Cavaco
“Cavaco Silva dedica apenas dois breves parágrafos da sua intervenção à situação portuguesa. Para dizer, basicamente, que o país honrará os seus compromissos, mas que para isso também é necessário que a União tome, também ela, as “decisões sistémicas” necessárias para estabilizar o euro, fortalecer os sistemas fi nanceiros e promover o crescimento.” (in Público)
Exactamente o que Sócrates dizia e que, à época, deixava Cavaco com o seu sorriso hidráulico suspenso… aparentando nunca ter ouvido falar da Europa lá em Boliqueime, enquanto engendrava o próximo golpe e a oposição, no Parlamento, se divertia a chumbar tudo o que significasse redução de despesa que não fosse despedimentos.
Paulo Portas
Diz o Público que: “Antes de chamar “tempestade perfeita”, expressão outrora utilizada por José Sócrates, à “confluência dos problemas estruturais [portugueses] com as actuais crises das dívidas soberanas na zona euro”, Portas, à saída de um encontro com o seu homólogo britânico, William Hague, confi rmou que o chumbo, pelo Parlamento eslovaco, do alargamento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), “é mais uma dificuldade para um país [Portugal] que já tem imensas dificuldades pela frente”, garantindo, contudo, que esta “não é insuperável”. Portas lembrou que o panorama nacional se deve a uma “situação típica de gastar hoje, usar amanhã e pagar um dia”. Apesar da ironia, o ministro dos Negócios Estrangeiros fez questão de sublinhar que a “realidade portuguesa é diferente” da dos outros países benefi ciários do resgate financeiro, dando como exemplo o facto de “o programa que está a ser seguido usufruir de amplo apoio no Parlamento”.
Soundbytes habituais. Desta vez, do exercício resultou esta espécie de slogan publicitário: “Gastar hoje, usar amanhã e pagar um dia”. Missão soundbytiana do dia cumprida, portanto. E não é que lhe assenta na perfeição? É que me ocorrem de imediato os submarinos e a Madeira, ah, e os submarinos!
“Amplo apoio no Parlamento” – Ah, pois.
Gaspar e Passos, Lda.
“O Governo vai deixar cair a redução da Taxa Social Única (TSU), que não vai constar da proposta de Orçamento do Estado para 2012. Apesar de o relatório das Grandes Opções do Plano (GOP) referir a possibilidade de se avançar com uma redução faseada da taxa, o Diário Económico sabe que a medida acabou por ser descartada numa reunião entre membros do Executivo e da ‘troika’.”Fonte
Palavras para quê? Lembram-se dos debates com Sócrates para as eleições legislativas? A descida da TSU era tão-só a pedra filosofal.
Lomba
Que tem para nos dizer, no Público, este “inconcebível” mas não “inimitável” cronista? “Eu não sei se há aqui ou não mais do que fumo. E bem sei que não se pode responsabilizar ex-governantes por gerirem de forma danosa contra o interesse do Estado e o erário público. Mas enquanto o antigo secretário de Estado das Obras Públicas, o inimitável Paulo Campos, o homem do Aeroporto de Beja, se passeia por aí com a sua conhecida displicência, seria bom que tudo isto fosse muito bem escrutinado e investigado, desde logo na sede própria que é o Parlamento, visto que não é porque o homem saiu do governo que não tem de prestar contas sobre a forma como negociou a revisão das concessões de auto-estradas. Esta gente inconcebível andou a brincar com o nosso dinheiro. E assim se faliu um país.”
Mais um que, além de apelar a atiradores furtivos, gostaria de, na falta deles, ver todo o governo anterior, e só ele, na prisão (porque o conceito de “gente inconcebível” obviamente não inclui nem Cavaco, nem Ferreira Leite, nem Oliveira Costa, nem sequer Santana ou Barroso) e arranja uns rodriguinhos pseudo-irónicos para passar por pessoa decente.
A gente desta laia tenho a dizer o seguinte: o que dizem de meter na prisão toda a oposição que, sendo o governo minoritário, tudo fez para boicotar certas medidas de contenção de gastos de que são exemplos flagrantes o congelamento das transferências para a Madeira ou o estatuto da carreira docente, ou mesmo o encerramento de escolas e maternidades, além do chumbo do PEC 4? A responsabilização levar-nos-ia longe. Tão longe que fariam melhor em estar calados. Se fossem decentes.