Alices no País da Maravilha

Este é o ano de todas as Alices. Mas ninguém estava preparado para a entrada em cena da inspectora Alice. Diz quem sabe que ela é permeável a telefonemas. Fosga-se, coitada. As dores que tal maleita provoca. Isso na minha vizinha do 4º andar já seria tramado, numa investigadora da Judiciária é incapacitante. E assim se prova como a Comissão de Ética tem toda a razão de ser, pois sem ela nunca saberíamos que, afinal, os assessores do Primeiro-Ministro lá conseguiram abafar o Freeport ao telefonema. Diz quem sabe.

E diz mais. Garante existirem documentos na TVI que entalam o engenheiro. Estão para lá esquecidos numa gaveta, desde Setembro, e ninguém lhes pega. É chato. Porque esse tipo de provas gosta é de estar com as autoridades. Sentem-se bem ao pé de fardas e togas, são lá coisas. Eis o que proponho: denunciar à polícia essa situação de abandono e maus-tratos. Se a polícia não souber onde fica a TVI, que telefone para quem sabe e peça a morada.

Quê? Um rei? Diz quem sabe que o Rei também é permeável a telefonemas. Mas, neste caso, não é defeito; é feitio. Noblesse oblige.

O Parlamento está a especializar-se em espectáculos dados por ratos, araras, lagartas e tartarugas falsas. O melhor continua a ser o do chapeleiro taralhouco e sua camisa de dormir, mas este da rainha que não se fecha em copas também foi baril. E a maravilha promete continuar.

32 thoughts on “Alices no País da Maravilha”

  1. As Manelas estão bem uma para a outra. Mentem, acusam, insinuam e lançam boatos como se de verdades definitivas se tratasse e com a elevação ao nível de uma bota da tropa. O espectáculo dado por essa espécie de boneca insuflável na CE é bem o espelho do que era o tal Jornal Nacional. As atoardas são as mesmas e sempre com base no “alguém disse…, alguém telefonou a alguém…, ouvi… etc.”. Quanto a factos concretos, um enorme zero.
    Ainda não percebi o papel dos deputados que se prestam a este triste espectáculo e deixam passar impune todos os disparates que por ali se têm ouvido. No mínimo deveria haver por li alguém com um alfinete que fizesse a MMG sair a voar pela janela ao som do silvo característico.

  2. …..no meu plano não havia podem crer,
    este metropolitano que avenida vai conter.
    Isto é de agora, no meu tempo e para andar,
    tinha o Chora, o Virgolino, o Americano e o Salazar!

    Villaret.

    …..houve um plano para enfraquecer os privados.

    O que o sr Balsemão, filho dilecto e traquinas, do Estado Novo quer dizer, é que o seu projecto jornalistico; pura imprensa livre e independente é tão viável e autosustentável financeiramente, que berra a toda a hora e momento a pedir o dinheiro do serviço público.

    O sr Saraiva outro dos tais, provavelmente nem com a venda do seu do seu produto consegue pagar ordenados, depois quer impingir que tem um jornal livre e independente.

  3. Não sei se hei-de rir ,se chorar de vergonha.É uma autêntica porcaria o que se está a passar na CE da AR.Um desfilar de velhos actores e actrizes zangados,frustrados e raivosos.O ódio transpira daqueles rostos.Lamentável,muito lamentável.Por sorte o país ainda não está tão mal.

  4. Dum ponto de vista meramente estetico as audições de ontem pareciam ter o patrocínio do Museu Madame Tussaud. A M(itomana) M(egalomana) Guedes, foi um autêntico freak show, acompanhada pela subserviência aprovadora dos deputados da direita.
    Balsemão tentou “puxar” a brasa à sua sardinha (na verdade ele tem mais um chicharro) mas tudo aquilo soa a falso pois para ele não haveria estado a não ser para varrer as ruas e para passar multas de trânsito, por isso qualquer legislação saída da AR é para este media tycoon uma tentativa de lhe limitar o negócio.O nosso Berlusconi.
    Mas o verdadeiro plano que ameaça o país é , na minha opinião, onomastico…vejamos:

