Na veia

Obrigada Teresa Rosmaninho – Ana Matos Pires assinala uma partida e o seu legado: violência doméstica – manual para os media

O flagelo da violência doméstica, transversal a todas as classes sociais e gerações, depende de variados silêncios para persistir. Silêncios das vítimas, mas também dos familiares, amigos, vizinhos ou colegas do casal – nalguns casos, silêncios das autoridades, embora tal tenha vindo a mudar nos últimos anos. A Internet pode ser um precioso auxiliar para uma intervenção decisiva. Começar por obter informação, no sigilo da utilização de um computador ou telemóvel, é o primeiro e mais importante passo a dar por qualquer pessoa que pretenda ajudar ou ajudar-se.

Espiões na Costa do Sol portuguesa durante a II Guerra Mundial – Irene Pimentel dá-nos a provar um pouco das fascinantes histórias de um tempo e um espaço fascinantes. Aperitivos para o fascinante livro que está a preparar.

That which is unsustainable shall not be sustained – João Galamba desenvolve mais uma análise ao cerne do problema onde a Europa está metida: a Zona Euro e sua arquitectura. O episódio do seu diálogo com Rasmus Ruffer, representante do BCE, é uma pitoresca ilustração do berbicacho.

Poder – A arte da inimitável Fátima Rolo Duarte.

“O papel da esquerda face à ofensiva política e ideológica das forças conservadoras”

00-A ofensiva das diversas Direitas, ofensiva política e ideológica, vai assentando em dois pilares:

– O Governo do PPD e PP, orientado pelo chefe dos Conservadores, Cavaco Silva, na destruição do Estado Providência;

– A Igreja Católica, essa mais ambiciosa ainda, centrada no desmantelamento do Estado de Direito.

01- A destruição do Estado Providência repousa na minimização dos Direitos Sociais, e no generalizado decréscimo das Prestações, ditas Sociais;

02- O desmantelamento do Estado de Direito repousa, nomeadamente, no achincalhamento dos Políticos, e está sintetizada na frase do Cardeal Patriarca de Lisboa:

“Ao abandonarem os seus cargos todos os políticos têm as mãos sujas”- ver “DN” e “JN”.

Ou seja, o Cardeal Patriarca de Lisboa, por um lado tenta descredibilizar os agentes do Estado de Direito institucionalizado, e por outro lado, sugere, na contraposição, que a saída é um Estado Confessional, aqui, à medida da Doutrina e Prática da Igreja Católica, como no Irão, da barbárie, é à medida do Corão e os “Sacerdotes” do Islamismo.

03- Entretanto vai havendo uma complementaridade de atuações entre Governo e Igreja Católica.

Vejam-se os previlégios atribuidos pelo Governo às IPSS, organizações maioritáriamente controladas, direta ou indiretamente, pela Igreja Católica.

04- Mas a frente da ofensiva política e ideológica alarga-se, vide a Lei que virá, sobre o “enriquecimento indevido”, suportada pela grande frente conservadora, incluindo PCP, Bloco, PPD e PP.

05- Este é o panorama global da situação política e ideológica, do momento.

06- Mau grado nosso, o Partido Socialista, ora nas mão de A. J. Seguro, ainda não deu conta da gravidade, política e ideológica, da situação.

07- Caberá à Esquerda federar as forças e as vozes que rejeitam este estado de coisas, agindo sem sectarismos, não esquecendo vozes como a do Bispo Torgal e do Padre Anselmo Borges, entre outros.

08- E, como tenho boa memória, lembro Vitor Wengorovius, um homem impar, um católico, que foi um grande aliado da Esquerda, desde os anos 60 até, malogradamente, se findar bem novo.

Vitor, sempre próximo do então Dirigente Estudantil Jorge Sampaio, depois meu dedicado e corajoso Advogado no Tribunal Plenário da Boa Hora.

Aqui fica registada a Saudade de Vitor Wengorovius.

