o sentido. Uma coisa é certa: não foi com este sangue, aguado e anémico, que Portugal se valeu nos primeiros séculos da sua História.
Crispação dialéctica
Louçã, no seu estilo reitor de seminário, aquando do último debate quinzenal no Parlamento, veio exigir o fim da crispação entre Governo e Presidência. Deu a entender que essa crispação o incomodava, que ele já estava farto e que a culpa era do Governo. Por isso, devia acabar. Louçã, para além de ser o mais crispado dos líderes políticos, tem a mania de que é o maior em palco, e essa soberba nada nem ninguém lha conseguirá tirar. É por isso que os picanços com Sócrates o deixam tão excitado, ele adora reduzir a política a um torneio medieval. Isto é simples de entender.
O que já não se consegue entender é a utilidade do BE. A sua recusa em ser parte de uma solução governativa até pode ser o que de mais coerente tenha para apresentar. Nisso, sem surpresa, sendo exactamente igual ao PCP, ambos obrigados a manter uma pureza ideológica que tem tanto de identitária como de imagem de marca. Até agora, tal estratégia tem justificado o gasto: o PCP continua a ser uma força relevante na Assembleia e nos sindicatos, e o BE é um caso de extraordinário sucesso mediático e eleitoral. O resultado, porém, é o presente impasse à esquerda, onde BE e PCP odeiam o PS e não se suportam um ao outro.
É fácil ver o prejuízo decorrente do sectarismo e alucinação destes dois partidos; nem sendo parte da solução, nem deixando que outros solucionem. Daí, a pergunta: quantos dos que votaram BE e PCP pretendiam este desfecho? Melhor pergunta ainda: quantos dos que votaram na extrema-esquerda têm um qualquer vislumbre do que ela irá fazer com o seu voto? Aposto que dois terços desses votos são uma mistela de ignorância dos ideários e programas, votos de protesto das mais desvairadas proveniências e fenómenos maria-vai-com-elas. Assim, o que faz falta é informar a malta. O povo devia conhecer o que, no fundo, estes dois partidos pretendem instaurar, avaliar as suas concepções políticas na plenitude das suas consequências e olhar com demorada atenção para essas pessoas que cultivam a ditadura da crispação dialéctica.
O crime compensa
O que se passa com as escutas a Sócrates é transparente e vexante. Ao contrário do que os pulhas dizem, a existência de certidões não tem valor político. O sofisma a que se agarram põe em causa toda a lógica do edifício judicial e os princípios que é suposto defender. Para além de existir erro na actuação dos agentes da Justiça portuguesa – tal como há no das polícias, militares e médicos, para dar exemplos de gravidade similar, em qualquer parte do Mundo – também há situações cuja ambiguidade carece de ulterior e superior decisão para se aferir do seu estatuto judicial. É nesse pressuposto que se institui a 1ª instância e se admite o recurso para tribunais superiores, pagando-se com a demora na aplicação final da Lei o intento de fazer justiça.
O que tem valor político é a decisão de arquivamento das certidões em causa, pois deixa claro não se encontrarem nas escutas razões para alarme político. E basta pensar que não é concebível o Procurador-Geral e o Presidente do Supremo encobrirem seja o que for com valor criminal numa situação em que as escutas são do conhecimento de terceiros no Ministério Público em Aveiro – e sabe-se lá de quem mais. Ora, o PSD não aceita que a Justiça funcione e quer explorar a própria ilegalidade que está na origem das escutas. A possibilidade de usar as gravações para causar danos a Sócrates é o que motiva a perseguição às certidões, vistos elas conterem as passagens polémicas e demais informações que permitem o voyeurismo almejado.
