O farsola*

Eu nunca estive no Governo. Portanto, qualquer português hoje percebe que, se a verdade da situação portuguesa é menos agradável do que desejaríamos, não foi por o PSD ter faltado em apoio a este Governo. Eu direi até que o PSD esperou demasiado tempo e deu demasiadas oportunidades ao Governo para que ele cumprisse com uma política económica que estivesse ao nível daquilo que eram as necessidades do país. Mas isso acabou.

Passos Coelho

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Pela boca do seu presidente, ficámos a saber que o PSD foi irresponsável quando esperou demasiado tempo para derrubar um Governo que não servia os interesses do País, tendo-se finalmente decidido a fazer o que entretanto tinha deixado de ter sentido ser feito, por causa dos sucessivos apoios dados ao Governo, logo na pior altura imaginável para os interesses desse mesmo país e da Europa.

Mais desmiolado do que isto, tanto o aparvalhado partido como o seu atarantado presidente, não é possível. É que nem o Luís Filipe Menezes seria tão farsola.

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* Direitos de autor para Miguel Portas

34 thoughts on “O farsola*”

  1. Por acaso também estou de acordo consigo: a oposição levou tempo demais a livrar-se da maior quadrilha de bandidos que já passou por este país. O Coelhito tem falta de tomates e pulso. Já deveria ter corrido com estes pulhas há muito tempo. Cada hora, cada dia, cada semana que passa aos comandos do País, esta matilha leva-nos cada vez mais e mais fundo. Limpa-nos a carne e a alma. É um verdadeiro eucaliptal (veja-se o estado comatoso a que chegou o PS, onde as eleições parecem a Coreia do Norte: patético).

    Não prestam não senhora e é um acto de higiene livrarem-nos deles. E nem os vetustos dinossauros do partido, com sermões artríticos e senis (todos co-responsáveis por esta tremenda merda), são capazes de disfarçar o óbvio: o PS, partido matricial da democracia – onde até já votei, benzo Deus, puta que pariu a minha insanidade – está paralisado na sua capacidade de auto-crítica, refém de um projecto grupal de poder e com sintomas avançados de esquizofrenia – ou seja, psicose destrutiva. Era a isso que, em síntese, o filósofo se referia caro senhor. Percebo por isso porque não gosta do homem. A evidência fere como um ferro em brasa, não é?

    Mas, no que a lucidez e discernimento diz respeito, convenhamos que a sua opinião comparada ao do filósofo sofre de nanez e manipulação grosseira de índole intelectual.

    Abençoados os que nos libertaram de tamanho pesadelo. Amén.

  2. Só falta agora o PS ganhar de novo as eleições! como é bastante provável.
    Saímos da frigideira para entrar no fogo… é a tendência das políticas portugueses para os éfes!

  3. é de mim, ou aqueles que criticam o governo, utilizam sempre adjectivos (como hei-de dizer…) PORREIROS PÁ.
    Ah e a maior parte é sempre do estrangeiro, acho que é para dar mais credebilidade á coisa.

  4. E o que dizer disto ?
    Para se defender das críticas, ou melhor, para andar aos ziguezagues na questão do aumento do IVA, diz que não conhece o estado das contas públicas, mas para afirmar num jornal estrangeiro que o défice ultrapassará os 5% em 2011 já tem conhecimentos suficientes. Com amigos destes o País não precisa de inimigos.

  5. E, como é óbvio, essas declarações não ajudaram nada a subir os ratings e a baixar os juros da dívida. De cada vez que o homem abre a boca, nós ficamos literalmente mais pobres.

  6. Eu às vezes não concordo com alguns posts que se põem aqui, principalmente os relacionados com a politica internacional. Quanto ao que cá se passa, concordo em geral. Mas quem são as pessoas que votam PSD? Têm todo o direito a isso, só que inconscientemente ou não… votam em mentirosos, em gente que só pensa nos seus ganhos pessoais, em pessoas como o Cavaco, detentoras de uma hipocrisia de beato-sonso sem limites – de facto, um tipo envolvido em aldrabices, com amigos criminosos da finança, ser reeleito PR, depois de se saber de tudo isso só por aqui.
    Portanto, fulanos, como os auto-designados Tio “não sei de onde”, fazem parte dessa “quadrilha” de malfeitores políticos que, para infelicidade do nosso país até é o maior partido da oposição – chamo de quadrilha por todas as malfeitorias que tem feito ao país quando tem oportunidade de governar – recordem-se dos 2 governos que tiveram como PM o sujeito Cavaco, por exemplo… Não? Já se esqueceram? É pena!

