Arquivo da Categoria: Valupi

Da série “Com o PSD no poder, o Ministério Público investiga quem nós quisermos”

O deputado Carlos Abreu Morim (PSD) elogiou hoje no Parlamento a atuação e a autonomia do Ministério Público (MP), no que foi visto como uma defesa de Joana Marques Vidal, procuradora-geral da República (PGR), face às críticas que José Sócrates fez nos últimos dois dias na entrevista concedida à TVI.

“Não posso passar ao lado do atual momento da Justiça e quero dizer que o PSD está muito satisfeito com o profissionalismo da atividade do MP. O PSD estará sempre ao lado de todas as propostas que visem melhorar o MP e reforçar a sua autonomia”, afirmou o deputado social-democrata.

PSD elogia profissionalismo e defende autonomia do Ministério Público

Maravilhas do jornalismo de referência

José Sócrates deu uma entrevista de dois dias à mesma TVI. Grande assunto? Quando diz que a sua vida em Paris foi investigada pelo ‘Correio da Manhã’, omitindo que foi o correspondente do Expresso, Daniel Ribeiro, o primeiro a relatar a sua vida de luxo na capital francesa não vale a pena ir a jogo. De resto, o ex-primeiro-ministro repetiu um conjunto de teorias de conspiração irrebatíveis quando não se conhece o processo. O mais caricato (e talvez o mais significativo) foi o ter-se comparado a Afonso Costa e, no estilo de dividir o país entre ele e o outros, atacar a direita, Santana Lopes e Cavaco e enviar recados a António Costa (que não lhe responde), a Teixeira dos Santos, à PGR e à Justiça e glorificar-se ou endeusar-se à mistura com uma vitimização. Na frente política atacou a indefinição do PS sobre as presidenciais, dizendo que favorece objetivamente Marcelo. De resto pode ler o que Ricardo Costa entende como uma armadilha de Sócrates ao PS.

HENRIQUE MONTEIRO

__

Este crânio ofuscante está aqui a disputar com o Correio da Manhã o título de maior porcalhão no jornalismo português, tendo ficado sentido por Sócrates se ter esquecido do Expresso. E embora ele não seja explícito a respeito do “relato” que invoca, o pasquim do mano Costa devia mesmo republicar a “reportagem” do Daniel Ribeiro feita em Paris pois ela consiste num exercício vergonhoso de devassa que tem sempre público e aplausos na nossa sociedade dominada pela indústria da calúnia. E para quê terem feito o que fizeram? Qual foi o resultado da “investigação” feita à casa onde Sócrates dormia e aos restaurantes onde comia? Só esta juliana de pulhices: sensacionalismo, moralismo hipócrita e pindérico, demagogia populista.

Na altura escrevi isto – Até tu, Expresso? – e hoje aparece o Monteiro, o tal que se recusou a desmontar a Inventona de Belém, a despejar mais um balde do seu ódio asinino para cima da história daquele que já foi, há muitos e muitos anos, um jornal de referência.

Ventoinhas de merda

Em declarações à Lusa, António Ventinhas salientou a necessidade de os portugueses decidirem se querem "perseguir políticos corruptos, se querem acreditar nos polícias ou nos ladrões, ou em quem investiga ou nos corruptos".

Magistrados respondem a Sócrates: MP não é “associação criminosa”

__

As declarações de António Ventinhas, surgidas como resposta a declarações de um arguido, o qual acumula com ter sido ex-secretário-geral do PS e ex-primeiro-ministro, acerca de um processo pejado de indiscutíveis anomalias e crimes, são em si um caso de polícia. O que ele está a declarar pressupõe que conhece o processo e que está em condições de antecipar o seu desfecho em tribunal. Como é tal possível? E se não conhece o processo na sua integralidade, ou se não está em condições de se substituir ao juízo de eventuais juízes, em que papel é que faz as afirmações em causa? Será ainda como magistrado? Ou apenas como sindicalista? Ou?

Na passagem citada, e independentemente do seu contexto, o sentido é unívoco. Ventinhas espalha a falácia de termos de escolher entre um sistema de Justiça acima da lei, onde não haja crítica nem sindicância dos seus procedimentos, e a cumplicidade com os criminosos. Este é um discurso tecnicamente fascista e marca-d’água de uma tentação justiceira e ditatorial. É a apologia da abolição do Estado de direito, trocado pelo archote, a forquilha e a corda. De caminho, atribui a Sócrates a condição de corrupto e ladrão. Outras afirmações que aparecem publicadas são ostensivas referências à Operação Marquês e à imagem de Sócrates criada pelas violações do segredo de Justiça.