O PSD é um partido feito em cacos, nas mãos de uma geração serôdia que não tem qualquer proposta para o País que o eleitorado sequer reconheça, e o qual tenta por todos os meios chegar ao Poder através de calúnias, alarmismos e armadilhas nunca antes vistas em Portugal. De Marcelo a Santana, passando pela aberração chamada Ferreira Leite, ninguém suscita a mais ténue esperança. E tirando o Passos Coelho, que é uma incógnita, não existe renovação alguma dentro de um partido que reclama representar os sectores mais inovadores e empreendedores da sociedade. Os exemplos de Pedro Duarte e José Eduardo Martins, dois velhos caducos com menos de 40 anos, são desse deserto a prova acabada. Portanto, ver este partido, que é o 2º maior em Portugal e se diz democrata, a liderar o ataque à privacidade de Sócrates, eis um indigno espectáculo que Sá Carneiro jamais poderia ter imaginado possível.
Falar verdade aos portugueses
Para além da curiosidade relativa à coincidência da situação, um Governo de minoria, esta passagem das memórias de Cavaco expõe um calculismo vaidoso que tira as dúvidas a quem ainda as tiver: o actual Presidente da República está apostado no derrube do Governo e na destruição política de Sócrates.
Temos de ler a sua actuação no conflito dos Açores, nas declarações avulsas ou discursos solenes, na inventona de Belém e na tragicomédia dos emails, à luz da normalidade comportamental que a passagem recorda. Cavaco antecipa os efeitos das suas intervenções e joga com as percepções amplificadas na comunicação social para obter ganhos políticos. Nada de nada de nadinha de nada é inocente nas suas acções, então.
Muito bem. O eleitorado encarregar-se-á de julgar o seu mérito, caso se recandidate. Entretanto, convém também lembrar que este mesmo Cavaco, sempre a invocar a sua superioridade moral e intelectual, é o mesmo que não assumiu a ligação ao BPN através dos ganhos inexplicáveis na SLN, e é o mesmo que nunca se pronunciou, porque nunca sobre tal foi interrogado, a respeito da inexplicável escolha de Dias Loureiro para o Conselho de Estado, e ainda a sua inexplicável protecção ao mesmo quando já era público estarmos perante uma equívoca e sinistra figura.
O pior, contudo, não está na paupérrimo patriotismo do actual Presidente da República. Já não poderá fazer muito mais mal a Portugal, a sua carreira está no fim da linha. O pior, o perigo maior, diz respeito aos que se calam e encobrem o inacreditável escândalo protagonizado por Cavaco e amigos, preferindo a devassa da privacidade de Sócrates e a violação do Estado de direito. Acerca destes hipócritas dispostos a tudo, os portugueses precisam de conhecer a verdade.
Festas boas
O Natal é a festa da família por herança da tradição cristã. Acontece que muitas famílias são incapazes de festejar. Eis a origem do incómodo, da dor, mesmo do terror, que muitos sofrem ano após ano em Dezembro – seja porque não têm família, seja porque vão estar com ela. O verdadeiro espírito cristão, se conhecido e seguido, levaria a renegar esses que não fazem a festa. E a procurar aqueles que nos querem bem.
Nos Evangelhos, em vários passos e diferentes situações, lemos que Jesus era implacável no trato com os seus de sangue, ensinando que o crescimento de cada um passava pelo corte com as amarras familiares, sociais e étnicas. É algo que os diferentes credos cristãos não costumam enaltecer, por razões demasiado humanas, o que levou ao esquecimento do que é a sempre intempestiva encarnação do Espírito. Com a progressiva decadência das festas populares, diluídas pelo avanço urbano e económico, resta o futebol para que os nativos saboreiem o êxtase da ancestral alegria.
Se celebras o Natal, sejas crente ou descrente, faz a festa. Ou admite que não celebras o Natal.
Fogareiros de todas as praças, uni-vos
Estamos a assistir ao desmoronar total das instituições.
*
A séria senhora da seriedade que é um caso sério tem razão. De resto, só pode fingir-se surpreendido com mais esta verdade quem nunca poisou as partes carnudas subjacentes às costas no banco de um táxi. Há décadas que os chauffeurs de praça partilham com os clientes esta mesma evidência: as putas das instituições estão todinhas desmoronadas, e a culpa é do Governo e dos cabrões que entopem as faixas do bus.
