Marcelino pan y vino

Por estes dias, José Sócrates é o homem de Estado que calou a reunião secreta que Pedro Passos Coelho divulgou face à insistência de Judite Sousa. O primeiro-ministro respeitou a palavra dada e o compromisso que estabeleceu nas horas de cimeira com o presidente do PSD em São Bento em busca do acordo de que o País precisava e no qual Cavaco Silva deveria ter empenhado a sua prometida magistratura activa. Significa isto que, afinal, o Governo procurou o entendimento, e o sms que Pacheco Pereira revelou (na Quadratura do Círculo) ter sido enviado a todos os deputados é também uma peça importante desse período.

O problema está em que tudo isso é passado e Portugal precisa de presente e sobretudo de ter futuro. E precisava de partidos que não fossem autistas e de políticos que soubessem colocar o País acima das eleições e dar resposta às preocupações da maioria dos cidadãos. Pelos vistos, isso é demais para eles.

João Marcelino

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Não, Marcelino. Nada disto é passado. Tudo isto é o que molda o presente e o que vai estar em causa no futuro próximo, já a 5 de Junho. Por isso deves pôr a mão na consciência e deixar-te destas merdas. Estas merdas de venderes uma salgalhada onde todos os agentes políticos se equivaleriam eticamente. E não é assim, pois não? Tu próprio o descreves, já só falta assumi-lo.

Se o Governo, afinal, procurou o entendimento, como afirmas recorrendo à módica objectividade, as conclusões de tal inferência são decisivas para a escolha eleitoral. Não só o PSD provocou por demência uma crise política que arruinou irreversivelmente o País, como também CDS, BE e PCP foram cúmplices dessa jogada suicida.

Não é preciso esperar por um milagre para saber o que uma imprensa civicamente responsável deve fazer perante os factos.

Da falta de anti-histamínicos

Não admira que ninguém da oposição queira falar desta entrevista a Jorge Miranda. Por três razões: nela aparece denunciada (i) a responsabilidade da oposição no boicote às reformas logo no Governo de maioria PS, (ii) a irresponsabilidade do chumbo do PEC que levou à entrada do FMI com o consequente colossal agravamento das medidas, (iii) o escandaloso escândalo, ou trágica tragédia, que Cavaco protagoniza como nunca se viu nem existia uma única pessoa nesta terra que julgasse possível ver, mesmo no pior pesadelo.

À esquerda e à direita, resta um resíduo de vergonha própria que impede o auto-enxovalho de caluniarem Jorge Miranda acusando-o de serviços ou preferências socialistas. Quando não arranja uma forma qualquer de assassinato de carácter, esta mísera oposição cala-se, enfarda e foge. Eis os pungentes efeitos da alergia ao pensamento.

Sobre um tema de Vitorino Nemésio

Viver nas ilhas pequenas
É comprar paz com desconto (Vitorino Nemésio)

Viver nas ilhas pequenas
É ter mais tempo nos dias
Entre manhãs tão serenas
E as noites longas e frias

O dia tem horas cheias
Passam os vários vapores
E na sombra das baleias
Há vozes de trancadores

O vinho das cepas velhas
Desce com a neve do Pico
Desde a porta até às telhas
É nesta adega que eu fico

No sossego das lagoas
Na distância das fajãs
Perdi a voz das pessoas
Na gramática das manhãs

Viver nas ilhas pequenas
É comprar paz com desconto
Ter numa factura apenas
A vida ponto por ponto

V9

O que se está a passar no PSD não é normal. Nem para o saco de gatos a que nos habituou. Há qualquer coisa de mais profundo a passar-se, mas que só nos chega através da espuma que provoca.

Quem é que informou a Judite de Sousa acerca da reunião, e porque é que ela faz a pergunta a Passos Coelho, que é claramente apanhado de surpresa (vejam o piscar de olhos compulsivo antes de responder)? Porque é que Ferreira Leite, Marques Mendes e outras figuras do Cavaquismo recusam os convites de maneira tão publica, sabendo bem os danos que provocariam? Porque é que Marques Mendes vem deitar achas para a fogueira de Nobre? Porque é que Pacheco Pereira vem divulgar este SMS, da maneira mais danosa possível, quando ele pode ser explicado de maneira bem mais inocente, como o demonstra o Pedro Marques Lopes? E finalmente, porquê o silêncio ensurdecedor de Cavaco Silva, quando já nos provou que não tem o mínimo pudor em fazer declarações para influenciar a campanha e prejudicar o PS?