A ideia de que o número de juízes que já se pronunciaram contra as pretensões da defesa de Sócrates faz prova pela sua quantidade, vinda de um grunho, não surpreende nem incomoda. Um grunho é um grunho é um grunho. Vinda de um magistrado, deve assustar. Um magistrado que concebe a Justiça como a lei do mais forte e não como a defesa do mais fraco, que somos todos nós no confronto com as instituições, mete medo e pede tolerância zero para a cultura de abuso de poder onde se julga impune quem nos trata como gado para abate.

__

ADENDA

Mas nessa mesma entrevista há mais, e mais assombroso. António Ventinhas, na qualidade de representante da classe, dá-se ao luxo de ignorar dois acordãos do TC e de se armar em legislador e juiz para dizer isto “é isso que o MP pretende fazer: exercer a ação penal contra aqueles que obtiveram elevadas verbas sem que os seus rendimentos o comportem, sendo certo que exerceram funções públicas e portanto obtiveram elevadas verbas pela prática de atos ilícitos”. Aqui está, Ventinhas, de uma penada, cria o crime de enriquecimento injustificado e julga ilícitos quaisquer actos praticados. E se se espezinha assim o estado de direito numa entrevista pública, urbi et orbi, poderei concluir, à laia de ventinhas, com um portanto e tudo, que no recato dos gabinetes os abusos e atropelos serão de nos deixar mais pasmados ainda.

Oferta da nossa amiga Teresa

Fedor na cidade

Tóino Babuíno Cabeleira
Fonte

__

António Balbino Caldeira é lido e recomendado pelos direitolas talibãs; como o Zé Manel e a Helena Matos, por exemplo. Para além disso, que não é pouco dada a influência desses cromos no ecossistema mediático, estamos também perante alguém que conseguiu transformar uma paixão funesta num livro que já vai na 2ª edição. Parabéns, boa sorte, e confesso não me ocorrer mais nada a respeito da criatura.

Na semana passada, esta alimária resolveu pedir aos seus leitores para lerem um texto que escrevi sem fazer qualquer ideia de que teria tal destino. O destino de ser usado por um maluquinho para alimentar a sua doença. Porque estamos em território psicótico, haja ou não diagnóstico clínico. Aliás, não será um acaso que este tipo de manifestações paranóides e alucinadas se encontre com facilidade na direita, pois a estruturação ideológica respectiva favorece o isolamento individual; por contraposição com as mesmas tendências ocorrendo na esquerda, onde as vítimas mais provavelmente se organizam gregariamente, assim diluindo o impacto doentio ou acabando mesmo por substituí-lo pelo sentimento de pertença. O PCP é um modelo perfeito deste fenómeno, tendo canalizado a alienação dos seus militantes e simpatizantes para o messianismo sectário desde o 25 de Novembro. Daí a tão importante alteração ocorrida neste partido após as eleições legislativas de 2015 com a aceitação do regime e da soberania democrática, cujas consequências são imprevistas até para os próprios comunistas, acrescento en passant.

Pois o infeliz acima pendurado, na viragem para 2016, continua a sonhar-me como máscara do Jacinto Lucas Pires. Aposto que será a excitação desse delírio a solitária causa que o leva a colocar-me na sua montra. Acontece que o episódio tem interesse para além da dimensão pateticamente anedótica onde quase se esgota. Poderia inserir-se numa infografia onde se registasse a repetição desse boato velho de 6 ou 7 anos, permitindo ver quem, e quantas vezes, o propagou. Veríamos que surge como sintoma de uma atitude genérica onde o discurso do ódio molda a cognição. Factualmente, este babuíno do Caldeira não saberia o que dizer se tivesse de provar a associação entre “Valupi” e “Jacinto Lucas Pires”. Todavia, ao vislumbrar uma vantagem em sugerir que está na posse de um conhecimento acerca da minha identidade de registo civil, ele expõe a fantasia em que prefere habitar e onde se imagina um espertalhão. E se tais predicados chegarão para a manutenção da sua fama junto de passarões decadentes e fanáticos do calibre do Zé Manel e da Helena Matos, talvez o próprio Jacinto Lucas Pires não ache graça ao abuso que está a ser feito com o seu nome.

