Vinte Linhas 606

Com que então esteve à vista o segundo golo da nossa equipa?

Aqui há uns bons anitos, talvez oito, o Sporting Clube de Portugal tinha uma denominada «equipa B» onde jogavam os juniores promissores e jogadores da «equipa A» à procura de ganhar «endurance», como dizia o senhor Boloni. No relvado principal de Barroca de Alva, por uma tarde de sol de Abril já com os jogos a começarem às 16 horas, lembro-me de uma cena engraçadíssima. Um repórter de uma rádio local que veio com a equipa visitante, ficou sem «sinal» passados uns 15 minutos depois do início do jogo. Sugeri-lhe que pelo telemóvel ligasse à sua rádio e lhe desse um número que estava ali à mão e pertencia a um dos três jornais diários desportivos. Como era para receber chamada quem pagava era a Rádio local e o serviço lá continuou. Já na segunda parte ouvi ele a dizer «Esteve à vista o segundo golo da nossa equipa!» mas como ainda estava tudo a zeros fiz-lhe sinal e apontei para os seus apontamentos. Foi pior a emenda que o soneto: «Senhores ouvintes dissemos há pouco que esteve á vista o segundo golo porque há minutos esteve à vista o primeiro golo da nossa equipa!»

Lembrei-me desta história hoje ao ler o «D.N.» pois na página 55 há uma notícia sobre o jogo «St. Pauli- Schalke 04» interrompido ao 89 minutos depois de um espectador ter atirado um copo de cerveja a um árbitro auxiliar que invalidou um golo ao St. Pauli. O Schalke 04 ganhava por 2-0, com golos de Raul (26m) e Drexler (66m) e, aqui vai a confusão do texto, «o golo do St. Pauli igualaria o resultado da partida». Não pode… Havendo 2-0 para o Schalke 04, o tal golo invalidado aos 89 minutos apenas faria o 2-1, mas nunca, como diz o texto do «D.N.», igualaria a partida…

Quem foi o ganda tosco?

O tosco que deu a ordem para se apagarem as luzes, e ligar o sistema de rega, depois do jogo ter acabado deve assumir a decisão ou ser denunciado. Porque transformou uma derrota azeda numa anedota humilhante. Os benfiquistas não mereciam ficar assim sujeitos, e para os longos anos futuros, à triunfal gargalhada dos portistas – ganharam o jogo, sagraram-se campeões e ainda levaram o rival a ridicularizar-se de uma maneira patética.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Walnuts Are Top Nut for Heart-Healthy Antioxidants
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Low Health Literacy Linked to Higher Risk of Death and More Visits to the Hospital
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Benefits of Exercise for Arthritis Suffers
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Some Ingredients in “Green” Products Come from Petroleum Rather than Natural Sources
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Russian Boreal Forests Undergoing Vegetation Change
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Tea Party Beliefs Far Beyond Mainstream Conservatism
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Women’s Body Image Based More on Others’ Opinions Than Their Own Weight
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Older and Stronger: Progressive Resistance Training Can Build Muscle, Increase Strength as We Age
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New Nanomaterial Can Detect and Neutralize Explosives
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Civil Conversations Can Emerge from Contentious Topics

Apocalypse Now

Os decadentes, daquela direita decadente incapaz de ganhar eleições porque tem aversão à democracia, gostam de comparar os últimos anos da política nacional – uns começando a contagem a partir de Sócrates e outros de Guterres – com o período de Weimar; suas convulsões e radicalizações, as quais contextualizam a subida de Hitler ao poder. É apenas mais uma forma de abanarem as suas peidas catastrofistas e pedantes, não tem qualquer outro significado a referência. Mas podemos pedir-lhes de empréstimo a retórica e tentar descobrir um paralelo histórico para o que o Parlamento fez ao chumbar a actualização do PEC.

Ora, trata-se de encontrar algo espantosamente irresponsável e que, em simultâneo, exiba a dimensão irracional sem a qual não seríamos humanos. Para o exemplo ser perfeito terá igualmente de se constituir como um pináculo de hipocrisia e cinismo. Já estás a topar o que possa ser, né? Pois claro, a Liga de Cambrai. Lembremos as circunstâncias: o Império Otomano estava em acelerada expansão, tomando conta do Mediterrâneo e ameaçando conquistar a Europa, Constantinopla tinha caído em 1453 e Mehmed II chegou a invadir partes da península italiana em 1480, numa tentativa de anexar Roma. Seria de esperar que os europeus fizessem alguma coisa para se defenderem, até porque estavam também sem linhas comerciais para a Ásia. Este é o quadro político-económico onde surge a Liga de Cambrai, em 1508, uma iniciativa do Papa Júlio II que juntou o rei de França Luís XII, o imperador do Sacro Império Romano Germânico Maximiliano e Fernando II de Aragão sob o pretexto de irem combater o expansionismo turco. Só que em vez disso, e nunca tiveram outro objectivo, acordaram atacar Veneza e dividir entre si os territórios conquistados. Mafoma ameaçava substituir Jesus até ao Atlântico, mesmo assim os príncipes europeus preferiam ir ao pote que estava mais próximo. A ironia não acaba aqui. É que estes quatro aliados nunca conseguiram organizar-se militarmente, posto que cada um tinha a sua agenda política. Fiasco.

