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Siga o baile

Jardim está queimado para além de qualquer recuperação, mesmo que volte a ganhar as eleições, pelo que Cavaco e Passos devem ter gastado as duas horas da reunião que tiveram na segunda-feira a pensar na maneira de aproveitar o melhor possível o novo cenário. E isso implica evitar qualquer possibilidade do caso escalar para a dimensão judicial enquanto se simula uma denúncia que pareça ir ao encontro do sentimento popular de indignação. Foi o que fizeram, e com eficácia, Cavaco e Passos neste dia.

Nos Açores, o Presidente da República foi pura e simplesmente magistral na bailinho da Madeira com que serviu os jornalistas. Atente-se nesta maravilha:

“Uma situação destas pode de facto afectar a credibilidade do nosso país na cena internacional”, reconheceu o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalista em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, onde iniciou esta manhã uma visita ao arquipélago dos Açores.

Por isso, acrescentou, é que o Governo já anunciou que irá apresentar legislação para que “omissões” e situações similares não se possam repetir em outras entidades do “perímetro do sector público”, nomeadamente a administração central, regional, algumas empresas públicas, segurança social e autarquias.

“É necessário que se tomem medidas para que situações semelhantes não venham a repetir-se”, defendeu, admitindo mesmo que “talvez já devesse ter sido feito há mais tempo”.

Questionado sobre as declarações do presidente do Governo Regional dos Açores, que considerou que os principais responsáveis políticos tinham de ter conhecimento do que se passava na Madeira, o Presidente da República escusou-se a fazer qualquer comentário, argumentando que um chefe de Estado não fala sobre afirmações de outras entidades.

Além disso, acrescentou, o Presidente da República “deve medir muito bem as palavras, porque ele é factor de coesão nacional, factor de unidade nacional e de solidariedade entre os portugueses”.

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Viva a diferença que nasce da igualdade

O Aspirina B tem carregado uma grave falha desde o início, e especialmente grave nos seus primeiros tempos: a discriminação sexual. Começámos como um clube do bolinha e demorou quase dois anos até conseguirmos ter um elemento do sexo feminino com a camisola vestida, a Susana (e veio apenas porque o blogue onde escrevia na altura tinha acabado, sendo essa perda a nossa grande sorte). Com a sua saída voltámos ao deserto anterior, uma seca que durou até à chegada da Isabel. Outra vez um golpe de grande sorte para nossa honra e prazer. E, recentemente, a Penélope aceitou engrandecer a equipa de autores e a qualidade do serviço aqui prestado aos fregueses. Mesmo assim, o desequilíbrio sexual permanecia, o que muito nos penalizava ideologicamente. Dos 26 autores que já escrevinharam neste espaço, 20 tinham pilinha (ou assim parecia, que não confirmei). Um cheiro a balneário sufocante.

Pois bem, atingimos a paridade: a nossa amiga guida vai começar a participar no palco principal, assim permitindo que este blogue concorra aos prémios da blogosfera politicamente correcta e seja o modelo civilizacional que o Mundo, que dizem também ser esférico, tanto procura e até agora não tinha encontrado.

Somos uns sortudos.

Um sonho para o Cavaquismo

“A coesão nacional é um bem precioso de Portugal em particular nestes tempos difíceis que nós atravessamos. Estes tempos são de dificuldades e devem ser tempos de coesão, não tempos de divisão ou de querelas estéreis”, afirmou hoje o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa declaração de “saudação” aos açorianos à chegada à ilha de Santa Maria, uma das chamadas “ilhas da coesão”.

Fonte

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Cavaco, o Presidente da República que intencionalmente deixou o País à beira de um ataque de nervos só para mostrar o seu asco pelos Açores e pelo Parlamento, que é directo beneficiário do poder e dinheiro do BPN ao tempo dos crimes em julgamento, que congelou o Conselho de Estado para proteger Dias Loureiro, que fugiu a representar a Pátria no funeral de Saramago, que alimentou uma conspiração com vista a perverter actos eleitorais criada na sua Casa Civil e acabou a premiar o seu mentor ou testa-de-ferro, que se fez eleger em nome da estabilidade e que na própria noite eleitoral despejou uma chuva de ódio para cima de todos os adversários, que se serviu do acto da tomada de posse para fazer um comício onde exigiu o derrube do Governo pela rua, que foi instrumental para a golpada do chumbo do PEC IV, é o mesmo que não quer barulho acerca do que se passa na Madeira.

