A religião não magoa: às vezes mata

Morre uma mulher a quem foi recusada uma interrupção de gravidez numa situação em que estava em causa – como se viu – o denominado “perigo de vida para mãe”.
A mulher assassinada por um pessoal pró-vida, sim, pró-vida, tem nome, tinha nome, chamava-se Savita Halappanavar, era indiana, tinha 31 anos, estava grávida de 17 semanas e morreu no Hospital Universitário de Galway.
Morreu agonizada nas complicações da sua gravidez, morreu após o pessoal médico ter recusado interromper a gravidez sob o argumento de que estava num “país católico”. Desde os 4 meses que a assassinada pedia ajuda médica, pedia uma IVG, devido a complicações de saúde, mas os pró-vida disseram, até ao coração de Savita parar de bater fruto de uma infeção generalizada, que não se aborta enquanto “o coração do bébé bater”.
Católicos pró-vida.
Fica a memória da cara de mais uma vítima desta gente.

A pergunta que qualquer cidadão gostaria de colocar a Gaspar: foi feita.

Pedro Silva Pereira, afirmou hoje que o esforço orçamental que terá que ser feito no próximo ano será apenas para “pagar o falhanço na execução orçamental do Governo”.
“Se a meta do défice orçamental para 2013 é de 4,5%, e essa já era a meta que estava prevista para 2012, isso significa, ou não, que todo o esforço que vamos fazer em 2013 é para corrigir o falhanço do Governo em 2012, para pagar o falhanço na execução orçamental do Governo?”, questionou Pedro Silva Pereira.
“Queria-lhe perguntar se o senhor ministro já acertou alguma previsão, se já acertou alguma previsão sobre o défice orçamental sem a maquilhagem de medidas extraordinárias, se já acertou alguma previsão sobre a dívida pública”, questionou Pedro Silva Pereira, lembrando a apresentação do Documento de Estratégia Orçamental há alguns meses.
“Quem é que acredita no seu orçamento? Certamente não são os partidos da oposição – mas dirá que isso é normal -, nenhum parceiro social, o Conselho de Finanças Públicas que era suposto atestar da credibilidade das previsões macroeconómicas, o Banco de Portugal também diverge das previsões do Governo, as instituições internacionais têm projeções diferentes, a própria ‘troika’ que os mandou fazer um plano B”, afirmou.
“Queria-lhe perguntar senhor ministro se ninguém acredita no seu orçamento, se isso não lhe dá que pensar. Se ao fim de um ano e meio já ninguém acredita num orçamento seu. Se isso não terá a ver com o falhanço orçamental”, perguntou ainda o deputado a Vítor Gaspar.
Pedro Silva Pereira criticou ainda a “permanente estratégia de confrontação” com parceiros e oposição e perguntou “que racionalidade e que vantagem” isso traz na atual situação do país.

PS: principais propostas de alteração do OE de 2013

PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO DO GP/PS AO OE 2013 (PPL N.º 103/XII)

O Orçamento de Estado para 2013 é um mau orçamento, com pressupostos irrealistas, e cujas medidas de consolidação orçamental, além de em grande medida profundamente injustas, provocarão ainda mais recessão e desemprego, afastando mesmo o país do cumprimento dos objetivos em termos do controlo do défice e da diminuição do endividamento público e privado.

Mesmo perante um documento resultante de uma estratégia errada, é possível e desejável fazer todos os esforços para diminuir os sacrifícios injustos impostos aos portugueses, distribuindo de forma mais justa, alguns desses esforços, e promover a atividade económica, através de medidas direcionadas para a resolução dos principais estrangulamentos que se colocam às empresas.

Trata-se, portanto, de um objetivo difícil mas possível, diminuir um pouco a injustiça de um orçamento profundamente injusto. Travar uma parte do efeito recessivo destas políticas erradas e teimosas de austeridade.

Ir mais longe implicaria toda uma outra estratégia orçamental e outros objetivos orçamentais, que preconizamos, mas que estão associados a uma outra visão, a uma outra estratégia e a uma negociação, no quadro dos compromissos internacionais do país, negociação essa que o atual Governo recusa, insistindo que tudo corre bem, apesar das sucessivas falhas nos objetivos para o défice, do aumento do endividamento e do desemprego.