Ou seja, porquê a pressão sobre Passos Coelho para provocar eleições, deitando por terra o plano de salvamento já preparado e assegurando a vinda do FMI, para depois lhe tirar o tapete desta maneira?

Para mim, a explicação pode ser esta: Pedro Passos Coelho foi usado para deitar abaixo o governo, na pior altura possível e assegurando-se que não recebia um balão de oxigénio que lhe permitisse recuperar a reputação, mas nunca foi intenção de Cavaco que fosse Passos a ganhar estas eleições. Antes, seria o PS a negociar a ajuda e a arcar com as consequências da sua implementação num primeiro momento, um ano ou dois, permitindo então uma “nova esperança” com um PSD renovado por Rui Rio e uma maioria absoluta. E se o CDS alinhar com o governo, em nome do “interesse nacional”, tomando parte do desgaste, tanto melhor.

Só assim é que me faz algum sentido. Claro isto é especulativo e conspiratório, e que no meio da jogada os interesses do país e dos cidadãos são altamente prejudicados e favor de interesses de poder, mas não espero outra coisa deste presidente.

A ultima jogada do Cavaquismo, a meu ver, está ainda na fase inicial. Uma maioria, um governo, um presidente. Mas não já.
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Oferta do nosso amigo Vega9000

Cineterapia

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Trouble in Paradise_Ernst Lubitsch

Esta é a melhor comédia do mundo. Uma das muitas melhores comédias do mundo, género poliamoroso como nenhum outro. É que as comédias não têm ciúmes, não fazem drama nem armam coboiadas por repartirem amantes. Riem-se à gargalhada do sentimento de posse, como piratas para quem todas as praias tivessem tesouros no areal.

Esta é a melhor comédia do mundo. E não envelheceu um dia, antes está hoje mais jovem do que há 20, 30, 40, 50 ou 60 anos. Contando uma história que reflecte os efeitos económicos e sociais da Grande Depressão, e caricaturando a alta sociedade e seus irresistíveis bandidos, fala-nos do que resiste imutável ao tempo: sexo e dinheiro. Sexo para obter dinheiro, dinheiro para obter sexo. A essência do capitalismo.

Esta é a melhor comédia do mundo. O seu efeito é igual ao do mais luxuoso champanhe, uma embriaguez sofisticada e de sofisticação. Porque não há maior sofisticação do que a da inteligência, nem embriaguez que se compare à sua fruição delicada e em abundância.

Esta é a melhor comédia do mundo. Um filme de gangsters. Uma teoria do amor.

Segundo retrato de Helena ao colo de Marta

Helena coloca a mão direita em posição
De afirmar uma ideia sua em fantasia
Desenha no seu gesto futura afirmação
Da vontade que se expressa em alegria

Os olhos que se projectam, linha serena
No horizonte de um quarto de criança
São um bilhete de identidade de Helena
E o sorriso é um passaporte de esperança

Vejo a altivez na sua franqueza do olhar
Como velhos azeitoneiros da Andaluzia
A recolherem a luz do azeite num lagar
Nos fios dourados que dão calor ao dia

No sorriso de uma criança a Primavera
Em três dos corações de quem lhe quer
No tempo mais veloz quando não espera
Vai adormecer menina e acordar mulher

Ditos de Abril

Olha, o Tocqueville é que é bué fixe…

Ouvido, de passagem, a uma universitária sentada numa escadaria às 15.57 de 15 de Abril de 2011

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De Tocqueville, e da democracia e do liberalismo no século XIX, há muito e do melhor para dizer. Mas este acaso, que me chegou aos ouvidos nesta tarde, leva-me para outro, com 173 anos:

Não te consigo transmitir, querido amigo, o desgosto que sinto quando vejo o modo como os homens públicos dos nossos dias negoceiam, de acordo com os pequenos interesses do momento, em coisas tão sérias e sagradas aos meus olhos como princípios… Eles assustam-me por vezes e fazem-me perguntar a mim próprio se apenas existem interesses neste mundo, e se aquilo que tomamos como sentimentos e ideias não passa, de facto, de interesses que agem e falam.

Carta a Beaumont, 22 de Abril de 1838
(trad. nossa)

A última golpada do Cavaquismo

O primeiro-ministro garantiu que “Portugal não negociou com ninguém as medidas”, embora tenha havido de facto contactos com Comissão e BCE, tal como muitos outros Estados-membros o fazem, pois “Portugal não está em condições de apresentar um PEC que não seja bem recebido” por estas duas instituições, cujo apoio é “absolutamente decisivo” para a sua credibilização.

