25 de Abril sempre

Otelo Saraiva de Carvalho tem direito ao envelhecimento, à depressão e às asneiradas. Mas de tudo o que disse, o mais dissoluto foi isto:

Otelo Saraiva de Carvalho lembrou que o movimento dos capitães iniciou-se precisamente por “razões corporativistas”, nomeadamente quando “os militares de carreira viram-se de repente ultrapassados nas suas promoções por antigos milicianos que, através de um decreto-lei de um governo desesperado por não ter mais capitães para mandar para a guerra colonial, permite a entrada desses antigos milicianos”.

Não se trata propriamente de uma tese inovadora, tem muitos anos de gasto. O seu poder corrosivo, porém, está intacto – e na exacta medida em que é verosímil. É isto o cinismo, usar a lógica como instrumento de redução intelectual, perversão moral e deturpação antropológica.

Esteve bem, pois, Vasco Lourenço:

“Também está mais do que demonstrado que — e o Otelo tinha mais que a obrigação de já ter percebido isso — as motivações maiores, que já vinham de trás, eram motivações políticas, de desejo de uma sociedade livre, democrática e de uma sociedade que não oprimisse outros povos, impondo-lhes uma guerra”, afirmou.

Eis o 25 de Abril. Então, como agora e para sempre.

4 thoughts on “25 de Abril sempre”

  1. o otelo devia dedicar-se à hotelaria, fazia umas hamlets de salsa&xóriço prós otários do tijolo de esquerda e ficava caladinho para não prejudicar a impressão de tshirts comemorativas do 2º centenário do 25 d’abril

  2. Otelo já se tinha demitido de herói nacional (e de militar de Abril) a 25 de Novembro de 75. Fê-lo novamente, e com grande estrondo, quando patrocinou as FP-“25” (usurpando como um canalha o nome do que já não era, de facto, património seu). Agora vem apenas repetir-nos inútilmente, como velho senil, o que nós já sabíamos: que jamais será enterrado no Panteão Nacional (e começo até a pensar que será mais um dos que em breve levarão cuspinheiras no caixão…).

  3. Otelo não diz só um disparate , diz também uma inverdade , que tem feito o seu caminho ao longo dos anos ,mas necessita de um esclarecimento , que vou tentar seja curto . Os milicianos a que ele se refere , eram todos mais antigos , do que os oficiais oriundos da Academia Militar ( Cadetes / Puros em contraponto aos Espúrios ) .
    Esses milicianos foram convidados a aceder à Academia Militar com a promessa ,findo o curso , de lhes ser contada a antiguidade de miliciano ,para todos os efeitos . Acontece que esta promessa não foi cumprida e esses milicianos ,que eram tenentes e capitães , todos com comissões na guerra ( não poderiam ir para a AM sem primeiro passar pela guerra ) de repente , por via administrativa , perderam a antiguidade ,que sempre haviam tido . Até parecia ,que pelo facto de terem frequentado a Academia Militar , os milicianos andaram de cavalo para burro , foram castigados . Foram os milicianos ,que foram ultrapassados e não o contrário . ( Há casos de subordinados terem passado a comandar oficiais , que sempre os haviam comandado !! ).
    Mas mais estranho , é que Otelo esteve numa reunião em casa do Vitor Alves ,juntamente com o Hugo dos Santos e a Comissão Coordenadora dos Oficiais Milicianos ( esta designação está incorrecta , mas agora para este pequeno esclarecimento ,não importa ) , onde reconhecemos que a situação tinha de ser corrigida ,na base de documento elaborado na Escola Prática de Cavalaria ,o que seria feito logo após o derrube do Regime ,o que não aconteceu .A reposição da legalidade ,sim havia legislação variada que fazia justiça aos milicianos , havia legislação que vinha da década de 60 , entretanto revogada , só veio a ser reposta em meados de 2000 , por Lei da AR ( Lei 15/2000 de 8 de Agosto ) , aprovada por unanimidade ( para quem estiver interessado é ler as intervenções dos senhores deputados ,nomeadamente de António Reis ) . Muito poderia dizer sobre o documento elaborado na EPC onde ,para além de outros , interveio também Salgueiro Maia , bem como sobre o documento saído da reunião ,atràs mencionada , em casa do Vitor Alves e para que serviu ,concretamente , esta reunião .Ao contrário de Otelo ,que levo mais à conta de um desabafo infeliz,acontece , não estou nada arrependido de ter colaborado no 25 de Abril 74 . Há muito que não escrevia sobre esta matéria , são águas passadas , que não quero reviver , mas não ” entrei ” no 25 de Abril por questões corporativas e foi esta referencia ,que me levou a escrever este post . Já agora e porque tenho visto por aí tanta confusão com outrs leis de reconstituição de carreiras , a minha Carreira foi Reconstituída ,mas não recebi um tostão de retroactivos .

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