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Bater merda com dois paus

É também por isso que mente sem vergonha e nunca, ao longo da sua vida pública, e também da sua vida privada, se sentiu ou sentirá tolhido por qualquer escrúpulo ético.

Zé Manel

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Sócrates não teve, nem terá, qualquer imperativo ético, seja na vida pública ou na privada. Kaputt, finito, over and out. Provavelmente nem será humano, tal a malignidade que transporta no seu interior. Isto dito pelo cidadão que ofereceu o seu jornal para campanhas de assassinato de carácter e para uma conspiração destinada a influenciar as eleições Legislativas com origem na Presidência da República. Isto declarado pelo caluniador que foi desmentido pelo presidente executivo da Sonaecom acerca da alucinação onde se imaginava a causa do falhanço da OPA belmiriana sobre a PT. Vale tudo no reino da pulhice.

É interessante, do ponto de vista zoológico, ver a perturbação que Sócrates conseguiu infligir, bastando continuar igual a si próprio, num público-alvo determinado: canastrões na casa dos cinquenta, sessenta e setenta que têm o rei na barriga e se apresentam completamente desmiolados. Seja como for, quando a opinião tece considerandos difamatórios acerca da vida privada, ultrapassou-se o Rubicão.

Não sei o que o Zé Manel sentiria se fosse alvo de uma acusação que atingisse as suas relações pessoais, familiares e de amizade, que não tivessem qualquer ligação com os conflitos e polémicas nascidos da actividade profissional e política. Mas sei que atacar o carácter de alguém é uma exuberante manifestação de impotência. Geralmente, só calhandreiras e ressabiados é que têm estômago, e tempo, para andarem pela cidade a bater merda com dois paus.

Sarmento, I love you

[Morais Sarmento discorrendo acerca da entrevista de Manuel Alegre] Portanto, estamos num esquerda-direita clássico, parece que estamos em Auschwitz outra vez… aaaaaaaaaah… aaaaah… pe-peço desculpa… aah… Temos um esquerda-direita clássico… Não é Auschwitz, como é evidente pelo que queria dizer… Estava a falar das Guerras Napoleónicas e… Portanto, nós temos um esquerda-direita outra vez clássico, que eu acho que não faz nenhum sentido. […]

Fonte, minuto 20.48

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Depois do rapto do alegrismo para Auschwitz, houve uns bons 5 segundos em que eu e o Francisco Assis fizemos um sincero esforço para encontrar a Pedra de Roseta que nos retirasse do desamparo em que Sarmento nos tinha deixado. Revimos em milissegundos o que sabíamos da História do Século XX, procurando indícios para a descodificação do comparativo. Revimos e voltámos a rever as temáticas da Segunda Guerra e contextos ideológicos, fizemos reuniões e seminários, até vasculhámos a literatura relativa ao Priorado de Sião, que 5 segundos é meia eternidade neuronal. Nada, Sarmento estava a ganhar com uma referência críptica que ameaçava a nossa estabilidade emocional e a reduzida auto-estima; tal a boa-fé e ingenuidade que nos habita. Vá lá que o Nuno foi misericordioso e acedeu a explicar que elaborava a respeito do trombeiro da Córsega. Escapámos, desta vez.
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Na toca do Coelho

Tendo em conta que o PSD descobriu, através de heróicos actos de espionagem, que Zeinal Bava e Henrique Granadeiro mentiram no Parlamento, e não passam de títeres ao serviço de Sócrates para acabar com um programa de humor na TVI, será admissível deixá-los a tratar de assuntos tão sérios como estes que envolvem a ofensiva da Telefónica?

Pináculos da estupidez

Ser oposição é lutar pelo Poder, e lutar pelo Poder é denegrir o Governo e os adversários. É assim em todo o lado, desde sempre. Como a política ainda é um espaço regido exclusivamente pelos códigos masculinos, esta agonia satisfaz os fluxos de testosterona e seus modos bélicos. À esquerda e à direita, não faltam aqueles que reduzem a actividade política ao conflito – uns, sonhando com revoluções em 10 dias; outros, preparados para defender os bens acumulados do ataque dos vândalos. Tem de continuar a ser assim?

