Causas reais da crise da zona Euro

“The eurozone debt crisis is big enough that there’s plenty of blame to go around, and some of it certainly should go to the crisis countries themselves. But it must also be recognized that as soon as those countries adopted the euro, powerful forces were set in motion that made a financial crisis likely, and very possibly unavoidable, no matter what the governments of the peripheral euro countries did. Irresponsible behavior by the periphery countries did not set the stage for the eurozone crisis; the common currency itself did.”
Fonte

Este é o último parágrafo, e conclusão, de um artigo de Kash Mansori publicado ontem e para o qual Paul Krugman remete no New York Times de hoje. Vale a pena ler o artigo completo e olhar bem os gráficos. É que, na verdade, já cheira mal a propalada “irresponsabilidade” dos países da periferia. A partir do momento em que aderimos ao Euro, as regras clássicas alteraram-se e as explicações também clássicas chumbam constantemente o teste da realidade.
Politicamente, convém a certos países e forças políticas acusar Portugal, nomeadamente, de despesismo nos últimos anos (claro que, a nível interno, os penúltimos já não interessam). As coisas não são bem assim. E repare-se que, no artigo, os gráficos só vão até 2007. O que se passou a nível internacional desde 2008 só veio deitar mais lenha para a fogueira da Santa Inquisição, apesar de os inquisidores locais saberem perfeitamente que o governo português agiu, no aumento da dívida e do défice após a falência do Lehman Brothers, em concertação com a União Europeia, à qual prestava contas. A perda da maioria absoluta em 2009 e os boicotes sistemáticos às tentativas de redução das despesas também têm forte tendência a ser esquecidos pelos desonestos políticos e comentadores da nossa praça.
Há muito mais nesta crise do que pecadores e puros.

5 thoughts on “Causas reais da crise da zona Euro”

  1. *,

    bem eu já mandei a um importatão faz mais de uma semana as fórmulas que mostram que só os AAA é que deviam suportar as eurobonds para que se possa falar de equilíbrio para ele fazer chegar ao Barroso. É um índice com o símbolo do mundo. Parece que já aconteceu. O Barroso entretanto tem-se portado bem nesta fase dá-me idéia. Mais não consigo, agora vou à faxina.

  2. É bom ouvir a sentatez que nos reporta a realidade dos factos. Obrigado, Penélope. Estou farto de ouvir os crápulas que só destilam ódio e vacuidades. Há dias essa sumidade em tudo menos num pouco de sabedoria, o Medina Carreira, desculpabilizando a bancarrota do Alberto Jardim, dizia que deviam ser processados todos governantes da última década. Ninguém entende porquê só os desta última década. Ora, um rapido relance pela história recente do país diz-nos que, com esse crânio integrando a governação, o país foi duas vezes conduzido à bancarrota (pelos anos 1978 e 1983). E não há um caralho de um jornalista com um minimo dos minimos de conhecimentos que lhe esfregue nas ventas as suas responsabilidades governativas?
    Digam-me lá se isto não é desesperante!

  3. É desesperante e desonesto, mas enfim, toda a gente já mais ou menos percebeu que os jornalistas são pagos não para fazerem o seu trabalho mas para não o fazerem de todo.

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