Por outro lado, indicou que “compete ao Governo apresentar o PEC”, mas garantiu que o seu executivo está disponível para discutir medida a medida e que aceita mudanças se “aparecerem melhores”, com o mesmo impacto que permita atingir as metas.

“Estamos disponíveis para discutir medida a medida, não estamos disponíveis é para não cumprir os nossos objetivos”, declarou.

Sócrates reagindo ao anúncio da recusa do PEC pelo PSD, a 12 de Março

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As sucessivas declarações e informações que chegam ao espaço público – onde o SMS enviado aos deputados sociais-democratas, referido pelo Pacheco, é a smoking gun – materializam a hipótese de que Passos Coelho esteve a negociar o PEC na noite de 10 de Março, tendo aceitado viabilizá-lo caso recolhesse apoio europeu, mas alterou a sua posição em menos de 24 horas. Qual o factor que se meteu pelo meio? Do que conhecemos, foram as intervenções da Presidência, divulgando para a comunicação social, logo após a conferência de imprensa de Teixeira dos Santos, que não tinha existido uma apresentação prévia das medidas a Cavaco. A mensagem era clara: o Presidente da República denunciava algo de, supostamente, enorme gravidade na relação com o Executivo. Gravidade essa adensada pelo recente discurso da tomada de posse e seu teor de confronto aberto e violento contra o Governo. Horas mais tarde, Passos repetia a cifra de Cavaco no Parlamento: O PSD não aceita mais medidas de austeridade. Depois, marcou-se uma reunião entre Passos e Cavaco, da qual apenas saiu a confirmação da estratégia de chumbo do PEC. Por fim, ouvimos Cavaco dizer que não pôde fazer nada, a crise teria acontecido com demasiada rapidez e por culpa do Governo. E agora, após o Governo ter caído e o FMI ter entrado, ainda temos assistido incrédulos aos achincalhantes pedidos de Cavaco e Passos para se fazer um acordo intercalar de modo a permitir ao PSD, caso vença as eleições como acredita ser inevitável, negociar o principal da ajuda à sua maneira.

Veremos como vai a inexistente imprensa tratar este caso. Um caso que chega, e sobra, para tornar politicamente inaceitável a continuação de Cavaco em Belém.

25 de Abril sempre

Otelo Saraiva de Carvalho tem direito ao envelhecimento, à depressão e às asneiradas. Mas de tudo o que disse, o mais dissoluto foi isto:

Otelo Saraiva de Carvalho lembrou que o movimento dos capitães iniciou-se precisamente por “razões corporativistas”, nomeadamente quando “os militares de carreira viram-se de repente ultrapassados nas suas promoções por antigos milicianos que, através de um decreto-lei de um governo desesperado por não ter mais capitães para mandar para a guerra colonial, permite a entrada desses antigos milicianos”.

Não se trata propriamente de uma tese inovadora, tem muitos anos de gasto. O seu poder corrosivo, porém, está intacto – e na exacta medida em que é verosímil. É isto o cinismo, usar a lógica como instrumento de redução intelectual, perversão moral e deturpação antropológica.

Esteve bem, pois, Vasco Lourenço:

“Também está mais do que demonstrado que — e o Otelo tinha mais que a obrigação de já ter percebido isso — as motivações maiores, que já vinham de trás, eram motivações políticas, de desejo de uma sociedade livre, democrática e de uma sociedade que não oprimisse outros povos, impondo-lhes uma guerra”, afirmou.

Eis o 25 de Abril. Então, como agora e para sempre.

Parabéns Sócrates!

Sabemos bem que foste tu, com as mentiras que lançaste para encobrir o verdadeiro estado do futebol nacional e assim levar os adversários a cair na armadilha do excesso de confiança, quem nos trouxe para esta situação: o inédito de ter 3 equipas portuguesas nas meias-finais de uma competição europeia. Não admira que finlandeses, alemães e outros invejosos estejam tão ressabiados.

