Fait divers passivo-agressivos

O vídeo não mostra o início do episódio. Antes de Seguro falar, Anabela Neves entrou na emissão a dar conta da sua surpresa por ainda ter trabalho a fazer quando o PS já tinha mandado todos os jornalistas embora. Depois de Seguro proferir a sua declaração, lançou-lhe uma pergunta armadilhada que pretendia obrigá-lo a reconhecer a anomalia daquela sua intervenção imprevista e tão tardia na noite eleitoral. A resposta de Seguro é um fartote de sonsice.

Começa por mostrar que não admitia à jornalista a alusão à possibilidade de ter cometido qualquer falha. Isso foi transmitido apenas com o corpo, primeiro através de um esgar que simulava espanto quando ouviu a palavra “erro”, e depois através de movimentos incontroláveis dos olhos e dos lábios quando a pergunta foi repetida ipsis verbis. Mas donde veio a necessidade de se repetir a pergunta? Veio do ataque de Seguro à própria Anabela, insinuando que ela tinha sido tão confusa na formulação da questão que nada se tinha percebido. Esta táctica é poderosa, especialmente em contextos tão marcados pela efemeridade dos diálogos, pois obriga o interlocutor a refazer a questão, usando outras palavras num contexto onde recebeu censura pública de uma figura com autoridade. Trata-se, pois, de uma humilhação. Do lado de quem assim se defende, o propósito é o de evitar responder à pergunta inicial e ainda exibir controlo.

O momento mais significativo desta lógica afectiva e subtextual acontece quando Anabela Neves procura reconstruir o que tinha dito segundos antes só para ser interrompida assim que Seguro viu um brecha para lhe anular a tentativa. Felizmente, ela não se intimidou e conseguiu reproduzir exactamente o tinha dito. Seguiu-se uma justificação manhosa que deu razão à intuição da jornalista: Seguro terá levado um puxão de orelhas de alguém por não ter aparecido a dar a cara pelos resultados na Madeira e veio falar a toque de caixa.

15 thoughts on “Fait divers passivo-agressivos”

  1. Isto não é um fait-divers, mas é muito agressivo para o estado da democracia em Portugal:
    http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&id=87606

    A conversão dos ímpios pelo…Estado. E é se queres emprego.
    A AAP (Associação Ateísta Portuguesa) lá protestou como pôde, mas isto está mesmo a a ficar estranho…

    “Senhor Ministro:
    A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com a seguinte notícia: «Mais de 50 dos 401 jovens e adultos que estão a realizar o curso de formação para a Guarda Nacional Republicana (GNR), em Portalegre, inscreveram-se para receber os sacramentos de iniciação cristã: baptismo, confirmação e eucaristia».

    Claro que onde está escrito «cristã» deve ler-se «católica». Surpreende esta onda de fé que percorreu os recrutas da GNR, este chamamento divino antes das classificações do curso, mas adivinhamos a astúcia pia.

    Se não estivessem a ser catequizados pelos capelães e o bispo, este com a patente de major-general, todos pagos pelo erário público, e se os futuros soldados da GNR não temessem pelos empregos se recusassem o incenso e a água benta , a onda de fé talvez não os tivesse atingido.

    A AAP lamenta que o comandante-geral da GNR tenha considerado a cerimónia litúrgica uma forma de «continuidade» à aprendizagem dos candidatos. Ficamos sem saber se a Sé de Portalegre passou a ser caserna da GNR ou se o quartel da GNR se transformou na sacristia da Sé.

    A propaganda religiosa e, quiçá, a coacção psicológica sobre quem está a ser avaliado para um emprego, são inaceitáveis. Violam a ética, a independência e a dignidade de um estado laico, bem como a liberdade religiosa.

    Em face do exposto, a Associação Ateísta Portuguesa, solicita ao Sr. Ministro que se digne informar esta associação se a violação grosseira da ética e da liberdade religiosa teve o aval do ministério que tutela e, caso contrário, como pensa evitar a reincidência.

    Aguardando resposta, apresentamos-lhe os nossos melhores cumprimentos.

    Odivelas, 10 de Outubro de 2011”

  2. lá isso é verdade, mas no psd tamém foi um desconhecido que botou palavra sem direirto a perguntas, não estava lá ninguém e o passos não apareceu, mas aqui não havia anabelas-risonhas-agora-é-que-eu-te-fodi. acho normal, faz parte do jogo da filha-da-putice, a sic não merece mais e a jornalista que passe a fazer perguntas com interesse.

  3. Jornaleirice barata, esta gente está convencida de quê?
    Eles estão lá para ouvir e não tecer comentários personalizados.
    Por estas e outras temos, por enquanto uma caterva de anedotas com microfone na mão…..somos os maiores.
    Esta gajada esquece-se que ali são simplesmente “o moços de recado para levar a mensagem”.
    Sonso ou não Seguro esteve bem.

