Vinte Linhas 603

Fernando Pessoa – loja de esponjas com armazém anexo

Ofereceram-me hoje o calendário agenda/diário de 2011 com Fernando Pessoa na capa. Uma edição «Arte Periférica e 19 de Abril»; veja-se em www.jfd19deabril.com

A célebre foto do poeta da «Mensagem» denominada «em flagrante delitro» com a conhecida fragata dos Estabelecimentos Abel Pereira da Fonseca, foi em tempo para mim comentada pelo senhor Moitinho de Almeida. As circunstâncias fizeram com que em 1982 eu fosse abordado pelo poeta Joaquim Pessoa para um encontro com o senhor Napoleão Palma, director do jornal «Poetas e Trovadores». Nas reuniões sucessivas para relançar o jornal, conhecemos o descendente do patrão Vasques que obviamente não se chamava Vasques, tal como o António do escritório não se chamava António. Luís Pedro Moitinho de Almeida recordava-se bem de ser muito pequeno e de ir para o escritório do pai. De vez em quando o senhor Fernando Pessoa levantava-se e dizia: «Vou ao Abel!». Depois punha o chapéu e saía. Um dia o jovem comentou: «O senhor é uma esponja!» Logo o poeta respondeu: «Menino! Uma esponja não! Uma loja de esponjas com armazém anexo!» Um aspecto curioso desse tempo de 1982 tem a ver com a agência ANOP onde deixei elementos sobre e reestruturação do jornal «Poetas e Trovadores». Nos jornais do dia seguinte não foi referido o nome do poeta J. O. Travanca Rego. Quando, através de um jornalista amigo, quis saber a razão de tal «esquecimento» soube que o copy desk terá comentado para alguém em voz alta: «O nome é esquisito e além disso não é conhecido!» Ou seja ele também pensava que ser conhecido é o mesmo que ser importante…

8 thoughts on “Vinte Linhas 603”

  1. «… ele também pensava que ser conhecido é o mesmo que ser importante». A regra não se aplica de maneira simples; porque é complexa. O exemplo disso és tu próprio. Tentas ser conhecido para seres importante. Ou, então, julgaste importante para seres conhecido. Há quem seja conhecido e não seja importante e há quem seja importante e não seja conhecido. Mas há, também, quem seja as duas coisas: conhecido e importante, ou importante e conhecido! É a história do ovo e da galinha…

    Mas de mau-gosto achei a «graça» da esponja: maneira maldosa de chamar bêbedo ao Fernando Pessoa. A própria fotografia é desagradável. Mesmo conhecendo os «defeitos» de quem tem mérito, como é o caso, não fica bem atirar pedradas, que é como quem diz: pôr a nu aquilo que deve ser respeitado e resguardado. Pelo menos, silenciado discretamente. Fazer alarde dos pontos fracos dos outros, é muito pouco
    correcto, é maldade e grosseria pura.

    Também não vejo concordância entre o início do post e o seu final. Parece que se juntaram dois textos num só. Falta de coordenação e de unidade na escrita – jcfrancisco continua a não convencer quem o lê.

  2. Uma pergunta: a resposta de Fernando Pessoa data de 1982?! É que no seguimento do texto, pode ler-se: «Um aspecto curioso desse tempo de 1982»!!! Será que o Poeta era ainda vivo nessa altura?! Que saiba, Fernando Pessoa morreu em 1935!

  3. O que é certo, poeta, é que a agenda que lhe ofereceram não deixa de ter três meses a menos.
    Eu reclamava !
    Bom dia e paciência.
    Jnascimento

  4. O poeta J. O. Travanca-Rego faleceu há tempos. Quanto ao cabeça de burro que pergunta o ano da morte de Fernando Pessoa só por maldade eu não devia responder mas explico o óbvio: foi em 1982 que conheci o senhor Moitinho de Almeida que me contou a história passada no escritório de seu pai. Que Fernando Pessoa faleceu em 1935 toda a gente sabe menos os cabeças de burro. Meu Caro Joaquim – uma agenda bonita vem sempre a tempo, não tem prazo.

  5. Sobre a legenda da foto que é de autoria do próprio Fernando Pessoa – «em flagrante delitro» – só revela lucidez do próprio. Também faz parte da agenda. noutra página. Só um cabeça de burro não percebe.

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