A minha HOMENAGEM a este HOMEM, CATÓLICO, GRANDE ALIADO DA ESQUERDA.

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Oferta do nosso amigo Acácio Lima (enviado por email)

Afinal, de que se queixam os professores?

Talvez esteja explicada a fraca adesão dos professores à manifestação da última sexta-feira. O dia não era grande coisa para andar na rua, chegou mesmo a estar prevista para esse dia a queda, em parte incerta, de um satélite da NASA. Mesmo assim, estranhei o facto de tão poucos terem respondido ao chamamento, outrora irresistível, de Mário Nogueira. Afinal, há uma justificação, parece que não se têm sentido muito bem. Coitadinhos.

E siga a farsa

Depois de tanto Passos como Gaspar terem dito que o programa de austeridade para a Madeira seria conhecido até final de Setembro, portanto ainda antes do dia das eleições, Miguel Relvas declarou ontem que não, que não garante que tal aconteça. Muito bem. Já estávamos a estranhar. A operação “Comédia em três actos” prossegue de acordo com o plano. A revelação das medidas penalizadoras para os madeirenses (esperemos, ainda que também duvidemos) antes de Jardim ser eleito era uma nota dissonante na escala. Foi agora corrigida.

Mas diz ainda o jornal:

Relvas lembrou ainda que, “ao contrário do que aconteceu no passado”, foi “o Governo que divulgou” o problema financeiro da Madeira, garantindo que para o executivo “não há dois tipos de agenda, a pública e a não pública”. “A realidade é pública e é esse o caminho que temos seguido nesta e noutras matérias. O trabalho que está a ser feito é técnico e não me cabe a mim e ao Governo impor prazos.”
Fonte

Ó José Relvas! Ministro! Foi o governo que divulgou? Em Setembro? A um mês das eleições? Com os candidatos no terreno?
E depois: Trabalho técnico? A gente queria só as linhas gerais, o plano geral, entende? O que foi prometido.

Que queiram proteger um correligionário prevaricador já é lamentável, ainda mais em tempos alegadamente de grande rigor. Que queiram proteger concretamente o Alberto João depois de confessadas ilegalidades e à custa de uma austeridade acrescida para toda a população portuguesa e que de outro modo não seria necessária é demais.
De facto, a chantagem que Jardim exerce sobre esta gente é impressionante. Têm medo de quê, afinal?
Já nem pergunto, como alguns, com que cara pedem sacrifícios aos portugueses. A cara com que o fazem está à vista. É tranquila. É a tranquilidade do descaramento.
A protecção a Jardim passou há muito os limites da decência.

Conhecendo-nos

Uma das consequências da crise europeia é a grande atenção que agora prestamos, embora pelas piores razões, a tudo o que se passa nos restantes países. As eleições alemãs e as dificuldades de Merkel, as mudanças na Dinamarca, as exigências finlandesas, a os receios indignados holandeses e indignação receosa, mais ou menos xenófoba, dos austríacos, os esforços espanhois, o circo italiano, o desespero grego, a queda do governo da Estónia e as suas consequências. É uma atenção provocada pelo medo, pelos receios do que nos possa acontecer no futuro, pela consciência de que as acções dos outros têm um efeito directo na nossa vida a curto prazo. Tem sido marcado pela desconfiança, pelo exacerbar dos piores traços dos outros e pela exaltação dos nossos, pela crítica constante a roçar a intolerância. Mas acima de tudo isso, está um facto indesmentível: estamos a prestar muito mais atenção a quem está ao nosso lado, a conhecer-lhes os traços de personalidade, os defeitos e qualidades, as esperanças e receios, a vida e os líderes políticos, e a comparar com os nossos. Até há pouco tempo atrás, cada um de nós estava ocupado a gozar a prosperidade no seu canto, indiferente ao que se passava no resto da União. Hoje, as notícias dos outros são regularmente atiradas para as primeiras páginas dos media, ao lado das nossas tricas, em vez da secção “internacional”.

