Arquivo da Categoria: Valupi

Good food for good thought

Our tendency to see gender in everything, even numbers, is a reminder of how fundamental gender is to how we perceive the world. When people are led to believe that an object possesses one gender or another, it changes how they relate to that object. For example, Stanford researchers Clifford Nass, Youngme Moon, and Nancy Green had people interact with a computer that was programmed to have either a male-sounding or female-sounding voice. They found that when the computer had a female-sounding voice, people saw the computer as less friendly, credible and knowledgeable, as compared to the male-sounding computer. People did this openly, despite knowing perfectly well that they were making judgments about a machine and not a real person.

It’s no surprise that the first thing that most people ask new parents is whether they had a boy or a girl. When we don’t know somebody’s gender, it creates confusion in our minds—we have no framework from which to build upon. Gender helps us not only understand how to think about someone, or something, but it also helps us figure out that person or thing’s relationship to the rest of the world. Our brains can’t help but see gender everywhere we look.

What is the Sex of 17?
People think of many things, even numbers, as being either male or female

A transparência vai nua

No discurso de encerramento do congresso, Seguro apresentou o combate à corrupção como uma das três prioridades do PS para a presente legislatura, a par das questões do emprego e do crescimento económico. Estamos perante um feito extraordinário. Que me recorde, nunca um partido tinha assumido na sua agenda ser o combate à corrupção algo tão importante como as problemáticas económicas. E não menos extraordinário é o facto de não ser a reforma da Justiça um objectivo ainda mais urgente e relevante, o que até pode dar azo a variados e sugestivos paradoxos.

Daqui se inferem alguns pressupostos fundamentais para o entendimento do que acaba de acontecer:

– O PS vai mobilizar os seus deputados, quadros e militantes para esta causa – se não o fizer, a promessa é pura demagogia.
– O PS já fez o diagnóstico do problema e as soluções apresentadas nasceram dessa análise e reflexão – se não o fez, a promessa é pura irresponsabilidade.
– O PS, ou o Secretário-Geral, ou alguém em nome do Secretário-Geral ou por ele indicado, será capaz de apresentar à sociedade uma definição exacta, no mínimo clara, do que seja a corrupção que pretendem diminuir ou erradicar – se não forem capazes, a promessa é pura demagogia irresponsável à mistura com pura irresponsabilidade demagógica.

Vejamos com mais atenção o que Seguro declarou em Braga:

Continuar a lerA transparência vai nua

Sonsice com S grande

Militantes e simpatizantes do PS terão razões, algumas excelentes, para estarem satisfeitos com o congresso de Braga. Militantes e simpatizantes da democracia, ao invés, ficam ainda mais preocupados do que já estavam.

Seguro escolheu a via do ostracismo para lidar com a herança de Sócrates no partido. Os 7 anos de liderança e governação foram varridos para debaixo do tapete. Duas consequências fatais: (i) a história da subida da direita ao poder, e o papel do Presidente da República nesse processo, entram igualmente no esquecimento; (ii) ainda não foi desta que ficámos a saber quais terão sido os terríveis erros da anterior direcção socialista, e adensa-se a suspeita de que a intenção é nunca os identificar para não correr o risco de aparecer alguém a querer discutir os critérios, e a desmontar as prováveis falácias, na sua escolha.

Seguro começa o seu ciclo e anuncia um tempo novo, imaculado, esterilizado. Ele tem o mapa para a Terra Prometida onde o PS ficará isento de pecado. Este culto da higiene – que também explica a perseguição aos seus camaradas declarados por atacado suspeitos de corrupção e obrigados a assinar papéis inquisitoriais – deu finalmente a chave para se decifrar a sua postura enquanto opositor de Sócrates. Não se tratava de um conflito de políticas, uma discórdia ideológica, um antagonismo intelectual. Tratava-se de uma repulsa moral, uma aversão pessoal que tinha de ser escondida e mascarada de alternativa salvífica. Por isso Seguro utilizou sempre o silêncio como amplificador das suas mensagens corrosivas, nada tendo para discutir, sequer com que contribuir. Ele sabia-se no topo da lista dos sucessores, seria o próximo Secretário-Geral de um PS caído em desgraça. Seguro era aquele que não se tinha deixado contaminar, o rosto da resistência à opressão. Quão mais rapidamente Sócrates fosse abatido, mais rapidamente estaria a fazer visitas à comunicação social para descobrir o que ela realmente faz, um enigma que o atormentava, e a aproveitar para contar histórias de senhoras sofridas que lhe foram pedir ajuda, coitadinhas.