    Pinto da Costa
    Pinto de Sousa
    Pinto Monteiro
    Pinto Balsemão
    Pinto de Sousa (Sócrates) (O Pinto)
    Sergio Sousa Pinto
    etc…

    Não será isto uma tentativa factual e visivel de tomar conta do poder em portugal? haja algum jornalista de investigação que pegue nisto pá…fonix

  5. Como considero a Guedes uma indigente mental nem sequer me pronuncio sobre o que ela diz. Portanto, se o conteúdo vale zero, olhemos para a forma. A mulher precisa urgentemente de uma recauchutagem. Que porra de trabalho tão mal feito. Como é que o Moniz consegue entrar em casa todos os dias sem apanhar um grande susto? Fónix, que família mais Addams…

  6. Não me digam que os portugueses não são criativos. O Herman retirou-se, os Gato Fedorento só aparecem nos anúncios, vai daí o Canal Parlamento resolveu preencher essa grave lacuna. Agora só falta algum candidato à liderança do PSD propor a sua privatização. Aposto que isso abriria uma guerra sem precedentes entre os vários canais concorrentes na disputa de tão preciosos conteúdos. :)

  7. Não gastem a bílis toda,
    ainda vem aí a comissão de inquérito ao padrinho.
    Claro que, heroicamente, vai recusar responder por escrito e enfrentar cara a cara os botabaixistas.

  8. É isso Guida, puro entertainment, O que está a ser objecto de análise nestas audições como no caso Face Oculta não é o controle da comunicação social, é o jornalismo e a justiça.
    É aterrador ver como certas pessoas totalmente desqualificadas para fazerem um juizo são, sensato e objectivo sobre as coisas chegam a directores do que quer que seja.E não são só estes…

  9. Que maravilha, de facto! Esta “ópera bufa” que alguns vêem na TV e que depois, à falta de assuntos sérios que afectam o país, os outros todos reproduzem, é a prova provada que, e concordo com o Val, vivemos no País das Maravilhas (parece que é a três dimensões e é estreado hoje)!
    Ao que parece a tal Snrª. Inspectora (Alice….)já terá posto um processo à fulana que ontem mandou umas “bocarras” na já famosa (por desprestigiante, no meu entender) Comi(ch)ssão de Ética da AR. Só espero que o consiga levar até ao fim e que ponha no lugar que merece tão desmiolada pessoa (?)(sim, ela tem baixa médica há cinco meses, embora apareça em tudo quanto é festa do jet set e por isso o Ministério da Saúde deve considerar que a sua cabeça não funciona bem e por isso o que ela diz não se escreve, por ser doença do foro mental…).

  10. Ó Helder, vai para deputado e deputa por lá tão bem como aqueles da comissão de ética e da comissão que arrastou na lama o gov. do Banco de Portugal. Aquelas belissimimas e éticas comissões sempre vão ajudando a esconder a maior falcatrua da História de Portugal: os dois biliões do BPN, que devem ter enchido os bolsos de muitos amigos cavaquistas e não só. Quase se poderia atirar: diz-me de que lá estás e eu digo-te quem mamou naquele banco.

  11. Vem a propósito do “filme” MMG, transmitido pela enésima vez, agora via parlamento, e apreciações, ditas jornalísticas, durante e subsequentes, que dei por mim a pensar, no famoso argumento do respeito pela autoridade, aliás, argumento muito apreciado hoje em dia pela malta cá do “sítio”.

    Citar, mas, ainda, utilizar por qualquer meio, uma autoridade para apoiar um argumento (digamos, uma narrativa) não é uma falácia lógica em si e por si; a opinião especializada é legitimar uma prova juntamente com outra prova.

    O que é falacioso, é usar o respeito pela dita autoridade como a única confirmação da sua posição, apesar de provas, tão convincentes como aquelas, que apontam em sentido contrário.

    É como a anedota dos dois tipos que se encontram na rua após vários anos: – ah! ouvi dizer que tinhas morrido! – disparate, como vês não é verdade! – replica o outro a rir. – impossivel – riposta o primeiro. – o homem que me disse é muito mais fidedigno do que tu.

