Mal lhe pergunte, mas o Senhor Deputado pensa que está em que Regime?
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Pedro Duarte, o deputado visado, não terá respondido. Mas Pedro Duarte, o deputado visor, revela pela sua acção e declarações que o Regime por si preferido é aquele onde se fazem escutas ilegais, onde se abrem processos judiciais sem fundamento contra o Primeiro-Ministro num ano triplamente eleitoral, onde as escutas chegam a jornalistas seleccionados violando o segredo de Justiça, onde a devassa da privacidade é arma de combate político e ataque pessoal, onde magistrados entram ressabiados na arena política ao arrepio da Constituição.
Veja-se o episódio com o SMS que Vara enviou em Setembro. O facto de o Sol noticiar agora, e só agora, esse acontecimento liga-se com uma das perguntas que foi feita a Sócrates na CPI. Pergunta-se algo ao Primeiro-Ministro, ataca-se o cidadão. Não há travão nem remorso, Sócrates é um alvo a abater por todos os meios. E eis o supremo desencanto da merenda: pessoas que representam papéis de superioridade moral – como Ana Margarida Craveiro, primeira subscritora da petição TODOS PELA LIBERDADE e porta-voz do grupo dos 30 castiços que almoçaram mais tarde num certo dia de Fevereiro – não percebem, sequer entendem, e muito menos compreendem, a perversão para a nossa liberdade que resulta da utilização da intimidade para calúnias e baixa política. Falência da liberdade seja de quem for, miserável ou poderoso, quando se recorre à captação, e exposição, da privacidade fora do âmbito judicial mais restrito e justificado. Vara até podia ter por hábito só conseguir adormecer depois de enviar mensagens a Sócrates em que descrevia a fantasia de matar o Papa com uma colher de pau, isso continuaria a ser algo que a mais ninguém dizia respeito.
Este tipo de violência atinge toda a comunidade. Vindo de quem reclama que se respeite e cumpra o Estado de direito, o aproveitamento do mal que outros fazem – para obter desforço e amplificar o seu efeito destrutivo – é bem o retrato de uma pseudo-direita que se reduz à ganância.
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O Miguel apresenta o lado cronológico do episódio. De referir que a edição digital do Expresso publicou a notícia às 12h55.
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Entretanto, o João acrescentou outros exemplos: já vai nas 12h43 a publicação da 1ª notícia. O que significa que os jornalistas souberam ainda mais cedo.
