18 thoughts on “Coisas que acontecem”

  1. isso é uma observação correcta e interessante, olinda.

    Na nossa cultura, o cérebro é sinónimo do pensamento racional, e a esperança reside na nossa essência (alma) voluntariosa, ou coração; esperança cega é própria de um coração não coordenado pela razão.

    o “coração”, ou alma voluntariosa, onde residem a vontade indomável, a agressividade, a coragem, a esperança, a genérica pulsão para o movimento e a mudança, seria, segundo platão, uma das três partes da alma humana que, segundo ele, são as almas racional, voluntariosa e apetitiva; platão diz que numa alma humana equilibrada, a sua parte racional coordena a parte volutariosa, e as partes racional e voluntariosa, trabalhando harmoniosamente, coordenam a parte apetititiva.

    (platão usa a palavra alma com o significado de princípio ou essência vital e não de espírito; diferentemente, pois, do que faz a cultura cristã).

  2. ai o Platão, que até rima com coração e tudo.:-)

    alma é mesmo a essência vital. e, apesar de interessantíssima, para mim a alma não se divide – é inteira e desconhece completamente, essa grande puta que não sente, a razão que é empreitada do cérebro. a harmonia, o muito complicado, é conseguir equilibrar o cérebro com a alma. mais complicando ainda é quando conseguimos o difícil que é o equilíbrio e ainda assim factores exógenos castram o potencial do equilíbrio. já estou a complicar, eu sei, mas talvez seja a alma, a minha, a gritar de desespero por estar a abraçar o cérebro e de juntos não conseguirem andar.

  3. O nosso amigo Platão não diria que a razão é mera empreitada. Não obstante, a razão expressa-se, no nosso mundo materialista, através de empreitadas; como sendo a ciência, a tecnologia, a literatura, a música… Creio eu que constitui corrupção grave da alma racional deixar-se a mesma escravizar pelas suas empreitadas. (O que quer que isto signifique!)

    Segundo o filósofo, a própria razão é uma essência vital: a que busca a Luz, o Bem, o Belo, o Justo, a Harmonia e as outras Formas inteligíveis. Há uma alegoria de Platão que nos fala da alma humana como um carro que se eleva nos céus (em busca das Formas), puxado por dois cavalos alados: um bom e o outro mau. Diz ele que dirigir um carro desses é trabalho deveras complicado. Mas, só com um cavalo, o carro nunca se ergueria nos céus. Diz-nos também que a alma dos deuses, ao contrário da dos homens, é puxada por dois cavalos bons.

  4. tão lindo. há retratos do Platão? vou procurar, quero vê-lo. sabes, os rostos condizem sempre com a cara das palavras que por sua vez são a cara dos pensamentos e da essência. mas agora imaginei a alma em cima de um cavalo alado. não há carros, só a alma em cima do cavalo, que é branco, e depois os caminhos do céu cheiinhos de obstáculos – ora nuvens pretas ranhosas e invejosas ora monstros fodidos e raivosos de frustração.

  5. já vi e adorei. os cabelos lembram-me o vento tal e qual a brisa que é a luz do seu pensar. e as barbas, longas, denotam separação justa da vaidade desnecessária. e os olhos, meigos, são de leite materno em testa franzida pelas rugas que são, tão bonitas, as tatuagens na pele da vida.

    (graças aos cavalos alados Platão não seria, estou mesmo certa, metrossexual – os metrossexuais querem pôr à vista de todos uma essência que já nasceu esganada)

  6. olá edie, como estás? vieste descarregar os teus ovários secos de bom humor nas coisas que acontecem e que nunca as vens ver? fizeste bem: sair do quadrado são coisas que afinal te acontecem. parabéns, decisões são sempre progresso.:-)

  7. Olá, reis, obrigada pelo humor que bem precisamos. E bicos muitos, muitos para ti :))

    olinda, quem te mandou meteres-te na minha conversa com o reis?
    Em contrapartida, estás no teu pleníssimo direito de meteres a carapuça.

  8. obrigada, reis, gosto muito desse poema e da música, do som da flauta ao fundo. gosto também das expressões das sobrancelhas ao poemarem – repara.

    (olha os ganhos, edie, da extrema ignorância. que delícia.)

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