A construção de uma Europa de povos mais unida pelo conhecimento mútuo pode sofrer revezes, sem dúvida, mas ficará muito a dever a esta época que vivemos.

¿Qué coño se pasa com nuestros hermanos?

Esta cena de acabar com touradas em Espanha é que põe em causa o futuro da Europa, não é cá a trapalhada das dívidas soberanas. Uma Espanha sem toureiros será algo tão desconchavado como uma Inglaterra sem monarquia, uma França sem chauvinistas ou um Portugal sem passarões que se encheram no BPN e continuam a rir-se à gargalhada. Espero que a Catalunha peça rapidamente asilo político ao Norte da Europa e nos desampare a Península porque já chega ver o nosso Mourinho e o nosso Cristiano a amocharem aos pés do Barcelona, não precisamos destes exemplos desvitalizadores e mariconços que ameaçam tirar-nos a supina arte do toureio a cavalo e a não menos artística valentia dos forcados.

Felizmente, Victor Cunha Rego já disse tudo o que havia de fundamental para ser dito acerca deste ritual de amor pelos touros, que é o amor pelo mistério de existir, deixando de caminho uma das melhores crónicas alguma vez escritas em língua de Camões, Vieira e Pessoa. Segue uma versão incompleta, a única que encontrei.

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Vinte Linhas 668

«Gaivotas mortas no convés» em 1972 (foto Círculo de Leitores)

Fernando Grade escreveu e Pedro Osório musicou a canção «Vamos cantar de pé» em 1972 para Paco Bandeira cantar no Festival da RTP. Foi a canção número um do sorteio. Mas não ganhou. Nem podia ganhar; soube eu hoje por um acaso de conversa.

Recordemos os versos iniciais: «Vives s em sol fechado no teu quarto / Que fica longe, ao pé do mar / Amigo triste, sombras marés / Gaivotas mortas no convés.»

E o refrão: «Amigo vem deita a tristeza ao mar / Vamos cantar de pé / Quem tem cabeça tem sempre valor / Vamos cantar de pé».

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Um encontro para a fotografia

Passos Coelho aproveitou a viagem a Nova Iorque para fazer a visita da praxe à comunidade portuguesa ali residente. Provavelmente, convencidos de que o actual Governo tem um rumo definido para o País, os nossos conterrâneos pediram-lhe umas palavras de encorajamento para os que desejam investir em Portugal. Vá lá saber-se porquê, a reportagem da RTP cortou a resposta que lhes deu, destacou foi a sessão de fotografias que Passos se dispôs a tirar com quase todos os presentes. Foi pena, pois com a necessidade absoluta de atrair investimento, esta era uma oportunidade para ficarmos a conhecer o que pretende este Governo para o País. Para além das inevitáveis medidas de austeridade, em que sectores da economia pretende investir. Se é que pretende investir nalguma coisa.
A comparação com o Governo anterior é inevitável. Com Sócrates, podia-se concordar ou não, mas ninguém tinha dúvidas quanto às opções que fez, isto apesar da grave crise internacional que teve de enfrentar. Para Passos, aparentemente, desde que invistam, tanto lhe faz que se dediquem a cavar batatas como à apanha do mexilhão, depois logo se vê se são os investimentos que mais interessam ao País. Voltámos à estaca zero. Nem se dá continuidade aos investimentos do Governo anterior, que apesar dos excelentes resultados obtidos, obviamente, não prestam, nem se apresentam alternativas. Abençoado acordo com a Troika que vai disfarçando (mal) o total vazio de ideias.

1º Grande Prémio da Leviandade no valor de 68,7 milhões de euros

“Este processo decorreu de forma muito leviana do ponto de vista político”, afirmou Miguel Macedo, denunciando que “não foram acauteladas questões básicas, como saber quanto envolve em termos de necessidades orçamentais e garantir que o novo sistema fosse aplicado a todos”.