Confesso o meu sonho: que Cavaco seja o primeiro Presidente da República a ser apupado pelo Povo.

Os broncos e os canalhas

Sócrates nunca foi sequer arguido nos casos onde o seu nome apareceu envolvido. E os casos surgiram sempre no contexto de conspirações políticas ou vinganças. Porém, a ausência de qualquer indício válido, muito menos prova, não impede que broncos e canalhas continuem a repetir as calúnias então lançadas.

Portugal fez em 2009 o que a Europa decidiu que seria a resposta à crise económica; e fez bem, com bons resultados. Isso aumentou o défice e a dívida. Portugal fez em 2010 o que a Europa decidiu que seria a resposta à crise da Zona Euro; e fez bem, com resultados que estavam a recolher apoios e elogios dos parceiros europeus. Isso levou ao pedido de ajuda externa por exclusiva decisão do PSD, o qual viu vantagem em interromper esse processo de ajustamento através de uma crise política. Os broncos e os canalhas contam apenas a última parte desta história.

Jardim decidiu violar as suas obrigações para com o Estado português, induzindo em erro diversas instituições nacionais e internacionais e acumulando dívidas num registo de irresponsabilidade autocrática. As declarações que ele e os seus representantes têm feito para explicar a situação não são apenas confrangedoramente impostoras, igualmente revelam que estamos a lidar com desmiolados. Assim, quando os broncos e os canalhas vêm defender estas criaturas, dizendo que o Governo PS fez igual ou pior, estão apenas a fazer um favor à comunidade: avisam-nos que podemos respirar de alívio. O alívio nascido de não precisarmos mais de lhes dar atenção – a menos que sejamos tão desmiolados quanto eles.

Good food for good thought

The next time your great idea at work elicits silence or eye rolls, you might just pity those co-workers. Fresh research indicates they don’t even know what a creative idea looks like and that creativity, hailed as a positive change agent, actually makes people squirm.

“How is it that people say they want creativity but in reality often reject it?” said Jack Goncalo, ILR School assistant professor of organizational behavior and co-author of research to be published in an upcoming issue of the journal Psychological Science. The paper reports on two 2010 experiments at the University of Pennsylvania involving more than 200 people.

The studies’ findings include:
– Creative ideas are by definition novel, and novelty can trigger feelings of uncertainty that make most people uncomfortable.

– People dismiss creative ideas in favor of ideas that are purely practical — tried and true.

– Objective evidence shoring up the validity of a creative proposal does not motivate people to accept it.

– Anti-creativity bias is so subtle that people are unaware of it, which can interfere with their ability to recognize a creative idea.

Why We Crave Creativity but Reject Creative Ideas

Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

Mother Tongue Comes from Your Prehistoric Father
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Quitting Smoking Enhances Personality Change
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Need a Break? Try Nature
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Computerized Anxiety Therapy Found Helpful in Small Trial
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Downwardly Mobile: When Consumer Decisions Are Influenced by People With Lower Socioeconomic Status
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Healthy Lifestyle Habits Lower Heart Failure Risk
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Gamers succeed where scientists fail: Molecular structure of retrovirus enzyme solved, doors open to new AIDS drug design
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Fast-Paced, Fantastical Television Shows May Compromise Learning, Behavior of Young Children

A Madeira já declarou a independência, mas só agora avisou a República

O que se está a passar na Madeira não é apenas desastroso para as contas públicas e calamitoso para a credibilidade internacional do Estado, estamos também perante actos que violam gravemente o vínculo à Constituição. Espantosamente, são os próprios rebeldes que o anunciam numa fuga para a frente que ainda mais espantosamente deixa o Presidente da República calado. O que Jardim hoje disse, que o encobrimento tinha sido uma defesa contra o Governo do PS, já Guilherme Silva havia proclamado de outra forma há poucos dias: a Madeira recusa-se a respeitar a Lei quando não concorda com ela. Ver para crer.

