No jornal que lançou a Inventona de Belém

É certo que Cavaco Silva tem as suas peculiaridades: não é um comunicador nato, tem falta de jeito para a mediatização, aparenta timidez para quem tem longa experiência política. Mas nenhuma das suas atitudes no exercício do cargo de Presidente esteve para além do guião constitucional do mais alto magistrado e árbitro do sistema político. Nem quando vetou leis e polemizou, por isso, com José Sócrates. Nem quando dissolveu o Parlamento após a demissão do primeiro-ministro socialista face à coligação negativa que chumbou o PEC IV na Assembleia da República. Nem quando tentou fazer uma grande coligação de governo que juntasse o PSD, o PS e o CDS. Nem quando procurou que o PCP e o BE ficassem fora do “arco da governação”.

Por muita que tenha sido a tensão política que, por exemplo, assolou o país após a crise da revogável demissão irrevogável de Paulo Portas, ou a que se viveu quando da queda do segundo Governo de Passos Coelho derrubado pela moção de censura da esquerda, em nenhum momento Cavaco Silva ultrapassou os limites constitucionais do seu cargo. E por muito inusitada que pareça a tensão, ela não ultrapassa o clima de confronto que se viveu já com outros presidentes.


SÃO JOSÉ ALMEIDA

18 thoughts on “No jornal que lançou a Inventona de Belém”

  1. Pois, é por estas e por outras que os ex-comunistas como a São José Almeida, salvo raríssimas excepções, são alvo de risada na Soeiro Pereira Gomes e um pouco por todos os lares portugueses que não exibirão o estandarte do menino na varanda durante a quadra de Natal. Aliás, nem é lógico analisar o fenómeno cavaquês parcelarmente porque a grande presidência de Mário Soares, por exemplo, foi marcada pelos mandatos de Cavaco Silva… como PM.

    Apesar de a instituição se manter, a verdade é que o jornal da Sonae teve dias e noites carregadas que, no caso da Inventona de Belém, devem ser atribuídas aos homens de mão do presidente e ao aselha do Zé Manel à frente do P., acolitado directamente pelo Luciano Alvarez, embora a São José Almeida numa estratégia típica de sobrevivência tivesse permanecido protegida pela sombra e, eventualmente, ajudado posteriormente à festa. Mas poder-se-á atirar ao alvo durante o governo Sócrates, como tu fazes Val, que encontrarás também vários ecos em gente do PS com idade para ter acompanhado a vida política de Animal Cavaco Silva desde a Figueira da Foz, os dirigentes do PCP e dissidências, do PSR e da UDP e agora do BE que, todos eles, apresentarão motivos de indignação sobre a longa carreira política do algarvio. Em Belém deixa uma «herança vazia» como disse ontem o António Vitorino*, na SIC N, de quem nenhum candidato se quer sequer apropriar. Isto diz tudo sobre o tipo, faz esquecer os panegíricos por mais exóticos que sejam, e nunca tornará comparável Cavaco Silva com os mandatos presidenciais de Eanes, Soares, ou Sampaio.

    * Eis a minha quota trimestral de elogio público ao António Vitorino, agora esgotada.

  2. Ó Val, há coisas melhores do que elogiar ou falar muito no neto arredondado da dona Constança
    (mesmo num dia triste, como hoje).

  3. Ignatz, lateralizando.
    A revista Sábado chega às mesmas conclusões que tu sobre o destino do papel da subvenção oficial do MRPP. Vem aí a camarada Maria José Morgado, ou este pontapé para cima no DCIAP afasta-a de um eventual processo da PGR? idem, o ex-Garcia Pereira que bazou ficará a ver sentadinho os desenhos animados sobre os flintstones de Mao?