O governante lembrou que a aplicação do novo sistema teria um impacto financeiro adicional global de 68,7 milhões de euros em 2010 e 2011, o que “é muito dinheiro nas actuais circunstâncias do país”.

O novo sistema remuneratório das polícias entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2010, mas, como sublinhou Miguel Macedo, foi suspenso através da lei do Orçamento do Estado que vigora em 2011.

Fonte

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Miguel Macedo declara que ter-se decidido aumentar os polícias em 2009 é leviano à luz da ruína financeira a que o PSD conduziu o País em 2011. Isto porque o acréscimo salarial, ponderado a dois anos, é o equivalente ao que Porto, Benfica e Sporting gastaram em contratações só em 2011.

Talvez tenha razão. Enquanto não tivermos a certeza, anuncio um prémio de 68,7 milhões de euros para quem, jornalista profissional ou mero curioso, consiga descobrir uma qualquer opinião de Miguel Macedo a respeito dos casos BPN e Madeira do ponto de vista da leviandade.

Semanada

Blogger´s Digest, em português corrente:

Helena Matos, Blasfémias

Passos disse que a situação da Madeira era uma chatice, provando que é um grande estadista. Se fosse o Sócrates, havia de defender o Jardim chamando nomes feios à mãe do jornalista e enfiando-lhe o microfone num sítio que eu cá sei. Eu, se fosse como o Sócrates, era o que faria.

***

Henrique Raposo, Expresso

Alberto João é igual a Sócrates. Aliás, Alberto João é o próprio Sócrates disfarçado. Ainda bem que o Passos Coelho fez um ar muito aborrecido com o Alberto João e nem sequer lá vai, porque lançar umas críticas sobre o Alberto João é de homem, aposto que o tipo já nem dorme. E assim tramou o Seguro, que tem agora de se demarcar de Alberto João. Digo, de Sócrates. Vai dar ao mesmo, até são do mesmo partido, é só tirar um D.

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João Afonso Machado, Corta-Fitas

O Alberto João Jardim foi feio, sim senhor. Mas não tão feio como o Sócrates, que só queria meter ao bolso. Desde que não o queiram meter ao bolso, está tudo bem, podem-me ir ao bolso sem avisar desde que sirva para fazer obra, e o empreiteiro não seja a Mota-Engil. Porque se for, estão a meter ao bolso, ao contrário da Madeira, onde ao menos não meteram. Grande obra, já viram? Assim até dá gosto!

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Daniel Oliveira, Arrastão

Não adianta enfiar o Alberto João na prisão, porque somos todos culpados. Aliás, vocês é que são, eu sempre disse que era um trafulha. Por isso agora não serve de nada andar com processos-crime, a não ser que ele tenha cometido um crime, e aí tem mesmo de ser. Mas entendam que se tiver cometido um crime, só o fez porque os madeirenses o puseram lá. Se não o tivessem feito, não podia. Logo, somos todos, digo, vocês, digo, os madeirenses são todos culpados de terem exercido a democracia com dolo, e o melhor é metê-los todos na prisão para não repetirem a graça. Nós no BE gostamos muito da democracia. Sabe a frango.

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Paulo Pinto Mascarenhas, Correio da Manhã

Disseram-me que era para escrever que o Jardim é igual ao Sócrates. Mas ninguém me enviou instruções detalhadas. Por isso, fica assim como está, curto e grosso: Jardim é igual ao Sócrates. Queriam mais, tinham que me ter explicado. Devagarinho, de preferência.

