Democracia radical

É preferível ter um cidadão a dizer que os políticos são todos corruptos do que ter esse mesmo cidadão calado sem nunca ter verbalizado uma opinião política. É preferível ter uma multidão a ofender Sócrates, manipulados pelas campanhas de assassinato de carácter, do que ter essa mesma multidão alheada dos acontecimentos políticos. Havendo tempo e vontade nos partidos existentes ou a inventar, estes cidadãos poderiam ser educados. Serem educados não consistiria na tentativa de os levar a trocar uma opinião por outra qualquer considerada lógica ou moralmente correcta por algum prócere do regime, antes no processo de os dotar com os meios intelectuais que lhes permitissem fundamentar as suas opiniões autonomamente – dado que não o estão a conseguir fazer sem ajuda, daí as distorções emocionais e fragilidades cognitivas do vox populi ruidoso.

Um partido que tenha como ideal absoluto a democracia, não fará só proselitismo ideológico e programático, também aumentará a possibilidade de ser preterido através do esclarecimento alargado do eleitorado com vista a aumentar a amplitude e profundidade da sua escolha. Nesse acrescento de inteligência e liberdade, estaria a sua razão de ser. A sua realização.

Um partido assim, seria de uma radicalidade como nunca se viu: a cidadania apareceria como meta superior à conquista do Poder.

17 thoughts on “Democracia radical”

  1. Um post sobre os 8,6% do déficit em vez desta masturbadela canhestra e oleosa sobre idealismos partidários (bem poderias comparar o teu partido XUXA com esse tratado de vacuidade que acabaste de escrever)? Tá?

    8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….. 8,6 …… 8,6 ….8,6 ….. 8,6 …… 8,6 …. 8,6 ….. 8,6 ……

  2. tio d’américa, aí das margens ocidentais do atlântico não se vê boi, deve ser do nevoeiro, por isso encravaste no disco rachado dos 8,6 e não enxergas a fatia da percentagem que se deve aos milhares de milhões roubados aos portugueses pelos políticos-salteadores do gang alaranjado que agora quer salvar a nação em coligação com o fmi, começando por saquear a cgd e oferecê-la aos seus muchachos banqueiros, ansiosos por trocar o audi ferrugento ao fim de tanto jejum do poder

  3. No dia em que o povo, como entidade, fosse capaz de tomar decisões lógicas ao nível político, a política e os políticos, tais como os conhecemos hoje, seriam um anacronismo obsoleto, objecto de nojo generalizado por parte do eleitorado. Qualquer política actual, qualquer político actual.

  4. A educação para a cidadania deve ser feita na escola, a partir dos 3 anos no mínimo (o ideal era começar aos 6 meses). O que dizes neste bem intencionado post não faz sentido, embora perceba onde queres chegar. Os partidos politicos são uma consequência da sociedade civil, e não o oposto. São um reflexo natural desta. Aliás, substitui “partido politico” por “jornalismo” neste teu texto e se calhar é até mais acertado.
    Depois, o ruído e as distorções são o que nos fazem avançar. Os que amam a democracia sabem que o verdadeiro progresso é feito não continuamente para a frente, mas com dois passos para a frente e um para trás. E vários ao lado.

    Para além disso, qual é a primeira responsabilidade de um partido politico? Aquela que precede todas as outras?

    (fica a sugestão para uma “pergunta simples” :)

  5. António P., nada como ter um tio da América.
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    BPN/PSD, e será que algum dia se saberá de quanto foi o calote?
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    Marco, não estou a ver porquê, posto que ser-se racional implica vir a entender os factores que tornam inevitável termos a política e os políticos que temos.
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    Vega9000, é devido à natureza civil dos partidos que há espaço (teórica ou fantasiadamente) para um partido diferente. A sua diferença seria radical: primeiro o todo, só depois a parte.

    Se o ruído e as distorções nos fazem avançar, não são os únicos, nem os principais, muito menos os melhores, factores nessa dinâmica. Quando se pretende mudar de direcção, ou encontrar uma pista perdida, ruído e distorções não ajudam, prejudicam.

