Depois de tanto Passos como Gaspar terem dito que o programa de austeridade para a Madeira seria conhecido até final de Setembro, portanto ainda antes do dia das eleições, Miguel Relvas declarou ontem que não, que não garante que tal aconteça. Muito bem. Já estávamos a estranhar. A operação “Comédia em três actos” prossegue de acordo com o plano. A revelação das medidas penalizadoras para os madeirenses (esperemos, ainda que também duvidemos) antes de Jardim ser eleito era uma nota dissonante na escala. Foi agora corrigida.
Mas diz ainda o jornal:
Relvas lembrou ainda que, “ao contrário do que aconteceu no passado”, foi “o Governo que divulgou” o problema financeiro da Madeira, garantindo que para o executivo “não há dois tipos de agenda, a pública e a não pública”. “A realidade é pública e é esse o caminho que temos seguido nesta e noutras matérias. O trabalho que está a ser feito é técnico e não me cabe a mim e ao Governo impor prazos.”
FonteÓ José Relvas! Ministro! Foi o governo que divulgou? Em Setembro? A um mês das eleições? Com os candidatos no terreno?
E depois: Trabalho técnico? A gente queria só as linhas gerais, o plano geral, entende? O que foi prometido.Que queiram proteger um correligionário prevaricador já é lamentável, ainda mais em tempos alegadamente de grande rigor. Que queiram proteger concretamente o Alberto João depois de confessadas ilegalidades e à custa de uma austeridade acrescida para toda a população portuguesa e que de outro modo não seria necessária é demais.
De facto, a chantagem que Jardim exerce sobre esta gente é impressionante. Têm medo de quê, afinal?
Já nem pergunto, como alguns, com que cara pedem sacrifícios aos portugueses. A cara com que o fazem está à vista. É tranquila. É a tranquilidade do descaramento.
A protecção a Jardim passou há muito os limites da decência.