João Soares, por nenhuma outra razão que não seja a de expressar a sua opinião, tem sido sempre de uma lealdade exemplar a Sócrates quando enfrenta ataques ranhosos e pulhices nos debates em que participa. Aqui, a propósito da Madeira, chega a incluir o seu pai, Mário Soares, no conjunto de todos os governantes que não foram capazes de fazer aquilo que Sócrates fez: enfrentar Jardim e obrigá-lo a respeitar a República.

Está na altura de chegarmos à Madeira

Quando se diz que Jardim fez muito pela Madeira, que ela era um antro de miséria antes dele e agora tem de tudo quanto é bom, não estão apenas a gozar connosco. O que se está a insinuar é que mais ninguém, desde 1978, teria sido capaz de gastar o dinheiro que ele gastou. Porque o dinheiro foi para lá enviado, e não parece especialmente difícil encontrar onde o enfiar. Essa boutade é uma ofensa para os madeirenses, ou para alguns madeirenses, mas acima de tudo é uma provocação para quem tem pagado impostos nestas últimas três décadas.

A sangue-frio

A Europa reagiu com estupefacção, em Março deste ano, perante as notícias de uma possível crise política em Portugal. Ia contra toda a lógica da defesa dos interesses de Portugal e da própria Zona Euro. De imediato, os responsáveis pelas principais instituições europeias fizeram repetidos e lancinantes apelos públicos para a procura de um consenso político que viabilizasse o acordo alcançado pelo Governo junto dos seus parceiros europeus, o famigerado PEC IV. A queda de Portugal corresponderia ao agravamento do risco para os restantes países ainda protegidos precisamente pela resistência portuguesa. Seria mais um trunfo para a estratégia do dominó que apostava no cerco ao Euro.

Cavaco Silva, no período que mediou entre o dia das eleições e a tomada de posse, reuniu com variadas personalidades, incluindo Barroso. Sabia perfeitamente bem qual a situação europeia e as consequências do eventual falhanço nacional na garantia do seu normal financiamento; até porque é um génio da economia e finanças, como faz questão de lembrar amiúde. Acresce que tinha feito campanha eleitoral declarando que Alegre não tinha experiência e competências para lidar com a complexidade da situação internacional, só ele o poderia fazer. Chegou ao ponto de sugerir que a sua vitória teria de ser obtida logo à 1ª volta para que os mercados acalmassem. Foi esta mesma avantesma que no primeiro acto oficial do novo mandato declarou ser necessário derrubar o Governo. E depois, coerentemente, não mexeu uma palha em ordem a promover uma solução que evitasse a crise política. As desculpas que apresentou, não ter sido avisado do PEC IV e os acontecimentos terem sucedido a uma velocidade que não pôde acompanhar, estão ao nível do que inventou para justificar a ausência no funeral de Saramago. É altamente provável que Américo Thomaz tivesse mais vergonha na cara do que este tipo.

Hoje sabemos que a aprovação do Orçamento para 2011 permitiu ao Governo começar decisivamente o processo de adaptação às exigências europeias para a redução dos custos do Estado. Mas sabemos muito mais. Sabemos que esse esforço foi fatalmente boicotado com as consequências económicas do derrube do Governo e ida para eleições. E sabemos que o acordo com o trio de credores impediu que se continuasse a poder escolher as soluções de austeridade menos gravosas para as classes baixa e média. Tudo desabou e piorou, só para que PSD e CDS pudessem ocupar o poder. BE e PCP, quando chumbaram o PEC IV, estavam a defender os interesses dos seus eleitorados? Não, estavam precisamente a garantir que esses interesses seriam prejudicados para além do imaginável.