    A primeira responsabilidade de um partido político, para mim, será a de estar disposto a assumir a governação. E para ti?
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    nuvens de fumo, já somos dois.
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    Sinhã, não sabia dessa.

  6. “BPN/PSD, e será que algum dia se saberá de quanto foi o calote?”

    Hoje há notícias frescas sobre o calote:
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    “O grupo Sociedade Lusa de Negócios (SLN) movimentou 9,7 mil milhões de euros, entre 2003 e 2008, através do balcão virtual do Banco Insular, revelou hoje uma testemunha durante o julgamento do caso BPN, entidade que controlava o banco cabo-verdiano.

    Segundo o inspetor tributário Paulo Jorge Silva, que participou na investigação, este montante passou pelas contas detidas pela Solrac Finance (offshore do grupo SLN) no Banco Insular (BI) de Cabo Verde e exclui a duplicação de movimentos cujo total ascendeu a 20 mil milhões de euros registados nas contas do balcão virtual (também denominado balcão 2 do BI).

    “Todos os movimentos do balcão 2 nunca foram comunicados a ninguém”, afirmou o inspetor das Finanças, precisando que a conta da Solrac no Banco Insular foi criada em abril de 2003 com a finalidade de “fazer a ligação entre BPN Cayman e o balcão 2 do Banco Insular”.

    Paulo Jorge Silva revelou que durante a investigação ao banco então liderado pelo antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais José Oliveira Costa foram apreendidos documentos que permitem concluir que existiam “5.200 registos de forma viciada para (a conta da Solrac) chegar ao final de cada mês sempre no valor zero”.

    Todo o financiamento que passou pelo balcão virtual do Banco Insular de Cabo Verde era oriundo de contas de clientes do BPN Cayman, referiu a testemunha, alegando que estas eram mexidas sem o conhecimento dos seus titulares, num total de 4.157 contas “já excluídas as duplicações”.

    Grande parte da sessão de hoje foi dedicada pela testemunha a explicar o estratagema financeiro usado para iludir as autoridades de supervisão de Portugal, de Cabo Verde e das ilhas Caimão, com o apoio de ficheiros informáticos apreendidos nas diversas buscas efetuadas no decurso da investigação.”

    O resto aqui: http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1820772&page=-1

  7. quanto foi afinal o calote do BPN, Val?
    ora aí está o que os deputados socialistas deviam perguntar na AR, mas se acanham. será que está em segredo de INjustiça?
    se eu fosse deputado, não me importava que me chamassem barraqueiro, mas não largava as canelas aos banqueiros laranjas, que estão a afiar a moca para saquearem a CGD

  8. Gosto da tua resposta, mas sou mais prosaico, Val (ou mais básico). A primeira responsabilidade de um partido, e de um politico, é fazer-se eleger. Tudo o resto vem depois. Por isso é que penso que esta tua proposta é essencialmente contra-natura.

  9. wild1, até agora, ainda nada de novo.
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    BPN/PSD, estando um julgamento em curso, tem de se esperar.
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    Vega9000, mas essa não pode ser uma responsabilidade, posto que não depende dele. Diria ao contrário: a probabilidade de ser eleito depende da clareza e acerto com que comunique a sua competência e disposição para assumir a responsabilidade governativa. Será, pois, o processo que explica que os partidos do “povo”, que lhe prometem aumentos de salários, pensões e garantias de emprego vitalício, não consigam transformar essa demagogia em votos.

  10. A melhor forma de manipular um povo é manter-lo na sua ignorância, de preferência de barriga cheia. Penso que um partido assim seria uma espécie de RTP2…