Apresentam-se, deste modo, as principais propostas do Grupo Parlamentar do Partido Socialista:

Medidas para melhorar as condições sociais das famílias

• Redução de uma décima de ponto percentual da taxa máxima de IMI dos imóveis já avaliados no âmbito do CIMI; com valor patrimonial até 250.000€
• Extensão do Subsídio Social de Desemprego por mais seis meses, para os beneficiários que terminem esta prestação durante o ano de 2013 (cerca de 50.000 beneficiários)
• Eliminação da proposta do Governo de taxação em 5% dos Subsídios de Doença e 6% dos Subsídios de Desemprego, evitando assim o corte injusto de prestações sociais a cerca de meio milhão de portugueses em cada mês
• Redução das Taxas Moderadoras das consultas nos Cuidados de Saúde Primários para 3,80€, tendo em conta a redução nas consultas em centros de saúde que se verificou depois dos aumentos brutais aprovados pelo Governo, o que denota que diminuiu o acesso ao SNS de forma errada
• Eliminação da proposta do Governo de aceleração abrupta do aumento da Idade de Reforma da Função Pública, mantendo-se a convergência prevista de seis meses por ano até aos 65 anos

Propostas para uma mais justa distribuição dos sacrifícios

• Taxa de Solidariedade sobre as PPP’s, taxando integralmente a parte dos rendimentos obtidos acima da TIR contratada, e uma taxa de 20% sobre os juros e outros proveitos financeiros das entidades financiadoras destes projetos
• Fim da isenção de IMI atribuída aos Fundos de Investimento Imobiliários
• Taxação por método de crédito de imposto aos dividendos distribuídos a SGPS

Propostas para melhorar a competitividade das empresas e da economia nacional

• Proposta de regresso do IVA da Restauração a 13%, tendo em conta o severo impacte económico da alteração para a taxa máxima promovida pelo Governo
• Proposta para efetiva eliminação da dupla tarifação na fronteira no gás natural, em ordem a melhorar as tarifas aos consumidores finais e empresas
• Proposta de uma taxa adicional sobre a produção energética nos recursos hídricos, a destinar à eficiência energética das empresas
• Proposta de eliminação das alterações propostas pelo Governo para o agravamento dos Pagamentos por Conta por parte das empresas
• Proposta para diminuir os cortes orçamentais sobre o orçamento das instituições do ensino superior e politécnico, tendo em conta as severas limitações ao sistema de ensino superior e investigação decorrentes da atual proposta do Governo
• Proposta de um Fundo de Recapitalização das PME’s de pelo menos 3 mil milhões de Euros
• Proposta de uma Linha de Crédito BEI de 5 mil milhões de Euros, para financiamento às PME´s
• Extensão do período de carência de reembolso das linhas de crédito já contratadas
• Reforço do Fundo de Contragarantia Mútua, para melhorar os “spreads” de financiamento das empresas
• Proposta de melhoria da distribuição da derrama pelos municípios do interior

Aprendam com o 15 de Setembro ou desapareçam

Quem manda uma pedra contra um polícia que está parado a cumprir ordens para estar parado está a tentar que o polícia deixe de estar parado a cumprir ordens para estar parado.

Quem destrói a montra de uma loja que não lhe pertence apenas para que se noticie que foi destruída a montra de uma loja que não lhe pertence causa dano maior do que aquele que rouba o conteúdo dessa mesma montra.

Quem lança fogo à cidade não cuida daqueles que vivem na cidade.

Sócrates has not yet left the building

Judite de Sousa passou 43 dos 48 minutos da entrevista a Luís Amado a carregar um semblante fechado, ansioso, grave, angustiado, em sintonia pungente com os ponderosos temas da actualidade. Até que o Sol rompeu por entre as negras nuvens e lhe iluminou o rosto rejuvenescido: ia, finalmente, poder falar de Sócrates. Seguiu-se a cartilha das difamações a inspirar as suas perguntas. As respostas de Amado, para além de serem as mesmas que tem repetido desde que saiu do Governo, são óbvias. O que não é nada óbvio é este espectáculo de vermos uma das jornalistas mais famosas no campo da entrevista política, 16 meses depois de Sócrates ter saído completamente de cena e depois de dezenas de intervenções públicas de Amado, a continuar a alimentar um enredo criado no âmbito de uma estratégia – e de uma cultura – de assassinato de carácter. Malhas que o império tece.

