Onde estavam os imbecis quando os ranhosos faziam campanha pela vinda da Troika?

As medidas anunciadas por Lisboa são “um passo muito importante para convencer os mercados”, disse Ângela Merkel a um grupo de jornalistas antes do início da cimeira da Zona Euro ao fim da tarde. Entretanto, uma fonte alemã acrescentou que a situação em Portugal é “melhor do que se esperava” e que o governo de Lisboa vai “na direção certa”, prevendo que os líderes da zona euro irão “carimbar” o esforço de Portugal.

Merkel, 11 de Março de 2011

Na conferência de imprensa, Paulo Portas foi confrontado com o apoio manifestado pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu e pela primeira-ministra germânica, Ângela Merkel, às novas medidas de austeridade apresentadas pelo Governo no âmbito do processo de consolidação orçamental de Portugal. “Eu nunca encarei Portugal como um protectorado. Aquilo que critico mais neste primeiro-ministro é ter conduzido o país a uma situação de protectorado, em que a soberania passou efectivamente dos eleitores para os credores”, sustentou o presidente do CDS-PP.

Portas, 13 de Março de 2011

A chanceler alemã, Angela Merkel disse hoje em Bruxelas que é “muito importante” que os responsáveis políticos portugueses mantenham os compromissos assumidos pelo governo de José Sócrates relativamente à consolidação orçamental. “Portugal apresentou um programa muito corajoso para os anos 2011, 2012 e 2013. Era [um programa] apropriado. Lamento profundamente que não tenha sido aprovado [na quarta-feira] pelo parlamento”, declarou a chefe do governo da Alemanha, citada pela agência France Presse.

Merkel, 24 de Março de 2011

Pedro Passos Coelho, que falava à entrada para uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), disse ainda acreditar que os seus parceiros da maior família política europeia, entre os quais se contam a chanceler alemã Angela Merkel, entenderão o “chumbo” do PSD ao Programa de Estabilidade e Crescimento, que precipitou a demissão do primeiro-ministro José Sócrates, pois perceberão que o pior para Portugal seria continuar a ter “um governo fraco”.

Passos, 24 de Março de 2011

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que está “grata” ao primeiro-ministro português pelo trabalho feito na consolidação das contas públicas e lamentou que as novas medidas de austeridade não tenham sido viabilizadas pelo Parlamento. “Estou grata a Sócrates” por tomar a responsabilidade das contas públicas do seu país, disse Angela Merkel, citada pela agência de informação financeira Bloomberg. A líder alemã lembrou que as novas medidas tomadas pelo Governo português para reduzir o défice orçamental foram de “longo alcance” e apoiadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela União Europeia.

Merkel, 24 de Março de 2011

12 thoughts on “Onde estavam os imbecis quando os ranhosos faziam campanha pela vinda da Troika?”

  1. Esta senhora diz agora do governo Passos o que ontem dizia do governo Sócrates. Mas esta europa ainda tem saída?
    A propósito das declarações do passado, de Passos e Portas que cita, estive a ler em “Resgatados” (Sócrates/ Teixeira dos Santos) as declarações de Soares, à mesma época. Portou-se como uma barata tonta (deve ser da idade) e tão depressa diz ao Sócrates (ele e o Almeida Santos) para apresentar a demissão, após o discurso arrasador do Cavaco na sua tomada de posse, como tão depressa classifica de “erro colossal”, o de Sócrates não ter informado previamente Cavaco das medidas do PEC IV. Caso Sócrates tivesse pedido a demissão, todos sabíamos que isso era repetir Guterres e servir de chacota à direita arrogante. Mas o pior não era isso. O pior era a situaçâo real do país. E de novo temos a barata tonta do Soares: erro colossal foi, em primeirissimo lugar, o discurso de Cavaco e, dadas as circunstâncias, criminosamente, antipatriótico. E Mário Soares teve consciência disso ao alertar para a gravidade extrema de uma crises política nessa altura. No entanto, pouco depois ouvimo-lo a dizer que era amigo de Passos. E depois até o vimos a pregar para os jotinhas do PSD na universidade de verão. Reparem: tudo isto depois de saber que Passos cometera a vilania de esconder e negar semanas a fio, enquanto lhe deu jeito, o encontro com Sócrates sobre o PEC IV. Soares sabia. Mas disse que era amigo deste vilão político!!!Claro que Cavaco também sabia e o Portas sabia. E mesmo assim todos acharam que a vilania é um processo bom para chegar ao poder.
    É um inconsequente, este Soares. E se Portugal precisava de Homens!
    A vilania tomou as rédeas do poder. É fartar, vilanagem!

  2. jeremias,pode ter alguma razão numa boa parte do que disse,mas perde-a quando entra no insulto ao um senhor da liberdade e democracia em portugal, e que hoje tem 86 anos.Começar por elogiar as qualidades que conhecia de p.coelho enquanto deputado em tempos passados,veio-lhe dar autoridade moral para o criticar agora quando for necessario como PM. Jeremias, o seu odio deve vir do tempo do prec….

  3. Nuno, eu não estava em Portugal, no tempo do Prec. Cheguei bastante depois. Agora assisto ao Prec da direita, como se diz por aí.Não odeio o homem. Nem pouco mais ou menos. Até votei nele três vezes para PR. Mas custa-me vê-lo, num dia, não denunciar como erro colossal o discurso de Cavaco e, no outro, já ver como erro colossal uma informação de Sócrates ao mesmo Cavaco. E todos sabíamos que Sócrates não podia assumir qualquer compromisso como aquele do PEC IV, sem a aprovação dos órgãos de soberania competentes, como a AR, uma vez que governava em minoria e tudo tinha de passar por lá. Sócrates terá sido, talvez, um pouco deselegante para quem o tratara tão mal e ao país. Mas o seu gesto não mercecia aquele descabido “erro colossal”.

  4. Também estou com o Jeremias na crítica a Soares. De facto, foi uma sucessão de incoerências. A verdade é a de que em Março de 2011 o Governo estava cercado e nem no PS encontrava apoio total.

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