Darwin, always

Falhas inacreditáveis na segurança que permitiram o 11 de Setembro, apesar da informação ter chegado à CIA tempos antes. Falhas inacreditáveis na logística que levaram o caos à caótica Nova Orleães devastada pelo Katrina, apesar do Governo Federal ter uma máquina gigante à disposição. Falhas inacreditáveis na regulação do sistema financeiro que permitiram a maior crise económica dos último 80 anos, apesar de toda a inteligência acumulada pelos analistas. Falhas inacreditáveis na fiscalização da exploração petrolífera da BP no Golfo do México e inacreditável insucesso tecnológico para reparar a fuga de petróleo, apesar dos recursos materiais e científicos reunidos.

Nem as superpotências estão imunes aos erros que causam prejuízos irrecuperáveis e catastróficos. E se os americanos falham desta maneira, vivendo numa das mais sólidas e amplas democracias na Terra, então é porque o problema é inerente à complexidade dos actuais sistemas que suportam a vida em sociedade, não o fruto podre da preguiça ou má-vontade.

Precisamos de inteligências mais complexas se vamos continuar a evoluir, é a simples conclusão.

34 thoughts on “Darwin, always”

  1. Nós também lidamos com um fenómeno que muito afecta o nosso ambiente político.

    O processo natural tem princípio meio e fim. O processo de reprodução do ser humano tem método, tem regras, tem ritual, é matafísico o que lhe confere um tempo e um modo. O meia foda, pequenino, anafado, anatómica e mentalmente desproporcionado, não tem uma coisa nem outra, é o exemplo acabado da não observância daqueles princípios normativos da boa prática reprodutiva. O seu acontecimento só pode ter ocorrido por uma perversão funcional, no exacto momento do acto biológico de criação. A consequência, resultante da má prática, foi o objecto da função resultar na coisa errada.

    A coisa errada é o resultado da má articulação dos geradores, temporalmente não adequada, em que o acto gerador terá ocorrido, segundo um destes dois modos;

    1 Enquanto o Diabo esfrega um olho, ou
    2 Vai ser tão bom não foi?

    O consequente meia foda anda por aí, num todo, anacronicamente dimensionado.

  2. Talvez a evolução, no curto e médio prazo, não seja tanto no sentido de mais inteligência humana. Acredito que será a inteligencia artificial a fazer a gestão corrente e de forma segura da exploração dos recursos necessários à nossa subsistencia e protecção. Os robôs serão tão eficientes a cuidar de nós nesses aspectos da vida humana como os tractores a lavrar um campo.
    Talvez o caminho imediatamente a seguir seja o da crescente robotização. Nem adormecem, nem se deixam comprar, nem se preocupam se estão a dar mais ou menos lucro ao patrão…
    Não será um pouco assim, Valupi?

  3. ravara, as meias fodas deixam sempre algo a desejar.
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    Mário, falas dos robôs como ferramentas, mas terá de ser pela inteligência humana que se vai, pois quem faz os robôs, e faz com que eles façam o que fazem, somos nós.

    Outra questão é a de saber se é possível criar uma inteligência artificial consciente. É altamente provável que sim, porque também a nossa resulta de uma biologia qualquer, mas talvez não se queira que ela exista.

  4. sim, complexas, muito mais complexas, tão complexas que sejam capazes de imaginar coisas triviais como seja o petróleo ser um óleo que amortece o atrito nas juntas das falhas e das placas e que a sua extração continuada em larga escala não pode deixar de ter consequências.

  5. Falhas, falhas, falhas. Até o superpotente post falha, certamente por falta dessa “inteligencia complexa”.

    Ravara,

    Bebe um copo de água que isso passa-te.

  6. Um pouco menos de ganância também era capaz de ajudar.
    O poder pretende passar a ideia que inteligência e ganância são directamente proporcionais. É só mais uma estratégia de continuidade, como se as opções de desenvolvimento fossem tudo inevitabilidades. Não são.