    Ora, o que está sempre em jogo nos argumentos de autoridade é quem é aceite como autoridade legitima. É um problema de credenciais. Umas são melhores do que outras e, quanto a isso, basta-nos ficar com duas ideias absolutamente contraditórias nas nossas cabeças: uma verdadeira, outra falsa. Ah, e uma dor de cabeça!

  12. Val,

    O teu texto está brilhante.

    Comecei a ouvir chamar aquilo, comissão de Ética, e confesso que me senti angustiada, dada a grande falta de Ética de todos os actores que por alí desfilavam, a saber, inquiridos e deputados.

    Mas ontém com a monstra da Guedes, foi diferente, sei lá. É que ela não está ali para nos mentir, não…

    Ela está ali para nos divertir…

    Logo,

    Combater a falta de confiança dos portugueses, melhorando-lhes a auto estima através do riso.

  13. Boa tarde, eu sou a Manuela Moura Guedes. Apresento-me a todos vós porque tenho denúncias importantes a fazer aqui na Comissão de Ética. Mas têm de me ouvir com atenção, se não revelo que vocês todos querem fechar a minha boca. De uma coisa fiquem cientes, para a fechar não é fácil, se a comparássemos com um pé, gastaria o número 60. Portanto vejam o que posso lá meter! Costuma-se dizer, pessoas com bocas grandes, grandes verdades e vontades.
    Às respostas dos senhores deputados tenho a afirmar que tudo o que foi revelado no jornal de sexta-feira é a pura verdade. Tentaram calar uma profissional como eu, que até o meu ordenado foi dobrado, pena não ter sido dobrado o do meu marido, que jeito me fazia, deixava de fazer outros serviços, para atenuar a falta do mesmo.
    Falam de Miguel Sousa Tavares, quem é esse senhor, até me dá vontade de rir. Que programas faz? Sinais de fogo? O que é isso! No primeiro programa com 1º. Ministro, parecia uma conversa em família. Ele que só vê duas coisas, o F. C. Porto e Sócrates.
    O João Marcelino que está ao serviço JN mais parece um assessor do governo. Não repararam que só eu e o jornal de sexta-feira é que púnhamos na praça pública as tramóias.
    Nem o Rei de Espanha, a inspectora Alice me fizeram calar. Que me lembre o Rei de Espanha só mandou calar o Hugo Chaves. Mas, eu não sou esse Chaves. Sou como Manuel Alegre que diz, a mim ninguém me cala. Nem o ex-director-geral da TVI. Coitado dele. Despedia-me logo por justa causa e depois ia para a baixa como neste momento estou. O psiquiatra julga que sou tola. Sou mais esperta que todos os portugueses. Com isto também quero demonstrar como são ineficazes os serviços de inspecção, ando por onde ando e ninguém me controla. Só o 1º. é que me tem aversão. Não sei o que quer de mim, aliás saber sei mas, sou casada e bem casada. Não dizem que ele gosta do segundo canal? Eu sou da TVI.

  14. Como escrevi num comentário aqui recentemente, toda esta estória (sim, escrevi bem) está a tornar-se numa anedota!

    E pior, patrocinada pela AR e pela Comissão de Ética, Sociedade e Cultura.

    Depois de ouvir excertos da estória (sim, voltei a escrever bem) contada pela Manuela Guedes (Vitorino, Rei de Espanha, Alice, etc etc) dou com este texto no Diário Económico:

    «Na sua intervenção no Parlamento, na terça feira, Bernardo Bairrão garantiu não ter havido ingerência política no cancelamento do Jornal Nacional de Sexta. “Nunca tive qualquer contacto com o Governo. Não conheço António Vitorino e não tenho conhecimento, formal ou informal, de que a Prisa tenha recebido instruções do Governo, através dele, para suspender o jornal de sexta”.

    Bairrão disse apenas recordar-se de uma “conversa de corredor”, em que alguém disse que António Vitorino tinha atacado aquele noticiário. “Mas dou pouca credibilidade a essas conversas e muito menos comentei com Manuela Moura Guedes”, afirmou.»