Será bom que a legislatura se cumpra integralmente e que os portugueses bebam o cálice do seu voto até ao fim. Temos é de ir recordando, ao longo dos 4 anos, esta história em que nos enrabaram a sangue-frio.

Supostamente, as universidades são antídotos contra a estupidez

O caso com a UCP que o Porfírio Silva descreveu – UMA HISTÓRIA POUCO CATÓLICA – interpela-me por várias razões. Foi lá que me licenciei em Filosofia, era D. José Policarpo o reitor. E foi lá que encontrei algumas das pessoas mais importantes da minha vida, colegas e professores.

A Católica de Lisboa que conheci como estudante já não existe. Nesse tempo, uma parte significativa, e castiça, da população discente era constituída pelos estudantes da Faculdade de Teologia e da Faculdade de Filosofia. Ao longo do curso, e apesar das inevitáveis ou eventuais preferências teóricas e axiológicas que nasciam de uma leitura cristã da História das ideias, nunca encontrei proselitismo. Bem pelo contrário, alguns professores divulgavam tranquila e alegremente as suas heterodoxias, que tanto podiam sugerir serem algumas das visões místicas de certos santos o provável resultado de terem consumido substâncias psicotrópicas ou apresentarem a cultura clássica, e a civilização pagã, com genuína exaltação. Esta largura de espírito, este respiro intelectual, acabava por ser a consumação plena do que de melhor o conceito de “catolicismo” transporta na sua semântica. De lá para cá, a Teologia e a Filosofia praticamente desapareceram de Lisboa há uns anos, o ambiente sociológico e cultural do corpo académico tornou-se muito mais homogéneo.

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Bailinho da Madeira

Eu venho de lá tão longe
Eu venho de lá tão longe
Venho sempre à beira-mar
Venho sempre à beira-mar

Trago aqui estas couvinhas.
Trago aqui estas couvinhas.
Pr’á manhã o seu jantar.
Pr’á manhã o seu jantar.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira

E a Madeira é um jardim.
E a Madeira é um jardim.
No mundo não há igual.
No mundo não há igual.

Seu encanto não tem fim.
Seu encanto não tem fim.
É filha de portugal.
É filha de portugal.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira

Inteiros

Para o ex-secretário-geral do PS, o partido está «ensanduichado em duas frentes», uma à esquerda e outra à direita.

«PCP e BE denunciam as patifarias que o Governo tem feito com os direitos sociais, mas também têm responsabilidade directa e decisiva na criação deste Governo», acusou, referindo-se à fuga de votos do PS para estes partidos.

Quanto à direita, para Ferro Rodrigues, PSD e CDS «insistem em falar no passado como se o PS e José Sócrates fossem responsáveis por toda a crise, uma mistificação que estão a aprender na prática».

«Não nos podemos deixar intimidar, sufocar, nesta tentativa de nos cercarem à direita e à esquerda», alertou.

Ferro

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Debaixo da superfície da política organizada institucionalmente, onde cada partido é um agente conflitual com a sua identidade, corpo e respectivo eleitorado, existe uma dimensão de fusão entre a ideologia pré-partidária e a cidadania militante. Neste espaço todos não seremos de mais. É um local de encontro, de reconhecimento.

Tentar entender, e logo depois tentar compreender, o que levou o BE e o PCP a serem cúmplices da estratégia de PSD, CDS e Belém é um exercício que não se pode evitar por respeito intelectual próprio. O diagnóstico revela um tríptico onde à esquerda as abstracções são o factor principal para a decisão política e à direita o resultado concreto é o objectivo único na decisão política. Isso leva esta esquerda a recusar todo o compromisso e negociação, pois seria a negação da sua realidade meramente abstracta, e leva esta direita a ter como solitário critério a conquista do poder, o ideal concreto ao qual se reduz cinicamente a sua praxis.

Entre estes extremos, o centro. Pode ter vários nomes, várias inclinações. Mas seja lá o que ele for, não será o deserto do cinismo, nem a esterilidade do fanatismo. Será o que nós quisermos, que o mesmo é dizer que será o reino da liberdade. Com os pés bem assentes no concreto e os olhos postos no abstracto. Inteiros.

