Vinte Linhas 605

De Manuel Castro a Sema Çulam – da festa do vinho ao jardim do chá

Em Manuel Castro tudo começa num rumor de alegria. À frente do grupo da adiafa da vindima vem um pequeno abegão, um jovem descalço a conduzir os bois que puxam o carro com a tina cheia de uvas. Ao lado do rapaz um cão olha de soslaio para o homem do bombo. A concertina, as violas e o cavaquinho, ouvem-se apenas no intervalo das pancadas do bombo. Há mais ritmo que harmonia na frente do rancho de rapazes e raparigas. No dia da adiafa o trabalho parece que custa menos: além da música ficamos a saber que á noite vai haver rancho melhorado na mesa.

No jardim do chá de Sema Çulam são quatro mulheres que trabalham numa plantação. Elas colhem o chá, ou seja, os gomos terminais e por cima do quadro, surgem quatro casas envoltas numa bruma suspensa que parece de algodão em rama. Não admira a importância do chá na Turquia: depois da Índia e da China, do Sri Lanka e do Quénia, da Rússia e da Indonésia, é neste país que se situa uma das maiores produções de chá verde e de chá preto. Tanto na vindima como na colheita do chá, tanto nas searas de trigo como nas de alfazema ou de girassol, há uma gramática de vida: só há colheita com sementeira, só há prémio com sacrifício. As pinturas são memórias resgatadas de um tempo onde a alegria se convocava devagar, no lugar da terra, algures entre a manhã do último dia da vindima e a tarde suspensa por quatro mulheres que não se cansam de colher os gomos terminais do chá.

Dito de outra maneira – são quadros de uma exposição na Allarts Gallery na Rua da Misericórdia nº 30 ao Chiado.

10 thoughts on “Vinte Linhas 605”

  1. Só não se pode tremer de medo, Sinhã !
    Chá por chá, sai um de parreira, não sem antes ter lido, com prazer, JCF e os quadros que nos mostra.
    Bom dia !
    Jnascimento

  2. Bom dia, apesar de tudo – o tempo da meteorologia não está famoso. Quando não vejo a Serra da Arrábida é mau sinal…

  3. bom dia.:-)

    pode-se e deve-se, Jnascimento. vê lá bem assim: o medo, inibidor filho da puta de coisas felizes para tanta gente, tem de sair e deixar-se tremer para desaparecer. de resto, sou destemida, sim, mas sem chá de parreira – gosto das uvas leoas ao natural. :-)

  4. grande palhaço josé! só com dois devotos, o bêbado e agorda, não consegues elevar isto a paróquia. o people gosta é de transar garinas das coisas que m’acontecem e tass marimbando prás tuas galdérias d’artolas, allarves & outras misericórdias ao chiado. tem dó e vai fazer relatos de pintura naif para os camones do bairro alto. já agora quem é que ganhou este portugal vs turquia, não percebi se foi o tinto ou o chá e pelo comentário das claques parece que empataram.

  5. Bêbedo será ele, o bandido, o monte de esterco. O que ele diz vale menos do que o peido de um condutor de carroças com o cão por baixo da roda!

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