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Mas serei o único?

A dar graças por este dia de chuva imparável, à inglesa, como ela deve ser para não se confundir com os volúveis aguaceiros? Serei o único a dar graças por este Inverno que se esforça para cumprir o calendário, apesar do Al Gore? Serei o único a estar solidário com todos os compradores nos saldos, finalmente desfrutando de meteorologia que lhes valoriza a racionalidade da poupança?

Não acredito.

Big

Este maravilhoso exemplar feminino e californiano, aqui exibindo-se nuns deslumbrantes 58 anos ao lado dum avatar, é digno representante do melhor de Hollywood: não deixa que a realização atrapalhe uma boa história.

Antes do filme agora consagrado com os Óscares e o favor da crítica, tinham passado a Kathryn Bigelow um atestado de óbito na carreira por causa de um tremendo fracasso: K-19: The Widowmaker. É exactamente assim o sonho americano, o saber pôr os pés no chão. E andar.

Génio de Carvalhal

Continua a saga, chapa 3 (em versão 3+1). Liedson sempre a resolver (resolveu marcar 4). Saleiro a dar espectáculo (um espectáculo dentro do espectáculo). Ostracismo de Vuk a permitir o regresso às 3 substituições (que dão jeito, há que o admitir). E a equipa deixou de falar à comunicação social sem sequer explicar porquê, assim tornando oficial que o Costinha já pegou ao trabalho e trouxe umas fotocópias gamadas ao Pinto da Costa. És do Carvalhal, Carvalhal.

Entretanto, os meus amigos António P. e Rogério estarão resignados, convencidos de que a Páscoa não lhes vai trazer amêndoas.

Delenda Cavaco

Cavaco lançou a recandidatura. Apresenta-se como o Presidente que vive num humilde prédio de classe média. Tem sofrido muito neste Inverno porque a casa não tem aquecimento central, queixa-se. Também ficámos a saber que nada lhe dá mais gostinho do que a comida caseira, simples, portuguesa. Leituras da imprensa só as que os assessores seleccionam e marcam. Viu-se um exemplo: 3 parágrafos de um certo texto estavam assinalados a traço vertical, os restantes 10 já não valia a pena ler – e ainda há quem diabolize os assessores…

Os melhores momentos deste tempo de antena, se esquecermos todas as outras gargalhadas do princípio ao fim, centram-se em Sócrates. No primeiro deles, Cavaco quer passar a imagem de ser tão superior ao engenheiro que nem sequer dá atenção à sua entrevista a Miguel Sousa Tavares. O intento já era primário, a execução foi penosa. No segundo, Cavaco diz que sempre se deu às mil maravilhas com Sócrates e que o suposto conflito entre ambos não passa de má-língua. Um dia explicará o que se passa, falará do amor que se faz semanalmente numa certa sala do Palácio de Belém. Mas, por agora, tem de ficar caladinho enquanto o Primeiro-Ministro é queimado pelos amigos do Presidente. Porquê? Porque Cavaco não se mete na política, apenas a tolera às quintas-feiras.

Não era preciso este favor de Balsemão a Cavaco para descobrirmos como é necessária a derrota desta nefanda personagem. Representa um Portugal que se limita a usufruir dos privilégios, sem qualquer solução de interesse para a comunidade. Merecemos um Presidente de que nos possamos orgulhar, não uma figura que traiu o seu juramento.

O mal e a caramunha

Portugal está há quatro meses sem Governo. Os portugueses elegeram um novo Governo, mas o novo Governo demite-se da sua função. Dito de forma chã, o Governo demite-se, dia após dia, das suas responsabilidades, deixando atrás de si um país adiado.

Paulo Pinto de Albuquerque

*

O PSD aderiu às velhas tecnologias, agora usa cassetes de cartucho acreditando que elas disparam chumbo grosso. Repetem-se uns aos outros numa vaga acéfala que conquista novos máximos a cada novo canastrão que entra em cena – o estribilho actual é o de não haver Governo. Então, leia-se o artigo deste Albuquerque. Começa por dizer que não há Governo, papagueando vacuidades, e depois dedica o resto do artigo a maldizer actos governativos – originais uns, evoluções ou correcções outros – que comprovam o inverso do que diz na abertura do texto. Mais notável ainda, não se encontra uma só ideia no que escarrapacha, só adjectivação biliar. Se nos lembrarmos que o autor explora as escutas ilegais, e ilegalmente publicadas, para fazer ataques políticos que visam exclusivamente a destituição de Sócrates, temos o retrato acabado do vale tudo em que se tornou o PSD.

