Eu sei que já cheira mal falar da Europa, mas não há como escapar do facto de a União Europeia estar a chegar à sua última encruzilhada nesta crise. A Espanha e a Itália entraram no processo irreversível de subida das taxas de juros, não havendo medidas de contenção da despesa que lhes valham. Em Espanha não sei até se ainda sobram algumas. O ministro das Finanças alemão e a líder do FMI começaram ontem a dizer o que sempre têm dito de cada vez que um país se abeira do precipício, ou seja, “não está prevista, nem será necessária qualquer ajuda a Espanha ou a Itália”. Começamos a estar cansados destas afirmações, destinadas a acalmar mercados que não têm a mínima intenção de se acalmar.
Segundo Paul de Grauwe, economista belga ultimamente muito citado, a UE tem de reformular-se de alto a baixo, revendo os tratados, e o BCE funcionar como a FED norte-americana, com poderes para imprimir moeda. De outra maneira, o problema dos juros não se resolve.
Pergunto-me se os alemães não estão apenas a protelar qualquer decisão mais drástica – nomeadamente o fim da moeda única – para que os seus bancos consigam recuperar o máximo que emprestaram, antes de se fecharem na sua resplandecente galáxia, de onde dirigem os seus súbditos europeus, e reintroduzirem o marco com o mínimo de perdas possível.
Com estas perspectivas negras e agitadas, os cerebrozinhos que nos governam e que continuam a acreditar que assim é que é, só exangues veremos a luz do crescimento, deviam deixar de parasitar a carteira das classes média e média-baixa portuguesas e ter, eles sim, alguma contenção no entusiasmo do saque. Aumentar os transportes públicos daquela maneira e, ao mesmo tempo, não em alternativa, cobrar taxas à entrada das grandes cidades é ir verdadeiramente depressa demais no seu mandato como comissão liquidatária.
Por outro lado, efectuar uma chamada falsa para o 112, ocupando assim a linha, para comprovar a existência de 5 ou 6 segundos, repito segundos, de espera a mais no atendimento de uma chamada (aquela, claro está) em plena Assembleia da República, transformando isso numa estatística nacional instantânea, com direito a televisão e tudo, demonstra grande estupidez.