PCP, BE, PSD e CDS uniram-se para lançarem Portugal indefeso nas mãos dos jovens turcos que especulam nos mercados financeiros. Este particular tipo de loucura, como se constata, já vem de muito longe.

Vinte Linhas 605

De Manuel Castro a Sema Çulam – da festa do vinho ao jardim do chá

Em Manuel Castro tudo começa num rumor de alegria. À frente do grupo da adiafa da vindima vem um pequeno abegão, um jovem descalço a conduzir os bois que puxam o carro com a tina cheia de uvas. Ao lado do rapaz um cão olha de soslaio para o homem do bombo. A concertina, as violas e o cavaquinho, ouvem-se apenas no intervalo das pancadas do bombo. Há mais ritmo que harmonia na frente do rancho de rapazes e raparigas. No dia da adiafa o trabalho parece que custa menos: além da música ficamos a saber que á noite vai haver rancho melhorado na mesa.

No jardim do chá de Sema Çulam são quatro mulheres que trabalham numa plantação. Elas colhem o chá, ou seja, os gomos terminais e por cima do quadro, surgem quatro casas envoltas numa bruma suspensa que parece de algodão em rama. Não admira a importância do chá na Turquia: depois da Índia e da China, do Sri Lanka e do Quénia, da Rússia e da Indonésia, é neste país que se situa uma das maiores produções de chá verde e de chá preto. Tanto na vindima como na colheita do chá, tanto nas searas de trigo como nas de alfazema ou de girassol, há uma gramática de vida: só há colheita com sementeira, só há prémio com sacrifício. As pinturas são memórias resgatadas de um tempo onde a alegria se convocava devagar, no lugar da terra, algures entre a manhã do último dia da vindima e a tarde suspensa por quatro mulheres que não se cansam de colher os gomos terminais do chá.

Dito de outra maneira – são quadros de uma exposição na Allarts Gallery na Rua da Misericórdia nº 30 ao Chiado.

O circo desceu à cidade

Na situação actual do País, não é admissível que os partidos políticos fomentem um ambiente de crispação que inviabilize, após as eleições, os compromissos imprescindíveis com vista a encontrar uma solução de governo que assegure a estabilidade política, promova a credibilidade de Portugal no plano externo e tenha a capacidade para resolver os graves problemas nacionais.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

“Depois de serem conhecidos estes desgraçados resultados da governação socialista, apetece dizer, porque é isso que se passa, que ainda está para nascer em Portugal um primeiro-ministro que tivesse enganado tanto os portugueses”, declarou Miguel Macedo aos jornalistas, no Parlamento.

Figura grada do PSD-FMI

“Este é um tempo em que nós precisamos de olhar o futuro com coesão, de forma unida, afastar divisões, afastar querelas menores, para em conjunto conseguirmos ultrapassar os graves problemas que temos à nossa frente”, disse Cavaco Silva, na Batalha.

Bipolaridade aguda

O que significa este apelo à aprendizagem do PS? “Sócrates é de facto parte do problema e não da solução”, disse ao i fonte da direcção laranja, “nunca um entendimento pós-eleitoral poderá incluir o primeiro-ministro”. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, é considerado por Passos Coelho um bom interlocutor, sabe o i, para encetar uma nova fase de relações entre os dois principais partidos. Porém, “não cabe ao PSD escolher o líder do Partido Socialista”, sustenta a mesma fonte.

Fontes de ódio à democracia

C.

Fui buscar C. ao aeroporto. Uma e meia da tarde. Junto-me aos profissionais da espera. Somos uns cinco, seguramos nomes em papéis enquanto nos apoiamos nos suportes metálicos. Aqueles falam de não sei quê, esta fala para o hotel, combina qualquer coisa. Lá está a minha turista, de auscultadores e iPod. Leu o seu nome e acenou-me. C. vem de Espanha, onde está num curso rápido de castelhano. A caminho de casa, faço-lhe perguntas banais, faço conversa. Gosta de fado? Fado? O que é? Nunca ouviu?! Não… Não sei o que é…

Fui o escolhido para levar C. ao passeio turístico da praxe. Só está em Lisboa durante o fim-de-semana. Depois volta a Espanha, acaba o curso e regressa ao Brasil. Vou mostrar-lhe a Linha, Cascais e Sintra. É um passeio de poucas horas e acaba quando a luz do dia se for. Ao começar a subir a serra, ocorre-me que a música no rádio do carro pode não ser do agrado de C. Quer que eu mude de música? Não, tudo bem. De que tipo de música é que você gosta mais? Ah, eu gosto de tudo… sei lá… mas gosto mais de MPB e hip hop… é o que oiço mais, sim.