A entrevista completa pode ser vista aqui. Amado talvez seja o único político cujo diagnóstico da crise externa e da crise interna se apresenta inatacável na sua amplitude e lógica. Em especial, ele vem repetindo sem cessar que o principal responsável pela actual situação é Cavaco Silva por ter deixado Portugal com um Governo minoritário a seguir às eleições de 2009, altura em que já estávamos em gigantescos apuros por causa da crise internacional. Como viemos a confirmar em Março de 2011, o propósito da direita foi o de sacrificar o interesse nacional ao plano de permanente desgaste e boicote do Governo até à reeleição de Cavaco e imediato derrube de Sócrates. As consequências dessa traição estão à vista e a sua avaliação quanto aos prejuízos materiais, ruína económica, degradação da saúde e devastação moral para os portugueses é literalmente incontável.

Chega!

Hoje foi dia de greve geral, debaixo das críticas do costume, essas que falam da peça de mobília que é essa forma de expressão, de luta, essa greve que é um direito fundamental.
Hoje foi dia de greve geral e perde-se mais tempo a ouvir Passos Coelho a elogiar quem vai trabalhar ou o dinheiro perdido pela Pátria à conta de uma paralisação de muita gente, mesmo sem o acordo das duas centrais sindicais, do que o vendaval que corre por baixo de formalismos oratórios.
Hoje foi dia de greve geral, mais um dia de protesto, mais um dia de desespero contra a evidência da nossa sufocação. O tal anacronismo das greves é calado pela adesão de trabalhadores de empresas privadas, pela adesão dos trabalhadores que Passos ignora, os tais a quem custa muito um dia de salário, mas a quem custa mais cada dia que passa com este Governo em funções.
Depois há os trabalhadores precários, depois há os trabalhadores que, com fundamento, têm medo de fazer greve, porque exercer um direito é perder – agora tão facilmente – o seu posto de trabalho.
Talvez seja mais honesto, por isso, respeitar esta greve como uma das formas de luta que os trabalhadores têm, e em vez de discutir em demasia da adesão da UGT ou da sua utilidade imediata, enquadrá-la no conjunto enorme de protestos e de vozes contra um Governo e repetir, uma e outra vez, a substância da nossa sufocação.
Temos uma dívida de 228 mil milhões de Euros para pagar. Desta dívida, 120 mil milhões de Euros são juros. Ou seja, este ano, 2012, teremos de pagar 9 mil milhões de Euros só de juros, o que corresponde a 5% do PIB.
Para pagar esta brutalidade, a economia teria de crescer 5% ao ano.
Para lá chegar, o Governo apresentou um OE em 2012 mais ambicioso do que o memorando de entendimento, pediu-nos sacrifícios que jurou transitórios para passar a perna à TROIKA e chegar ao fim do acordado mais cedo.
Os portugueses pagaram a experiência laboratorial e o Governo apresentou os seus resultados: errou na dívida; errou no défice; errou no crescimento; criou recessão económica; e aumentou brutalmente o desemprego.
Transformado assim o país, diria uma inteligência moderada que era de adaptar o modelo à realidade, mas, para espanto dos portugueses, o Governo voltou com o seu modelo, desta feita mais forte, incapaz de qualquer tipo de empatia social e política e de ponderar sobre uma cláusula velhinha que se chama “alteração de circunstâncias”. Renegociar ou aproveitar ventos do FMI é coisa para os outros devedores, não para Gaspar.
A economia vai decrescer cada vez mais, o emprego aumenta a cada dia, o nível de empobrecimento é crescente, temos 3milhões de portugueses abaixo do limiar da pobreza, os jovens escolhem entre emigrar ou empobrecer, os cortes nas prestações sociais são três vezes superiores ao previsto no memorando, e parece que se entende que cortar 4, 5 mil milhões de Euros no Estado Social não é, para o Governo, uma forma de criação de impostos nem uma outra forma de criação de recessão e de aumento de dívida.
Perante este Governo, com maioria absoluta, com o apoio do PR, com um acordo com os parceiros sociais que chegou a este autismo, que faz uma pessoa?
O que estiver ao seu alcance.
Se for a greve, pois muito bem e espero que muita gente possa exercer esse direito. E espero também que se fale do por quê da greve.
Chega.
Este Governo é uma facada a cada dia que passa.
Houvesse quem o demitisse.
(No P3)

De facto, é o princípio do fim

O líder do PSD e primeiro-ministro apontou hoje 2012 como “o ano do princípio do fim da emergência nacional”, reconhecendo que será um período duro e com muitos de obstáculos.