Uma das leituras da sondagem que dá 44% ao PSD é a de que o eleitorado valoriza positivamente políticos que ajudem o Governo. A ser correcta esta interpretação, explicá-la é a coisa mais fácil do mundo: o eleitorado não é estúpido. Só um estúpido prefere um Governo fraco a um Governo forte. Ora, como aqueles que boicotam e difamam o Governo não apresentam alternativas credíveis, ou nem sequer estão dispostos a governar, o resultado da sua acção é um enfraquecimento inútil, ou perverso, das equipas ministeriais. Para o eleitorado, isso equivale a um prejuízo para todos, lixando-se o mexilhão.
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Lost in translations

Men’s talk tends to focus on hierarchy—competition for relative power—whereas women’s tends to focus on connection—relative closeness or distance.

But all conversations, and all relationships, reflect a combination of hierarchy and connection. The two are not mutually exclusive but inextricably intertwined. All of us aspire to be powerful, and we all want to connect with others. Women’s and men’s conversational styles are simply different ways of reaching the same goals.

The context in which women’s focus on hierarchy and men’s on connection is most obvious and most intense: the family. In particular, sisters provide insight into relationships among women that are deeply influenced by competition and hierarchy as well as connection.

Fonte

Darwin, always

Falhas inacreditáveis na segurança que permitiram o 11 de Setembro, apesar da informação ter chegado à CIA tempos antes. Falhas inacreditáveis na logística que levaram o caos à caótica Nova Orleães devastada pelo Katrina, apesar do Governo Federal ter uma máquina gigante à disposição. Falhas inacreditáveis na regulação do sistema financeiro que permitiram a maior crise económica dos último 80 anos, apesar de toda a inteligência acumulada pelos analistas. Falhas inacreditáveis na fiscalização da exploração petrolífera da BP no Golfo do México e inacreditável insucesso tecnológico para reparar a fuga de petróleo, apesar dos recursos materiais e científicos reunidos.

Nem as superpotências estão imunes aos erros que causam prejuízos irrecuperáveis e catastróficos. E se os americanos falham desta maneira, vivendo numa das mais sólidas e amplas democracias na Terra, então é porque o problema é inerente à complexidade dos actuais sistemas que suportam a vida em sociedade, não o fruto podre da preguiça ou má-vontade.

Precisamos de inteligências mais complexas se vamos continuar a evoluir, é a simples conclusão.

Avancem os independentes

Que eu saiba, nunca se explicou publicamente a tonteira colectiva que levou o PS a apoiar Soares para as Presidenciais de 2006. Na altura, surgiu-me como um grandioso exemplo da disfunção a que pode chegar um partido. Soares não tinha já as condições físicas, muito menos as políticas, para avançar em direcção ao terceiro mandato. Que foi aquilo? Uma imposição feudal? Uma tara a que ninguém se quis opor? Uma inércia displicente? Ainda por cima, ironia das ironias, se o PS tivesse apoiado Alegre – como se afigurava lógico vendo de fora do partido – poderia conseguir uma imprevisível segunda volta, no mínimo reduzindo a vitória de Cavaco e equilibrando a balança das percepções simbólicas. Alegre em 2006 era apenas um saco de promessas líricas, não o saco de vento em que se tornou passados 4 anos. Se tivesse sido escolhido pelo PS, talvez nem viesse a atacar o Governo logo dois anos depois, num crescendo de boicotes e chantagens que fizeram o jogo dos que mais apostam na derrocada dos socialistas: BE. É extraordinário que uma figura responsável por dificuldades acrescidas na governação e perda de votos no partido, a qual chegou a ameaçar criar um movimento eleitoral concorrente só para perseguir uma patética vanglória, seja eleita como modelo que merece ser o Supremo Magistrado da Nação. Extraordinário e inaceitável para quem não deve fidelidade de voto.
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Pináculos da estupidez

Consta que Sócrates levou para o Brasil o plano de enganar os portugueses através da manipulação de Chico Buarque. Contudo, parece que o plano falhou porque não conseguiu isolar o cantor a tempo, impedindo que usasse telefones e proibindo os jornalistas de lhe fazerem perguntas.

