Um livro por semana 84

«Poemas da guerra» de José Niza

De 1969 a 1971 o autor integrou um batalhão militar em Angola. Ao chegar deparou-se com «O Carnaval em Zau Évua»: «Aqui o Carnaval é todo o ano/desde o içar da bandeira/ao cair do pano/trezentos soldados/mascarados/suam bem suados/bagas de suor de un confetti/amarelo verde e encarnado/que não é daqui/um clarim toca/várias vezes ao dia/Pavlov descobriu/que os reflexos condicionados/também serviam para os soldados/ eu vou estando/e não esqueço/adeus/até ao meu regresso». À sua volta uma onda de boatos: «Dói-me um dente / coitado tem um grande abcesso / ouvi dizer que era um tumor na cabeça / parece que já chamaram a família / a que horas é o funeral?» O alferes miliciano médico decide uma estratégia («Rir/é uma palavra capicua/que dá sorte/rir de tudo/até da morte») que envolve a música de J.S. Bach: «Amigo/séculos nos separam/e a tua música nos une/o tempo? /o que é o tempo/se a tua música vai existir/para além da tua vida/e da minha morte». Por fim despede-se de África já conhecida de viagens anteriores em 1958, 1960 e 1963: «Minha África Inútil/ sonho transformado em pesadelo/daqui te escrevo/ao pôr-do-sol/olhando este mar verde/sinfonia de capim em si bemol/daqui te escrevo/com a mágoa de te deixar assim/sozinha pobre sem futuro».

Lido em 2008 «Poemas da guerra» é um testemunho poético feito por alguém que viveu dois anos bem do lado de dentro dum certo tempo português: dos 12 mortos da «sua» guerra nenhum morreu em combate.

(Editora: O MIRANTE, Prefácio: Francisco Pinto Balsemão, Capa: José Nuno Niza)

7 thoughts on “Um livro por semana 84”

  1. Eh pá, chega! Chega! Com tantos livros, tanta literatura à espera de ser anunciadas aos cérebros letárgicos da populaça (da qual eu não me excluo por mera modéstia), e vem este senhor sugerir, mais uma vez, e outra, e outra, qualquer treta do espírito saudoso do colonialismo… chega! Acorde para a vida! Ninguém está interessado nessas dores e nesse saudosismo patéticos… sim, talvez outros patetas ou traumatizados como porventura o senhor. Mas chega: acorde para a realidade! Não é mais infeliz que ninguém; a experiência de África não lhe deu mais know-how do que a velhota que permaneceu em Barrancos. Que arrogância, pá! Daqui a nada só falta virem-me falar da quarta classe de antigamente (a propósito: menos exigente que a atual 3.ª classe ;-)… África é um continente bonito, mas não é nosso; nem vosso! Vocês são portugas de gema, e por muito que isso vos custe a aceitar (como eu vos compreendo), há que escreverem poemas sobre o queijo da serra ou a maravilhosa zona mórbida do oeste. Mas poemas mesmo, e não patetices para entreter o ego. O que é poesia mesmo? Olhe, não sei… mas pode experimentar Ibn Arabi. Mais estúpido que um povo, e que os seus políticos, só mesmo a sua intelectualidade.

  2. Se a estupidez fosse uma doença mortal, a caixa de comentários do Aspirina B seria um espaço muito mais higiénico.

    Assim, de vez em quando, cheira a estrume.

  3. são uma uma vergonha os comentários desta cambada de cobardes, que já nem a memória dos que nos deixam, respeitam.

    Já estou como o José Francisco, vão morrer longe, grandessissimos filhos da puta!

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