Já por várias vezes, aqui no Aspirina B, pedi aos broncos para terem um bocadinho de respeito por si próprios e mudarem de cassete. Isto porque cheguei a encontrar-me presencialmente, in illo tempore, com figuras gradas da blogosfera direitola de outrora, como Duarte Schmidt Lino, Eduardo Nogueira Pinto e João Távora. O Carlos Santos, trágica figura explorada pelos pulhas, recebeu por escrito os meus dados pessoais relativos a nome e profissão. Estive em duas sessões do “Blogue dos Cafés” onde me apresentei e passeei num espaço onde estava a Carla Quevedo, o maradona, a Fátima Rolo Duarte, o Luis M. Jorge e o Manuel Falcão, entre outros autores blogosféricos. O Luis Rainha e o Nuno Ramos de Almeida poderiam atestar que entre mim e o Jacinto há espectaculares diferenças para além do estilo de escrita. Outras pessoas notáveis da blogosfera política que tive a sorte e a honra de ir conhecendo pessoalmente poderiam também largar gargalhadas de incredulidade perante a longevidade do boato. Logo, não se trata de existir algo de interessante a respeito de dimensões e facetas minhas que extravasem este exercício de escrita, e não há nada pois sou um monumento à banalidade, mas sim de existir um grupo de pessoas que por pulsão incontrolada, ou por intenção planeada, conspurcam o espaço público com difamações e calúnias que degradam e pervertem a cidade.

No que diga respeito ao envenenamento da racionalidade democrática, este António Balbino Caldeira, apesar do livro que anda a oferecer e do blogue lido por profissionais da indústria do ódio, não passa de arraia-miúda. Muito mais grave, e ficando como paradigma do uso da mentira como terrorismo político, é o caso do Pacheco Pereira. A gravidade neste espécimen aparece em relação directa com os seus ostentados méritos morais e capacidades intelectuais. Para ir directamente ao episódio que conheço melhor, foi do alto de uma posição de prestígio que o Pacheco recebeu dinheiro para escrever na imprensa que em alguns blogues, este incluído, estavam colaboradores e membros do Governo de Sócrates. Não fez prova de nada, e de nada se desculpou, assim deixando a calúnia intacta, operativa. E meteu o dinheirinho ao bolso. Para mim, nesse momento o Pacheco ganhou o estatuto de perigoso crápula. Desde aí, de cada vez que o calhe ouvir ou ler a expressar algo com que possa concordar, mais forte é a convicção, nascida logo na alvorada da democracia na Grécia, de que um dos maiores perigos para a liberdade e a coesão da comunidade vem dos caluniadores.

Não existe um Correio da Manhã na esquerda. Não há publicistas ligados ao PS que façam dos assassinatos de carácter e da intoxicação sistemática a sua estratégia de intervenção pública. A direita portuguesa, por estar numa fase decadente, cheira mal e mete dó. Mas o fedor é tal que não há dó que aguente.

No jornal que lançou a Inventona de Belém

É certo que Cavaco Silva tem as suas peculiaridades: não é um comunicador nato, tem falta de jeito para a mediatização, aparenta timidez para quem tem longa experiência política. Mas nenhuma das suas atitudes no exercício do cargo de Presidente esteve para além do guião constitucional do mais alto magistrado e árbitro do sistema político. Nem quando vetou leis e polemizou, por isso, com José Sócrates. Nem quando dissolveu o Parlamento após a demissão do primeiro-ministro socialista face à coligação negativa que chumbou o PEC IV na Assembleia da República. Nem quando tentou fazer uma grande coligação de governo que juntasse o PSD, o PS e o CDS. Nem quando procurou que o PCP e o BE ficassem fora do “arco da governação”.

Por muita que tenha sido a tensão política que, por exemplo, assolou o país após a crise da revogável demissão irrevogável de Paulo Portas, ou a que se viveu quando da queda do segundo Governo de Passos Coelho derrubado pela moção de censura da esquerda, em nenhum momento Cavaco Silva ultrapassou os limites constitucionais do seu cargo. E por muito inusitada que pareça a tensão, ela não ultrapassa o clima de confronto que se viveu já com outros presidentes.


SÃO JOSÉ ALMEIDA

Vamos lá a saber

Depois de 7 anos seguidos montados nas mentiras eleitorais e governativas, nas calúnias e assassinatos de carácter, nas golpadas mediáticas e judiciais, no ódio aos socialistas e no desprezo pelos portugueses, o que irão os direitolas arranjar para fazer oposição?