  7. Quem lê a edie até fica a pensar que os juros da dívida andavam paradinhos de há um ano para cá e que só agora com esta crise política, da total responsabilidade de PPC, pois claro, é que começaram a sua tendência de subida. E os ratings? Ui, tão altos que eles andavam durante o mandato impoluto e irreprensível de Sócrates e agora é vê-los cair por aí abaixo.

    Amigo torres, não querendo comentar a lamentável generalização que faz, peço só que me esclareça numa coisa: esses tais governos do PM Cavaco foram aqueles em que vivemos bem pior do que hoje?

  8. Nos meus tempos de estudante este Passas Coelho nem para dirigir uma RGA apresentava credenciais. Nem numa ópera bufa o lírico fidalgo que se apaixona aparece tão despenteado.

    Quanto aos outros, os apoiantes da excelente oposição que por aí temos, têm que rezar muito para não terem que engolir o melão inteiro, não vá o Sócrates ganhar de novo as eleições.

  9. É interessante ver a matilha a ladrar em socorro do GRANDE LÍDER PINOCRATES. Os argumentos são infantis e vazios. Palha. Comparar os governos de Cavaco com estes do PALHAÇO??????? Ó meu caro Torres, você ou é um rapazeco que não tem idade que chegue para saber do que fala, ou, o mais provável, é mais um beato beija-mão do PS e do seu sacerdote mentiroso e só sabe salivar às ordens do traste e em defesa das monumentais mentiras. Lê jornais e vê televisão? Já percebeu a que estado chegou o país às mãos da quadrilha? Estamos a cair no precipício e na pior situação de que há memória deste e do século anterior. Não lhe chega para abrir os olhos?

    Comparado com estes tempos, os de cavaco – em que nunca votei, nem antes nem agora – foram o paraíso. Repito: O PARAÍSO. E, comparado com o PS, Cavaco governou claramente à esquerda. Veja-se o enterro do estado social pelo coveiro dito socialista! Por mais malfeitorias que tenha feito ou permitido, são leves pecadilhos comparados com a banditagem do seu clube de incompetentes e esquizofrénicos. Vá-se tratar … lambe botas fanático.

  10. “HG
    Mar 30th, 2011 at 13:09
    Amigo torres, não querendo comentar a lamentável generalização que faz, peço só que me esclareça numa coisa: esses tais governos do PM Cavaco foram aqueles em que vivemos bem pior do que hoje?”

    Ate tinhas uns argumentos mais ou menos, mas agora metes-te a pata na poça.

    A União Europeia que meta cá o dinheiro que meteu quando o cavaco era PM, e tu vais ver a velocidade que o país avança.

    Poupa-nos a comparaçõe sem pés nem cabeça.

  11. Ainda não entendi muito bem qual a razão porque é que alguns portugueses quando têm de atacar o PM demissionário recorrem ao insulto, à calúnia, ao esquecimento, porventura ao discurso corrosivo que nada constrói e me parece que apenas serve para purgar maus fígados que anseiam por um tachito ou uma qualquer prebenda.

    Ainda ontem tive oportunidade de ouvir o douto Bagão Félix, novel conselheiro de estado, afirmar que não iria falar sobre a opinião que iria dar ao PR no CE para de imediato a dizer com todas as letras falando num consenso alargado ao PC (pasme-se!) mas sem o PS pois com o Sócrates como secretário-geral isso seria impossível!

    Ou seja, afinal o governo talvez nem tenha sido mau, o PS nem será de deitar fora, o PC tornou-se razoável só neste idílico pacote só não pode entrar o Sócrates pois com ele todas as sereias têm de saber música e tocar certinho.

  12. HG, ainda bem que apareceste. Tenho estado à espera que respondas.
    Mar 29th, 2011 at 22:44
    HG,se, como dizes, “por muito bem informado que um líder da oposição esteja, só quando chega ao poder é que tem a possibilidade de ter um verdadeiro e aprofundado conhecimento da realidade, como, por exemplo, a situação das contas públicas. E por isso é recomendável que haja alguma cautela no anúncio prévio de medidas”, como explicas que até há poucos dias, o aumento de impostos fosse a medida tabu, peremptoriamente e definitivamente tabu para PPC e PSD? E menos de 12 horas depois de derrubar o governo passasse a ser uma medida socialmente justa, mas com cautela e coiso e tal?

    E já agora, para quem não está dentro das contas públicas, esta história de irmos para os 5% de défice vem donde? E não está em contradição com aquilo com que PPC se comprometeu há dias com tudo o que era instituição europeia em jogo?

  13. Edie, respondo começando por citar PPC a partir do link que a Isabel Moreira colocou no seu último post: «Até haver um conhecimento completo da situação financeira portuguesa, não é possível a nenhum responsável dizer que não será necessário mexer nos impostos. Mas se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas».