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Tavares Moreira, Quarta Republica

Não percebo porque é que a situação na Madeira é notícia de abertura, quando devia estar escondida bem no interior, o que é que aquilo tem de especial? Ah, deve ser porque os media estavam todos comprados pelo Sócrates, alguns de tal maneira que até se atreveram a apoiá-lo. Ou a não malhar nele, o que vai dar ao mesmo. Por isso, depois de se andar a martelar meses a fio o país com “esqueletos no armário” e “desvios colossais”, vêm agora com o desplante de destacar o buraco da Madeira? Era só dos outros, DOS OUTROS, não perceberam, cambada de cínicos e vendidos? Ai, que saudades da Dra. Manuela. Bom, vou pôr o post por pontos, para parecer sério e fundamentado. Que chatice, isto da Madeira.

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José Manuel Fernandes, Blasfémias

Vou escrever sobre a dívida da Madeira. Começo por uns museus nos Açores, para dar a entender que lá também deve haver uns jeitosos. Depois, discorro longamente sobre politicas de investimento público, Keynes, e tal, somos todos iguais, isto é tudo a mesma merda, este país não tem saída, e omito que o problema foi a ocultação da dívida. No final, já ninguém se lembra. Sou um génio. Não sou?

Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

Advice To Divorcees: Go Easy On Yourself
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Public Sector Workers More Pro-Socially Motivated Than Their Private Sector Counterparts, Multi-Country Study Finds
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Intuitive Thinking May Influence Belief in God
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Power Corrupts, Especially When It Lacks Status
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Gender equality boosts development: World Bank
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Women More Likely Than Men to See Nuance When Making Decisions
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Political Preferences Play Different Role in Dating, Mating
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Do Women’s Voices Really Allow Men to Detect Ovulation? No, Says New Study

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Um livro por semana 253

«Arte Portuguesa – História essencial» de Paulo Pereira

Este volume compacto de 872 páginas tem como antepassado o livro «2000 anos de Arte em Portugal» publicado em 2000 pelo mesmo autor. Onze anos depois, todo o texto foi reescrito. O autor procura alcançar uma síntese, rejeitando o simplismo e, ao mesmo tempo, a excessiva erudição.

O ponto de partida é a Gruta do Escoural: «A primeira descoberta de arte paleolítica foi feita em 1963, na Herdade da Sala (Montemor-o-Novo), em pleno Alentejo. O tiro de uma pedreira revelou uma gruta que os operários exploraram, surpreendendo um cenário reverencial de ossadas e restos cerâmicos».

O ponto de chegada são os anos 80 e alguns dos artistas da época: «Joaquim Bravo, Álvaro Lapa, Ângelo de Sousa, João Cutileiro, Rui Sanches, José Pedro Croft, Gérard Castello-Lopes, Paulo Nozolino, Eduardo Batarda, Pedro Calapez, Pedro Casqueiro, Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Julião Sarmento, Jorge Molder, João Penalva, Paula Rego e Joana Vasconcelos».

Ao todo são centenas de ilustrações em 16 capítulos na busca da síntese, actualizando conhecimentos essenciais, incontornáveis e fundamentais. O mesmo é dizer – um manual de consulta imediata. Vejamos um exemplo: «O corpo pobre e despojado (o exterior) contrasta com a alma preenchida dos dons de Deus, rica e feérica (o interior). Nossa Senhora dos Cardais é um caso extremo, oferecendo por fora fachadas chãs e indistintas para depois se abrir num coro celestial de cor e celebração».

(Editora: Temas e Debates/Círculo de Leitores, Revisão: João Pedro Tapada)

Sporting da impaciência

Não sei quantas vezes mais vamos ver este Sporting que consegue sincronizar o passe certo, o avanço em direcção à baliza contrária e a gana de rematar. Sei apenas que o campeonato português precisa muito da impaciência de um leão que não suporta estar sem atacar.