Cineterapia

FOR SUNDAY - Brooklyn lawyer James Donovan (Tom Hanks) is an ordinary man placed in extraordinary circumstances in DreamWorks Pictures/Fox 2000 Pictures' dramatic thriller BRIDGE OF SPIES, directed by Steven Spielberg. FILM STILL - PHOTO: Jaap Buitendijk
Bridge of Spies_Steven Spielberg

Gostar muito, pouco ou nada deste filme depende da hermenêutica. Porque estamos perante uma obra que se inscreve na tradição sapiencial judaica, aqui embrulhada numa falsa história de espiões baseada numa verdadeira história de espionagem. Pelo que o mais provável é não gostar do filme, ou gostar só até onde o barulho das luzes permitir.

Antes da sessão começar, umas cadeiras ao meu lado, estava um grupo de 8 mamíferos que iam comendo pipocas e largando alarvidades sem parar. Ao chegar o intervalo, parte deles tinha adormecido e os restantes culpavam-se pela escolha do filme. Bazaram para meu alívio antes das luzes se voltarem a apagar. E não perderam nada, pois nada iriam compreender, nem sequer entender, de um filme cuja temática central é o Estado de direito e aquilo que o perverte ou salva.

O herói spielbergiano, advogado de profissão, começa a revelar a sua natureza num diálogo inicial onde se mostra inabalável na defesa dos interesses das seguradoras. Não é do interesse das seguradoras fazer o bem sem olhar a quem, pois indo por aí desapareciam. As seguradoras têm de se proteger, pagando o mínimo possível. Que nos diz esta cena? O que cada um quiser, se ainda se lembrar dela quando estiverem a passar os créditos finais. Para mim, é uma chave para ir abrindo os sucessivos salões da narrativa. Neles, o nosso herói limita-se a ser banal. Só que ao serviço do bem. Tão serviçal se revela nessa função que chega a arriscar a sua carreira profissional e a segurança da sua família. E ao voltar a casa, depois da missão cumprida em glória, a sua mulher tem a certeza de que o homem que regressou da aventura é exactamente o mesmo que partiu. O mesmo tipo, agora a roncar esmagado pelo cansaço em cima da cama. A tal fulano que vai de metro para o emprego, na última cena, e se entrega ao calor do Sol para celebrar a sua contradição, essa banal vaidade de uma banal pessoa que agiu de forma exemplar. Perfeita. A perfeição de colocar a sua vida em risco para salvar a vida do seu próximo – fosse ele quem fosse e quando fosse. Stoikiy muzhik, ou a coragem da decência, para citar o diálogo principal que fica como instantâneo clássico cinéfilo. Foi daqui que nasceu, ao longo dos séculos, a essência do Estado de direito.

O que é o Estado de direito? É o ponto de equilíbrio entre a coerção da comunidade e a liberdade do indivíduo. É o modelo que promove a diminuição da violência entre cidadãos ao definir a Justiça como uma obra colectiva. Daí estar na democracia o regime que realiza plenamente o potencial do Estado de direito para concretizar a liberdade de todos por igual. Em Portugal, como consequência tanto da crise começada em 2008 como da decadência da actual direita, temos assistido a continuados ataques ao Estado de direito. Esses ataques vêm de poderes fácticos, como órgãos de comunicação social, e de poderes políticos institucionalizados, como partidos, Governo e até Presidência da República. Nesse sentido, este filme tem particular importância para uma parte do público português. A parte que não adormeça com a pança cheia de pipocas.

Revolution through evolution

Male and Female Brains Are Basically the Same
.
Environment Can’t Be Saved While Women Are Second-Class Citizens, Says New Book
.
Live together or get married? Study finds similar emotional benefits
.
A community may benefit from white lies
.
Sense of purpose in life linked to lower mortality and cardiovascular risk
.
Risk-takers are smarter, according to a new study
.
What Is Left of Our Democratic Ambitions?
Continuar a lerRevolution through evolution

É do caralho, ó Carvalho

Alguém no Público pensou que Augusto Santos Silva merecia um perfil. Outro alguém, que poderá ter sido o mesmo alguém num momento subsequente, pensou que não haveria melhor jornalista para a função do que o Manuel Carvalho. Esta é a hipótese benigna. Porque pode ter sido de outra forma. Alguém a pensar que Manuel Carvalho merecia fazer o perfil de Augusto Santos Silva. E ainda há uma terceira possibilidade. O alguém de quem estamos a falar em todas estas variantes ser sempre e só o Manuel Carvalho.