Passamos pelos locais a correr. Olha ali. Olha aqui. Aqui isto. Ali aquilo. E quase não saímos do carro. Frio. Muito. Muito vento. Vamos agora das Azenhas do Mar a caminho do Palácio da Pena. Atravessamos os instáveis micro-climas da região. De repente, C. interrompe a sua mudez contemplativa e pergunta-me se a cantora é portuguesa. Portuguesa?! Não!… Pois, é que não parecia portuguesa. Mas você não conhece esta canção? Não… E a voz, reconhece?… Espera… Bethânia? A canção na origem do incidente melodiplomático era Um jeito estúpido de te amar, só uma das mais famosas no repertório de uma das mais famosas vozes brasileiras de sempre e para sempre.

C. é uma carioca de gema. Tem vinte anos. Está a tirar o curso de Ciências Sociais. Pode especializar-se em antropologia, sociologia ou política. A antropologia deverá sair vencedora. Contou-me que gostava de ir para África. C. imagina-se a viver com uma tribo, a estudar a sua cultura.

Do teatro à farsa

O líder do PSD disse hoje que “a peça de teatro chegou ao fim” e pediu ao Governo para não “fingir mais” e deixar outros fazer o trabalho, caso não o queira fazer.

Antes de rasteirar o Governo

Se o Governo achar que, por qualquer razão, é preciso contrair um empréstimo especial para evitar incumprimento de Portugal no exterior, o Governo tem todas as condições para o poder fazer, e não é o PSD que vai pôr isso em causa. O PSD apoiará isso.

Depois de rasteirar o Governo

Cavaco, um presidente institucionalista

Ontem, mais uma vez, ouvimos um PR que tem saudades do tempo em que chefiava o Executivo. Ouvimos um PR que ataca, denuncia, um homem quase a candidatar-se a um cargo que não é o seu.

Curiosamente, para alguma gente, cada vez que Cavaco faz uma declaração ao país num momento decisivo, ela revela um homem institucionalista. Pode concordar-se ou não com o conteúdo da lição do Senhor Professor, mas diz que ele é um homem institucionalista.

Por que será? Será resultado do dizer banal segundo o qual somos um país dado a aparências? Talvez. Cavaco é de facto Professor, é alto, seco, magro, casado, tem filhos e netos e apresenta um ar engomado e muito sério. Não vejo outra explicação.

Cavaco é um dos políticos com menos sentido do institucional de que tenho memória: não respeita a lógica dos seus poderes elementares; ignora o procedimento dos vetos e atira-se às televisões às 20h em drama sanguinário, odeia a democracia, donde conhecermos várias declarações do PR indignadas com o facto de ter bastado a maioria parlamentar para aprovar leis; planta mentiras nos jornais acerca do Governo; tudo isto numa lista interminável que vai ao requinte de anunciar no seu mui moderno site o pedido de demissão do PM antes que o PM pudesse dizer aos portugueses que apresentara o referido pedido.

Ontem, no seu discurso, cheio de sentido institucional e imparcialidade, Cavaco explicou que ouviu dos Partidos o que já ouvira em 2009: queriam eleições, não havia entendimentos possíveis. Foi uma bonita passagem, essa de nos explicar que anda com isto às costas desde 2009, quando o povo português não quis uma maioria absoluta parlamentar. De resto, tenho memória da posição do PS ter sido outra.

Para mais conforto do sistema, neste momento complicado, Cavaco, que devia saber que desde o AC nº 65/2002 do TC ficou claro que cabe ao Governo em gestão interpretar o preceito constitucional quando este prescreve que aquele pode praticar os actos necessários à gestão dos negócios públicos, lançou o mote para a querela nesta matéria. Juridicamente, a abertura é enorme. Penso mesmo que não seria inconstitucional pedir um resgate ao FMI, simplesmente não cabe a Cavaco decidir isso, mas ao Governo. Não cabe a Cavaco lançar a questão como certa e gerar num minuto a discussão. Cavaco não decide o que pode um Governo de gestão fazer. Cavaco observa o feito e se tem dúvidas recorre ao TC.

Mais importante, porém, é a questão política. Ainda que possamos dizer que há margem constitucional para o Governo actuar, este último tem de fazer um juizo político evidente: tem a ver com a legitimidade reduzida; as consequências disso quando negoceia; e o condicionamento do futuro Governo.