“Escolhemos fazer do ano de 2012 o ano do principio do fim da emergência nacional”, afirmou Pedro Passos Coelho, numa intervenção no encerramento da Universidade de Verão do PSD, que decorreu em Castelo de Vide.

Passos aponta 2012 como o início do fim da “emergência nacional”

=

Taxa de desemprego bate novo recorde e chega a 15,8%

+

PIB português cai 3,4% e agrava queda desde início da crise

+

Risco de bancarrota sobe para mais de 42%

Misteriosos são os caminhos do Senhor

O prelado afirmou que “uma das características da sociedade moderna é o individualismo e a indiferença na relação com as pessoas”, pelo que, destacou, há que encontrar “uma nova maneira de viver”, focada na partilha e na caridade.

Arcebispo de Braga, Jorge Ortiga

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O santo bispo não nos disse em que período da História começou a referida “sociedade moderna”, daí nem sabermos a que século se está a referir. Talvez esteja a remeter para o mundo pós-II Guerra Mundial, ou para o século XIX, ou para os alvores da Industrialização, ou para o Iluminismo, ou para as 95 teses de Lutero, ou para as Descobertas, ou até para essa modernice chamada Renascimento. Só ele e Deus sabem, posto que a notícia não desvenda o enigma. Mas tal ausência deixa intacta a oportunidade de lembrar ao santo bispo que Jesus foi um magno exemplo dessa subida sabedoria que ensina a viver o individualismo de modo radical, porque a fé é uma mística, e a cultivar corajosamente a indiferença na relação com as pessoas, porque a fé é ascese e desprendimento.

Num outro recanto deste berbicacho bracarense, pedir a alguma santa alma que informe o santo bispo dos milagres que as sociedades modernas já conseguiram realizar para benefício das multidões e dos miseráveis nesses capítulos dos direitos, da saúde, da educação, da segurança, da qualidade de vida e da liberdade.

Contra a realidade, marchar, marchar!

Foram os analistas da área do PSD e do CDS, foram economistas de todas as áreas, foram as instituições oficiais, como o CES, como o CFP, foi a Academia em peso, foi hoje o Banco de Portugal, foi uma máquina de calculadora simples após o OE de 2012, foi o para a frente e para trás de um Governo inflexível para fora e partido por dentro, é o FMI a arrepiar caminho, e o povo na rua, o povo que cumpriu os sacrifícios e viu que não deu certo, e perante esta realidade acontece isto:
– todos os dias, de manhã à noite a AR a discutir com cada Ministro o seu orçamento setorial, abstraindo dos avisados cortes anunciados pelo PM.
– todos, mas todos os Ministros dizem isto: – “este orçamento é para cumprir”.
Pela janela, a realidade.

Hollandix, o gaulês, vai deixar que o céu lhe caia em cima da cabeça?

Interessante e esclarecedor ler o Der Spiegel online. Notícias várias, mas sobretudo uma dá-nos uma certa noção do rumo complicado que as coisas estão a tomar no que à Europa diz respeito. A crise do orçamento que se avizinha reflete e acelera a crise do “ajustamento” que já se vive mais ou menos por todo o lado. Imposições alemãs, mas com aliados. O Reino Unido, cada vez mais eurocético (não sei se também anti-alemão) propõe-se vetar o próximo orçamento europeu, caso este não seja substancialmente reduzido. A encorajá-lo, tem sondagens que lhe garantem que 49% dos britânicos estão com vontade de abandonar a União Europeia, contra apenas 28% que querem permanecer. Merkel defende cortes, como não podia deixar de ser, embora não tão significativos como David Cameron, e vai dando graxa aos britânicos dizendo-lhes que foram eles que livraram a Alemanha do nazismo, que a UE não faz sentido sem eles. Acontece que os seus agricultores também são grandes beneficiários dos fundos da PAC. A França, por sua vez, ameaça também com o veto, mas por motivos opostos, ou seja, não quer um corte drástico nas verbas para a agricultura. O Comissário alemão com a pasta da energia, Günther Oettinger, dá-se entretanto ao luxo de proferir frases lindas, paternalistas e extremamente pacificadoras, do género “Os meu filhos problemáticos são a França e o Reino Unido” e não se inibe de dar conselhos à França para que acelere as reformas (leia-se: mais austeridade, tão ao seu gosto). Soube-se mesmo que Schäuble, ministro das Finanças alemão, decidiu convocar peritos alemães para integrarem um grupo de trabalho específico que irá estudar as medidas adequadas a aplicar … pela França. Os panzers, quando avançam, avançam. Entretanto, ainda há direito de reunião e Hollande e Cameron reúnem cada vez mais com Monti, talvez também com Rajoy. Passos não. Entende que está tudo bem porque a chanceler o diz.