  7. Exacto, Val. Eu falo de robôs como ferramentas perfeitas, que executam na perfeição, conforme o designio do seu criador.É que nós estamos sempre a merter água, seja porque falha a força, seja porque falha a inteligencia. O robô garante, à partida, as duas coisas, uma vez que é a o melhor de uma inteligência prática. Se falhar, é o melhor de nós que falha. Nessa altura temos de reconsiderar e fazer um novo avanço.
    Quanto à inteligência artificial consciente, não penso que seja possivel «criá-la» dentro do «criacionismo». A nossa consciência é fruto de uma lenta mas segura evolução não só da espécie mas do individuo a partir de um embrião com as potencialidades requeridas, como as nossas. Um falha grave neste embrião pode tornar inviável a inteligencia consciente. Mesmo num humano. É uma evidencia e não um palpite.
    De modo que, penso eu, uma inteligência artificial teria de evoluir não sei quantos milhares ou milhões de anos para se equivaler a nós…Deus não criou um Adão consciente. Como se relata, só “abriu os olhos” e “descobriu” que estava nu quando comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal…
    Quando vires um robô a fazer pecados e correr a confessar-se ao sr abade, saberás que se tornou «um de nós».

  8. A água é um elemento básico, fundamental para a sobrevivência da espécie humana, a coisa mais preciosa, um bem cada vez mais raro.

    Mas desculpa lá Giroflé, com pelo menos doze garrafas do Tapada do Barão perto de mim, beber água, só depois do acto que Deus nos ensinou; crescei e multiplicai-vos.

  9. tra.quinas, tens toda a razão.
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    Mário, a evolução deixou de ser lenta com o “Homo sapiens sapiens”. E está cada vez mais acelerada. Ainda há dias se anunciou a criação da primeira bactéria artificial, pelo que tudo aponta para a possibilidade de replicar características neuronais capazes de criar uma consciência de origem artificial. É que não há nada natural que não venha a ser estudado, conhecido e imitado, mais cedo ou mais tarde…

  10. Ravara,

    De que água estás a falar? É porque há vários tipos da mesma, incluindo a pesada…

    Mário,

    Larga o embrião…

    Valupi,

    Não vê? Vá ao oftalmo, filho. Cita pelo menos 3 “roubos” planeados e executados pelo gerente do banco roubado – tipo thomas crown affair. Por que carga de chouriço lusitano considera esses estrondosos sucessos falhas? Pelo contrario, meu senhor, correu tudo às mil maravilhas e muito bem oleado. Tomara vossa celência poderes para esses falhanços, mesmo com o seu complexo Intel inside.

  11. Pois claro… se os outros se mandarem ao poço…

    Com o mal dos outros se pode muito bem, o importante é os problemas de Portugal e quem realmente os criou e não esta a resolver, antes pelo contrário a complicar ainda mais!

  12. Boa Blonde :))
    O Val é um optimista incorrigivel.

    Num tribunal Oliveira e Costa y sus muchachos ouvem a sentença. As penas a aplicar pelo juiz são: A leitura em fasciculos para o resto da vida da Origem das Especies e se possivel uma viagem na Sagres ( à falta do Beagle) para melhor se adaptarem aos sistemas emergentes de vida em sociedade. :))

  13. E a juntar a esse facto de muita relevância, outro ainda. A extracção de petróleo faz-se níveis cada vez mais profundos, o que aumenta mais e mais os riscos ambientais.

  14. Parece que a evolução explica, não resolve. Afinal as baratas ainda por cá andam e os dinossauros extinguiram-se. Talvez seja altura de nos deixarmos de ser arrogantes e de nos considerarmos a criação suprema que evoluirá sempre e perguntarmos se a complexidade do nosso sistema não levará à extinção natural.

  15. Então, o Darwin fala do aperfeiçoamento das espécies com fins evolutivos que premeiam a existência dos seres mais aptos, ou melhor, dotados de características distintivas que lhes permitam a adaptação ao meio. (embora eu prefira os estudos de Alfred Russell Wallace em detrimento dos de Darwin, mas adiante). O que não percebi foi “Darwin, always” contraposto ao suposto, ou implicitamente suposto no artigo, falhanço da civilização moderna.

  16. eu ca acho e que precisamos de inteligencias mais simples se queremos por aqui continuar…nada mais inteligente que viver apenas dependente da natureza. quais sociedades complexas , qual carapuca : falha um elo na engrenagem e vai tudo pro galheiro. olhem so para a situacao actual. aqui o v deve achar que somos meia duzia de humanos ,mas nao somos ,somos ja 6.8 bilioes e sempre a crescer…

  17. Val,

    Parabéns, “le voilá que retourne”.

    Bom texto para se extrair uma vontade a reflectir e possivelmente mudar colectivamente este mar de lágrimas e de miséria sem sentido?

    É isso que deve ser feito? Tomar consciência de que algo vai mal no reino da asneira.

    Deus não joga a dados, mas há quem jogue….será que são…os indispensáveis?