O CDS já foi o partido do táxi. O PSD é o partido dos fogareiros.
Uma equipa do outro mundo
A literatura é uma farça
A Nós Escritores cumpre a promessa do editorial: ser um presente de Natal indicado para quem desfruta de um pouco mais de tempo nesta quadra. A revista pede para ser levada para o sofá, esplanada, um banco ao sol. Ou uma janela à chuva. E depois pacientemente desnudada. Ajuda a esta missão o desequilíbrio sexual: em 19 contos, apenas 5 cheiram a homem. É uma média que agrada ao meu palato heterossexual, mas quem não pertencer a este clube que proteste junto do Pedro Rolo Duarte, um reputado ladies man.
De especial interesse, porque resultou em cheio, o conceito deste número: juntar consagrados com absolutas estreias, entremeando com regulares. Realço a nossa amiga Blondewithaphd, num flagrante contraste com o minimalismo dos seus comentários por aqui. E realço a Maria Lucena, de quem sou amigo, e que publica pela 1ª vez. Também há uns meses o Pedro descobriu outra amiga minha, Maria João Freitas, acabadinha de lançar o blogue A namorada de Wittgenstein, e convidou-a para o Nós Alegres. Este trabalho de prospecção dos talentos nacionais é altamente meritório, espero que continue.
Mas o melhor vem do melhor, do Miguel. Ao contrário do que tenta vender o Rolo Duarte, o texto Quando escrever de notável só tem a fria constatação: é medíocre. Não só por de Esteves Cardoso, tão alta a bitola, esperarmos genialidade antes e depois das vírgulas, como por se estar no terreno da sua eleição suprema: a arte de bem escrever em português. Acontece que o autor não tinha nada de memorável para nos dizer acerca da escrita, talvez por ser um sacrilégio sequer tentar reduzi-la a fórmulas, e optou por nos mandar ler. É esse o mais antigo e universal conselho para quem se inicia nos prazeres da pena: ler, ler, ler. Contudo, há uma frase que rapta a crónica e a transporta para o Olimpo dos escritores:
É escusada a farça de pedi-los e oferecê-los.
Vejamos: o escritor mais importante desde os anos 80, o mais influente, escreve farça num texto onde manda o aprendiz de escritor aprender a ler. Para além de se constatar que nem sequer o autor lê o que escreve, muito menos o jornal que lhe publicou o texto, fica um sentimento de irreprimível liberdade. Já Pessoa advogava a desobediência criativa face ao imperialismo da gramática, agora é o Miguel que nos convence a perder toda e qualquer vergonha pelas calinadas ortográficas. E, súbito, o segredo da arte de bem escrever desvela-se e resplandece, o conselho era cifrado, especular: não ler. Porquê? Porque a literatura é uma farça.
E que raio é uma farça, perguntas já angustiado? É a literatura.
Não percebo o que aqui escrevi
Acontece em todos os navios
Santana quer ser o primeiro a abandonar o PSD.
Os filmes da oposição
A oposição exigiu conhecer as conversas privadas de Sócrates, mesmo depois de a Justiça ter considerado as gravações ilegais e destituídas de conteúdo criminal. O PSD chegou a solicitar ao Procurador-Geral o conhecimento das certidões no propósito de as explorar politicamente. Era muito importante averiguar se o Primeiro-Ministro mentira a respeito de um negócio inexistente, alegavam, por isso toca de devassar o cidadão. Nesta semana, conheceremos mais um episódio nessa novela.
Agora, Lopes da Mota, que o PSD atacou durante a campanha por continuar no Eurojust, foi castigado. Se foi castigado, e independentemente do desfecho de um eventual recurso, já há matéria que chegue, e que sobre, para uma qualquer tomada de posição na oposição. É que a Justiça validou a denúncia dos Procuradores do processo Freeport – logo, considerou que Lopes da Mota tentou indevidamente influenciar o desfecho do caso. O que implica ter validado o nexo entre Lopes da Mota e os alegados mandantes no Governo à época. A bomba acaba de atingir o paiol.