Institucional e verdadeiro como é, Cavaco traçou mais uma vez o seu retrato da situação do país, da situação política e financeira; falou, com as costas direitas, do desentendimento entre os partidos, dos números da dívida, dos juros, do que aconteceu para chegarmos até ali, ali onde ele estava a marcar eleições.

Calhou, calhou numa branca institucional, que nesse retrato do caminho para a crise política não apareceu o chumbo do PEC e as consequências dele.

Calhou e calha bem a alguém.

Democracia radical

É preferível ter um cidadão a dizer que os políticos são todos corruptos do que ter esse mesmo cidadão calado sem nunca ter verbalizado uma opinião política. É preferível ter uma multidão a ofender Sócrates, manipulados pelas campanhas de assassinato de carácter, do que ter essa mesma multidão alheada dos acontecimentos políticos. Havendo tempo e vontade nos partidos existentes ou a inventar, estes cidadãos poderiam ser educados. Serem educados não consistiria na tentativa de os levar a trocar uma opinião por outra qualquer considerada lógica ou moralmente correcta por algum prócere do regime, antes no processo de os dotar com os meios intelectuais que lhes permitissem fundamentar as suas opiniões autonomamente – dado que não o estão a conseguir fazer sem ajuda, daí as distorções emocionais e fragilidades cognitivas do vox populi ruidoso.

Um partido que tenha como ideal absoluto a democracia, não fará só proselitismo ideológico e programático, também aumentará a possibilidade de ser preterido através do esclarecimento alargado do eleitorado com vista a aumentar a amplitude e profundidade da sua escolha. Nesse acrescento de inteligência e liberdade, estaria a sua razão de ser. A sua realização.

Um partido assim, seria de uma radicalidade como nunca se viu: a cidadania apareceria como meta superior à conquista do Poder.

Idos de Março

Este é o tempo das grandes decisões, a hora em que o sentido de responsabilidade dos Portugueses, de cada português, irá ser posto à prova. Juntos, conseguiremos ultrapassar as adversidades do presente e dar aos nossos filhos um melhor futuro.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

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Em qual das eleições passadas é que não passámos por um tempo de grandes decisões, onde o sentido de responsabilidade dos portugueses, e de cada português, não tenha sido posto à prova? Em qual das outras eleições passadas é que não esteve em causa ultrapassar as adversidades do presente e dar aos nossos filhos um destino melhor? Assim de repente, só me lembro de uma: as últimas presidenciais. Para as restantes, estes clichés encaixam mais perfeitamente do que um bloco de calcário na pirâmide de Gizé.

Quando o eleitorado escolheu o PS para Governar, em Setembro de 2009, ainda não havia Grécia, especuladores internacionais, desnorte europeu e FMI no horizonte. Não foi para esse cenário que algum dos partidos elaborou o seu programa, por isso todos se igualam na desadequação dos mandatos eleitorais recebidos então face à sucessão de acontecimentos a partir de Janeiro de 2010. Que era suposto ter acontecido no contexto pré-crise das dívidas soberanas e perante a recusa da oposição em colaborar com o PS? Uma de três alternativas, e só três: ou o PS governava em minoria, ou o Presidente declarava querer um Governo de salvação nacional ou se repetiam as eleições. Como é para lá de óbvio, não faria sentido, naquela situação nacional e internacional, estar a impedir o PS de governar em minoria. Assim, o Presidente legitimou essa solução. Quer isto dizer: tudo o que o Executivo foi fazendo na gestão da crise da dívida, incluindo os variados ajustes às decisões dos seus pares europeus que foram sempre exigindo mais austeridade, teve o aval do Presidente. Caso não o tivesse recebido, teríamos tido eleições logo que o Presidente considerasse estar o interesse nacional a ser desrespeitado. O Presidente continuou a legitimar o Governo até ao dia da votação para as presidenciais, apesar de conhecer plena e directamente qualquer dos meandros da governação e das contas públicas. Nessa mesma noite em que celebrou a vitória, e ao arrepio do que as suas promessas eleitorais assumiram, declarou que estava na altura de afastar o PS da governação.

Cavaco, o mais nefando agente político dos últimos 30 anos, nunca iludiu os portugueses nem lhes escondeu a verdade [sick]. Foi por isso que permitiu a Sócrates chegar a Março de 2011, dado não haver razões que justificassem a sua substituição ou relegitimação em votos. E não fosse esta crise que derrubou o Governo ter-se desenrolado a uma velocidade que ele já não consegue acompanhar, continuaria a deixar os portugueses sem ilusões e face a face com a luminosa verdade: Cavaco pretendia correr com Sócrates mesmo sem ter qualquer razão válida para o fazer.