  4. Hoje foi dinheiro mal gasto,comprei o jornaleco da Sonae sem me dar ao cuidado do o folhear previamente e bastava ver só as primeiras folhas e antes disso o grande plano laparotal como prenúncio de uma entravista que deve ter tido uma colaboração de uns tantos desamparados do pote.E a cereja para o bolo veio da S.José já devidamente comentada,própria para o sapatinho natalício do que não deixa réstea nem de saudade nem de dignidade.De resto o pasquinzinho está a dar as últimas ,na senda dos congéneres africanos!

  5. Quem me tira a leitura de Vasco Polido Valente leva na tromba.

    É o Vasco mais aquele que saiu do bloco.

    De resto só aqui o Valupi

  6. Pago um café ou mesmo dois a quem revelar o nome próprio desta dama. São José Almeida são apelidos. Deve ter um nome de fugir, já que o esconde sempre. Imagino que seja algo tipo Exupéria, Terebentina ou Berengária.

  7. Estamos na época natalícia. E que tal lembrar que o «sr. Silva» concedeu indulto a um «criminoso perigoso» (2011?).

  8. Cavaco-cavaco, amigos à parte, o homem ficará para a história como o algarvio mais importante de todos os tempos.

  9. Como não há almoços grátis, a profissional de comunicação social junta
    o útil ao agradável e, de caminho resolve dar uma escovadela ao ainda
    presidente na mira de alcançar um reconhecimento de preferência com
    comenda ao peito! Está na linha do elogio que foi feito pelo Passos Lápa-
    ro no último conselho nacional do PSD onde, a admiração por Cavaco é
    tão grande que recomendam ao prof Martelo que lhe siga o exemplo!!!

  10. Valupi, discordo totalmente do que escreve a sra. escriba referenciada, Cavaco foi um presidente totalmente de facção, que nunca representou a totalidade dos portugueses, – ou taxistas já que desde o advento de Gaspar Coelho Irrevogável Portas, o país passou a chamar-se Taxas, um pequeno país em que a taxação ” is bigger than the country itself “, não confundir com o estado americano chamado Texas.
    Melhor dizendo, uma significativa percentagem de portugueses nunca se sentiu representada pelo senhor presidente supra referenciado, a breve trecho, ex-presidente. Adios, que se vaya, não deixa saudades, que vá continuar a escrever os roteiros do bolo-rei .

    Nunca se viu um PR que só condecora pessoas da sua área politica, e preferencialmente conhecidos e amigos pessoais, que ignora personagens de vulto nacional e só pelo facto de serem comunistas – caso de Carlos do Carmo e Saramago, este presumivelmente por ter cometido a deselegância ou quiçá o crime de não o ter avisado da data do falecimento, – e por aí adiante.

    Também não me recordo que algum ex-PR tenha alguma vez proferido palavras tão inacreditáveis como as que dirigiu a desrespeito de dois partidos da representação parlamentar nacional .

    Em suma, um homem fraco, doentio, figura do passado, parolo, elitista, patético , inseguro, impreparado, rancoroso, vingativo, uma lástima e uma tragédia para Portugal, não só como PR, mas sobretudo se tivermos em conta também o consulado como primeiro-ministro .

  11. Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD
    http://www.fmsoares.pt/aeb/biblioteca/indices_resumos/indices/008848.htm

    Não sei se a tua resposta matinal era para mim, mas, para alguém que apresenta notórias dificuldades de desenvolvimento intelectual, existe um livrinho que podes meter na tua wish list para os presentes deste Natal (e safas-te das meias brancas com raquetes, etc.) . Vê apenas os bonecos, nâo te preocupes com o resto, deve aparecer por lá o Vasco Lourenço.

  12. Os heróis do PREC ? Quem lhes queres contrapor? O direitolas da “Quadratura do Círculo” que tanto lutou contra o “rolo compressor da Liberdade” ? Xavieres há muitos,estamos estafados de saber para onde eles nos levaram e levam. Tenho o corpo furado por balas e estilhaços da guerra colonial,mas estou vivo e de saúde e mijo na campa duma direita besta que ainda fala como o Marcelo e pensa como o Salazar!

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