A Gália também não está, pois, em bons lençóis, mas daí até receber instruções da Alemanha é capaz de ir um grande salto, ou não? Os conflitos não acontecem de um dia para o outro. Vão-se desenhando. Quando forem muitos a entender que não ganham nada em pertencer ao clube, é a chantagem, ou o fim. A chanceler alemã anda perigosamente a jogar na Europa com os olhos postos na sua reeleição, na Alemanha, daqui a dez meses, a bem dizer anda nisto constantemente, dadas as sucessivas eleições nos diversos Länder. O mínimo que se pode esperar é que os outros não sejam parvos, mas que tenham o sentido da responsabilidade, um dilema dilacerante, perante o tsunami mundial que seria o fim do euro. Se a tudo isto juntarmos o FMI a proclamar ideias contra-corrente e a não se entender com o Eurogrupo sobre a dívida da Grécia, adivinha-se muito mau tempo no canal e a sua deslocação acelerada para o continente.

+ 2 BÓNUS NATALÍCIOS

1. Adolf Hitler (pouquíssimo a ver com o post acima). Um deputado russo propõe-se comprar a casa onde nasceu Hitler, em Braunau am Inn, na Áustria. As autoridades austríacas não sabem o que fazer dela, há evidentemente controvérsia quanto ao destino a dar-lhe, mas parece que pagam atualmente ao seu proprietário 5000 euros de renda mensal. A ideia do russo é angariar fundos suficientes, comprar a casa e depois demoli-la. Só pelo prazer. Único senão: o atual proprietário não quer vender. Compreende-se.

2. O novo aeroporto de Berlim, outra vez. Devido a novos problemas no sistema de segurança contra incêndios, a conclusão do novo aeroporto de Berlim foi mais uma vez adiada. Já aqui há uns tempos relatei as peripécias e incompetências várias de que a obra tem sido vítima, o que me levou a desmistificar a suposta competência e o suposto rigor dos alemães (evidentemente, não quero generalizar; mas não são nem mais nem menos geniais que os outros). Este adiamento atira a conclusão da obra para 2014, na melhor das hipóteses, pois há técnicos que defendem que, face à gravidade dos problemas entretanto detetados, o melhor será demolir pura e simplesmente uma parte do novo terminal e recomeçar tudo de novo. Entretanto, chovem os pedidos de indemnização, que aumentam de valor.

UGT: “contra a crise, defender os trabalhadores”

