PSD e CDS, moral e intelectualmente decadentes, atiçaram o populismo e espalharam calúnias atrás de calúnias, e promessas falsas atrás de promessas falsas, para assim chegarem ao poder custasse o que nos custasse. Um dos alvos foi, e continua a ser, as PPP. A ideia que propagaram diz que esses contratos foram celebrados para burlar o Estado. Os beneficiários seriam as empresas envolvidas e os governantes socialistas. Nunca falam de governantes social-democratas ou populares, embora as PPP tenham começado com Cavaco.
Ranhosos e imbecis, broncos e analfabrutos, passaram a repetir essa cassete. Engolem agradecidos qualquer côdea que lhes ponham na gamela desde que ela permita alimentar a sua impotência, o seu imobilismo. A imagem de socialistas corruptos a meterem ao bolso como se o Estado fosse um enorme BPN é hipnótica para um país onde a iliteracia e a baixíssima cidadania são marcas seculares. Só vem confirmar o que desde sempre se repetiu em voz alta em cafés e praças de táxis: eles andam todos a gamar, o tempo todo – e os piores são os de esquerda, porque os de direita nem sequer fingem ao que andam, conclui o povoléu ao balcão entre dois amendoins.
Ora, porque será que não aparecem no Correio da Manhã excertos desses contratos com as tais cláusulas da festança expostas e as continhas feitas para todos ficarmos a saber quanto é que foi roubado e por quem? O laranjal não consegue dar com a papelada? Foram acordos de boca e ninguém assinou coisa nenhuma? Como é óbvio, óbvio em todos os países e tempos, os negócios do Estado estão sempre sob a atenção de variadas entidades, com variadas metodologias de análise e variadas agendas. Se até onde há pouco dinheiro a correr a corrupção é estatisticamente inevitável, quanto mais onde há muito. Bastaria relembrar os casos de corrupção na União Europeia, ao mais alto nível, para ninguém ter ilusões: eles podem muito bem ter acontecido nalgumas, quiçá muitas, PPP. Mas quais, se alguma? E por quem, se alguém?
Aqueles que repetem a lengalenga das PPP, onde se inclui muito jornalista que também nada explica ou demonstra mas onde o semblante carregado vale por mil documentos validados em tribunal, já só querem ver o Estado de direito a arder.