Sobre um tema de Emanuel Félix

(poema – autógrafo para Manuel Emílio Porto)

O motor duma traineira
Que fundeou na baía
Trabalhou a noite inteira
Mas só o poeta o ouvia

O motor duma traineira
Que fundeou na baía
Trabalha a noite inteira
Numa faina de alegria
E faz à sua maneira
Sumário dum novo dia
Como se uma feiticeira
Desenhasse a profecia
Duma vida verdadeira
Longe da monotonia

O motor duma traineira
Vem acordar o poema
Numa mesa de madeira
O poeta tem um dilema
Há a palavra pioneira
Que desenha no cinema
O fogo de uma lareira
Criando um novo sistema
O poeta escuta a traineira
Que dá a força ao poema

O motor duma traineira
Que fundeou na baía
Trabalhou a noite inteira
Mas só o poeta o ouvia

Dos mansos não reza a História

Relvas, na cara de Seguro, disse que o PSD não considera legítima a actual liderança do PS – caracterizando-a como não tendo palavra nem seriedade – e que gostaria de a ver mudada. Traduzindo: não se conseguiu assustar nem enganar Sócrates com as sucessivas pulhices lançadas logo desde 2004, o que causa sérios problemas aos sociais-democratas.

E disse mais. Que, para além do voto dos militantes socialistas passar a ser irrelevante, o PSD pretende igualmente escolher o Secretário-geral, tendo já elaborado a lista dos nomes admissíveis: António Costa, Francisco Assis e José Seguro.

Miguel Relvas é secretário-geral do PSD e vai para a comunicação social, a 14 de Abril de 2011, dizer que os responsáveis governativos – que negoceiam com o FMI a saída do buraco para onde fomos todos empurrados por Passos Coelho e Cavaco – não são pessoas de bem. Inacreditável? Vindo de quem vem, não, nada. Inacreditável é a resposta e atitude de Seguro, que foi literalmente toureado e se deixou ficar.

Haja alguém que faça o favor de explicar ao Seguro que o PS não é um partido de mansos. E que as ofensas feitas aos nossos são feitas a nós. Quem pactua com a cobardia do assassinato de carácter como ataque político, sendo incapaz de um gesto na defesa da honra dos atingidos, talvez tenha falhado a vocação.

Da convergência e da democracia: a disputa necessária

Em face da situação do país, é natural que se levantem vozes, conhecidas e anónimas, pedindo que os partidos “parem de andar às turras” e que se ponham lado a lado na difícil caminhada que temos pela frente. Não sabemos, hoje, o que se passará depois das eleições, se teremos coligações para evitar governos minoritários e, se sim, de que tipo.

Este “desejo”, às vezes cansado, não pode levar a classe política, e quem comenta a política, a esquecer a impossibilidade da clivagem ideológica entre os partidos, o percurso de cada um, as atitudes tomadas em momentos determinantes que marcam definitivamente o curso dos acontecimentos e o carácter de quem se propõe a fazer política e, portanto, a dar o seu melhor por um qualquer conceito de justiça.

Por isso mesmo, é inadmissível aceitar mandamentos como o de Ângelo Correia, há dias, na SICN, no sentido de que quanto a Fernando Nobre está tudo claro: foi convidado pelo PSD e aceitou. Quanto ao resto, o povo que vote. Isto é, até ao dia das eleições estamos impedidos de fazer uma leitura politica do facto de o líder do maior partido da oposição ter escolhido para cabeça  de lista de Lisboa um homem que já esteve com o BE, com Mário Soares e que foi candidato à PR com um discurso patético de superioridade moral por não pertencer a partidos, por nada querer com eles e por ter visto horrores no mundo. Para mais, o homem que jurou que jamais aceitaria um convite partidário, aceita-o já sendo putativo candidato à segunda figura do Estado, o que é desrespeitoso para a AR, para não dizer mais. É evidente que isto tem de ser lido e falado, porque a  escolha de Nobre mostra ao eleitorado da capacidade de Passos Coelho para fazer boas escolhas a qualquer nível, seja parlamentar, seja governativo. Temos indício forte de que essa capacidade é muito má.

Em democracia, mesmo quando o país está aflito, discute-se, responde-se, demonstra-se a diferença entre o tu e o eu. Sem debate, sem clivagem, não há a essencial demonstração de uma escolha ao eleitorado.

O PSD, que vai vendo boas cabeças fugirem desta liderança, mostra pouco. E insiste em que  PS foi teimoso em sublinhar tanto a responsabilidade que coube aos laranjas pela situação actual. Insiste porque não tem alternativa. Mal estaria o PS se não dissesse as vezes que fossem necessárias, cada vez que é desmentido, o que se passou no chumbo do PEC IV, chumbo aprovado por todos os partidos num golpe palaciano anormal, resoluções sem propostas, porque as que tinham umas coisitas aceitaram a proposta do CDS de serem cortadas ao meio para que se votasse apenas o artigo 1º do chumbo do PEC e depois animadamente chumbaram-se reciprocamente. Tudo combinado.

