Amicus Gil, sed magis amica sapientia

José Gil tem direito ao sofrimento. Nesta entrevista, volta a mostrar-se fragilizado e perdido. Para descrever as ocorrências da política nacional, oferta uma explicação que o expõe a ele, não à realidade supostamente reflectida: o psicologismo das relações de casal. A matriz da conjugalidade, no seu glorioso simplismo, será o que enforma a dinâmica partidária, diz-nos o estimado professor.

Os afectos são a dimensão mais importante na política, mais importante do que a economia. E como supremo exemplo desta nobelizável ideia, José Gil despeja o seu ódio contra Sócrates. Ele quer o PS sem esse tirano à frente, pois a sociedade está toda asfixiada pela sua presença. Ai Jesus se volta a ganhar eleições, será o fim da pouca liberdade que resta. O professor pode não ter medo de existir, mas a existência aparece-lhe agora envolta no manto da catástrofe.

Por três vezes José Gil quantificou o número de indivíduos na manifestação de 12 de Março, a qual, numa afectuosa estimativa, reuniu entre 300 mil a ignotas centenas de milhares de pessoas. O seu exaltado gosto pela ficção deve ser tido especialmente em conta quando precisarmos de confundir este emocionado professor com um filósofo.

15 thoughts on “Amicus Gil, sed magis amica sapientia”

  1. Com professores de filosofia como este, não me admirei nada que os meus filhos tenham passado pela filosofia curricular e depois repetir com Duarte Lima (num frente-a-frente televisivo): a filosofia é a ciência com a qual ou sem a qual a gente fica tal e qual.
    Já estou farto de ver gente, que até me parece inteligente e chegou a professor catedrático, bolsar as maiores barbaridades.
    Ainda há dias ouvi o António Barreto, outro ilustre académico, sociólogo, afirmar que este governo andou seis anos a enganar os portugueses. Esta afirmação é feita do alto dos seus conhecimentos, naturalmente bem fundamentados, de que até há seis anos o povo não era enganado pelos governos e que todos PMs anteriores raramente tinham duvidas e nunca se enganavam. A desgraça portuguesa começou há escassos seis anos.
    Bardamerda para esta sabedoria de palha. E empalhada.
    José Gil filósofo? Pela amostra, “filósofo” deve ser alcunha.

  2. Bem, há sempre a hipótese de ele estar a falar só de Filosofia e do seu vetusto e arcaico Colega, o outro Sócrates…

    Parecer:

    Junte-se este Filósofo a Vasco Graça Moura, Medina Carreira, António Barreto, João Carlos Espada e Vasco Pulido Valente, entre outros.

    Despacho:

    Empalhe-se o ramalhete e afixe-se, em Edital, nos locais do costume e sob o título genérico “AQUI JAZ A INTELECTUALIDADE PORTUGUESA DO SÉC. XX” (Requiem aeternam dona eeis).

  3. A propósito, alguém se recorda daquele corajoso e brejeirinho artigo de Vasco Graça Moura sobre a sapiência do Povo quando escolheu o Sócrates pela segunda vez? Acho que ele até pode nem estar mal escrito de todo, basta trocar o termo “Sócrates” por “Cavaco”. Se calhar até soa melhor…

  4. O mal do país é que se perde tempo a falar mal do Sócrates. Se ainda fosse a falar mal do Cavaco ou do PPC ainda vá lá, agora do querido lider não, isso não!!!

  5. Caro Val,

    O engenheiro domingueiro lembra-me Michael Jackson [MJ] (estou a repetir a imagem) está (politicamente) morto e não sabe.
    Val, que gosta tanto dele, talvez, lho possa dizer, diga-lhe devagarinho, ao ouvido, com meiguice, qualquer coisa, como: «Zé, isto está tudo fod***, podias ter boas intenções mas fod**** tudo, pá, lembras-te do MJ, pá? Foi depois de morto que começou a vender discos como nunca. Sai de cena, pá, pode ser que o povo ainda venha a falar de ti como fala agora de Salazar… o que fazia falta era um Sócrates, pá, para aumentar os impostos, aumentar a gasolina, meter os juízes, os professores e a canalha toda na ordem»

  6. “Ele quer o PS sem o tirano à frente pois a sociedade está toda envenenada pela sua presença”.

    Recusei-me, como há muito faço, a ouvir o tal “Prós e Contra”. Não quero perder o meu tempo com o que ali se passa, pois, das vezes em que por ali me tenho detido, sempre me ficou a sensação, extremamente desagradável, que aquilo é muito mais Prós que Contra. Assim para aí: 80%para o lado dos Prós e 20% para o lado dos Contra. Isto evidentemente, para quem bem me queira entender, naquelas questões que muito claramente envolvam responsabilidades do PS e do Governo!

    E isso deve-se à extrema “habilidade” com que a moderadora sabe escolher quem convida mas também, penso eu, à disponibilidade que as pessoas manifestam para dar a cara num programa daqueles.

    Infelizmente e isto me parece um dado que eu cada vez mais sinto no meu convívio social, é cada vez mais difícil, hoje em dia, assumir com honestidade intelectual, com frontalidade, olhos nos olhos e não apenas aqui nos Blogues com que nos “masturbamos” (desculpem lá o possível excesso do termo) uma radical e veemente defesa daquilo em que acreditamos.

    Por isso pego nas palavras atribuidas a José Gil e que tomo com autênticas, para lhe dizer que sim, é de facto um verdadeiro e envenenante massacre o que suportam as mentes para quem toda a informação que possuem é a que lhes chega através dos media.

    Daí que, não seguramente com o sentido que o “filósofo” lhe quis dar mas no sentido que se prende com o que acabo de dizer “a sociedade está toda envenenada pela sua (de Sócrates) presença”. E é aqui que eu lamento muito dizê-lo, tenho pena que alguém com o prestígio que parece ser o de José Gil, não tenha tido a honestidade intelectual de esclarecer que o envenenamento não é da responsabilidade do visado mas de quem cobardemente, ao longo de anos e anos, outra coisa não tem feito do que cobrir de veneno a sua figura.

    De um “filósofo”, para fazer jus à etimologia da palavra, exigia-se, pelo menos, mais “amor” à verdade que ele conhece tão bem como todos nós e que tão cobardemente escamoteou.

  7. ANIPER,
    claro que a intervenção do José Gil não é da filosofia, assim como a do António Barreto não é da sociologia, apenas se mascaram de tal.

    Mas dá que pensar que todo o debate político, sociológico e “filosófico” em Portugal se faça, actualmente em torno de um homem:Sócrates. Os pró-Sócrates e os anti-Sócrates. Está tudo dito. Não me lembro de haver esta mobilização em torno de uma figura política ha muuuito tempo.

  8. Pois é, Edie! Excelente observação! De facto, nada mais é preciso para dar bem a dimensão da estatura política de alguém! Os 93% que os militantes socialistas lhe voltaram a dar, são obra! É isso, apenas isso e não mais do que isso, o que faz espumar de raiva e de inveja muita gente.

    Só uma última palavra sobre José Gil. O que pensar de um homem que já discorreu, e com muito acerto e profundidade, ácerca da idiossincrática inveja portuguesa e que agora é capaz de se perder desta maneira?!

  9. Para: “o ceguinho”. O teu pedido é muito ambíguo e deixa-me sem poder satisfazê-lo. Vê lá se percebes porquê!

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