Marcelino pan y vino

Por estes dias, José Sócrates é o homem de Estado que calou a reunião secreta que Pedro Passos Coelho divulgou face à insistência de Judite Sousa. O primeiro-ministro respeitou a palavra dada e o compromisso que estabeleceu nas horas de cimeira com o presidente do PSD em São Bento em busca do acordo de que o País precisava e no qual Cavaco Silva deveria ter empenhado a sua prometida magistratura activa. Significa isto que, afinal, o Governo procurou o entendimento, e o sms que Pacheco Pereira revelou (na Quadratura do Círculo) ter sido enviado a todos os deputados é também uma peça importante desse período.

O problema está em que tudo isso é passado e Portugal precisa de presente e sobretudo de ter futuro. E precisava de partidos que não fossem autistas e de políticos que soubessem colocar o País acima das eleições e dar resposta às preocupações da maioria dos cidadãos. Pelos vistos, isso é demais para eles.

João Marcelino

__

Não, Marcelino. Nada disto é passado. Tudo isto é o que molda o presente e o que vai estar em causa no futuro próximo, já a 5 de Junho. Por isso deves pôr a mão na consciência e deixar-te destas merdas. Estas merdas de venderes uma salgalhada onde todos os agentes políticos se equivaleriam eticamente. E não é assim, pois não? Tu próprio o descreves, já só falta assumi-lo.

Se o Governo, afinal, procurou o entendimento, como afirmas recorrendo à módica objectividade, as conclusões de tal inferência são decisivas para a escolha eleitoral. Não só o PSD provocou por demência uma crise política que arruinou irreversivelmente o País, como também CDS, BE e PCP foram cúmplices dessa jogada suicida.

Não é preciso esperar por um milagre para saber o que uma imprensa civicamente responsável deve fazer perante os factos.

3 thoughts on “Marcelino pan y vino”

  1. Passado é a história do DN. Com mais de um século e com uma tradiçao digna, ainda recente, (Mario Mesquita, Mario Bettencourt Resendes e até o João Marcelino) que honra o jornalismo (Ferreira fernandes, Fernanda Cancio, Batista Bastos). O Presente é o que se conhece. Salvo as ilhas que vão resistindo aos tempos, assiste-se a uma repentina, quão surpreendente deriva à direita. O FUTURO….a caminhar assim, pode não ter futuro!….O que é pena!

  2. “Saber o que uma imprensa civicamente responsável deve fazer”, sabe-o ela e sabemo-lo nós, bem e sem qualquer espécie de milagrosa elaboração intelectual. A verdade, porém, é que, infelizmente, também sabemos o que, de facto, vai ela fazer: assobiar para o lado como tem feito em tantas e tantíssimas outras situações de igual gravidade e importância.

  3. Gosto de lembrar factos passados e de vez em quando vem-me à memória alguns e com eles faço comparações. Um dia estava de serviço, para quem não sabe, trabalhava no E. P. Paços de Ferreira, era Subchefe Principal da Guarda Prisional, – hoje estou aposentado – todos os dias nas horas das refeições, assistia a todas, são momentos de muita aglomeração e todos éramos poucos para a vigilância e disciplina no refeitório.
    Os reclusos entravam no dito refeitório em fila indiana e na sua passagem davam o seu número para se fazer o controlo. Como eram muitos reclusos, o refeitório não comportava com todos ao mesmo tempo, fazia-se um compasso de espera para aliviar as mesas. Nesse vai-e-vem, a rotina, a experiência, o profissionalismo, adquire confiança na maioria da população prisional, nestas alturas há bate-papos e desabafos da parte deles.
    Num determinado dia o recluso 632 – ponho o número, não quero revelar o nome – lamentou-se comigo. – Senhor Subchefe Pacheco, Deus não foi justo para comigo. Respondo-lhe – qual o motivo para fazer essa afirmação. Diz ele – sou pequeno e magro, todos fazem pouco de mim, se eu fosse como o 599, estava próximo de nós, era o mais alto e forte de todos os reclusos, eles fiavam mais fino, por isso repito, Deus não foi justo para comigo. Respondo-lhe – vê pelo lado que lhe convém mas, acho que Deus foi justo para consigo e tanto que foi justo que lhe tirou no físico mas deu-lhe na língua. Escusado será dizer – a fila era grande, a maioria ouviu, deram uma gargalhada, tendo o 632 dito: não esperava essa de si.
    Faço este intróito para comparar o João Pereira Coutinho com o 632. Não o conhecia mas, ontem ao ver e ouvir na TVI 24, o Torto e a Direito, foi a primeira coisa que me veio à memória.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.