Saudades do PEC IV

O valor provisório do défice do Estado nos primeiros sete meses situou-se nos 6,687 mil milhões de euros, registando uma melhoria de 2,243 mil milhões face ao período homólogo, de acordo com dados divulgados esta segunda-feira.

Perante estes números, o deputado João Galamba, do maior partido da oposição, começou por dizer que espera que «o Governo seja capaz de continuar o bom trabalho do governo anterior nos primeiros meses do ano, ou seja, executar este difícil Orçamento [de Estado] para 2011 e atingir o défice de 5,9» por cento este ano.

Fonte

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Todos os números que têm saído durante 2011 – onde se incluem o levantamento e a avaliação do trio FMI, BCE e CE – confirmam esta ideia: Portugal tinha boas condições para evitar o recurso ao empréstimo forçado. A redução na despesa é histórica e os resultados pelo lado das receitas seriam até muito melhores caso o País não tivesse entrado em crise política, situação que levou a uma abrupta retracção económica desde Março devido à instabilidade causada pelas eleições e pela adopção das medidas acordadas para o resgate financeiro. Socialmente, os portugueses estavam dispostos a aceitar um período de ainda maior austeridade, concretizado no PEC IV, pois compreendiam que tal advinha do contexto internacional. Só que Cavaco, PSD e CDS preferiam a ameaça de bancarrota, pois viam nela a possibilidade de chegar ao poder nas piores condições eleitorais para Sócrates. Era agora ou nunca, com a vantagem da ruína do Estado permitir o seu desmembramento sob a capa do cumprimento do acordo com os senhores estrangeiros. Aqueles que desejaram o pior para Portugal conseguiram o que queriam, e ficaram felicíssimos.

Esta história terá de ser contada muitas vezes.

8 thoughts on “Saudades do PEC IV”

  1. Anseio e espero que ao Valupi, que sempre sabe dizer como poucos, o que eu gostaria de poder dizer, não lhe doam os dedos na denúncia destes factos. Tenho a certeza que muitos dos que o lêem, concordando, ou fingindo não concordar (e aqui, só pelo simples facto de que a constatação de factos não poderem ser questionados – vidé os últimos números da Estatística…) terão de admitir que só a ânsia de ir ao “pote” pôde arrastar o país para esta imensa caterva de usurpadores do poder (e já agora de consciências…).
    Não é crível que esta situação se possa sustentar por muito tempo, pese embora a “santíssima trindade” de que desfrutam. Só agora, é que se alguns dos “iluminados” que guerreavam o Sócrates estão a sair da casca (deve ter sido o período de férias que os inibiu… afinal os “revolucionários” também precisam de descansar…). Eles até já falam em Greve Geral…

  2. Muito bem, Valupi. Denuncia os malandros e começa sempre pelo principal responsável, o actual e desacreditado presidente da republica. Que a história o não poupe pelo mal que tem feito a Portugal.

  3. Resta acrescentar que os 25% de redução do défice de Janeiro a Julho seriam cerca de 40% não fosse a escalada do mesmo em Junho e Julho…Junho e Julho. Ring a bell?
    Quer dizer, as contas estavam certas e os objectivos seriam atingíveis sem esta merda de acordo coma troika, mais as medidas extra dos palhaços que nos (des)governam. Tudo a bem do pote…deles.

  4. Claro, Val, tem de ser repetido milhões de vezes para que a memória destes tempos de pulhice não caiam no esquecimento…! Mas se a direita é que tirou os “lucros” da guerra contra Sócrates, não devemos esquecer que só chegou ao pote por “DESCARADA COLABORAÇÃO” DAS “IMACULADAS ESQUERDAS”! Aliás, como se pode verificar pelas migalhas de que alguns “especialistas revolucionários” estão a beneficiar…ou não?

  5. Pra rir (embora isso seja desaconselhado pelo Neves). Recebi por mail e não resisti a reproduzir aqui. Trata-se de uma previsão de que iremos ter um Padrão dos Despedimentos onde figurarão Passos Coelho e alguns dos seus ministros como o Álvaro e o Gaspar.

    Mas a parte melhor é o poema que se segue:

    “As armas e os Barões do PSD assinalados
    Que com a Ocidental Lusitana manha
    Por impostos nunca antes revelados
    Passaram além do que exigia a Alemanha
    Em privatizações e cortes orçamentais esforçados
    Mais do que prometia a troika insana
    E entre gente sem trabalho edificaram
    Liberal reino que logo espatifaram”.

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