Centro, volver

«O faz e o desfaz da acção governativa é absolutamente devastador para a realidade de um país», adianta.

Olhando para trás, Luís Amado analisa os erros: «Por preguiça política e institucional ao longo desta década, mesmo percebendo que estava aí o nó do problema. Os Governos com capacidade reformista e com autoridade política para fazer as reformas que era absolutamente necessário fazer para garantir essa competitividade foram protelando essas reformas até ao momento em que caimos no buraco em que caimos».

E enquanto estavamos a cair no buraco, uns estavam mais atentos que outros: «Vivi talvez com mais angústia do que outros colegas de Governo a situação em que paulatinamente o país foi caindo».

Luís Amado

*

Amado foi o ministro mais ao centro no anterior Governo. Ou ainda melhor, é a única figura do universo socialista que não se inibe de reclamar o centro como o lugar da boa governação. Embora ultra-discreto debaixo dos holofotes mediáticos durante o tempo em que assumiu a pasta, as suas opiniões chegavam ao público através do aproveitamento e manipulação pela oposição à direita, numa natural tentativa de abrir brechas no Executivo e aumentar o desgaste de Sócrates. Quando finalmente falou a respeito da queda do Governo e da vitória do PSD, apresentou um vasto horizonte de responsabilidades e possibilidades, focando-se com rigor e zelo exemplares no interesse nacional. Tal e qual como volta a fazer nestas recentes declarações.

Seria fascinante, para os apaixonados pela política, poder participar num seminário com Luís Amado, Santos Silva, Pedro Silva Pereira, Lourdes Rodrigues, Correia de Campos, Vieira da Silva, Teixeira dos Santos e Sócrates a respeito da sua experiência governativa num período de desafios internacionais impensáveis há 6 anos e num contexto nacional marcado pelas suas consequências e pela decadência do PSD e influência de Cavaco a partir de Belém. Sem surpresa ouviríamos diferentes diagnósticos e perspectivas, e seria possível aprofundar e esclarecer o que Amado apenas deixa como aceno vago e ambíguo. Que preguiça é essa de que fala? Qual a sua origem e dinâmica? Como se evita? Teria sido ele capaz de fazer diferente caso fosse primeiro-ministro ou o mal é insuperável venha o mais corajoso e visionário? Enfim, será “preguiça” o conceito adequado? Esta discussão, com este elenco, daria para um ano de sessões absolutamente imperdíveis e de interesse histórico.

Luís Amado fez um trabalho magnífico à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Os elogios choviam de todos os quadrantes. O nome de Portugal nos círculos diplomáticos ganhou um brilho de que nos podemos, e devemos, orgulhar sem qualquer embaraço bacoco. A diplomacia é uma área crucial para o desenvolvimento económico, a paz social, o avanço cultural e a coesão entre cidadãos, povos, regiões e países. Sócrates acertou em cheio quando o escolheu. E Sócrates deixou mais uma marca do seu carácter ao ter mantido uma lealdade imaculada com um ministro que se prestava a ser usado como aríete da oposição só por causa da sua liberdade de pensamento.

23 thoughts on “Centro, volver”

  1. mas deixa lá val, já que não és de esquerda, posso-te garantir que este governo está a caminahr nesse sentido das reformas.Aliás, esse amado mais o jaime gama pertencem a uma ala mais á direita do ps,e como se não bastasse, o filho de gama é um dos assesores do cavaquinho, e esteve cogitado para integrar a equipa de secretarios de estado

  2. Amado só gritou por socorro, êxodo e saídas em alternativa às aselhices socratinas, quando permanecer num Governo tão irresponsável, assente no mundo virtual na cabeça socratina, e tão videirinho, ameaçava contaminar-lhe o currículo e a derradeira classe que lhe restava, pois a bancarrota estava iminente e um Governo que a tal conduz um País atira para a merda os ministros, secretários de estado e assessores responsáveis por tão esmerado serviço.

    Concedo que, no meio da imensa e inqualificável loucura socratista, Amado seria o mais benigno, apesar de suficientemente cúmplice para ficar ilibado de seis anos de esterqueira.

    Onde Val-Amante-Obcecado grafa ‘lealdade’, deve ler-se efeitos-naturais-da-chantagem-exercida. Sócrates chantageou-o por que permanecesse no calvário da legislatura até ao fim. Chantagem, aliás, que, tal como a mais grosseira desonestidade, é o nome do meio do Primadonna Sócrates.