    Mais uma vez digo que não vejo aqui nenhum anúncio de aplicação de uma medida, mas uma mera intenção condicional. Durante as negociações dos anteriores PECs sempre foi defendido pelo PSD junto do governo que se assumisse um corte sério na despesa pública para evitar ao máximo, precisamente, um aumento de impostos. Esse princípio foi sempre claro, mas não se trata de nenhum tabu, tanto que o PSD anuiu, dadas as circunstâncias graves, num aumento dos impostos aquando do 1º PEC. Ora, na perspectiva do PSD, e os números demonstram isso, houve um aumento da despesa pública nos meses posteriores e todo este processo culminou na forma como foi apresentado o PEC IV que minou a confiança, já ténue, entre governo e PSD. Daí que poderemos ter chegado a um ponto, e digo poderemos porque não existem certezas quanto ao real estado das contas públicas, em que pode ser necessário usar esse recurso último que é o aumento da carga fiscal.

  14. Muito bem, HG, portanto, a crise política não teve impacto nos ratings nem nas taxas de juro; o aumento dos impostos que até poucos dias antes da queda do governo era indefensável, passa a ser uma intenção – eu disse intenção, para não me vires dizer que ele anunciou seja o que for – perfeitamente coerente.

    E quanto à segunda parte da minha questão? Tens de ser rápido, que daqui a umas horas o chefe Coelho já está a dizer que não foi bem isso que disse, mas eventualmente, talvez, possivelmente e tendo em conta as contas e coiso (o homem, com tanto puxão de orelhas, mesmo dentro do partido, qualquer dia fica com orelhas de burro…que adequado).

  15. Algum dos preclaros comentadores que vêm para aqui defender os governos de Ca-vácuo, me poderá informar qual o valor do défice de um desses governos? Por exemplo, no ano de 1991?

  16. Cara edie, estimo as saudáveis e vivas discussões que vamos mantendo por aqui.

    Donde vêm os 5%? Não posso responder, porque não li a entrevista em causa, mas calculo que possa ser uma previsão no caso de as medidas de austeridade aplicadas não se revelarem eficientes.

    Eu não disse que a crise política não teve impacto nos ratings nem nas taxas de juro, apenas estou em crer, tendo em conta a tendência de descida de uns e subida de outras de há um ano para cá, que essa subida seria inevitável mesmo sem a não aprovação do PEC e consequente demissão do governo. A corda tem sido esticada há muito. Talvez a crise política tenha apenas dado mais um empurrão.

    Quanto ao aumento dos impostos, mantenho o que disse. Também não sou cego ao ponto de dizer que é o cúmulo da coerência, mas não me choca. Já agora, dado que estamos numa de perguntas que ficaram sem resposta, aproveito para fazer copy paste de um comentário que fiz e que não mereceu nem a tua contestação nem a de nenhum dos indefectíveis de Sócrates que andam por aqui:

    “Os mesmos que agora tanto se preocupam com eventuais contradições e zigue zagues de Passos Coelho sobre o aumento do IVA, algo que nem passa para já de mera intenção abstracta, são os mesmos que ficaram convenientemente calados quando Sócrates aununciou aumentos de impostos poucos meses depois de em campanha eleitoral tergarantido que não o faria. A memória selectiva é uma coisa tramada.”

  17. Diferenças?: Sócrates muda de opinião de acordo com aquilo que entretanto vai em/a Portugal e no mundo, tendo em conta os novos cenários que vão surgindo (alguém arrisca com uma margem razoável de certeza o que vai ser o dia de amanhã ?). Passos Coelho muda de opinião como quem muda de camisa, enfim, é um “farsolas”.

  18. HG,

    Ninguém tem resposta para esses 5% depois do compromisso assumido em Bruxelas. Na verdade, não estava à espera que fosses tu a tê-la.A não ser que se considere a total falta de responsabilidade como uma razão explicativa.

    As últimas taxas de juro conseguidas pelo (ex) governo surpreenderam tudo e todos, tendo em conta a conjuntura de corda na garganta de Portugal (da Europa?). Ninguém com um pingo de visão sobre o que se passa pode afirmar que este acto de derrube do governo não foi um acto suicida para o país (pois é, suicidaram-nos e ainda há quem se congratule por isso).

    Quanto às contradições de Sócrates, pois houve, terá avançado com propostas que as conjunturas posteriores desmentiram? Sem dúvida. Mas as conjunturas de Passos Coelho mudam de 12 em 12 horas, porra, é muita aceleração.

  19. Edie, 100 % de acordo. Passos Coelho considerou que a agenda política do PSD e a sua sobrevivência enquanto líder era mais importante que o País, o “pote” é o seu principal objectivo, só assim se justifica tamanha esquizofrenia.