MV FLUX – Muito mais do que já é

Para além de sermos primos por casualidade apelidadora, o João Pedro da Costa é o blogger mais criativo que conheci, sendo um virtuoso da escrita, do vídeo, da linguagem, do humor, da poesia e do HTML lúdico e ético. Anda agora a aplicar esses talentos, e outros, numa nova fase da sua vida:

MV FLUX é o blogue do meu projecto de investigação que está a ser desenvolvido na Universidade de Aveiro (Departamento de Comunicação e Arte) e na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa) sobre a presença dos vídeos musicais nas plataformas digitais subordinado ao título Difusão na Web Social: o caso dos fluxos videomusicais e que aponta, através de uma abordagem transdisciplinar entre os Web Studies e os Estudos Literários, para a definição de uma poética da propagação digital.

O referido projecto de doutoramento, agraciado em Setembro de 2010 com uma bolsa de investigação pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, conta com a orientação de Rui Raposo (Universidade de Aveiro) e de Rosa Maria Martelo (Universidade do Porto) e integra a rede de pesquisa internacional Lyra ComPoetics coordenada por Paulo de Medeiros (Universidade de Utrecht) e Rosa Maria Martelo (Universidade do Porto).

Separando as afinidades pessoais, que rapidamente se transformaram em amizade anos atrás, consigo perfeitamente reconhecer uma dimensão objectivamente admirável neste blogue do projecto: a normal decorrência da investigação está a gerar tanto uma divulgação científica aberta ao público como se constitui em pedagogia para presentes e futuros investigadores. Veja-se o modo com a informação está organizada e a facilidade que o meio digital oferece para trabalhos académicos, enriquecendo tanto as possibilidades de contacto com materiais originais como a sua análise e reflexão. Isto é uma novidade só possível pela existência da Internet, por um lado, e pela cultura de partilha tão rara no selvático meio académico, pelo outro.

Portanto, primo, és o maior. Que o HTML esteja sempre contigo.

Empata-democracias

PCP e BE, seja por coerência ideológica ou por constrangimento sociológico ou ambos, recusam ser parte de uma solução governativa reformista. Eles só irão para o Governo se puderem aplicar os seus programas sem quaisquer cedências a interesses que considerem espúrios. E todos os interesses remotamente ligados ao capitalismo, ou aos EUA, não poderão ser admitidos sob pena de abalarem os seus valores fundamentais. Esta é a definição mesma do radicalismo, o projecto de substituição do regime vigente por outro declarado superior ou o único legítimo.

Os políticos, publicistas e simpatizantes da esquerda radical, então, descrevem a situação a partir desta recusa que só admite dois desfechos: a revolução ou o boicote. Posto que não partem para a revolução, e muito gostava de saber porquê, entregam-se furiosos ao boicote. Na Assembleia da República votam invariavelmente contra tudo o que venha do Governo e de quem o apoiar, apresentam propostas irrealistas, celebram pequenas vitórias como se fossem trombetas a anunciar o fim dos tempos. Na rua, fazem greves, fazem comícios, fazem barulho. O modo é o da resistência, a retórica é a da barricada. E assim se conservam.

Quando atacam o centrão, fustigando os partidos que governam por serem… os únicos partidos que admitem governar em democracia, não se interrogam acerca da sua própria recusa. Falam como se PS, PSD e CDS fossem os culpados por eles serem radicais. Ó, se ao menos os socialistas, sociais-democratas e centristas não insistissem em terem as ideias que têm, nós, os admiráveis comunistas e bloquistas, com as nossas maravilhosas ideias tão mais melhores boas do que as deles, poderíamos, finalmente, ir para o Governo com essa gente… quanto mais não fosse, para os educar e vigiar…

Os imbecis são uns empata-democracias. Se não querem fazer a revolução nem querem governar, façam um favor a toda a gente: desamparem-nos o Parlamento. E reflictam um bocadinho neste cenário: se acaso fossem poder, que diriam aos radicais que inevitavelmente apareceriam?