Há quem acredite nisto. E há quem escreva a declarar que acredita nisto. De facto, a estupidez não conhece qualquer limite.

Desconfia da desconfiança

Sou amigo do João Maurício Brás. E fomos colegas de curso. No passado dia 21, fui ao lançamento do seu terceiro livro, A Importância de Desconfiar. No vetusto salão nobre do Liceu Maria Amália, estavam na plateia umas 10 pessoas, mais 4 na mesa.

Embora o livro se recomende pela inusitada temática e raridade editorial, vou limitar-me a enaltecer o convidado cuja missão era a de apresentar a obra, o Professor Carmo Ferreira. Na Católica, foi o terror na cadeira de Filosofia Contemporânea, desmontando Hegel a uma velocidade superior à da luz. Com um bocadinho mais de atenção, também dava para ir fazendo um curso de alemão só com o que deixava escrito no quadro. Assombro e pânico, era o que via nos rostos à sua frente.

Teve muito melhor recepção nesta sexta-feira de Maio, aceitando o convite para analisar, e avaliar, a obra de um antigo aluno. E fê-lo com o mesmo rigor com que dava as aulas, respeitando o texto no acto de o criticar sem favor, mas favorecendo o acesso a ele, dando a pensar. A clarividência do seu discurso, a erudição servida como degrau, a frontalidade de um olhar inquiridor, são características típicas de um filósofo de vocação e consagração. Para quem se sintonizar num destes seres quando dá uma aula, ou uma qualquer palestra, a experiência é de embriaguez e ascensão intelectual. O espaço e o tempo alteram-se pelo pensamento; mas esta experiência não é para explicar, é para descobrir.

Que Portugal não saiba quem é o meu amigo João, eis o que é natural e não traz mal ao quotidiano dos cidadãos pagadores de impostos. Mas que Portugal não aproveite o poder transformador do logos de Manuel do Carmo Ferreira, eis o que prejudica a comunidade por a privar do convívio com os seus melhores. E como ele, há muitos outros que passam pela academia, e poisos variegados, sem conhecerem as luzes da ribalta e o alvoroço da multidão.

Quem procura, encontra, como se ensina na sapiência. E até aqueles que não procuram podem encontrar. Estamos rodeados de amigos que nunca vimos antes nem iremos ver alguma vez. Por isso, é sábio aquele que desconfia da sua própria desconfiança.

Na porqueira

Nesta sexta, o Crespo pediu a Vítor Ramalho uma explicação para o facto de a TVI ter acabado com o alguidar da Moura Guedes, assim como para o facto de Moniz ter saído. Esta insinuação conspirativa é recorrente, obsessiva, para nada contando a completa ausência de provas nem o que os diversos responsáveis já disseram na Comissão de Ética e na Comissão de Inquérito. Na versão completa, ainda acrescenta ao rol o Zé Manel, Marcelo e, claro, a sua magnífica pessoa, todos vítimas da perseguição do Engenheiro e suas manobras mafiosas.

Num dia próximo ou longínquo, fatalmente, Sócrates dedicará o seu tempo a outra actividade qualquer. Outros serão os governantes. Uma coisinha é certa: se Crespo se permitir difamar uma figura ligada ao PSD, acaba-se logo o regabofe. Voltará para a situação em que estava quando foi pedir trabalho ao Emídio Rangel, que o ajudou.

A sua perseguição a Sócrates é de cão de fila, sabe-se protegido pelo dono. Quando lhe faltar este osso, vai ter de se portar bem ou escolher outro igual para roer. Os barões não toleram indisciplinas nos animais da quinta.