  20. “Sócrates muda de opinião de acordo com aquilo que entretanto vai em/a Portugal e no mundo, tendo em conta os novos cenários que vão surgindo (alguém arrisca com uma margem razoável de certeza o que vai ser o dia de amanhã ?)”

    Não me leves a mal, VM, mas ri-me a sério com isto. Não me digas que na altura da última campanha eleitoral não era previsível o cenário que se confirmou escassos meses depois… Avisos não faltaram, e não falo só de Manuela Ferreira Leite. Se “alguém arrisca com uma margem razoável de certeza o que vai ser o dia de amanhã”? Olha, pelos visto Sócrates arrisca mesmo, basta lembrar, por exemplo, o generoso aumento em 2,9% da função pública em 2009, em vésperas de eleições. Uma boa medida e uma coincidência, dirás tu. Pois claro.

    Eu até admito que Passo Coelho ande a contradizer-se um pouco, ou pelo menos com pouco tacto para evitar que lhe acusem disso, até porque não tem a experiência e a manha de quem tem muitos anos de política e poder como Sócrates, e estou numa posição de esperar para ver como vai ele aproveitar a oportunidade que, creio, o povo português lhe vai dar, mas de vocês só vejo cegueira e facciosismo político.

  21. O Cavaquismo um paraíso? Não tinha ideia de ter uma memória assim tão selectiva. Lembrem-me lá quais foram os sectores produtivos do país que saíram fortalecidos com o Cavaquismo e que estão aí para que se vejam? Para além das grandes construtoras, claro, que se especializaram em plantar betão e que também nesse período se viciaram em chupar o estado até ao tutano?

    A não ser que com paraíso nos estejamos a referir à gigantesca fraude que foi permitida nessa altura com os dinheiros do Fundo Social Europeu para a formação. Ou a referir à vergonha pública indisfarçável em que se tornou a atribuição, na altura, de apoios comunitários à agricultura que serviam para tudo menos para produzir um alimento que fosse. Ou ao turismo rural que permitiu a tanta e tão boa gente ficar com grandes casarões para habitação própria e de férias para os amigos. Ou à negociata das universidades privadas a quem durante anos foi permitido enriquecerem a atolarem o mercado com doutores sem terem que investir o mínimo que fosse em ciência ou tecnologia. Ou à reformulação do sistema de remunerações do funcionalismo público que valeu ao fulano, tão injustamente diga-se, o epíteto de “o pai do monstro”?

    Sectores produtivos do Cavaquismo? Oh, oh…ficou tão embeiçado com um relatório de um guru “especialista” qualquer que se lhe tivessem dado mais algum tempo, tinha-nos posto a todos a fazer chouriças de Barcelos, galos das Caldas, colheres de pau de Nelas ou bilros de Cócoras.

    Contudo, e sendo completamente justo, há um sector que se desenvolveu bastante durante e após. Do seu seio saiu uma quantidade enorme de especialistas em contornar o sistema. Legalmente ou nem por isso. Mas é óbvio que é tudo pessoal que não aprecia potes e até detestam mel. E marmelada só se for de marca BPN.

  22. HG, não levo a mal.
    A oposição está sempre contra tudo, em alguma coisa tem que acertar, certo?
    Alternativas para as posições tomadas pelo governo ? Nenhuma.
    Ou seja existe uma grande probabilidade de quem está sempre contra tudo e nada propõe de acertar em alguma coisa. Tens razão.
    Já agora, a Manuela F. Leite a que te referes é a Economista que se referiu à maior crise mundial dos últimos cem anos como sendo “um abalozinho de terras”, responsável pela delapidação do património do estado e responsável também pelo défice actual ?

    O “farsola” ou zigue zague na versão HG (…e os cegos são os outros ??!!!)
    “Há um limite para exigir sacrifícios aos portugueses” – P. Coelho 19/03/2011
    “Votámos contra o PEC porque não foi tão longe quanto devia” – P. Coelho 28/03/2011.
    Isto não é um zigue zague é uma inversão do sentido de marcha (para não dizer outra coisa).

  23. Traquinas, respondeu por mim à rapaziada acéfala que anda por aqui a defender o indefensável, ou seja, o cavaquismo… Enfim, o Cavaco sempre foi reeleito, apesar de provadas as suas aldrabices recentes com os seus amigalhaços ladrões de bancos/criminosos da finança… por alguma razão o foi… “Pobre” gente!!!

  24. VM,

    “Ou seja existe uma grande probabilidade de quem está sempre contra tudo e nada propõe de acertar em alguma coisa”.
    É como a tal do relógio parado, que apesar de não funcionar, duas vezes por dia acerta na hora. ;)

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