Eis que a obra existe – O “príncipe” que nenhum líder do PS ousou dispensar – sendo chata e comprida. Todavia, apresenta uma notável contenção logística. O Manuel Carvalho consegue a proeza de fazer o perfil recorrendo apenas a três pessoas: a sua, a do Paulo Rangel e a da Maria Filomena Mónica, esta última só em versão cereja no cume da coisa. Na prática, é uma tarefa a mielas entre um assanhado antisocrático pago pelo pequeno Público e um furioso antisocrático pago pelo grande público.

Sem surpresa, um e outro projectam em Santos Silva o que concebem ser a política. Para o Manuel Carvalho, a política é uma cena maquiavélica, daí o “príncipe” no título. E que acha este bom homem do que seja o maquiavelismo? Pois será algo que mete conspirações, veneno, violência. Um misto de Sopranos com Guerra dos Tronos. Para ele, Santos Silva apresenta essas capacidades, e gosto, tendo um vasto currículo nessa prática detestável que os políticos, especialmente os socialistas, e particularmente alguns socialistas, exibem. Para o Paulo Rangel – o nosso inesquecível paladino do Estado de direito, o qual defendeu heroicamente em Estrasburgo, onde deu a honra e a honestidade intelectual por uma crónica pestilenta e doente do Crespo – tudo se resume a desqualificar moralmente o adversário, recorrendo à facilidade com que vai buscar ao interior a sujidade que se pretende espalhar no exterior. Ouvir ou ler Rangel a falar de Santos Silva deixa-nos com a sensação melindrosa de estarmos na mesma sala com ele enquanto vai discorrendo sobre o seu passado e ambições futuras de costas coladas ao divã do dr. Freud.

Curiosamente, a ida de Santos Silva para o Governo é uma surpresa. E o facto de ser ele o número 2 do Executivo é uma grande surpresa. Pelo que diz de Costa, não tanto pelos variegados méritos de Santos Silva. Não se pode é contar com o Manuel Carvalho, nem o Público, para analisar porquê. O narcisismo bronco e sectário deste tipo de jornalismo merece acabar mal.

Isto sim, isto é um politólogo, cambada

Como politólogo, como definiria António Costa?

Não o conheço a ponto de perceber quais são as suas convicções. Pelo que eu vi até agora, Costa não é um homem com uma cultura política, económica ou literária particular. Só posso julgá-lo pela sua conduta desde que assumiu funções políticas nacionais em outono de 2014. E a partir daí o que vi foi um homem obcecado com o poder e disponível para se apropriar da ideologia, do saco de ideias, que lhe proporcionasse a obtenção do poder. Neste caso foi a extrema-esquerda, mas não sei o que ele teria feito noutra conjuntura.


“António Costa é o primeiro-ministro da extrema-esquerda”

Colossal aumento da falta de vergonha

Depois de rebater o argumento de que a austeridade imposta pelo PSD/CDS tem uma raiz ideológica, Passos Coelho disse esperar que “o excesso de voluntarismo que parece querer acelerar o ritmo de remoção de tais medidas não venha a acarretar novos sacrifícios”.

“As medidas que se pré-anunciam com apoio socialista e comunista só podem afastar investidores e agentes económicos, penalizando o crescimento do PIB potencial e dificultando a eficácia da política orçamental, o que se reflectirá negativamente nas políticas públicas e na carga fiscal a suportar pelos contribuintes”, advertiu.


Passos alerta para risco de aumento de impostos

Direitola à janela

O povo saiu à rua no dia 4 de Outubro de 2015 e escolheu o dr. Passos Coelho para primeiro-ministro. O povo queria que ele fosse para o Governo executar as medidas do programa eleitoral do PS, mais as medidas que PS, BE e PCP se lembrassem de aprovar em conjunto, ao mesmo tempo em que ficaria a ver as medidas do PSD e do CDS serem chumbadas sistematicamente pela oposição. Era isto que o povo queria. E foi isto que o ladrão do Costa roubou ao povo. Como bem observou o dr. Ricardo Salgado, só vejo aldrabões à nossa volta.

