Já começa a estar cansado, diz ele

Como aqui se pode ouvir pela boca do próprio, Passos encontrou-se com Sócrates para ouvir as principais medidas do PEC, mas sem documento formal e sem pormenores – isto é, para falarem acerca de objectivos gerais e grandes metas. E ainda acrescentou uma outra informação, naquele que é um deslize que revela involuntariamente o que aconteceu:

[…] no mesmo dia em que o Primeiro-ministro declarava em público, na Assembleia da República, que o País não precisava de mais medidas de austeridade, na votação de uma moção de censura, nesse mesmo dia estava a ultimar uma negociação com medidas de austeridade novas para apresentar ao País passados dois dias […]

Portanto, conta-nos Passos, Sócrates estava a ultimar uma negociação no próprio dia em que se encontraram, o dia da votação da moção de censura. Seja qual for o sentido que se dê ao termo negociação, aquele relativo ao documento que se iria apresentar na cimeira europeia ou aquele que justificaria o encontro com o líder da oposição, fica a certeza absoluta – garantida por uma testemunha presencial de credibilidade a toda a prova – que o PEC não estava fechado a 10 de Março, quinta-feira. Na sexta-feira de manhã tínhamos a conferência de imprensa de Teixeira dos Santos, a declaração de que o PSD ia esperar pelos resultados da cimeira para se pronunciar acerca das medidas e a notícia de que Cavaco não tinha sido informado. À noite, Passos Coelho declarava não aceitar mais medidas de austeridade e acusava o Governo de ter agido unilateralmente.

Isto leva-nos para a duração do encontro, quatro horas. Admitindo que Passos terá chegado depois de jantar, por volta das dez, terá saído às duas da matina. Que grande seca levou, coitadinho, tendo de estar ali calado o tempo todo a ouvir a descrição das linhas gerais do PEC, apenas acenando que sim ou que não e levando ocasionalmente as mãos à cabeça em desespero e dor, mas nem sequer tendo direito aos pormenores. Não admira que ainda não tenha recuperado dessa noitada e ande cansado, como desabafou com os jornalistas.

11 thoughts on “Já começa a estar cansado, diz ele”

  1. Estás enganado, não foi uma seca porque nessa madrugada Pedro teve uma epifania e enquanto abanava a cabeça ao som de velhos acordes ia trauteando a letra que finalmente percebeu e que Tózé Brito tinha escrito a pensar nele para, tantos anos depois, lhe indicar o caminho…

    Uma da manhã
    Um toque, um brilho no olhar
    Duas da manhã
    Dois dedos de magia
    Às duas por três
    Quem sabe onde isto irá parar
    Quatro da manhã caindo
    Um luar de lua lindo
    Uma gota a mais
    E o chão ia fugindo
    Uma da manhã ei bem bom
    Duas da manhã bem bom
    Já três da manhã ei bem bom
    Quatro da manhã bem bom
    Cinco da manhã ei bem bom
    Já seis da manhã bem bom
    Sete da manhã ei bem bom
    Oito da manhã bem bom
    Café da manhã p’ra dois
    Sem saber o que virá depois bem bom
    Cinco da manhã ai sim coração sigo
    O bater das seis e meia de loucura
    Sete da manhã ouvindo um disco antigo
    «hoje é o primeiro dia
    Do resto da tua vida»
    São horas a mais
    E já não há saída

  2. O FARSOLA. Admiro-me de ainda não ter visto por aqui nenhuma referência ao comentário feito por Miguel Portas acerca do Farsola (o termo é dele) Pedro Passos Coelho. Vejam.Está aqui – http://www.youtube.com/watch?v=_Lii0lDGGbI. Alguma vez eu teria de estar de acordo com o B.E.

    Como seria de esperar a CS não deu o mínimo relevo a esta deliciosa peça. O jornalista que aqui de Lisboa falava com Miguel Portas, bem atirou com um longo discurso introdutório a ver se o Portas falava o menos possível, mas não se safou! Saíram-lhe ali palavras como facas que era giro que todos os portugueses ouvissem pela sua limpidez e clareza.