A segunda aliança direita/extrema-esquerda: o enriquecimento ilícito

Um orgulho. Um orgulho pertencer a um Grupo Parlamentar (GP) que não cede à tentação populista do “enriquecimento ilícito” e que se mantém fiel a alguns dos princípios mais importantes da nossa civilização, naturalmente vertidos na CRP. GP também firme contra o facilitismo na procura de ecos na opinião pública, à custa de uma desprezível tentativa de distinção entre os “justos” – que perseguem os corruptos – e os “cobardes” – que usam, diz-se, de “técnica jurídica” para meter a cabeça na areia.
Ontem, os justicialistas foram PSD/CDS e CDU e BE. Não é estranho. A moda desta coligação pegou.
Os projectos da extrema-esquerda, criando um novo tipo penal – “enriquecimento ilícito” -, invertem o ónus da prova, violam o princípio da determinabilidade dos elementos do tipo, com recurso a conceitos indeterminados e a advérbios, isto para não me perder em considerações demasiado técnicas. Porque já chega. Isto é um pontapé em séculos de evolução civilizacional, em nome de um “bem”, a “transparência”.
O PSD e o CDS mentem e afirmam que violam coisa nenhuma. No nº 1 do tipo proposto poder ler-se pérolas penais como “incremento significativo do património, ou das despesas realizadas por um funcionário” – o que é isso? -, “que não possam razoavelmente por ele ser justificados” – razoavelmente? E onde está o quando? -, “em manifesta desproporção relativamente aos seus rendimentos legítimos” – qual a medida do “manifesta” e como se apura? -, “com perigo manifesto daquele património provir (..) – ” – temos o perigo manifesto, outro conceito indeterminado e temos prisão até 5 anos.
Penso que um aluno meu no segundo ano faria muito melhor do que esta aberração. E não se deixaria levar pela batota nojenta da direita justicialista que foi inventar uma intervenção probatória do MP para não ser acusada de violar os princípios que enunciei mais acima.
Batota, sim. Mas para idiotas. A direita manda o MP fazer a prova de alguns dos elementos do tipo, quando nos termos do princípio da presunção da inocência e do CPP cabe ao MP fazer prova de todos os elementos do tipo incriminador, descritivos e normativos.
Mais grave, porém, é que a impoluta direita manda o MP provar que o incremento significativo do património ou das despesas realizadas por um funcionário em manifesta desproporção relativamente aos seus rendimentos legítimos não provêm de “aquisição lícita comprovada”.
O MP, portanto, para além de lidar com uma expressão “sem alcance” – “que não possam razoavelmente por ele ser justificados” – tem de fazer a prova de um facto negativo!
Se não prova que os rendimentos tal e tal não provêm de aquisição lícita comprovada (afinal de quem é o ónus, já deu para perceber?) temos crime, temos sangue.
Muito mais haveria para escrever. Ontem, a direita, aliada à esquerda, cederam ao populismo pisando conquistas seculares. E se o seu diploma for chumbado pelo TC, dirão, virgens, que tudo fizeram, mas que foram travados pelos tribunais.
De resto, a Deputada Teresa Leal Coelho, ontem, em face das reservas do PS, apontava a solução de revermos a CRP. É que havia a petição pelo enriquecimento ilícito. Tanta a gente a pedir sangue.
Registei.
Venha uma petição a pedir a pena de morte e toca a mudar a CRP.

Santos Silva has left the building

Augusto Santos Silva deixa o Parlamento e regressa à academia. Agora sim, o ciclo iniciado em 2005 está terminado. E não há na política portuguesa outra figura tão poderosamente acutilante como este malhador. Por isso, e de uma forma ainda mais profunda e desesperada do que com Sócrates, foi tão odiado pelo Cavaquismo.