Seguro junta-se a Cavaco e Passos na prática de uma sonsice verdadeiramente obscena de tão óbvia. Espero que o velho passado do PS, em nome das pessoas livres e corajosas que abominam os sonsos, se livre rapidamente deste novo futuro.

Todo o excesso se opõe à Natureza

Num canal qualquer, um jornalista qualquer fala com um comentador qualquer. Discutem a atitude de Seguro em relação à comunicação social. Que ele é muito mais simpático, mais próximo, mais afectivo do que foi Sócrates. E o comentador detalha. Com Sócrates, ninguém sabia para onde ele ia quando se afastava da sala do congresso. Não havia forma de saber o que andaria a fazer. E isso era perturbador, insinuava, até inquietante. Com Seguro, é completamente diferente. Ele fica no espaço visível, passeia-se à frente de toda a gente, está por ali. Ele até se dirige aos jornalistas, apresenta-se humilde e néscio. Quer aprender com quem sabe.

O comentador e o jornalista teriam a maior das dificuldades em compreender que a tirania da comunicação social tem sido um dos principais factores na degradação da democracia. E que os políticos mais perigosos não são os que mantêm os profissionais da imprensa num estado de alerta máxima, antes os que os adormecem com salamaleques e prebendas.

Em suma, há muita falta de estudos hipocráticos entre os hipócritas jornaleiros.

Algumas pessoas quiseram estar primeiro

No essencial o PS está unido como porventura há muito tempo não estava.

Ferro

*

Na aparência, uma frase convencional. No subtexto, um elogio a Assis e uma estalada de luva branca naqueles que dentro do PS foram obreiros da desunião contra Sócrates por calculismos e rancores. Aqueles que puseram as suas próprias pessoas primeiro do que o partido, o Governo e o País.

A interrogação de Carl Sagan

Pitágoras triunfou. Os números são a realidade. Por isso se começou a falar deste 11 de Setembro com semanas de antecedência. Por isso se sente a pressão para dizer (ainda mais) qualquer coisa neste ano. Porque é o décimo. Como se isso o fizesse qualitativamente diferente do nono e do décimo primeiro. Como se só pudéssemos voltar ao assunto, ou ser tão profundos, exaltados e definitivos, no vigésimo aniversário. Eis a decisiva importância sentimental do zero, um nada que é tudo.

O que mais me surpreendeu nesse dia foram as piadas que apareceram horas depois. Horas depois. De pessoas com quem me dava com menor ou maior proximidade. Só porque o alvo tinha sido a América, as vítimas os americanos. Significava que havia uma outra forma de terror muito mais insidiosa, a ausência de empatia naqueles com quem partilhamos o espaço e o tempo.

O que o 11 de Setembro representa transcende a alegada questão política. A sua mensagem é verdadeiramente apocalíptica. Diz-nos que haverá sempre alguém que fará tudo o que puder, recorrendo a complexas capacidades cognitivas e força de vontade, para destruir a Humanidade. Caso tenha os meios para isso, ser-lhe-á igual destruir um autocarro, comboios, arranha-céus ou a Terra inteira. Aliás, para este tipo de martírio psicótico, quão maior a destruição, maior a felicidade.

Quando Carl Sagan se questionava a respeito da possibilidade de existir vida inteligente noutros planetas, punha como hipótese que as civilizações galácticas pudessem autodestruir-se após chegaram a um certo ponto de desenvolvimento tecnológico. Temos essa capacidade por via das armas nucleares e das restantes tecnologias destrutivas que sempre nascem do avanço científico. Dada a pulsão irracional que transportamos, que até leva potenciais vítimas do terror a defender os terroristas, talvez esta experiência da civilização num discreto planeta nas bordas da galáxia seja um mero ensaio que correu mal. Num outro planeta, dos triliões que existem, certamente as coisas correrão melhor. No universo, o que não falta são locais para a Criação ir tentando até acertar. E, dizem ainda outros, o que não falta são universos. Infinitos.

Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

Medical Schools Spend Small Amount of Time Teaching Content Related to Health of Gay, Lesbian, Bisexual and Transgender Patients, Survey Finds
.
Peer Pressure? It’s Hardwired Into Our Brains
.
A More Progressive Tax System Makes People Happier, 54-Nation Study Finds
.
Investigation Reviews Occurrence Of Unconscious Race And Social Preference In Medical Students
.
People Communicate in Bursts: Rhythms of Communication Revealed in Study of 9 Billion Phone Calls
.
Never Too Soon: Means to Reduce Violence May Start in Utero
.
Birth Control Pills Affect Memory, Researchers Find
.
Aerobic Exercise May Reduce the Risk of Dementia, Researchers Say
.
Sick Body, Vigilant Mind
.
Volunteering to Help Others Could Lead to Better Health

Boas expectativas

A eleição de Maria de Belém para Presidente do PS cria uma especial expectativa. Não por ser mulher, circunstância secundária ou lateral, antes por ser uma figura exemplar. Dela podemos esperar, invariavelmente, um zelo imaculado pela ética republicana, um conhecimento profundo e rigoroso dos assuntos acerca dos quais opina e um culto do serviço público como a mais alta realização da cidadania. Por isso tanto me custou ver o seu nome desperdiçado na última contenda presidencial, esmagado logo à partida pela ganância inane de Alegre e pelo oportunismo velhaco de Louçã. Enfim, não faço ideia se aceitaria concorrer à Presidência da República contra Cavaco, mas tenho a certeza de que seria uma candidatura apavorante para a direita pela sua capacidade de congregar o centro, as mulheres e o voto útil da extrema-esquerda; para além de todos os socialistas, unidos sem os anticorpos que o vate gerou na sua megalomania. E Maria de Belém tem outra característica que teria evitado o triste, talvez indigno, espectáculo dado por Alegre no frente-a-frente com Cavaco: ela adora debater, tem gosto em vencer uma discussão à força de argumentos. É enigmático mas incontestável: o PS só tem feito disparates em matéria de candidatos presidenciais desde 2006. Como a consequência foi ter Cavaco a conspurcar a democracia a partir da Casa Civil, se calhar alguém devia pedir desculpas aos portugueses.

A escolha de Carlos Zorrinho para líder parlamentar também desperta especiais expectativas, pois ele aparenta ser a honestidade intelectual em pessoa. Trazendo competências ligadas às vanguardas tecnológicas, o que não tem directa relevância na vida parlamentar, começa por parecer demasiado macio para a linha da frente da bancada. Tal percepção poderá ser errónea, claro, e ele ter outras facetas mais guerreiras ou o lugar vir a moldar o homem. Também é possível admitir que o seu perfil é exactamente o desejado por Seguro, interessado em fazer uma oposição branda para ir aguentando os 4 anos sem belicismos à Sócrates. Uma oposição-empresa, primando pela limpeza e aparato das instalações. O tempo o dirá.

Cineterapia


Pandora_António da Cunha Telles

Ontem o cinecartaz deixou-me com água na boca. Disse-me que às 19.30 teria o mais belo animal do mundo à minha espera na sala Luís de Pina para me derreter no PANDORA. E prometia isto:

Um filme-culto, “reflexo mítico de uma certa Hollywood”, arquétipo dos filmes bizarros que por vezes ali se fizeram, banhado na fantástica fotografia a cores de Jack Cardiff. “Pandora and the Flying Dutchman” constrói uma lenda moderna, apoiando-se em antigos mitos como o do “navio fantasma”, com Ava Gardner transfigurada na mulher que redime o Holandês Voador da maldição que o cerca.