Que cambada. Escutam o Primeiro-Ministro, e sabe-se lá quem mais, e dizem-se escutados por aquele que estão a devassar. Recusam ser parte da solução governativa, formam coligações negativas, ameaçam derrubar o Governo quando bem entenderem, vão para o Parlamento Europeu denegrir e ofender Portugal, andam a pedir aos especuladores internacionais para agravarem as condições financeiras, chafurdam nas manobras e crimes de atentado contra o Estado de direito, levam para o Parlamento a escória da comunicação social na esperança de que emporcalhem mais e mais os governantes e as instituições. E fazem isto no meio de uma crise económica internacional que levou o desemprego para os 10%. Fazem isto com o silêncio cúmplice, ou berreiro aliado, do BE e do PCP, diga-se em abono da Política de Verdade.

Nunca nenhum Governo teve pela frente o desafio que este tem, tanto pelas condições internacionais como pelas nacionais. Obviamente, o primeiro e decisivo pilar da governação seria a aprovação do Orçamento – tarefa particularmente difícil numa situação minoritária e de irresponsabilidade da oposição. Sem ele, não haveria condições para continuar. E a evolução da conjuntura económica também faz do PEC um segundo momento quase tão importante como o primeiro. Como à volta do Executivo reina um combate sem quartel, onde magistrados e jornalistas são factores de alarme social e se comportam como golpistas, ainda haver Governo parece-se cada vez mais com um acto heróico.

O PSD não tem qualquer lealdade para com o País. O modo como tenta conquistar o Poder resume-se à lógica do quanto pior melhor. Fazem o mal e a caramunha. É serviço completo.

Ética e transparência

Não sei o que seja mais extraordinário: se o envolvimento do Presidente da República num negócio entre privados que não chegou a realizar-se, se o alheamento do Presidente da República do negócio entre magistrados e jornalistas destinado a linchar inimigos políticos.

Fenómenos do entroncamento

“… se a justiça ajudasse e se não houvesse alguns bandidos – ou na magistratura do Ministério Público ou na magistratura judicial –, que fazem fugas de informação sistematicamente (…). Não é possível viver com um sistema em que algumas pessoas na Procuradoria ou na magistratura judicial condicionam a vida nacional de uma maneira insidiosa sub-reptícia, clandestina e eu acho que, paga: Acho que há pessoas nas magistraturas a ganhar fortunas a vender informações em segredo de justiça…”

António Barreto por Rui Rangel

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Cidadãos que alegam terem referido o seu nome em restaurantes vão ao Parlamento, à pala disso e de mais nada, vender livros e mostrar aos deputados quem é que manda naquele espaço. Outros dizem que as violações ao segredo de Justiça estão a criar fortunas, o que é totalmente consentâneo com o seu uso: os jornais e revistas que as publicam fatiadas, e manipuladas, aumentam os seus lucros. Podemos estar perante uma indústria, pois. Curiosamente, a estes nem sequer um pedido de explicações é feito por algum jornalista i-gnóbil, quanto mais serem chamados à Assembleia da República, à TV ou à esquadra das Galinheiras para prestarem depoimentos.

Não se trata de um fenómeno do Entroncamento. É mesmo do entroncamento – resta só saber do quê e de quem.

Alices no País da Maravilha

Este é o ano de todas as Alices. Mas ninguém estava preparado para a entrada em cena da inspectora Alice. Diz quem sabe que ela é permeável a telefonemas. Fosga-se, coitada. As dores que tal maleita provoca. Isso na minha vizinha do 4º andar já seria tramado, numa investigadora da Judiciária é incapacitante. E assim se prova como a Comissão de Ética tem toda a razão de ser, pois sem ela nunca saberíamos que, afinal, os assessores do Primeiro-Ministro lá conseguiram abafar o Freeport ao telefonema. Diz quem sabe.