Um livro por semana 84

«Poemas da guerra» de José Niza

De 1969 a 1971 o autor integrou um batalhão militar em Angola. Ao chegar deparou-se com «O Carnaval em Zau Évua»: «Aqui o Carnaval é todo o ano/desde o içar da bandeira/ao cair do pano/trezentos soldados/mascarados/suam bem suados/bagas de suor de un confetti/amarelo verde e encarnado/que não é daqui/um clarim toca/várias vezes ao dia/Pavlov descobriu/que os reflexos condicionados/também serviam para os soldados/ eu vou estando/e não esqueço/adeus/até ao meu regresso». À sua volta uma onda de boatos: «Dói-me um dente / coitado tem um grande abcesso / ouvi dizer que era um tumor na cabeça / parece que já chamaram a família / a que horas é o funeral?» O alferes miliciano médico decide uma estratégia («Rir/é uma palavra capicua/que dá sorte/rir de tudo/até da morte») que envolve a música de J.S. Bach: «Amigo/séculos nos separam/e a tua música nos une/o tempo? /o que é o tempo/se a tua música vai existir/para além da tua vida/e da minha morte». Por fim despede-se de África já conhecida de viagens anteriores em 1958, 1960 e 1963: «Minha África Inútil/ sonho transformado em pesadelo/daqui te escrevo/ao pôr-do-sol/olhando este mar verde/sinfonia de capim em si bemol/daqui te escrevo/com a mágoa de te deixar assim/sozinha pobre sem futuro».

Lido em 2008 «Poemas da guerra» é um testemunho poético feito por alguém que viveu dois anos bem do lado de dentro dum certo tempo português: dos 12 mortos da «sua» guerra nenhum morreu em combate.

(Editora: O MIRANTE, Prefácio: Francisco Pinto Balsemão, Capa: José Nuno Niza)

Governo a voar, dívida da Madeira a triplicar

Já não restam dúvidas: a prática, de tão repetida, merece ser considerada uma estratégia. Sempre que algum embaraço, dificuldade ou comunicação importante surge ultimamente em Portugal, o primeiro-ministro encontra-se no estrangeiro.
Neste momento em que está a ser oficialmente anunciada pelo responsável das Finanças da ilha, e pelo próprio Jardim, uma dívida escondida de 5,6 mil milhões, o triplo, portanto, do que fora declarado há dias, Passos voou para Nova Iorque, Gaspar para Washington, Portas idem e Aguiar para a Polónia. Não temos, portanto, hipótese de lhes fazer qualquer pergunta (esqueçam Vítor Gonçalves, que parece que lhes foi na peugada agarrado ao microfone). Que conveniente!
Mas é pena, porque eu, por exemplo, gostaria de saber o seguinte: “Esta dívida descomunal não afecta as metas do défice? Se não, porquê? Se sim, como vão resolver o problema?”

Esta brilhante, mafiosamente solidária, família PSD que nos governa, governa a ilha e preside à República não hesitaria, porém, em mandar um pelotão de fuzilamento a Paris, tivesse o buraco sido descoberto no continente. Não que não tivessem procurado. Não que não tivessem insinuado. Não que não tivessem espumado.

Mas um buraco destes na Madeira é, como dizer? É nada! Nada de especial. Nada que o amor da família não resolva.

No meio disto tudo, quem me parece mais surpreendentemente pulha acaba por ser Vítor Gaspar. Um independente, lembre-se. Percebe-se mal que um personagem daqueles, com aquela voz pausada de académico sério, vindo do BCE, penso, pactue com estes pantomineiros que, conhecendo a situação da Madeira pelo menos há meses, tudo fizeram para que Jardim, mais polémica, menos tontaria, mais ocultação, menos revelação, chegasse a Setembro em condições de ser reeleito. Pior: tudo indica que Gaspar conhecia o guião desde o início, desde o primeiro acto, o tal que intitularam de Desvio Colossal.

Vindo do hipócrita que no discurso da tomada de posse nem sequer escreveu a palavra Europa

Ainda a propósito da autonomia regional e quando interrogado se entende que a situação económica e financeira do país a pode atingir, Cavaco Silva reiterou que “nenhuma parte do país irá ficar imune de uma crise que é internacional, que tem uma dimensão localizada muito forte, na Grécia, mas com uma grande incidência noutros países em resultado da interdependência dos sistemas financeiros e das economias”.

Fonte