Delenda Cavaco

Os Portugueses recordam-se, certamente, de que na minha mensagem de Ano Novo alertei para o momento muito difícil em que Portugal se encontra e disse mesmo que podíamos “caminhar para uma situação explosiva”. E disse também que não é tempo de inventarmos desculpas para adiar a resolução dos problemas concretos dos Portugueses.

*

Cavaco anunciando que a democracia é um aborrecimento, porque os partidos não fazem o que ele quer. E depois dá nisto de vermos um Presidente da República a desistir dos valores em que acredita e a atiçar a irracionalidade.

Em termos psicológicos, estamos perante um passivo-agressivo. No plano moral, é um sonso. Mas essa problemática reduz-se a uma curiosidade face às enormidades que o País ouve deste falhado Chefe de Estado. Agora, para justificar decisão em matéria de costumes e direitos, lança achaques políticos contra anónimos, os tais malandros que andarão a inventar desculpar para adiar a resolução dos problemas concretos dos portugueses. De quem fala? Quais são as desculpas? Em que problemas concretos estará a pensar? Não se sabe, embora se faça boa ideia.

O Portugal de Cavaco cabe todo em Belém.

18 thoughts on “Delenda Cavaco”

  1. Texto fraco na escrita e na leitura política. A analogia psicológica não colhe. Cavaco fez o que alguns não esperavam, adiando a sua espuma raivosa para não se sabe bem o quê. O que o faz um excelente chefe de estado é saber escolher as prioridades. E estamos em entrudo roxo desde Setembro.

    Posologia: Rennie de 8h em 8h.

  2. 10 milhões de Portugueses. Só em território nacional, fora os outros.
    E estamos sujeitos a escolher entre 2 magníficos exemplares, este e o Alegre.

    *Sigh*

  3. Cavaco deve ter pensado “…. 90% de católicos em Portugal, a maioria deles é contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, aliás, uma grande parte deles nem faz ideia que o que está em causa é o casamento civil e não o católico, faço um choradinho e… votos em caixa.” Penso eu, porque no que respeita a certezas, apenas existe uma pessoa à face da terra capaz de ler a mente e decifrar o que é que Cavaco quis realmente dizer, e disse, embora não parecesse que o dissesse : Pereira, Pacheco Pereira. Mas infelizmente está ocupado, numa missão impossível, a tentar provar a existência de um negócio entre o governo e TVI que não existiu, mas em que a sua não-existência não significa que não tenha existido. Confuso ? Para PP é tão claro e certo como o vâcuo do espaço.
    Mas é de louvar o grande sentido de urgência da tomada de decisão de cavaco – desde o 8 de Abril com o processo em mãos – e toma a sua apressada decisão às 20:00 h, em vez de a protelar até às 23:59 h, dando mais tempo para resolver os problemas concretos (!) do País. Sabe-se lá quantos deficits não se poderão abater nestas três horas.
    Portugal, o de cavaco, não cabe todo em Belém, aliás um dos problemas, dos concretos, de Cavaco, não de Portugal, reside precisamente aí, são demasiados pê-ésse-dêzinhos a chorar por falta de espaço, querem mais, querem ocupar os muitos cargos que directa ou indirectamente são ocupados pelo partido do poder na maior parte dos casos, e muito raramente por mérito. A queda de MFL, a estrela (de)cadente do PSD não resolveu o problema, protelou-o, e o despejo administrativo do PS é, cada vez mais uma miragem, a ida dos 10 ex-réis da Banca-rota a belém, há dias atrás, evidencia isso mesmo, entraram mudos e saíram calados, dos problemas concretos(!) do País nem uma palavra.

  4. É verdade, Val, o Portugal de Cavaco cabe todo em Belém.

    E queres reeleger este sujeito! Parece que queres. Vais votar Fernado Nobre e apanha-lo lá por mais 5 anos (Cavaco, está bem de ver). Não te queixes depois. E não mandes editoriais como que fizeste agora, porque o que queres em Belém é a criatura de Boliqueime.O resto é fogo de artifício. Mais nada.

  5. Mas qual o problema na decisão de Cavaco? Promulogou a lei, como era o seu dever, mas com reservas politicas. Qual o problema? Quem votou nele sabia o que ele pensa sobre a matéria.

  6. Eu é que ando baralhado de todo: não quero o ver mais o esganiçar estridente do cavaquinho, nem me passa pela cabeça ver em Belém a vida airada de um velho poeta. Mas o Nobre Fernando, de tão apagado, parece que já deistiu. Não se pode apontar outro? Ganha coragem, Sampaio, e dá um jeito nisto!

  7. o Cavaco foi inteligente ccom esta posição, e é coerente. Acima de tudo ele não quer comprometer a imagem da sua recandidaatura como factor de estabilidade e de razoabilidade. Já outra coisa foi aquela vergonha das escutas, mas correu mal.

    Pois é isto à esquerda está mal, também já falei do Sampaio, embora isto de nos socorrermos de valores antigos e provados é mau sinal.

  8. Hoje, dia 18 de Maio de 2010, descobri quem é o Valupi. Contrariamente ao que possam pensar, ele não mora em Lisboa ou arredores, mas está aqui bem confinado ao centro do Porto.
    Descobri-lhe a careca, apesar de ele não ser careca. Pelo modo de vida, é verdade que tem tempo para vir à net a qualquer momento, pois não tem horários certos. Trata-se de uma feliz anarquia existencial.
    Não se esqueçam que é primo do João Pedro da Costa e ambos trocma ideias sobre matéria audiovisual (filmes, cinema, etc.).

    Eu dava para inspectora da PJ :-)

  9. A intervenção de Cavaco Silva relativamente ao casamento homossexual foi patética como o são todas as suas comunicações ao país.