Estamos à espera das propostas do PSD que já variaram muito entre o que saiu da sua boca e da dos seus conselheiros e de um livro escrito por gente da banca, mas Passos prefere perguntar a fazer propostas. É tão irresponsável, tão demagógico, tão indiferente ao interesse nacional, que estando neste momento Portugal a ser avaliado para receber ajuda externa dentro de um programa que terá de ser cumprido por quem quer que seja Governo, Passos  explica aos senhores que nem nisso estamos unidos. Passos faz concorrência ao pessoal. Ele quer, agora, neste momento, saber, por exemplo, o número de funcionários públicos por ministério.

Como dizia ontem Nicolau Santos na SICN, o que deu a Passos Coelho? Portanto, o Governo está a falar com os senhores que aterraram na Portela e que precisamente fazem uma avaliação completa da situação financeira do país. Eis que o líder laranja aparece a acenar com um papel com quarenta e tal perguntinhas?

Este homem não pode ser PM. Digo eu.

Já começa a estar cansado, diz ele

Como aqui se pode ouvir pela boca do próprio, Passos encontrou-se com Sócrates para ouvir as principais medidas do PEC, mas sem documento formal e sem pormenores – isto é, para falarem acerca de objectivos gerais e grandes metas. E ainda acrescentou uma outra informação, naquele que é um deslize que revela involuntariamente o que aconteceu:

[…] no mesmo dia em que o Primeiro-ministro declarava em público, na Assembleia da República, que o País não precisava de mais medidas de austeridade, na votação de uma moção de censura, nesse mesmo dia estava a ultimar uma negociação com medidas de austeridade novas para apresentar ao País passados dois dias […]

Portanto, conta-nos Passos, Sócrates estava a ultimar uma negociação no próprio dia em que se encontraram, o dia da votação da moção de censura. Seja qual for o sentido que se dê ao termo negociação, aquele relativo ao documento que se iria apresentar na cimeira europeia ou aquele que justificaria o encontro com o líder da oposição, fica a certeza absoluta – garantida por uma testemunha presencial de credibilidade a toda a prova – que o PEC não estava fechado a 10 de Março, quinta-feira. Na sexta-feira de manhã tínhamos a conferência de imprensa de Teixeira dos Santos, a declaração de que o PSD ia esperar pelos resultados da cimeira para se pronunciar acerca das medidas e a notícia de que Cavaco não tinha sido informado. À noite, Passos Coelho declarava não aceitar mais medidas de austeridade e acusava o Governo de ter agido unilateralmente.

Isto leva-nos para a duração do encontro, quatro horas. Admitindo que Passos terá chegado depois de jantar, por volta das dez, terá saído às duas da matina. Que grande seca levou, coitadinho, tendo de estar ali calado o tempo todo a ouvir a descrição das linhas gerais do PEC, apenas acenando que sim ou que não e levando ocasionalmente as mãos à cabeça em desespero e dor, mas nem sequer tendo direito aos pormenores. Não admira que ainda não tenha recuperado dessa noitada e ande cansado, como desabafou com os jornalistas.

edietora

Tenho de esquecer o que sei do funcionamento da UE, do euro, da zona euro. O Mecanismo de Estabilização do Euro que estava prestes a ser aprovado na última cimeira não ia ter uma notação triplo A, não. Não ia permitir taxas de juro no máximo de 5% a quem a ela recorresse, não. Não estava desde já aberta a Portugal com as medidas do PEC IV que foram aprovadas pela Comissão, BCE e estados-membros da zona euro, não. A sua aprovação não seria a tentativa até agora mais credível de pôr termo à especulção sobre as dívidas dos países da zona euro, e sobre o próprio euro, não. E o facto de Portugal resistir ao FEEF+FMI não significa que contitui um obstáculo ao ataque da próxima vítima – Espanha. Não, nada disto afecta o euro em si, claro que não. Não nada disto aconteceu.

O culpado de tudo e mais um par de botas é o Sócrates. E ele que se cale que já estamos fartos que se vitimize e ainda se permite criticar o PSD por não ter apresentado um grama de programa. Autoritário e arrogante!

Sofia C.

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Manuel Pacheco – Aí vem lobo:

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fado positivo

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