O desvio. Mas que desvio? O desvio.

O PSD adoptou, como estratégia geral para a justificação das medidas mais duras de pendor puramente ideológico e até experimentalista, a menção da existência de um desvio nas contas públicas, da responsabilidade do anterior governo, ao qual alude sistematicamente em termos nebulosos, e, como estratégia particular para a Assembleia da República, a invocação desse desvio, adjectivado ou não, sempre que pretende calar as críticas da bancada do PS (enfim, as até agora “elegantes” objecções, salvo raras excepções – João Galamba, Basílio Horta e poucos mais).
Se o PS questiona o imposto extraordinário, atira-se-lhe com o desvio. Se questiona a descida da TSU, lá vem o desvio. O aumento do IVA? Desvio. Qual desvio? O que vem nos jornais. Mas qual? O que engloba as dívidas da Madeira e a capitalização do BPN? “O desvio que nós decidimos, não chateiem”, parecem dizer. E não há direito a perguntas em conferências de imprensa. Ora, a execução orçamental do primeiro semestre não mostra qualquer desvio, muito pelo contrário. Isto é sabujice descarada.

O nojo de estratégia seguida pelo PSD, e também pelo CDS, nos últimos seis anos prossegue. Está-lhes na massa do sangue. Mentem sem quaisquer escrúpulos, inventam, fingem que são muito dignos, muito transparentes, mas insinuam, acusam indirectamente, não olham a meios, manobram nos bastidores. Agora que têm a maioria depois de um autêntico golpe de Estado assente na intoxicação da opinião pública, entendem que tudo lhes é permitido. Veremos até quando. Entretanto, o país vai-se afundando, o que é trágico.
O “desvio” invocado a propósito de tudo e de nada apenas pretende desviar, sim, mas as atenções do autêntico “assalto à diligência” do Estado a que todos os dias assistimos pelos filiados, amigos e colaboradores no festim do assassinato de Sócrates.

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Diz agora o Relvas que descobriu numa sala do IDP facturas no valor de mais de 6 milhões de euros não contabilizados. O que é isto? É verdade? Falou com os responsáveis anteriores? Ou é só mais lama?
Tenho a impressão de que o governo se despachou a deixar-nos zonzos com o saque aos nossos bolsos para poder ir de férias (e o Passos, ainda é primeiro-ministro?) e deixar o Relvas a traficar (Crespo e sabe-se lá que mais manobras) e a escrever guiões de filmes classe B…, como o da sala assombrada.

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Alguém viu por aí a ministra da Justiça?

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O ministro da Educação mostra-se tão tão receptivo, afíbrico mesmo, que até os sindicatos já perceberam que a porta está completamente escancarada e é só ir entrando… O ensino vai voltar à cepa torta de antes de 2005. Uma tristeza.

8 thoughts on “O desvio. Mas que desvio? O desvio.”

  1. O engraçado nesta história do IDP é ninguém fazer duas ou três perguntinhas simples e que contribuiriam para arrumar o assunto, do género “quem é o fornecedor benemérito que espera há 7 anos pela massa e continua a trabalhar até hoje à borlix?” ou “pera aí, isto já é uma curiosidade que vem do governo PSD/CDS” ou ainda “qual a natureza das dos serviços/bens fornecidos”.

    Enfim, divagações… pela forma e ausência de conteúdo, este anúncio parece mais um golpe publicitário para desviar as atenções do que realmente interessa (receita a crescer menos que o esperado, cortes e reestruturações que tardam e aparecer, etc.).

  2. Entretanto, o Carlos Moedas (que nome giro) está farto de dizer que o mês de Setembro vai ser muito complicado, com 80 medidas da troika. O que vale é que depois vem o Outubro e já passou…

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