Amaldiçoei pela trilionésima vez estes horários de merda, feitos para reformados e ricalhaços, que obrigam o cinéfilo a meter-se em urgências na hora de ponta e tratei da vidinha. Às 19.23 subia com olímpico passo de corrida a Avenida da Liberdade e entrei na Cinemateca pujante de confiança — Quero um bilhete para o PANDORA. Dito e feito, foi-me dado o bilhete sem qualquer perturbação facial da estimada vendedora. Abanco na sala e um minuto depois sofro o primeiro choque da sessão. Alguém anuncia que tínhamos o privilégio de contar com a presença do realizador, o qual nos ia brindar com umas palavrinhas dentro de momentos. Ora, o realizador do filme para o qual tinha solicitado bilhete chama-se Albert Lewin e tem na sua biografia duas curiosidades que tornavam aquele anúncio num acontecimento sobrenatural: a primeira era a de ter nascido em 1894, e a segunda, intimamente relacionada com a primeira, a de andar a comer alface pela raiz desde 1968. Se, mesmo com estas limitações, tinha conseguido vir a Lisboa falar com a malta, e logo àquela ingrata hora, então os bilhetes da Cinemateca poderiam ser aumentados 1000% que ninguém se revoltaria. A minha ilusão não aguentou mais de um par de segundos porque o bacano desvelou o enigma. Tratava-se do António da Cunha Telles. E eu tinha sido enganado pela estimada vendedora, pelo Luís de Pina e pelos cabrões do Governo que, afinal, eram quem mandava naquilo. Tal foi a minha raiva que posso testemunhar terem sido vocalizadas múltiplas frases pelo senhor realizador, mas não faço ideia do que disse. Se acaso aproveitou para partilhar o seu alívio pela saída de Postiga e Djaló da amada instituição leonina, daqui lhe mando um atrasado aplauso.

Continuar a lerCineterapia

Tolerância zero aos zerinhos intolerantes

Na sua abstracção, o ideal das democracias modernas possibilita a livre escolha dos governantes. Porém, como logo os gregos do século VI a.C. descobriram e denunciaram, essa liberdade começa a ficar limitada se as difamações e calúnias influenciarem a avaliação dos candidatos ao exercício do poder. Dizer de alguém que não é de confiança, ou que terá cometido ilegalidades, cria uma automática suspeita naqueles a quem chegar esse ataque, incluindo nos apoiantes do alvo. E, mesmo se inocente, os danos na sua credibilidade poderão ser irreversíveis e impedirem a sua eleição.

A eficácia dos assassinatos de carácter nasce de uma absoluta necessidade antropológica: segurança. Precisamos de conhecer os nossos aliados e os nossos inimigos. Em especial, precisamos de descobrir os traidores, muito piores do que os inimigos. Saber se alguém nos está a enganar, ou já enganou terceiros, torna-se no principal critério de legitimação política numa democracia. Antes das restantes considerações programáticas no processo de escolher o destino do nosso voto, queremos depositar o poder em mãos impolutas ou delas o retirar se o deixarem de ser. Ainda no plano antropológico, os ataques ao carácter podem tão-só expressar o medo perante aquele que não partilha da nossa identidade grupal. Desconfiamos do estranho por instinto, efabulamos esse medo para nos protegermos da potencial ameaça. Se o pudermos destruir, retirando-lhe o acesso ao nosso grupo ou a capacidade de atracção, teremos afastado o perigo.

Saltando para o plano psicológico, os ataques ao carácter aparecem por acção consciente. Podem ser originados por deficiente ou errada informação, criando uma ilusão. E podem ser uma opção lógica inscrita numa dada estratégia. Se a estratégia for a de fazer Justiça, como num tribunal onde vigore o Estado de direito, o ataque ao carácter corresponde ipsis verbis à sentença que determina uma culpa. Fora destas mediações onde se garante juridicamente a integridade do bom-nome do réu ou arguido até à conclusão do processo, os ataques de carácter são sempre manobras perversas que intentam um ganho através do dano causado. Implicam, pois, uma qualquer relação conflitual. Ocorrem na política, mas também ocorrem nos negócios, nas relações amorosas e de vizinhança. E não exigem qualquer tipo de especial capacidade intelectual ou cognitiva, bem pelo contrário. Qualquer imbecil é capaz de imitar um ranhoso e vice-versa.