  4. Essa coisa da Ética

    Quando nos arrogamos o direito de obrigar outros a rubricar um documento onde está escrito um compromisso ético (?), mostramos o que nos vai na alma. Parte do princípio que as pessoas não têm ética ou valores suficientes para exercer cargos políticos. Catalogou as pessoas, que escolheu para o acompanharem, como seres acéfalos e destituídos de principios, pessoas desconhecidas mas por ele escolhidas, pois não lhes conhece os seus valores mais básicos, não lhes reconhece competência moral suficiente para o desempenho de putativos cargos políticos. A solução passa assim por obrigar os seus escolhidos a terem um comportamento ético no futuro.
    Ter uma postura ética ou moralmente aceitável não se decreta e muito menos se adquire com a assinatura de um qualquer documento. Vamos mesmo imaginar um político corrupto a quem lhe impusessem este documento. Assiná-lo-ia? claro que sim. Deixaria de ser corrupto? Claro que não. A sua condição de corrupto, logo pessoa menos séria, iria fazê-lo assinar este compromisso ético e ser também um dos seus maiores defensores.
    Ter uma postura ética é endógeno. Durante o desenvolvimento como pessoa existem caminhos que são escolhidos e outros que são rejeitados. Se existe alguma influência externa? Certamente que sim, mas cabe à personalidade de cada um a aplicação dos seus próprios valores
    Por fim, está dentro do comportamento ético a apresentação de um documento destes? Para quem tem uma conduta séria e sentido (neste caso) de Estado, não. Na política vale quase tudo, mas não tudo

  5. Edie,

    O que é isso, minha senhora? Está assustada com a “subversão” católica entre as praças GNR? Ou talvez a arvorar-se em pro-pagandista não-solicitada da judiaria ateísta neste blogue? Ou simplesmente a dar um ar da sua muito apreciada graça de altos e baixos? “Impios”?, que ímpios, adorável senhora? E o que é que a minha dona viu de coercivo (“e é se queres emprego”) nessa história?

    Se não se importa, abra-a com cuidado, svp. Isto ainda não está completamente na mão das odaliscas, fica aqui a advertência. E adorei o seu transporte à borla para o sorriso da Câncio. De facto a senhora apresenta-se como o convite de cabeça ao lado mais sugestivo do século para a pirocada do milénio.

    anonimo,

    Escreves tão mal, relaxada. Os teus melhores comentários (todos eles sofríveis) são mais raros que o cancro da prostata no cão, que não é assim tão raro, apresso-me a dizere. Não há por isso nenhumna necessidade de matares por vergonha.

    E ando eu a desperdiçar tempo e talento com esta gente.

  6. Kalimatanas, cada vez fedes mais a reaccionarismo. Agora a denúncia de que o Estado anda a evangelizar candidatos a cargos na função pública é uma cabala judaica??? (ai os judeus, ai, ai…)

    E não te preocupes com o desperdício do que não tens. Sobra-te é cada vez mais histeria.

  7. Mas será que o PS não entende que com Seguro no cargo o partido jamais volta a ser poder. O BE e o PCP já eram o seguro de vida da direita. Parace que agora arranjaram outro Seguro vitalício.

  8. Edie,

    Só me chamaste nomes e falaste em cheiros, mas preço do pargo nada. Ora, isso não vale. Evangelizar por evangelizar é mais de aceitar duma religião que duma mulher com opções políticas muito impressionada por uma carta de “protesto” duma associação ateista que não tem mais nada que fazer para explicar algum subsídio, não achas? E repara neles, esses amanuenses da “matéria”, preocupadíssimos que alguém vá confundir cristãos com católicos, provavelmente com receio que voasse um protesto qualquer da embaixada da Suécia. Pelintras.

    E andas assim tão preocupada com correntes de ar da Igreja? Eu não, e tenho a certeza que já não rezo o padre nosso há mais anos que tu tens de vida, já para não falar de vários cursos ímpios tirados à noite. Acho ridículo alguém preocupar-se com o oitavito duma recruta de guardas republicanos se tornar cristão num país que em qualquer enciclopédia é capaz de ser referido como sendo 90 por cento cristão.

    E não é tanto cabala, camarada socialista, é mais ignorância ao serviço involuntário de cabalas. Pequena diferença, but every little bit helps.

  9. Quanto a nomes, estamos quites. Qual foi a parte de ser o Estado a pagar estes actos da igreja que não percebeste? E ainda por cima os candidatos têm de declarar as convicções religiosas para poder aderir ao Programa.

    De resto, a mim não me impressionam as correntes de ar de religião nenhuma (impressionou-me, sim, a notícia) – tu é que ficaste todo comichoso com os ateus e os judeus. Ora eu até não sou ateia, vê lá tu, como te confundes… Por vezes gosto de brincar a ser a teia. Lá isso, admito.

  10. Percebi tudo. Querias missa à borliu, não? Casamentos, baptismos, etc? Se eu fosse fazer uma lista de todas as coisas que o Estado paga a gajos e gajas que não fazem puta, dava para encher alcofa.

    E não ligas a religiões nenhumas mas não és ateia. Surprise, surprise, lote 12 das opções. Então terás um pico anti-católico nesse calcanhar que precisa de urgente extracção, doutro modo podes ser tudo menos imparcial.
    Obrigado pela atenção dispensada.

  11. Então as igrejas não estão separadas do Estado?
    A constitução portuguesa diz que sim….

    Artigo 41.º
    Liberdade de consciência, de religião e de culto
    1. A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável.

    2. Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa.

    3. Ninguém pode ser perguntado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou prática religiosa, salvo para recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis, nem ser prejudicado por se recusar a responder.

    4. As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.

    5. É garantida a liberdade de ensino de qualquer religião praticado no âmbito da respectiva confissão, bem como a utilização de meios de comunicação social próprios para o prosseguimento das suas actividades.

    6. É garantido o direito à objecção de consciência, nos termos da lei

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