  11. Quando falo em responsabilidade, refiro-me no sentido de “objectivo”, ou em linguagem militar, “primary target”. E depende deles, sim, sendo que a clareza e a comunicação eficaz da mensagem são meios para atingir esse fim, não um fim em si mesmo. Por isso é que discordo dessa veia educativa quase pura que propões, relegando os resultados eleitorais para segundo plano. Os partidos servem para definir propostas e caminhos para a sociedade, sendo que a condição essencial para isso é ganhar poder, o que só se consegue sendo eleito, o que só se consegue passando uma mensagem eficaz, i.e. vocacionada para a eleição. Sem isso, não passam de hobbies sem nenhum tipo de influência. Giros, bem intencionados, mas inúteis. O Garcia Pereira, por exemplo, tem alguma notoriedade, mas a sua influência nos destinos do pais é perto de zero. Porque nunca foi eleito, nem tem vontade de ser. Se tivesse, adaptava a mensagem ao eleitorado.
    Os partidos que se reclamam do povo podem prometer o que quiserem, mas não têm a clareza de mensagem que os eleitores felizmente exigem. No fundo, não dizem tudo o que os eleitores querem ouvir porque não ouvem os eleitores, logo não ganham. O que só prova que estes são tudo menos estúpidos, ao contrário do que muita gente afirma. E creio que estão cada vez mais exigentes, para roubar um chavão do marketing.

    Mas estou obviamente a simplificar o processo a um extremo, claro. A comunicação entre os cidadãos e os partidos é bi-direccional e complexa, um equilíbrio entre o que se quer dizer e o que os eleitores querem ouvir. Se disseres apenas a tua mensagem, cais num casulo e poucos te ouvem, como o PCP. Se disseres apenas o que pensas que querem ouvir, entras na demagogia e poucos te levam a sério, como o CDS. E já nem falo do POUS ou do MEP.
    Mas, mantenho, um hipotético partido cuja missão principal fosse a educação dos eleitores e que relegasse a conquista do poder para segundo plano seria um contra-senso. Quanto mais não seja porque a maior parte das questões com que os partidos se debatem são praticamente impossíveis de clarificar, tantas são os caminhos diferentes a percorrer. E se tentasses, nesse partido, explicar os vários caminhos possíveis, com calma e clareza, o resultado seria provavelmente uma maior confusão dos cidadãos, porque quase todas as ideias têm pontos válidos e menos válidos, vantagens e desvantagens. A única maneira de distinguir as boas propostas das más é a selva comunicacional e a lei de Darwin aplicada às ideias. Essa clarificação e educação que falas pertence, ou devia pertencer, aos media, não directamente aos partidos.

  12. deixa-me discordar contigo, Vega, quando – e muito bem tirada – falas da lei de darwin aplicada às ideias e desaplicada aos partidos. essa desresponsabilização não pode ser. talvez porque a leideia de darwin seja ainda muito avançada, porque estamos a falar de macacos políticos, seja mais acertado falar na lei de lavoisier. e esta, sim, não deixa espaço para o macaco não responsável nem para o não comprometimento. :-)

  13. Vega9000, é indiscutível que a função dos partidos consiste no exercício do poder. Contudo, e basta olhar para a realidade portuguesa, nem sequer partidos com representação parlamentar substantiva, como actualmente o PCP e BE, cumprem esta definição. A sua recusa em pactuar com o actual regime democrático para a partilha da governação ilustra outras facetas dessas entidades sociais que são os partidos, dando azo a serem analizados segundo categorias próprias das disciplinas antropológicas (como clubes, tribos ou seitas, por exemplo) e da psicossociologia (como organizações e dinâmicas grupais de flutuante identidade).

    Esquecendo esta dimensão disfuncional típica da extrema-esquerda nacional, discordo da tua tese acerca da inutilidade dos agentes que não exercem o poder, como referes no exemplo do Garcia Pereira. Isso será esquecer que o eleitorado forma a sua decisão através das diferentes opiniões que vão ocupando o espaço público. Por aí, muitas outras entidades para além dos partidos têm real influência, desde os comentadores de referência, passando pelos alimentos intelectuais (escola e cultura), até ao familiar, vizinho ou colega que espalha aos 4 ventos os seus raciocínios.

    O que nos leva, somando estas evidências, para a possibilidade de um partido cuja ideologia incluísse esse radicalismo de preferir a melhor solução de governo, mesmo que ela não fosse a sua. Isto nunca se viu, mas não vejo qualquer razão para que tal seja impossível, ou mesmo inviável.

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