    Cumprimentos

  18. João Massapina, os males dos outros também são nossos. Tens de ampliar essa sensibilidade.
    __

    K., o optimismo é o que existe de mais corrigível.
    __

    tereza, se explica, resolve aquilo que fica explicado.
    __

    Blonde, não há nenhum falhanço da civilização moderna, é o contrário. O seu sucesso é tal que o legado genético precisa de se actualizar. O cérebro que transportamos recebeu a sua última grande reforma há 150 ou 300 mil anos, mais coisa, menos coisa. Há certas características da inteligência humana que são propícias a falharem em sistemas com esta elevada complexidade actual. Os casos que fui buscar são exemplo disso mesmo, mas à tua volta tens inúmeros outros exemplos do espantoso sucesso da nossa civilização. Basta ires a um hospital, supermercado ou casa particular da classe média.
    __

    uma qualquer, a cultura também é uma natureza, por isso crescemos tanto: a cultura permite o crescimento. Ao mesmo tempo, o crescimento origina novos problemas. É assim, dialéctico.

  19. armando ramalho, que te leva a dizer que estamos num mar de lágrimas e de miséria sem sentido? Ou por outra, em que período da História não estivemos? Caso o identifiques, saberemos que modelo propões e se tal é viável.

  20. Caro Val

    Sensibilidade deviam você (apoiantes declarados, e doentios, do Inginheiro Relativo Retardado), ter perante o estado calamitoso a que chegou Potugal, depois de quase 6 anos de gestão ruinosa desse (des)governo.

    Não se podem escudar nos problemas dos outros, para tapar a “incompetencia” de um governo que gasta muito mais do que aquilo que tem disponivel, e que mesmo colocado perante a ruina nacional, ainda quer ampliar mais a divida publica geral com obras que não tem o minimo de nexo neste momento critico para Portugal.

    Que raio de sensibilidade é que voces tem… NENHUMA!!!

  21. Val, uma coisa é criar uma célula e outra bem diferente é criar a auto-consciência. Os cientistas confessam que se compreenderá o que seja a consciência quando a criarmos em laboratório. Até lá permanecerá o maior ministério acerca de nós mesmos, enquanto a consciência do Universo. Nem mais! É como sair deste universo ou multiverso e olhar para ele “de fora”. Até parece que existem dois «mundos» e nós protagonistas num e noutro.
    Será por isso que tantos sonham com «a vida depois da vida»?

  22. Val,

    Nada de “joguinhos” de questionável utilidade.
    Esta tua frase vale para um bom ponto de partida.

    ….”então é porque o problema é inerente à complexidade dos actuais sistemas que suportam a vida em sociedade”…

    O sistema político é um deles ou não?

    E assim partimos para o tal método da análise do Descartes….

    Para o futuro? Deitar borda fora o “votante mediano”. Como? Possivelmente em vez de eliminar a nota mais alta e a mais baixa para excluir os marginais fazer o contrario.

    Eliminam-se os valores centrais, uns bons 50% e governa o estremo com mais votos.

    Não digas a ninguém que sou anti democrático só porque me “chateia”.

  23. Valupi,

    Onde é que o senhor foi pescar esta sardinha psicotécnica para consumo das piranhas caseiras:

    “Há certas características da inteligência humana que são propícias a falharem em sistemas com esta elevada complexidade actual”. ´E livro ou cassete.

    E, já agora, mandar-lhe-ei um parguinho assado no forno pelo correio, se me explicar convincentemente quais são as caracteristicas que não sao propícias ao relaxo mental irresponsável ou criminoso. Não precisa de fazer isso antes do ultimo xixi da noite. Amanha tá bom.

  24. Vamos errar sempre, Valupi, é da nossa natureza. Mas o erro estimula-nos.

    O 11 de Setembro mudou para sempre os meus dias. Estou afogada em medidas de segurança, as mais diversas e criativas, e em auditorias surpresa das entidades reguladoras nacionais, europeias e americanas. Acredito que para todas as tragédias referidas serão, ou já foram, criados antídotos. Outros venenos surgirão … mas a roda vai continuar a rolar.