E diz mais. Garante existirem documentos na TVI que entalam o engenheiro. Estão para lá esquecidos numa gaveta, desde Setembro, e ninguém lhes pega. É chato. Porque esse tipo de provas gosta é de estar com as autoridades. Sentem-se bem ao pé de fardas e togas, são lá coisas. Eis o que proponho: denunciar à polícia essa situação de abandono e maus-tratos. Se a polícia não souber onde fica a TVI, que telefone para quem sabe e peça a morada.

Quê? Um rei? Diz quem sabe que o Rei também é permeável a telefonemas. Mas, neste caso, não é defeito; é feitio. Noblesse oblige.

O Parlamento está a especializar-se em espectáculos dados por ratos, araras, lagartas e tartarugas falsas. O melhor continua a ser o do chapeleiro taralhouco e sua camisa de dormir, mas este da rainha que não se fecha em copas também foi baril. E a maravilha promete continuar.

Coelho foi o caçador

Só rir. Coelho esmagou Rangel do princípio ao fim. E terminou a sová-lo sem piedade.

Eis uma incógnita que desaparece, Passos Coelho afinal é um guerreiro, tem tónus e agressividade. Contra um histérico do vale tudo, baralhado com a repulsa que a sua táctica suscitou a partir da vergonhosa actuação no Parlamento Europeu, Coelho apareceu muito bem treinado e não falhou os alvos. Foi a sua melhor prestação política, e televisiva, de sempre.

Rangel, entretanto, é uma fraude ambulante. Dizer-se que ele ganhou as Europeias, e sozinho, é daquelas bacoradas que até despertam um sentimento de compaixão. Basta ouvi-lo a falar do Ensino, prometendo acabar com a avaliação dos professores a troco de mais uns trabalhos de casa em cima dos chavalos, para termos a certeza de que o Paulo nunca ficará no desemprego enquanto se venderem conjuntos de atoalhados na feira da Malveira.

Canalhocracia

Ler O Jumento.

Voltar a ler o Eduardo.

Ler o Tomás, a quem devemos o carimbo.

Ler o Miguel.

Ler o Luís.

Ler o Gabriel.

Ler o Francisco.

Ler o Pedro.

Ler o Rui.

Ler o Ricardo.

Ler a Fernanda.

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É também ocasião para lembrar isto, que tinha deixado sem comentário. Trata-se do Mascarenhas a avisar a malta de ter enviado um email ao Valupi, não fosse acontecer-lhe alguma coisa má depois de tão arriscada missão e não haver suspeitos para interrogar. Ele cumpriu com o que anunciou, honra lhe seja feita: pediu-me a identificação, qual bófia de serviço. Tentei conversar com o sr. agente, mas o pavio era demasiado curto. Ele achava que eu tinha a obrigação de lhe responder sem fazer perguntas ou tecer comentários, estava cheio de pressa para concluir que me tinha apanhado – desistiu ao terceiro email. Ficou sem saber, por mim, o que pretendia. Mas, antes deste episódio, já o Mascarenhas me tinha oferecido um ambicioso título nascido da sua provável bravura: provavelmente o mais cobarde dos anónimos.

Que se passa com este labrego? O seguinte: convenceu-se, ou alguém o convenceu, de que o Valupi era o Rogério da Costa Pereira, que em tempos usou o pseudónimo Afixe (e que com ele chegou a escrever cá na casa). O que quero realçar com a recordação não é a capacidade fantasista, ou paranóica, do Mascarenhas. Não, nada disso. Trata-se de outra competência, a literacia. Considerou que os nossos estilos de escrita eram iguais, prova suficiente para que os seus dois neurónios ainda activos começassem a disparar acusações sem mais demora ou carência de confirmação.

O atestado de iliteracia do Mascarenhas teria graça se não estivesse na origem da pulhice contra o Jumento. É que ele até pode ser um excelente rapaz, mas assim tão burro torna difícil a leitura do jornal onde zurra nas parangonas.

É ou não é verdade?

Que temos todas as condições para exercer a cidadania em plenitude, usufruindo sem limitações dos nossos direitos e liberdades fundamentais, e que podemos influenciar decisivamente os partidos e as instituições, mas que preferimos a inércia, o tribalismo e o medo?