Nas duas legislaturas passadas, e excluindo o racismo ideológico da extrema-esquerda que calunia sistematicamente tudo o que lhe cheire a democracia, o grande símbolo desta decadência moral e disfunção política foi o Pacheco Pereira. A criatura repetiu com afã maníaco, durante 3 ou 4 anos, as piores insinuações que lhe passaram pelo bestunto a respeito do Governo, apostando tudo numa criminalização de Sócrates e seus próximos. Quando regressou da saleta na Assembleia da República, onde passou horas a devassar a privacidade de um concidadão escutado ilicitamente, disse que tinha encontrado elementos avassaladores. E que fez a seguir? Que fez até hoje a respeito do avassalamento que interceptou como deputado-espião? A ponta de um caralho.

Este comportamento bicéfalo, onde se emporcalha o adversário e se perverte o Estado de direito, merece tolerância zero por parte de todos aqueles que quiserem viver em democracia.

Política de Verdade, agora a sério

“Cortes racionais, estruturais e sustentáveis na despesa exigem tempo para desenhar as soluções e tempo para as executar”, diz Vítor Gaspar, acrescentando que “em termos imediatos, a operacionalização e execução de cortes racionais na despesa não é possível”.

Fonte

__

Estas declarações, cruzadas com os resultados da execução orçamental dos primeiros 6 meses de 2011, são o mais rasgado elogio que já foi feito às decisões do Governo ao longo de 2010 e ao seu Orçamento para 2011. De facto, a colossal desonestidade intelectual de exigir ao Governo cortes na despesa celerados, com resultados imediatos e no incontrolado ritmo a que a crise da Zona Euro se ia desenrolando adentro do maior desnorte europeu que é possível conceber, ou o fel venenoso de reclamar cortes retroactivos que nem sequer a outra senhora fez entre 2002 e 2004, ficam como a marca d´água da natureza da nossa direita partidária: cambada de crápulas.

Linguee

Sobre o Linguee

O Linguee.pt é um dicionário em linha e um buscador de traduções. Em comparação a outros dicionários online existentes, o Linguee oferece a pesquisa aproximadamente a mil vezes mais material bilíngue traduzido. Ele foi fundado em dezembro de 2008 após mais de um ano de desenvolvimento por Gereon Frahling e Leonard Fink. Em Maio de 2010, a versão final foi lançada online e, em agosto do mesmo ano, foram incluídas as versões em português-inglês, espanhol-inglês e francês-inglês, todas mantendo o mesmo caráter único e a alta qualidade da versão alemã. O Linguee está entre os 100 websites mais visitados da Alemanha e é um dos dicionários online mais utilizados do mundo.

Fonte

__

A equipa que produz e comercializa o Linguee sabe comunicar com blogues, daí este destaque a pedido.

Fim-de-semana em cheio

Está quase a começar, finalmente, o XVIII Congresso do PS. Espera-se que seja o acontecimento que revele ao País, finalmente, quem é esse líder da oposição chamado António José Seguro – neste momento, apenas sabemos quem foi o mais calculista e eficiente opositor interno a Sócrates. Ficaremos ainda a conhecer, finalmente, a sua equipa, o calibre e tipologia dos seus principais conselheiros e camaradas de armas.

E Sócrates será uma incontornável presença neste congresso, sem carecer de lá estar em corpo. O modo como Seguro lidar com ele revelará muito do que será o seu futuro à frente do PS, quiçá do Governo. Acresce que só tem três atitudes à disposição:

Apologia de Sócrates
Seguro, ao arrepio das críticas que tinha assumido no passado, faria o elogio de Sócrates no discurso inaugural, apenas destacando o seu legado reformista e a resistência às dificuldades que enfrentou, metendo-o de vez com uma ovação fúnebre num saco de plástico a ser despejado no oceano ainda antes do congresso acabar.

Ostracismo
Seguro não faria qualquer referência especial a Sócrates, a não ser umas poucas palavras de circunstância na abertura do congresso. No discurso final, nenhuma.