O Celso, esse bacano

O Celso, pá. Mais um Costa. De Massamá, topa-me a dupla ironia. Agora, de Raqqa e do Al-Andalus. Mas é mais Massamá. Apesar de tudo, cabendo tudo neste tudo, Massamá for ever. Podemos confirmar esse destino graças ao ExpressoVídeo de dois jiadistas portugueses lançado na véspera dos atentados em Paris – onde o Celso aparece com o irmão Edgar e os seus novos amigos. Malta fixe como poucos e, espera-se, cada vez menos.

Trata-se de um vídeo de propaganda do “Estado Islâmico” e nele celebra-se o que há de mais humano na natureza humana, a imaginação. O nosso Celso espalha simpatia e graça ao contar como, na sua imaginação, ele se tornou invencível. Não há soldados sírios que o assustem, por mais especiais de corrida que sejam. Ele quando os encontra rouba-lhes as armas, entre outras tropelias não descritas. Não há bombas a cair do céu que lhe tirem o brilho ao sorriso. Não há exércitos neste mundo que se atrevam a ir àquela ruela ameaçar a sua valentia sentada e perneta.

No vídeo também se vêem crianças felizes e contentes, à mistura com aquilo que talvez seja a preparação de uma chanfana de cabra. Ou seja, estamos perante um grupo de pessoas que mostra estar em paz com a sua consciência e a passar por uma fase das suas vidas onde reina o entusiasmo e uma inabalável confiança nas competências próprias.

Quanto a isso de, muito provavelmente, o nosso Celso não fazer ideia de como foi ali parar nem qual o sentido do que anda a fazer, apetece-me enviar-lhe estas palavras do filme The Shawshank Redemption. Talvez ainda cheguem a tempo.

1967 Parole Hearings Man: Ellis Boyd Redding, your files say you've served 40 years of a life sentence. Do you feel you've been rehabilitated?
Red: Rehabilitated? Well, now let me see. You know, I don't have any idea what that means.
1967 Parole Hearings Man: Well, it means that you're ready to rejoin society...
Red: I know what you think it means, sonny. To me, it's just a made up word. A politician's word, so young fellas like yourself can wear a suit and a tie, and have a job. What do you really want to know? Am I sorry for what I did?
1967 Parole Hearings Man: Well, are you?
Red: There's not a day goes by I don't feel regret. Not because I'm in here, because you think I should. I look back on the way I was then: a young, stupid kid who committed that terrible crime. I want to talk to him. I want to try to talk some sense to him, tell him the way things are. But I can't. That kid's long gone, and this old man is all that's left. I got to live with that. Rehabilitated? It's just a bullshit word. So you go on and stamp your form, sonny, and stop wasting my time. Because to tell you the truth, I don't give a shit.

O título que

DN

O DN renovou há umas semanas já largas a sua edição digital e a coisa foi tão bem pensada e tão bem preparada que as caixas delimitadoras de cada notícia não suportam a totalidade de muitos dos títulos escolhidos. Neste exemplo que trago, a toda a linha horizontal isso acontece, e acima e abaixo desta coluna também acontecia isoladamente, criando uma mancha que se parece com o choque frontal entre um jornal escolar e um cadavre exquis.

Como é que erros destes nos chegam ao ecrã? Ou será que não se trata de erro e há alguém no DN que acha bem passar-se a destruir os títulos neste jornal centenário só para defender o triunfo dos quadradinhos? Ou será que ainda não repararam, ocupados como têm estado com o desfecho eleitoral e legislativo?

É fascinante observar como a classe jornalística, frequentada por alguns dos melhores crânios disponíveis neste planeta, ainda não sabe como utilizar os canais digitais 25 anos depois da invenção da Web. A estupidez dos anúncios que se atravessam à frente dos leitores, só para gerarem automáticas respostas de frustração que acabam por causar uma fuga à publicidade ou até a prejudicar os anunciantes, e a ausência de uma hierarquia politica e de uma semiótica contextualizadora na informação, deixando ao leitor o esforço de organizar a escolha do que deve assimilar, explicam a corda na garganta que tantos órgãos da imprensa escrita mantêm desde o começo do século.

A autofagia do DN em relação aos seus títulos acaba por ser a metáfora perfeita para o actual momento da indústria da comunicação social escrita.

__

PS

Já agora, quem é que teve a funesta ideia de colocar as fotografias dos autores num sépia cor de noja? Que mal é que essas pessoas fizeram para merecer tal destratamento?