Jardim está queimado para além de qualquer recuperação, mesmo que volte a ganhar as eleições, pelo que Cavaco e Passos devem ter gastado as duas horas da reunião que tiveram na segunda-feira a pensar na maneira de aproveitar o melhor possível o novo cenário. E isso implica evitar qualquer possibilidade do caso escalar para a dimensão judicial enquanto se simula uma denúncia que pareça ir ao encontro do sentimento popular de indignação. Foi o que fizeram, e com eficácia, Cavaco e Passos neste dia.
Nos Açores, o Presidente da República foi pura e simplesmente magistral na bailinho da Madeira com que serviu os jornalistas. Atente-se nesta maravilha:
“Uma situação destas pode de facto afectar a credibilidade do nosso país na cena internacional”, reconheceu o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalista em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, onde iniciou esta manhã uma visita ao arquipélago dos Açores.
Por isso, acrescentou, é que o Governo já anunciou que irá apresentar legislação para que “omissões” e situações similares não se possam repetir em outras entidades do “perímetro do sector público”, nomeadamente a administração central, regional, algumas empresas públicas, segurança social e autarquias.
“É necessário que se tomem medidas para que situações semelhantes não venham a repetir-se”, defendeu, admitindo mesmo que “talvez já devesse ter sido feito há mais tempo”.
Questionado sobre as declarações do presidente do Governo Regional dos Açores, que considerou que os principais responsáveis políticos tinham de ter conhecimento do que se passava na Madeira, o Presidente da República escusou-se a fazer qualquer comentário, argumentando que um chefe de Estado não fala sobre afirmações de outras entidades.
Além disso, acrescentou, o Presidente da República “deve medir muito bem as palavras, porque ele é factor de coesão nacional, factor de unidade nacional e de solidariedade entre os portugueses”.