1. Hoje, em Portugal, estamos sujeitos a políticas de desregulação social e de sobre-austeridade que aumentam sistematicamente o desemprego (que atinge níveis insustentáveis), reduzem os rendimentos, agravam as desigualdades, a pobreza e a exclusão e provocam a insegurança e o desespero em muitas famílias.
2. A UGT tem-se oposto firmemente a estas políticas. Combatemos medidas abusivas, derrotando muitas delas (aumento de meia hora de trabalho diário, aumento da TSU – taxa social única, não diminuição de 10% do subsidio de desemprego e do subsidio social de desemprego, …) e obtendo mudanças significativas nas políticas económicas e sociais. Defendemos políticas de crescimento e emprego, o diálogo social e a negociação colectiva e manifestamos total oposição à destruição do Estado Social (nomeadamente por via de uma revisão da Constituição).
3. Na próxima 4ª feira, dia 14 de Novembro, e no seguimento da decisão do Secretariado Nacional da UGT, alguns Sindicatos da UGT depositaram pré-avisos de greve visando a unidade na acção ou greves convergentes contra esta austeridade e em defesa do Contrato Social para a Europa, objecto da jornada de acção europeia de 14 de Novembro.
4. Existem motivos específicos e motivos gerais que justificam o protesto, tais como a exigência de diálogo e negociação, particularmente na Administração Pública e no Sector Empresarial do Estado, e as muitas situações de bloqueamento da negociação colectiva e aumento acentuado de desemprego no sector privado.
5. Existem motivos para muitos Sindicatos entenderem não ser este o momento para uma greve (mesmo que tenham depositado pré-avisos para melhor defenderem os seus associados que a queiram fazer), quer por razões ligadas à génese desta greve, quer por entenderem que melhor defendem o interesse dos seus filiados seguindo a via do diálogo ou promovendo acções de luta noutras datas.
6. A UGT rejeita a ausência de diálogo político e a imposição de medidas sociais que agravam as desigualdades, (penalizando sobretudo trabalhadores no activo, desempregados e pensionistas), contribuem para o aumento da crise económica e do desemprego e faltam a compromissos assumidos pelo Governo.
7. A UGT reafirma a sua determinação na defesa de uma saída para a Crise com Crescimento e Emprego, com Justiça Social e Solidariedade e com Diálogo Social e Negociação Colectiva.
Lisboa, 12 de Novembro de 2012

Ensinem o homem a programar

Foi maravilhoso ver Passos a descrever as qualidades dos alemães e dos portugueses. Sobre os primeiros disse umas banalidades, que são persistentes, trabalhadores e possuidores de uma grande auto-estima. Tudo qualidades que, evidentemente, os portugueses não têm. Mas no seu entender os portugueses também têm duas ou três qualidades que merecem destaque. Disse qualquer coisa sobre a flexibilidade perante os problemas, que temos a capacidade de nos ajustarmos, seja lá isso o que for, e que temos a capacidade de inovar, mas que o fazemos sem programação, precisamos de aprender a programar.

Que Passos não queira elogiar a aposta na inovação do Governo anterior, vindo de quem vem, não admira, mas pelo caminho escusava de espezinhar os portugueses e as empresas portuguesas que apostaram na inovação e que se tornaram altamente competitivas em qualquer ponto do Planeta. Para o primeiro-ministro, essas empresas inovaram, mas sem programação. Tiveram sorte, obtiveram sucesso porque calhou. É assim que Passos promove o que de melhor se faz no País. Está a falar de si próprio, pensa que as empresas portuguesas são todas como aquelas por onde passou, onde a base da programação é o chico-espertismo. Isto também explica o que temos visto quanto à programação do Governo que lidera.

E está a cuspir na sopa. É que é graças à aposta na inovação e à excelente programação, quer do Governo anterior, quer dos empresários, que os resultados da economia não são hoje mais desastrosos. Mas, lá está, para o primeiro-ministro, as exportações do País aumentaram nos últimos anos por sorte, calhou.

O triunfo do mirtilo

Fui o único português que fez justiça a esse viciante produto nascido da inventividade nacional e meu fiel despertador diário: Leite com chocolate Vigor. Na ocasião, ofereci de borla uma brilhante ideia à administração e marketeiros da Lactogal, à qual eles fizeram ouvidos dos mercadores que afinal são e já eram. Em vez disso, lançaram o Vigor Cappuccino, uma mistela que roça o intragável. Enfim, enigmas do tecido empresarial cá da terrinha.

Pois há nova maravilha pátria para levar até ao frigorífico, manter os euros dentro do País, gerar emprego, estimular a economia e passar a consumir diariamente: o sumo Frutos Vermelhos da sonatural (uma autêntica desgraça o vosso website, ó pás). Trata-se da felicíssima e mágica reunião de maçã, banana, framboesa e mirtilo. E também para estes amigos deixo uma brilhante ideia: apostem no mirtilo, metam mais mirtilo, juntem mirtilo ao que puderem. Estão a tomar nota disto? Bom, nada de se armarem em vigoristas.

