O título que

DN

O DN renovou há umas semanas já largas a sua edição digital e a coisa foi tão bem pensada e tão bem preparada que as caixas delimitadoras de cada notícia não suportam a totalidade de muitos dos títulos escolhidos. Neste exemplo que trago, a toda a linha horizontal isso acontece, e acima e abaixo desta coluna também acontecia isoladamente, criando uma mancha que se parece com o choque frontal entre um jornal escolar e um cadavre exquis.

Como é que erros destes nos chegam ao ecrã? Ou será que não se trata de erro e há alguém no DN que acha bem passar-se a destruir os títulos neste jornal centenário só para defender o triunfo dos quadradinhos? Ou será que ainda não repararam, ocupados como têm estado com o desfecho eleitoral e legislativo?

É fascinante observar como a classe jornalística, frequentada por alguns dos melhores crânios disponíveis neste planeta, ainda não sabe como utilizar os canais digitais 25 anos depois da invenção da Web. A estupidez dos anúncios que se atravessam à frente dos leitores, só para gerarem automáticas respostas de frustração que acabam por causar uma fuga à publicidade ou até a prejudicar os anunciantes, e a ausência de uma hierarquia politica e de uma semiótica contextualizadora na informação, deixando ao leitor o esforço de organizar a escolha do que deve assimilar, explicam a corda na garganta que tantos órgãos da imprensa escrita mantêm desde o começo do século.

A autofagia do DN em relação aos seus títulos acaba por ser a metáfora perfeita para o actual momento da indústria da comunicação social escrita.

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PS

Já agora, quem é que teve a funesta ideia de colocar as fotografias dos autores num sépia cor de noja? Que mal é que essas pessoas fizeram para merecer tal destratamento?

4 thoughts on “O título que”

  1. mas, mas… não é clickbait?
    segundo sei é a “ultima moda” no marketing digital de conteudos informativos.
    aparentemente para um jornal ser viável na actual conjuntura é isso ou publicar interrogatórios e escutas…

  2. sim, é intencional – uma das manobras cegas do MKT digital, mais uma, em que a qualidade não é levada em consideração. há um imediatismo que despreza a linda lentidão. :-(

    (não sei o que é noja. o que é?)

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