Acordaram tarde, não são unânimes e parecem delirar

“A Europa não pode permitir que o euro seja destruído por três empresas privadas norte-americanas”, disse a comissária luxemburguesa, exigindo mais transparência e mais concorrência na avaliação de Estados pelas referidas agências.

“Só vejo duas soluções, ou os Estados do G-20 decidem desmantelar o cartel das três agências de ‘rating’ norte-americanas, e de três agências fazer seis, por exemplo, ou criar agências de ‘rating’ independentes na Europa e na Ásia”, acrescentou Reding.

Fonte

1. Das três agências referidas, uma tem propriedade francesa – a Fitch. Existem centenas de agências de notação, mas estas são as mais influentes. Até uma agência ganhar credibilidade passarão muito anos.

2. A Moody’s mais não fez do que reconhecer oficialmente que os planos de austeridade impostos pela Troika aos Estados em apuros não resolvem a situação e, pelo contrário, a agravam. A conclusão de que a análise feita pela agência e a consequente decisão visam atacar o euro é baseada na susceptibilidade de quem sabe perfeitamente que aquilo é verdade (como está demonstrado pelo exemplo da Grécia) e não gosta que lho lembrem.

3. Na Comissão, já ouvimos Olli Rehn a defender a criação de uma agência europeia, Barroso a não achar boa ideia, preferindo regulamentar as existentes, e agora a comissária Viviane Reding a defender a divisão das três para dar lugar a seis e nenhuma nos Estados Unidos. Eis o que me parece já próximo do delírio.

4. É evidente que estas agências têm muito de questionável, começando pela notação excelente dada a instituições financeiras à beira da falência, em 2008. Mas só agora que se sentem “às aranhas” para resolver a crise das dívidas soberanas europeias é que se lembram de atacar as agências de notação financeira? O próprio BCE se tem orientado pelas suas notações!

2 thoughts on “Acordaram tarde, não são unânimes e parecem delirar”

  1. “Olli Rehn a defender a criação de uma agência europeia, Barroso a não achar boa ideia”. Eis uma situação que só pode espantar a quem se esquecer que Barroso não passa de uma “quinta coluna” dos Americanos na Europa. Ou já nos esquecemos da guerra do Iraque e da quadrilha Bush, Blair, Aznar e Barroso?! Estas coisas pagam-se e além disso permitiram que o Bush e o Blair, servindo-se de certos paises europeus de leste recém-saídos da “cortina de ferro”, colocasse à frente da Europa o seu “homem de mão”. O que está a acontecer só revela que o Barroso é um homem cumpridor e agradecido. Ou não será?!

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