Merkel a basar e o Bloco a vazar

Os minutos que ainda vou gastar com o Bloco apenas se devem ao facto de o PS ter como líder o Seguro e de isso lhes dar alguma esperança de serem chamados a um futuro governo. Seguro tem por enquanto o bom senso de não querer eleições. E, quando as quiser, pode já não liderar o partido. A cada qual o seu drama.
Quanto à Convenção, vamos lá a ser objetivos. A proposta de rasgar o Memorando é de tal maneira disparatada e radical que só pode inserir-se num joguinho político muito mal concebido que visa entalar o PS (como sempre), nada tendo a ver com a defesa dos interesses dos portugueses. Está à vista: basta a direção do PS dizer, como se esperava, espera e esperará, que não rasga memorando nenhum (muito menos o declara; é a política, estúpidos) nem envereda por soluções extremas e irresponsáveis, para logo vir a resposta pronta da malta bloquista “Afinal estão pelo Memorando ou contra ele? Isto não pode ser, estar com um pé fora e outro dentro”. Pensam assim cumprir a fase “soundbyte” da estratégia e angariar alegres e contentes carradas de apoiantes graças à sua “genuinidade” e coerência e às “contradições” do seu adversário. Mas que idiotas, como se o mundo fosse assim tão bicolor e as pessoas não soubessem que o não é. Como se quem governa não tivesse de lidar com políticos eleitos de outros países, banqueiros, empresários, bolsistas, presidentes de eurogrupos e outros “capitalistas” deste mundo. E com acordos internacionais, já agora. Como se os farsantes que nos governam neste momento não tivessem uma agenda neoliberal própria e não tivessem aproveitado a Troika e o Memorando para a pôr em prática! Como se não houvesse maneiras de gerir politicamente o cumprimento do Memorando.
O engraçado é que a estratégia é tão furiosa e desvairada que estas almas nem temem ser apelidadas do que são e nunca deixaram de ser, extremistas e radicais. Sê-lo-ão. Ao contrário do que imaginam, não ganham credibilidade alguma. A proposta é objetivamente extremista e impraticável. Com propostas destas, apenas reforçam a ideia que 90% dos eleitores (votantes do PCP incluídos) fazem deles e continuarão a ser considerados tontos e imaturos. Oferecem, nomeadamente, o flanco ao PS, que, pela voz de distintas figuras, não perdeu tempo a ridicularizá-los, descrevendo-os a queimarem o memorando no Terreiro do Paço. Presumivelmente em grande festim azteca ou de bruxas shakespeareanas em volta da pira, acrescento eu.

Louçã foi-se embora, mas legou à nova direção o grande desígnio de salvar o partido emulando o Syriza. Outro erro. Portugal não é a Grécia, nem o espetro partidário e história política têm qualquer comparação. O novo par de líderes que é suposto executar a estratégia é composto por João Semedo, um médico ex-PCP que debita serenamente no Mário Crespo, no café e provavelmente nas comissões parlamentares, já tinha idade para ter juízo, mas que na tribuna não entusiasma nem arrebata, e Catarina Martins, basicamente uma atriz que gosta de protagonismo e palco. Impressiona a forma como não pestaneja enquanto fala, como no teatro declamado. Grego? Não vão longe. Se o Louçã vier a cada momento dar uma ajudinha, vamos divertir-nos imenso. Se não vier, ai Jesus que lá vão eles.

A redação do Carlos

Bom dia dona Merkel,

O meu nome é Carlos e não falo alemão. Houve uns meninos que fizeram um filme para si. Eu não tenho um filme, mas também lhe queria dizer umas coisas. Espero que perceba, mesmo a senhora não falando português e eu não falando alemão.