    É claro que isto não redime o BE da sua sacanice já que votou com toda a oposição sem que um qualquer reparo se lhe ouvisse. Presumo, por isso, que a esta hora o Louçã deve estar com vontade de comer vivo o Portas!

  3. é verdade que tudo isso é revoltante, mas em tempos também tu defendeste o sócrates, no caso da PT, dizendo que ele formalmente não tinha conhecimento da coisa e que, por isso, não tinha mentido. até separaste o cidadão josé do PM sócrates, se bem me recordo. isto das formalidades oficiais e oficiosas é pau para toda a obra.

  4. Teresa, ora aí está uma letra que ele conhece muito bem.
    __

    ANIPER, escapou-te:

    https://aspirinab.com/valupi/os-farsolas/

    __

    susana, não entendo a comparação, até porque no texto acima não me debruço acerca da temática da forma, antes a da substância. Mas, recordando o caso PT/TVI, e de acordo com o que dele entendi, a PT tinha já manifestado, vários anos antes, o interesse em entrar numa empresa de conteúdos televisivos, por razões da sua estratégia de grupo. Esta era uma informação pública e politicamente neutra. O que fez o caso foi a simultaneidade de uma tentativa preliminar para fechar o negócio, que as escutas registaram, o facto de ser ano eleitoral e, muito em especial, a actividade de Moura Guedes (e de toda a TVI por via do Moniz) como responsável por um espaço de ataque político que explorava tudo o que fosse sensacional, difamante e sórdido. Isto permitia a calúnia perfeita, aparentemente indefensável: Sócrates/Governo ia calar Moura Guedes por via da entrada da PT, assim impedindo a investigação jornalística ao Freeport.

    É aqui que me parece que as formalidades são tudo; isto é, são a última defesa, e a natureza mesma, do Estado de direito. Porque a acusação não é feita em contexto judicial, onde fosse possível apresentar uma defesa que evitasse os danos de uma eventual injustiça. Pelo contrário, o que se pretendia era a destruição de um adversário na praça pública e para efeitos de conquista do Poder. Ora, parece-me que não custa pensar num aspecto central do problema: seria possível a PT entrar mesmo na TVI e, entrando, quereria mesmo arriscar todo o seu prestígio e respectivo valor accionista com uma manobra política democraticamente inaceitável, e, querendo, teria condições para a concretizar posto que iria levantar inúmeras resistências dentro e fora da TVI, e, conseguindo, tal ainda iria a tempo de influenciar as eleições de Setembro de 2009, e, influenciando, não se daria o caso do efeito ser o oposto do pretendido?

    São demasiados absurdos, os quais me levam a supor como provável que Sócrates soubesse do assunto, como saberá de milhares de outros por estar na posição onde está, mas que tal não configurava o tal plano que o PSD, e toda a oposição por arrasto, disse ter existido. E se não existiu, então são as formalidades que permitem a defesa da parte atacada ilicitamente. Creio que tudo se torna claro se for transposto para uma situação análoga em que alguém nosso amigo ou da família seja alvo de uma difamação com base numa escuta onde revelasse uma certa intenção, mas sem ter cometido factualmente qualquer crime ou imoralidade, e tal sirva para os nossos inimigos nos acusarem de cumplicidade com o que parecer pior para a nossa imagem e que, incontestavelmente, nem sequer chegou a existir.

  5. jpferra, espero que tenhas tido mais sorte que eu que fiquei com o raio da música na cabeça e agora ando para aqui no lálálálálá lá lálá….

    Valupi, não faço ideia do que quererás dizer com isso… :))

  6. edie mas tu sabes que a Barbie tem aquele problema com o Ken e para algumas coisas prefere o Superman…

  7. Ah bom! Confesso que andava admirado por ainda não terem aqui pegado nesse facto tão relevante em termos políticos e demonstrativo do carácter de Passos Coelho que é ter sido casado com uma ex-Doce. Era mesmo só uma questão de tempo.

  8. casado com doce? acho que vive com uma cabo-verdiana em massamá e têm duas cadelas, é o que consta no homem invulgar da cabruta.

  9. o superhomem é o que estava escondido no guarda fatos, tamém vi esse filme mas a artista era a barbie guimarães com guião do alçada. recordações dos meus tempos de banda desenhada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.