    Gente assim completamente desastrosa para os outros, que não os seus assessores e ténias do pequeno partido, encontrámo-la ou no Magalhães Lemos metidas em coletes de forças ou a arrumar carros no Bolhão para pagar a dose da manhã e da tarde de cocaína, aliás a droga mais snifada no partido estomacal e luxuoso da megapittice.

  3. Ó rex, intrigas-me: que é que o Cristo com que forraste o chão da toca tem a ver com a tua diarreia biliosa? Achas que Ele te apoia lá na estratosfera? Ou será que Ele funciona para ti apenas como as gajas nuas dos calendários?

  4. se há coisa que me parece inquestionável é que as duas palavras de ordem mais faladas institucionalmente nas duas últimas décadas foram produtividade e competitividade, os valores mais invocados e portanto esses não impediram, antes se pode dizer que parece que promoveram, o actual estado de coisas. Os valores da verdade e da solidariedade que deviam amparar os outros dois no quadro de uma ética do desenvolvimento económico foram às urtigas e com eles muita coisa.

  5. Para quem leu tanto Aristóteles, é bom que o Sr. Valupi se lembre (partindo do pressuposto elementar de que sabe), que o centro não existe: é a metáfora de um esforço. Ora esse esforço não é sequer reconhecido na figura de Sócrates, o que considero injusto. É triste que Sócrates, com a sua indecisão quase salazarista, não tenha mordido mais a oposição com medidas anti-populares. Ele e Deus sabiam que não resistiriam a uma segunda legislatura, e em face disso, Sócrates podia ter-se afundado no álcool. Mas não: preferiu afundar, provisoriamente, o PS. Não era bem filosofia o que ele mais desejava, pois sei de fonte limpa que ainda tentou dois mosteiros, um nacional e outro romeno, para retiros de um ano em reclusão absoluta. Depois disso, nunca mais soube nada do homem; nem eu nem ninguém que interesse.

  6. PALAVROSSAVRVS REX já te mandaram ir levar na peida para outro lado e tu insistes em vir ladrar para aqui? Isto tem mel ou gostas que te chamem filho da mãe que te pariu?
    Vai cagar postas de pescada para junto dos teus amigos se é que os tens. Se não tens isto também não é um asilo.
    Vai morrer longe que cheiras mal da boca! A tuas boca é um túmulo.

  7. anónimo,

    Um estudo grafológico à tua escrita revela que és Gaja. Não negues, não negues, porque estas coisas raramente falham, pelo menos depois da introdução de lasers na tecnica. Inclino-me para a possibilidade de os responsáveis pela tua apresentação ao mundo com um nome e roupa própria terem sucumbido ao enorme desejo de terem um rapaz, um toino inteligente ou um jaquinzinho com ideias políticas, desprezando o vermelhito da racha e exagerando a importância da tímida saliência grelal que mais tarde cognominaste sem razão de membro viril – o tal que habilita as pessoas a assentarem praça nos mercados militares.

    REX,

    Eu prefiro que as pessoas gostem, mas quando não gostam também gosto. E até aqui gosto bastante do que tens escrito.

  8. portanto, pelo que vejo, anda tudo de saúde, o que é bem bom. Depois tem aquela coisa que vêm aí os romanos e há que pensar no banquete. Ora, não sei se substitua o zimbro por boldo,

  9. Val, LA foi exactamente isso e ele sabia que Sócrates sabia…!
    A verdade é que ainda estará para nascer OUTRO POLITICO COMO O GRANDE PRIMEIRO MINISTRO QUE A DIREITA SÓ CONSEGUIU DERROTAR COM A PARTICIPAÇÃO ACTIVA E “REACCIONÁRIA” DA ESQUERDA!
    E agora quero ver como é que essa mesma esquerda vai reagir ao OE 2012…!?!

  10. MGP Mendes, disseste tudo.

    §,

    nos tempos que correm recomendo boldo que é altamente desintoxicante (estou a falar a sério). :)

  11. socrates é competentissimo, o melhor, viva ao centro moderado! a esquerda tem de se modernizar, de perceber que existe vantategsn no li9beralismo

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