Diabo à solta

Um resultado explicado por um sentimento de desânimo, designadamente de apoiantes da CDU, que fustigados de forma mais particular pelo agravamento exponencial das injustiças, do desemprego, da pobreza, não acreditaram que com a sua decisão e o seu voto podiam contribuir para penalizar quem lhes agravou as condições de vida e reforçar aqueles com quem contam para construir uma vida melhor. Mas também resultado da dispersão de votos em candidaturas inconsequentes, e até provocatórias, que embora sem projecto, nem valor próprio, beneficiaram de uma generosa mediatização destinada não só a favorecê-las mas a impedir o crescimento da força mais consequente e capaz de se opor e dar combate ao programa de exploração que atinge os madeirenses.

Jerónimo de Sousa

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É tão raro o PCP admitir qualquer derrota que essas ocasiões são oportunidades imperdíveis para observarmos os monopolistas da História a terem de lidar com mais uma situação em que a realidade se engana. Eis o que os camaradas teólogos puseram Jerónimo a debitar:

– Que o desânimo, quando na forma de um sentimento, tem profundas consequências eleitorais.

– Que os apoiantes da CDU na Madeira foram fustigados de forma particular pelo agravamento das injustiças, do desemprego e da pobreza, mesmo que não haja notícia de tal agravamento selectivo ter acontecido em qualquer parte do território nacional e muito menos na gastadora Madeira onde o nível de vida não tem parado de subir.

– Que o alegado agravamento é exponencial – ou seja, geométrico – não tendo o PCP a necessidade de explicitar em quê, desde quando, como e porquê.

– Que os apoiantes da CDU na Madeira não acreditam que a CDU da Madeira contribua seja para o que for de politicamente válido para os seus interesses.

– Que a existência de outros partidos para além do PCP e seus aliados, especialmente se forem pequenos ou novos partidos que calhem ter mais votos do que a CDU, configura uma provocação.

– Que a comunicação social faz o que pode para diminuir o poder do PCP porque só o PCP está em condições de salvar os madeirenses, assim se revelando o que a CDU pensa da inteligência e liberdade dos cidadãos e eleitores da Madeira.

O PCP nunca tem nada para investigar, reflectir, descobrir. Já sabem tudo, carregam às costas milhares de anos de opressão e imperialismos. Depois de tão sacrificial caminhada, o mundo tornou-se simples, viver é agora fácil: existem os comunistas e os seus livros, as suas memórias e a sua fé – o resto é o Diabo à solta, esse mestre do ultra-liberalismo que nem Deus consegue domar.

6 thoughts on “Diabo à solta”

  1. o jardim e o ppd da madeira ultrapassaram o pcp pela esquerda e instalaram o comunismo na ilha. o que é que os comunistas têm pra dar aos madeirenses que o bananeiro não dê? o único comuna que até agora compreendeu isto foi o nogueira da fenprof.

  2. O bloco já foi…
    A CDU vai a seguir.

    Começou pelo PAN (Partido dos Animais e da Natureza) que desmascarou a palhaçada dos Verdes. Seguirá pela evidente conclusão que dali nada mais se espera.

    Isto na Madeira… no Contenente é diferente, certamente…

    Saudações
    EM

  3. “o que é que os comunistas têm pra dar aos madeirenses que o bananeiro não dê?”

    De facto…

    No capítulo “centralismo democrático” são iguais.
    No capítulo amplas liberdades são iguais.
    No capítulo “vamos chupar as tetas do Estado” o Jerónimo é menino de coro.
    No capítulo ódio ao governo de Lisboa, são iguais.
    No capítulo ódio aos socialistas, são iguais.
    No capítulo festas são quase iguais (mais palhaço, menos palhaço).

    Talve a Odete Santos…

  4. Boa sapo cocas.
    Mas como é que vocês querem que Jerónimo faça uma análise do que quer que seja. Se o homem não é analfabeto pouco falta. E que me conste não frequentou as novas oportunidades. Daí ver um estúpido daqueles a pensar é mais difícil do que ver um porco a andar de bicicleta.

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