Queria dizer-lhe bem-vinda ao meu país. O meu país é muito bonito, tem muita história e cultura, e está cheio de pessoas boas e trabalhadoras que não falam alemão, por isso se calhar a senhora não os percebe. Essas pessoas têm uns ditados que gostava de lhe ensinar. Os ditados são importantes porque nos ensinam muita coisa, e a senhora precisa de aprender muita coisa sobre nós. Também servem para dizer “toma e embrulha”, que é uma expressão que o meu pai usa quando diz um ditado.
Um ditado que a minha prima me ensinou diz “quanto mais te baixas mais se vê as cuecas”, e nós somos muito pobres e já quase não temos cuecas. E se ficamos sem cuecas não podemos pagar o que devemos, e nós queremos ser honrados e pagar o que devemos, mas não podemos porque não temos cuecas e sem cuecas temos vergonha de sair de casa para  trabalhar e ganhar dinheiro. E “sem dinheiro não há palhaços”, como diz o meu tio que tem um café.
Outro ditado que a minha avó diz é “quem come a carne deve roer os ossos”. A senhora come a carne toda e deixa os ossos para nós, e isso não é justo. O bife é para todos, não é só para quem fala alemão. Podia partilhar um bocadinho de carne com os outros, não quer dizer que fosse toda, mas só um bocadinho, só de vez em quando. Senão não podemos trabalhar, mesmo que tivéssemos cuecas.
Por causa da crise, a senhora agora manda nisto. Mas a minha mãe diz “quem tudo quer tudo perde”, e nós somos amigos, mas se continua assim a querer tudo para si qualquer dia nunca mais lhe falamos. A professora diz que quem não partilha é feio e fica sem amigos, e nós temos também coisas geoestratégicas que depois também não lhe emprestamos, mesmo que peça de joelhos. E se o Fitch disser que essas coisas não valem nada é muito mentiroso e só quer fazer-lhe a cabeça contra nós. Se calhar é porque fala alemão.
Por isso, quando se for encontrar com quem manda aqui e ele lhe disser que estamos todos bem e cá vamos andando não acredite porque ele também é muito mentiroso. Temos muita fome e miséria, mas muita vontade de trabalhar, como o fizeram os nossos pais e avós. Só precisamos de um bocadinho de bife, e de um barco para o ir pescar.

Do seu amigo

Carlos Zorrinho
Professor universitário
Presidente do Grupo Parlamentar do PS

Onde estavam os imbecis quando os ranhosos faziam campanha pela vinda da Troika?

As medidas anunciadas por Lisboa são “um passo muito importante para convencer os mercados”, disse Ângela Merkel a um grupo de jornalistas antes do início da cimeira da Zona Euro ao fim da tarde. Entretanto, uma fonte alemã acrescentou que a situação em Portugal é “melhor do que se esperava” e que o governo de Lisboa vai “na direção certa”, prevendo que os líderes da zona euro irão “carimbar” o esforço de Portugal.

Merkel, 11 de Março de 2011

Na conferência de imprensa, Paulo Portas foi confrontado com o apoio manifestado pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu e pela primeira-ministra germânica, Ângela Merkel, às novas medidas de austeridade apresentadas pelo Governo no âmbito do processo de consolidação orçamental de Portugal. “Eu nunca encarei Portugal como um protectorado. Aquilo que critico mais neste primeiro-ministro é ter conduzido o país a uma situação de protectorado, em que a soberania passou efectivamente dos eleitores para os credores”, sustentou o presidente do CDS-PP.

Portas, 13 de Março de 2011

A chanceler alemã, Angela Merkel disse hoje em Bruxelas que é “muito importante” que os responsáveis políticos portugueses mantenham os compromissos assumidos pelo governo de José Sócrates relativamente à consolidação orçamental. “Portugal apresentou um programa muito corajoso para os anos 2011, 2012 e 2013. Era [um programa] apropriado. Lamento profundamente que não tenha sido aprovado [na quarta-feira] pelo parlamento”, declarou a chefe do governo da Alemanha, citada pela agência France Presse.

Merkel, 24 de Março de 2011

Pedro Passos Coelho, que falava à entrada para uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), disse ainda acreditar que os seus parceiros da maior família política europeia, entre os quais se contam a chanceler alemã Angela Merkel, entenderão o “chumbo” do PSD ao Programa de Estabilidade e Crescimento, que precipitou a demissão do primeiro-ministro José Sócrates, pois perceberão que o pior para Portugal seria continuar a ter “um governo fraco”.

Passos, 24 de Março de 2011

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que está “grata” ao primeiro-ministro português pelo trabalho feito na consolidação das contas públicas e lamentou que as novas medidas de austeridade não tenham sido viabilizadas pelo Parlamento. “Estou grata a Sócrates” por tomar a responsabilidade das contas públicas do seu país, disse Angela Merkel, citada pela agência de informação financeira Bloomberg. A líder alemã lembrou que as novas medidas tomadas pelo Governo português para reduzir o défice orçamental foram de “longo alcance” e apoiadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela União Europeia.

Merkel, 24 de Março de 2011

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