O vídeo não mostra o início do episódio. Antes de Seguro falar, Anabela Neves entrou na emissão a dar conta da sua surpresa por ainda ter trabalho a fazer quando o PS já tinha mandado todos os jornalistas embora. Depois de Seguro proferir a sua declaração, lançou-lhe uma pergunta armadilhada que pretendia obrigá-lo a reconhecer a anomalia daquela sua intervenção imprevista e tão tardia na noite eleitoral. A resposta de Seguro é um fartote de sonsice.
Começa por mostrar que não admitia à jornalista a alusão à possibilidade de ter cometido qualquer falha. Isso foi transmitido apenas com o corpo, primeiro através de um esgar que simulava espanto quando ouviu a palavra “erro”, e depois através de movimentos incontroláveis dos olhos e dos lábios quando a pergunta foi repetida ipsis verbis. Mas donde veio a necessidade de se repetir a pergunta? Veio do ataque de Seguro à própria Anabela, insinuando que ela tinha sido tão confusa na formulação da questão que nada se tinha percebido. Esta táctica é poderosa, especialmente em contextos tão marcados pela efemeridade dos diálogos, pois obriga o interlocutor a refazer a questão, usando outras palavras num contexto onde recebeu censura pública de uma figura com autoridade. Trata-se, pois, de uma humilhação. Do lado de quem assim se defende, o propósito é o de evitar responder à pergunta inicial e ainda exibir controlo.
O momento mais significativo desta lógica afectiva e subtextual acontece quando Anabela Neves procura reconstruir o que tinha dito segundos antes só para ser interrompida assim que Seguro viu um brecha para lhe anular a tentativa. Felizmente, ela não se intimidou e conseguiu reproduzir exactamente o tinha dito. Seguiu-se uma justificação manhosa que deu razão à intuição da jornalista: Seguro terá levado um puxão de orelhas de alguém por não ter aparecido a dar a cara pelos resultados na Madeira e veio falar a toque de caixa.