Cicuta
Seguro seria coerente com as suas posições críticas e promessas eleitorais, indo para o congresso com uma verdadeira reflexão acerca do ciclo Sócrates e apelando a que os congressistas fizessem um balanço implacável dos erros cometidos nos últimos anos. Tanto o seu discurso de abertura como o de fecho fariam de Sócrates, e dos seus principais apoiantes, um contraponto ao novo ciclo que Seguro se propõe abrir na política nacional, precisamente começando pela libertação do PS da famigerada asfixia socrática.

Destes três cenários, o pior é o primeiro. Ele exporia um cinismo em último grau, fazendo de Seguro um pseudo-líder em quem não se podia, nem devia, confiar nunca mais. E o melhor que poderia acontecer ao PS, e à política nacional, está no último cenário. Seria a redenção de Seguro e o nascimento de um verdadeiro líder. Seria também neste cenário que a sua oposição interna teria as melhores condições para ir amadurecendo como alternativa e reserva intelectual.

Como Louçã também tem estado à espera de ver como param as modas no PS para descobrir o que fazer à sua vida, este vai ser um fim-de-semana cheio de ensinamentos.

A crise zen

Na entrevista desta noite, Vítor Gaspar repetiu a promessa de já em 2013 termos o sarilho resolvido. No final da legislatura, 2015, estaremos melhor do que nunca, afiança.

Bom, foi para isto que PSD, CDS, BE e PCP derrubaram o Governo PS. E foi nisto que os eleitores votaram, encarregando Passos Coelho da tarefa. Isto é a democracia a funcionar, pelo lado dos vencedores.

Parafraseando o Ministro das Finanças, podemos ficar absolutamente tranquilos. Com a prática, e muito chá, até conseguiremos levitar.

Troquem os sicofantas pelos académicos

Ferreira Fernandes pegou numa característica de Vítor Gaspar, a prosódia, e usou-a como gazua para lhe abrir a cachimónia com a sua elegante atenção ao detalhe: O ministro que falava baixinho

Não sei se FF sabe, ou já esqueceu, mas falar baixinho é uma táctica usual nas faculdades, locais onde é suposto os professores estarem duas horas de cada vez, ou mais, a palestrar para adultos. Óbvio, os novéis estudantes universitários entram na academia com a cultura do Secundário intacta, e a maior parte nunca a perderá mesmo depois do canudo. Daí não terem hábitos de disciplina adequados à nova exigência, podendo tranquilamente boicotar a autoridade docente imitando as estratégias espontâneas de prolongar a barulheira após o professor ter entrado na sala e começado a discorrer. É aqui que o truque de falar baixo é usado com alta eficácia pelos professores mais batidos, pois a reacção é a de rápido silenciamento num contágio culpado que chega a toda a sala.

Vítor Gaspar tem outros truques, mas acima de tudo tem uma inteligência aquilina e um excelente controlo emocional do protocolo, o qual usa a seu favor para dramatizar retoricamente o poder institucional que representa. Isto são manhas de puta velha das universidades, as quais começaram por serem herdeiras da cultura monástica, e têm séculos e séculos de aperfeiçoamento. O seu efeito é o de introduzir racionalidade simbólica numa situação de inevitável conflito, o que só traz vantagens. Por exemplo, de Vítor Gaspar não se espera ouvir uma difamação, muito menos uma calúnia. Ter confiança num limite ético que o adversário respeitará aumenta decisivamente a qualidade intelectual do debate.

Para defender a ideia de que devemos diminuir o peso do sector público na economia portuguesa, intento absolutamente legítimo e que resume o que o actual Ministro das Finanças tem para dizer aos cidadãos, não é preciso diabolizar e perseguir os adversários com assassinatos de carácter e conspirações mediático-judiciais. É até sensato admitir que se o PSD se tivesse preparado para fazer pedagogia à volta dessa ideia durante o período em que foi oposição à maioria socialista podia ter chegado às eleições de 2009 com uma verdadeira proposta alternativa que pudesse vencer o PS. Em vez disso, porque não acreditavam poder ganhar pelo valor das propostas, mergulharam alucinados no ódio.

Perdemos todos.

__

Para a etimologia de sicofanta, recomendo esta cesta de figos.