Alguém ouviu a explosão? Nada, apenas uns poucos de cães a ladrar. Onde está a oposição, porque não abriu já um inquérito parlamentar, porque não aproveita a soberana ocasião e varre Sócrates e PS de cena? É estranho, não é? Quase tão estranho como conviver com um Presidente da República que patrocina inventonas e não é chamado à pedra por ninguém.
Há uma pista para este anticlímax. É que Lopes da Mota, faz tempo, tem reclamado que se conheçam os factos publicamente. Podemos concluir, então, que a matéria em causa rende mais à oposição se ficar desconhecida, tela branca onde se podem projectar todas as suspeições e calúnias.
Esta oposição tem as características do pior cinema português: é tosca, velhaca e soporífera.
Qual foi o presente que gostaste mais de receber no Natal?
Singularidades lusitanas
Pacheco e Vidal, homens da luta
O Pacheco pode ser um estratega desastrado e não mais do que um bufão no grande tabuleiro das forças que moldam a política nacional, mas na blogosfera, este reino de irresponsabilidade e irrelevância, ele é um dos nossos maiores e mais queridos companheiros.
Leia-se esta maravilha, e constate-se como é verdadeiro o ditado: Politics makes strange bedfellows. Na sua obsessão iracunda, qualquer aliado serve desde que permita alimentar a paranóia. Por exemplo, o 5 Dias, um blogue onde escrevem esquerdistas, comunistas, revolucionários e taralhoucos, embora não necessariamente por esta ordem. Do actual elenco, o taralhouco-mor, Carlos Vidal, tem fascinado as boquiabertas audiências com a sua receita que mistura megalomania com megalitismo. Pelo meio, vai celebrando os ditadores onde encontra a segurança de um cosmo sem democratas a empatar. Ora, é deste caldo fascista que se faz o culto da violência que o Pacheco quer aproveitar – ah, como seria delicioso que um comuna qualquer agredisse Sócrates em nome dos espoliados pelo capitalismo… Que gozo, que satisfação…
O seu tour de force, o sinal da sua imparável demência, está aqui:
Não é que este estilo governamental corporativo-jugular não tenha também implícita uma incitação à violência, resultado do insulto sistemático contra as pessoas, mas os seus autores, uns anónimos empregados dos ministérios e outros da esquerda bon chic bon genre que gravita à volta da figura de Sócrates, abjurariam de imediato qualquer alusão à violência e ficam muito incomodados com o que lhes lembra o 5 Dias.
Estilo governamental corporativo-jugular?! Foda-se, senhores ouvintes. Este homem priva com a fina-flor dos políticos, jornalistas e poderes fácticos em Portugal. No entanto, vem para a rua de tocha na mão perseguir as sombras de dois blogues que têm como marca distintiva serem exemplos de liberdade de expressão e frontal combate político. A sua incapacidade para lidar com a inteligência e cultura cívica deles está a dar cabo do seu prestígio intelectual; o que resta, depois de um ciclo onde se perdeu um pensador e não se ganhou um cidadão. E é essa a maior violência a lamentar, entre todas as que o Pacheco assinou ou promoveu.
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Delenda Cavaco
Dois dias antes do lançamento da inventona de Belém, escrevi O sonso. Para além do escândalo, ou indignação, ou repulsa, por ver o Presidente da República envolvido na campanha eleitoral e na degradação do prestígio das mais altas instituições do Estado, estava interessado na descodificação de Cavaco, nos modos verbais e não verbais da sua comunicação em público. Em 16 de Agosto, pois, a violência reprimida que deixava transparecer no discurso equívoco, entaramelado, anunciava o pior. E o pior veio 48 horas depois, para vergonha nacional.
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