    Que sentido faz o presidente vir dizer que não concorda mas vai promulgar a lei ?! Até lhe fica mal. (que raio de presidente promulga uma lei com a qual não concorda, sem fazer uso e recurso dos seus poder efectivos)…

    Se não concorda deve exercer o seu direito conferido pela constituição.

    Se não concorda, mas politicamente não tem outra alternativa, promulga e não faz conversa desnecessária, que é tudo o que não precisamos neste momento.

    Aquele blá, blá, não foi nada, mais uma vez. É o seu estilo habitual.

    Cabe mesmo em Belém, Val !

  10. A agenda pessoal leva-o a misturar alhos com bugalhos para lançar cinzas sobre o pessoal, qual Eyjafjallajokull do Possolo… Inerba-me tanto, balhamedeus.

    :)))

  11. Constâncio contraria governo: há mais funcionários públicos
    por Bruno Faria Lopes e Luís Reis Ribeiro, Publicado em 18 de Maio de 2010

    Banco de Portugal diz que governo fez subir o número de funcionários e a despesa em salários. Finanças rejeitam categoricamente essa leitura
    A apenas duas semanas da saída do Banco de Portugal (BdP) para o Banco Central Europeu, Vítor Constâncio lança uma bomba sobre uma das reformas mais queridas do governo: a redução do total de funcionários públicos. Segundo o relatório anual de 2009, ontem publicado, nos últimos dois anos (2008 e 2009) não houve redução líquida de trabalhadores na Administração Pública e a despesa com vencimentos continuou a acelerar.

    Estas conclusões colidem frontalmente com o que diz o governo. Ao passo que o Orçamento do Estado para este ano diz que o número de funcionários caiu de 708,5 mil em 2007 para 692,3 mil em 2008 e depois para 675 mil em 2009, o banco central admite que em 2008 houve uma “estabilização” nessa dinâmica e que no ano passado até se registou “um ligeiro aumento”, algo que “contrasta com as reduções em 2006 e 2007”.

    Em resposta ao i, as Finanças rejeitam a leitura do BdP, reafirmam a redução “inédita” de funcionários, adiantando que “não comentam outras fontes estatísticas sobre emprego público, por desconhecerem as respectivas bases metodológicas”.

    O BdP vai mais longe e afere que “a despesa com vencimentos em 2009 manteve a trajectória de aceleração verificada nos últimos anos, registando um pequeno acréscimo em rácio do PIB tendencial”. Segundo o BdP, esse aumento de gastos decorreu do aumento ligeiro no número de trabalhadores e da “actualização da tabela salarial na função pública em 2,9% (2,1% em 2008)”. Estas contas divergem das do governo, que reivindica uma descida no valor das despesas com pessoal em 2008 e 2009, bem como uma redução do seu peso no PIB.

    Mas o BdP continua o ataque aos argumentos do governo. Diz, por exemplo, que a crise não foi a principal responsável pela explosão do défice no ano passado, para 9,4% do PIB, um recorde. “As medidas de estímulo anunciadas a partir de meados de 2008 tiveram um impacto relativamente pouco significativo nos desenvolvimentos orçamentais de 2009”, desmentindo assim a tese do executivo.

    Na verdade, observa o regulador, o governo nem sequer implementou totalmente esse leque de medidas anticrise. “No caso português, as medidas centraram-se no investimento público, ajudas às empresas e à exportação e apoio ao emprego e protecção social e, de acordo com as estimativas oficiais, o efeito nas contas públicas deveria ascender a 0,8%. De destacar que, desde meados de 2008, tinham sido adoptadas outras medidas, cujo efeito esperado no défice se cifrava em 0,4%”, lê-se no relatório.

    No entanto, “não é por demais sublinhar que os problemas orçamentais em Portugal não devem ser vistos em termos de correcção do défice no curto e médio prazo, mas sim como uma questão estrutural decorrente do crescimento excessivo da despesa corrente primária”, continua.

    Esta acaba por seu uma crítica velada às medidas temporárias, como o aumento de impostos (IVA, IRS e IRC) anunciadas pelo governo e PSD, no sentido de acalmar os mercados e convencê-los de que a descida do défice vai ser significativa neste e no próximo ano.

    Mas Constâncio, que não vê sinais de reformas profundas em curso que invertam as contas públicas, avisa que o PEC, já com a dose de reforço anunciada na semana passada, continua a não responder às causas dos desequilíbrios. As medidas “poderão não conduzir ao crescimento da receita e à contenção da despesa pretendidos, mesmo no caso do cenário macroeconómico se concretizar. Adicionalmente, uma evolução macroeconómica menos favorável tornará ainda mais difícil a prossecução das metas orçamentais definidas”.

  12. Carmen, assanha-te para outros lados. Ninguém te obriga a olhares só para o Cavaco ou estarás assim tão limitada de horizontes? Há por aí tanta peça boa, a começar pelo Valupi que é uma brasa de corpo e inteligência.

  13. Uns abdicam da discussão de princípios, por acaso de especial importância porque têm a ver com a igualdade dos cidadãos, para não nos distrairmos dos problemas essenciais. Outros deleitam-se com voyeurismos de buraco da fechadura. Porque há morto, há pólvora nas mãos dos suspeitos e agora já sabem onde está a arma do crime, diz o Pacheco Pereira. Crime cometido disfarçadamente no breu das catacumbas do poder. Um horror.
    Não há dúvida que, com a nossa calma e paciência, este guião vai ficando jeitoso. Os actores é que deus me livre. Pelo sacrilégio que é aturar isto tudo, bem que merecíamos a benesse de podermos, nós espectadores, votar o final adequado. Isso sim, era serviço.

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