    Confesso um grande receio que tenho: a AR está a caminho de bater no fundo!
    Quando a AR e os seus deputados não exigem o respeito que a instituição merece (ou deveria merecer) muito mal anda a Casa da Democracia!

    c’um caraças!

  15. bom, parece que a dona alice da pj de setúbal vai processar o boca guedes. de qualquer forma, creio não estar enganado ao recordar que essa senhora alice esteve envolvida nos encontros da aroeira (com, entre outros, o chefe de gabinete do santana e agora deputado ppd, com inês serra lopes e outros jornalistas) a prepararem a carta anónima (a 1ª) que deu origem ao freeport, por alturas da campanha eleitoral de 2005 (pois claro) e que deu manchete no defundo independente.

  16. Mas temos que agradecer ao PPereira que qual flautista de Hammellin cada vez que lança uma nova partitura consegue arrebanhar tamanha quantidade de artistas que ao som da sua musica vão desfilando as suas eloquentes teorias, oferecendo-se no sacrossanto altar da liberdade de expressão.Produção sublime:)))

  17. E o maestro Rebelo de Sousa, K. A oposição está toda à espera do Domingo à noite para saber o que é que há-de dizer sobre a reunião do Conselho Superior do Ministério Público, sobre a Comissão de Sociedade e outras patranhas de elevado teor apelativo.

    Ahh… já não existe as Escolhas do professor. Que pena.

  18. A todos os ranhosos e mais alguns que não percebem o que está em causa hoje, que são surdos, mudos e cegos, que oiçam o Garcia Pereira no “antes pelo contrário” da RTP1. Um tipo do PCTP/MRPP e cheio de ortodoxias e jargões, mas o único, repito, o único que até hoje, conseguiu colocar os pontos nos iiiii. É aquilo que está em causa. Nem mais nem menos.

  19. (…)” “Foi uma pressão real”. A frase provocou gargalhadas entre os deputados na comissão de Ética, pelo seu duplo sentido. A jornalista Manuela Moura Guedes acusou hoje o primeiro-ministro José Sócrates de ter telefonado ao rei de Espanha para tentar pressionar o grupo Prisa no sentido de terminar com o Jornal de sexta.
    “Soube por interposta pessoa que o dr. Cebrián [CEO do grupo Prisa] contou ao dr Balsemão, em jeito de desabafo, que já estava farto dos telefonemas do primeiro-ministro por causa da suspensão do jornal de sexta. E disse que o primeiro-ministro até para o rei de Espanha tinha ligado, para ver se conseguia pressionar a Prisa. É uma pressão real, de facto”, ironizou Moura Guedes (…)”.

    Só com uma valente segunda carga de porrada naquelas trombas. A primeira já deixou como deixou, agora era mesmo p’ra ficar com a boca à Nogueira Pinto, só que mais grande.

  20. Uma pessoa afirma que possui ou conhece documentos que estarão na posse ou conhecimento de membros de uma equipa de jornalistas da TVI e que incriminam indubitavelmente o PM no caso Freeport, não estará (estarão) a cometer um crime de obstrução à realização da Justiça? Se fossem cidadãos comuns seriam ordenadas buscas e, eventualmente, assistiriamos à constituição de arguidos, o folclore do costume, câmaras de tv à porta – especialmente da TVI – , e etc.
    Mas há a protecção das fontes, são jornalistas, quanto a isso, nada a fazer.
    Portanto: se um jornalista disser que tem material probatório indesmentível de um crime gravíssimo (com a agravante de o criminoso ser um alto responsável do Estado) ninguém pode sindicar se o elemento de prova existe mesmo e, caso afirmativo, se o seu conteúdo tem o valor jurídico que os interessados lhe atribuem. Sem meias palavras: ninguém pode confirmar ou não se a existência desse material não passará de um bluff destinado a manter a espada de Dâmocles sobre o criminoso.
    Há aqui um evidente conflito de interesses:

    – o interesse público da protecção dea fontes jornalísticas
    – o interesse público em descobrir e punir, in casu, crimes de corrupção que, em última análise abala os alicerces do Estado de Direito

    Quando há conflito de interesses, prevalece o mais valioso, que parece ser a defesa do Estado de Direito através da eventual responsabilização do PM por a conduta que lhe vem sendo imputada.
    Compete ao MP o desencadear da acção penal, motivo por que, tendo a denúncia sido feita pela MMG na AR, em directo e ao vivo, não pode o MP deixar de determinar as necessárias diligências, incluindo buscas, de modo a, uma vez por todas:

    – provar a culpa ou inocência do PM
    – mostrar ou não a ideia de urdidura contra o PM e contra o resultado das eleições.

    Ou alguém tem medo que, de uma vez, caiam todas as máscaras e haja uma hecatombe na classe política e jornalística, e, quem parece ter desistido de lá chegar pelo voto, fique sem a última e insidiosa arma que lhes resta?

  21. Valupi,

    Devo aditar… não pelo mero só pelo exercício de retórica dizer que a Alice que interessa comentar é a do Tim Burton, mas também … porque falas sempre de desgraças com tantas Maravilhas por aí …

    Viva o Rei !

  22. Errata:

    … ao que parece foi mesmo um “só pelo” a mais.
    Mas às vezes esse p[ê]lo mesmo só pode ser bastante desconcertante … provocar azia ou ainda pensamentos pecaminosos …

    … tipo chafurdar aonde não se deve … ou não interessa …

  23. Por muito que o circo se tenha passado para a Comissão de Ética, e que tente fazer rir a malta, consigo achar ainda mais graça ao “Imprensa Falsa”:

    «O primeiro-ministro José Sócrates afirmou hoje que a sua deslocação ao Parlamento para a comissão de inquérito proposta pelo Bloco, pelo PSD e pelos seguidores de José Manuel Fernandes no Twitter é inútil, uma vez que já disse tudo o que tinha a dizer ao telefone.

    “Eu não posso acrescentar nada ao que já disse ao telefone durante meses e que se encontra hoje na mesinha de cabeceira do arquitecto José António Saraiva”, afirmou Sócrates à entrada para o cinema com Alberto João Jardim, onde assistiram a “Nas Nuvens”, uma comédia dramática com George Clooney.»

    O resto aqui (e vale a pena!!)
    http://www.imprensafalsa.com/?p=1593

  24. Sobre Joana a Louca de Espanha ( melhor seria de Castela)

    Vou-me Embora pra Pasárgada

    Vou-me embora pra Pasárgada
    Lá sou amigo do rei
    Lá tenho a mulher que eu quero
    Na cama que escolherei

    Vou-me embora pra Pasárgada
    Aqui eu não sou feliz
    Lá a existência é uma aventura
    De tal modo inconseqüente
    Que Joana a Louca de Espanha
    Rainha e falsa demente
    Vem a ser contraparente
    Da nora que nunca tive
    E como farei ginástica
    Andarei de bicicleta
    Montarei em burro brabo
    Subirei no pau-de-sebo
    Tomarei banhos de mar!
    E quando estiver cansado
    Deito na beira do rio
    Mando chamar a mãe-d’água
    Pra me contar as histórias
    Que no tempo de eu menino
    Rosa vinha me contar

    Vou-me embora pra Pasárgada

    Em Pasárgada tem tudo
    É outra civilização
    Tem um processo seguro
    De impedir a concepção
    Tem telefone automático
    Tem alcalóide à vontade
    Tem prostitutas bonitas
    Para a gente namorar

    E quando eu estiver mais triste
    Mas triste de não ter jeito
    Quando de noite me der
    Vontade de me matar

    — Lá sou amigo do rei —
    Terei a mulher que eu quero
    Na cama que escolherei
    Vou-me embora pra Pasárgada.

    Manuel Bandeira

  25. Mau,
    ainda a coisa não começou e o 1º já se está a desfainar? já foge da comissão de inquérito?

    Já não há parede que lhe consiga limpar as mãos.

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