Os deputados do PSD, representados pelo Pacheco Pereira, estão a pôr em causa o bom nome de Paulo Penedos, João Carlos Silva, José Maria Ricciardi, Zeinal Bava, Manuel Polanco, Armando Vara e José Sócrates. Estas foram as personalidades que o PSD indicou para eventuais novas audições na Comissão de Inquérito em resultado da espionagem política consumada pelo Pacheco, sendo que das suas declarações se faria novo questionário a Sócrates. Como o PSD desistiu das audições, pesará para sempre sobre estas pessoas a suspeita de serem cúmplices da conspiração para mudar a orientação da TVI, a tal manobra que o Pacheco afiança ter existido e poder provar-se pelas escutas.
Para além das pessoas, também as instituições são atingidas pela violação da Constituição que Pacheco e PSD perpetraram. Assim, PT, BES, BCP e Taguspark ficam associados à acusação política que visa atingir o Primeiro-Ministro, com efeitos imprevisíveis para a reputação das entidades e respectivos negócios. Se as escutas provam uma conspiração entretanto desmentida sob palavra de honra perante a CPI, abre-se uma crise de confiança interna em relação às individualidades visadas pela suspeição. E como se podem elas livrar do libelo? Só acedendo às escutas, e, mesmo assim, não é garantido, pois todo um subsequente processo de investigação teria de ser levado até às últimas consequências. Ora, ao contrário do âmbito judicial, onde o estabelecimento da culpa obriga à recolha de prova material, o exercício político é um confronto de ideias onde não há culpados nem inocentes. Quando se utilizam calúnias sem prova ou de refutação inacessível, há penalizações políticas inerentes e inevitáveis. Os alvos ficam sujeitos a ataques e não têm possibilidade material de defesa.
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