    “Errare humanum est sed perseverare diabolicum”

  25. “Precisamos de inteligências mais complexas se vamos continuar a evoluir, é a simples conclusão”

    A longo prazo a evolução, segundo Darwin, tem os dias contados. O homem já não dá mais tempo ao tempo. A única hipótese de existência de inteligências mais complexas vai inevitavelmente passar, por um híbrido homem-máquina, assim gostava de deixar, aqui, o meu testemunho, para esses futuros humanóides: O processador auxiliar do cérebro humano deverá vir, além do sistema operativo livre, pré-carregado com o programa eleitoral do PS, que, de acordo com as dados actuais é o único que se adapta às diferentes realidades, que como se sabe é um factor de evolução, todos os outros softwares, estão condenados ao fracasso, dado que partem do principio que é o mundo que tem que se adaptar ao seu programa e não o contrário.

  26. há aqui qualquer coisa que não bate certo-. mas o homem evoluiu o quê ? olha que confundir complexidade externa com evolução da espécie é assim um bocadinho pró torre de babel. construiu ferramentes assim mais xpto , e mais nada.
    evolução ? népia . aliás , à medida que as sociedades de vão complexificando , o seu vazio interior é cada vez maior.

    ridículo este post. Gaia ainda é a maior. titanic…..daaaa.

  27. Nao sei se e’ uma questao de falta de inteligencia para tanta complexidade; de qualquer modo, nao e’ aconselhavel tirar conclusoes antes de analisar quais sao os “incentivos” daqueles que teem a mao no leme quando a “seguranca falha”.

  28. João Massapina, estado calamitoso em Portugal? Por comparação com que período da nossa História? Tem juízo, este país é uma maravilha, temos excelente saúde, escolas, segurança, paisagem. Pergunta aos milhares de brasileiros que emigram para cá.
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    Mário, claro, criar uma célula não é o mesmo que criar uma consciência. Mas a verdade é a de que a consciência é o resultado de um conjunto de células. E quando olhamos para a estonteante velocidade com que se dão saltos científicos e tecnológicos, é sensato admitir que não haverá segredo natural que não venha a ser desvendado pela inteligência humana. Portanto…
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    armando ramalho, em ti, cada vez mais à solta, há um tirano cansado da democracia. Essa de acabar com o “votante mediano” é aspiração antiga dos oligarcas e revolucionários, os tais extremistas que te deu para louvar.
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    GiróFlé, é livro, cassete, disco, jornal, filme, quadro, papel, conversa. É a cultura, enfim.

    As características que diminuem a irresponsabilidade e o crime são aquelas que promovem a democracia, a educação, a comunicação, a cidadania, o amor. É isto, podes decorar e contar aos amigos.
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    nanda, sem dúvida, vamos errar porque somos imperfeitos e a realidade é dinâmica e instável, até imprevisível em certas dimensões. Mas temos vindo a reduzir muitos erros, e a erradicar outros. Claro, aparecem novas possibilidades de erro, mas esse é o preço a pagar pela nossa liberdade.
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    VM, concordo muito contigo.
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    uma qualquer, larga o vinho.
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    Miguel, isso é apenas dar importância às paranóias das teorias da conspiração. Não leva a nada, a não ser à impotência.

  29. Caro Val

    Você ainda mora em Portugal, ou esta em Marte, e vai vendo por telescopio o que se passa na Terra.
    Tenha juizo e um pouco de vergonha meu Caro.
    Olhe para o desemprego galopante, que já entrou nos 2 digitos, e vai subir por ai afora.
    Olhe os milhares de jovens que tem um curso superior para estar a ganhar uma bitola de 500 euros.
    Olhe para as centenas de milhar de desempregados de longa duração, com mais de 40 anos, e que não tem a minima esperança de voltar a trabalhar, embora sekam já velhos para o mercado de trablaho, e demasiado novos para se aposentarem.
    Olhe para o sector produtivo que esta a estoirar, e que vai mandar para o desemprego mais uns milhares.
    Olhe para as reperidas asneiras do seu amigo Inginheiro Relativo Retardado, que em vez de baixar impostos para colocar em circulação mais capital, para dessa forma animar a economia, fez precisamente o contrário, ao aumentar impostos estrangulando os cidadãos e as empresas.
    É muito bonito vir aqui debitar umas larachas quando se tem o rei na barriga, mas não se esqueça que bem rapido o rei cai, e a sua barriga ficara tambem vazia…
    Não se sirva da crise internacional, para justificar as asneiras que tem sido feitas a nivel interno.
    Quando em Setembro a epoca balnear fechar, você vai ter mais uns milhares no desemprego, e com a economia em queda geral, se prepare para o caos na sociedade, e ai sim é que eu quero ver o que você aqui vai escrever acerca disso no “pasquim”!!!
    Saudações

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